Diz hoje que é dia mundial da Internete. Dantes os dias eram de santos, agora a santidade anda para aí virada. Nem este calendário de mudar a folhinha que aqui tenho na secretária traz já o santo. -- De que santo o dia é hoje?
Na telefonia lambuzam-se destas inanidades. Compõem-nas com floreados meditativos arrancados a bípedes sem penas. Esta manhã os da rádio estimulavam assim o intelecto desses transeuntes: -- E se acabasse a Internete?
Bem vê o leitor o drama cultural...
(O boneco é da Terra dos Sonhos ou lá como se chama.)
Uma perspectiva para Poente do lugar da Portela. A estrada adiante, a da Portela, vinha do lugar do Pote de Água (onde subsistem troços) e trazia a este lugar, da Portela, naturalmente. Mais à esquerda era a ermida do lugar, não sei de que invocação; a fotografia não a apanha. A casa em primeiro plano (à direita, com toponímia no cunhais) é a de há dias. A perspectiva lá era para o quadrante Norte. O lugarejo não era bonito, nem sei se teria alguma história. Dele não resta nada. Ainda estou para sobrepor mapas para ver quanto dele assentava na praça do Aeroporto.
O lugar da Portela de Sacavém, não vos equivoqueis, é onde fica o aeroporto da dita. Não lá em cascos de rolha, já fora de portas, onde levantaram uma urbanização medonha e para onde trasladaram um nome que não lhe pertence por... Nem sei dizer por que bizarria.
Estrada da Portela no entroncamento com a Estrada de Sacavém, Lugar da Portela de Sacavém, [1938].
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Esta manhã seguia adiante de mim uma relíquia automóvel pouco mais o menos do tempo deste. Cuido que era um Citroën 7 cv, com emblema do Automóvel Club.
Com a diferença de que seguíamos os dois para lá, íamos no lugar da imagem, pouco mais ou menos...
Fotografia de Eduardo Portugal, in A.F.C.M.L..

Hoje deu-me para isto – ir ao portal da Assembleia da República consultar a legislação a favor e as petições contra o Acordo Ortográfico. Queria saber quem andava a «mandar» no Acordo.
Da anterior legislatura surge-me sempre o deputado Feliciano Barreiras Duarte, um homem do Bombarral, à cabeça das instruções para arquivar os processos (495/X/3 e 511/X/3). Aparece-nos na net/A.R. e Facebook como «consultor jurídico» e «professor universitário». Na Lusófona, tem uma Licenciatura em Direito, pela Universidade Autónoma (1997). As outras inteligências de quem dependem as decisões, nesta legislatura (XII) serão, além de Nuno Crato, Francisco José Viegas e o próprio Primeiro Ministro. Sobre o Acordo, numa entrevista à Única (3 Set. 2011), pronuncia-se o Matemático Nuno Crato: «É um facto. Como disse, salvo erro, o Ministro dos negócios Estrangeiros, neste momento não é uma questão de opinião.». Um facto com «c», que poderia ter deixado algumas expectativas além do esforço visível de passar pelo intervalo da chuva, e sacudir a dita do capote. Os salpicos terão caído na gabardine «double-face» do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Este, enquanto director de O Independente (1988-1995), apoiou todas as campanhas nele feitas contra as tentativas de implantação do Acordo; surge agora (como Sócrates, José António Pinto Ribeiro e Gabriela Canavilhas) a considerar a língua portuguesa como uma «commodity» e factor de união com o Brasil.
As próximas petições irão provavelmente parar às mãos de Francisco José Viegas, licenciado em Estudos Portugueses e que se apresenta como editor de profissão. O que disser será ratificado pelo seu superior hierárquico, Pedro Passos Coelho, ele próprio semi-licenciado em matemática, e com o grau completo em Economia pela Universidade Lusíada (2001).
No texto do acordo propriamente dito, as regras são agora ditadas por um portal da Língua Portuguesa – em particular um grupo de investigação do I.L.T.E.C. — Léxico e Modelização Computacional – financiado pela F.C.T., chefiado pela Professora Margarita Correia, portuguesa de origem Venezuelana, com doutoramento em Letras e Linguística. Será a alternativa encontrada ao que a lei do dito A.O.90 exige: «a publicação de um Vocabulário Ortográfico Unificado da Língua Portuguesa, elaborado pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras, com a colaboração das competentes instituições dos países-parceiros do Acordo, o qual constituirá um instrumento de consulta e de resolução de dúvidas, que a aplicação de qualquer Acordo sempre levanta.» (aqui o historial todo para quem tiver paciência). Também dos países-parceiros Angola e Moçambique ainda não o ratificaram.
Espera-se pois que o Acordo acabe em facto consumado, à patada, sem os instrumentos considerados necessários até pelos «acordistas» – caminhando a asneira incólume às opiniões dos grandes especialistas da nossa língua (portugueses e brasileiros), de relatórios académicos sérios e bem fundamentados, de múltiplas petições com muitas mil assinaturas.
Parafraseando o linguista António Emiliano e o cineasta e autor António de Macedo – a quem anda a aproveitar o crime?
Helena Barbas, Á espera do fa(c)to consumado, 27/I/12.
É a tropa deste gabarito que andamos entregues.
Há inúmera gente que papagueia muito porque, em si, sabe muito pouco. Um chavão recorrente (e o mais estúpido) dos acorditas é chamar velho do Restelo a quem defende a ortografia em vigor, a do acordo de 1945 que o Brasil rompeu. Houve alguém que perguntou a um daqueles: -- «Então os que estão contra esta algaraviada de acordo são velhos do Restelo? E você é o quê?»
Um modernaço do Restelo. De 1911/12.
Illustração Portugueza, n.º 310, 29/I/1912.

Manda-me um generoso correspondente esta do ramal nacional 105-1 dizendo como sei que gosta dos marcos dos km 0, aqui lhe deixo um para seu prazer (espero eu, pelo menos foi essa a ideia); já andei à cata de mais, mas estes marrecos parece que se comprazem em arrancar os velhos e deliciosos marcos quilométricos e substituí-los por outros de lata que, a breve trecho, aparecem todos torcidos ou...desaparecem.
Quem há-de de comprazer-se com este agora, estou certo, é o confrade Manuel do H Gasolim Ultramarino que tem uma curiosíssima weberneta de cromos -- sabíeis? -- com inúmeros marcos do plano rodoviário de 1945.
Alguma preferência pelos marcos zero advém da sua maior raridade, pois o crescimento urbano engoliu fatalmente muitos deles -- recorda-me de imediato o da E.N. 249, às Portas de Benfica, que levou sumiço na faustosa obra da C.R.I.L..
No caso aqui, permanece o quilómetro certo no lugar exacto. Com marco errado, porém. Como na Nacional 385 no termo de Mourão, o marco 0 do ramal nacional 105-1 pertencia-lhe ser miriamétrico.
E.N. 105-1, Ermesinde (prox.), [2012].
Fotografia gentilmente cedida pelo sr. J.A.A.P..



Pastelaria Berna com uma manifestação diante. Foi numa longa noite fascista em que mais de dois eram uma «manifestação»...
Reclamo luminoso (Pastelaria Confeitaria Berna), Esquina da Rua da Beneficência, [s.d.].
Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
José Sobral de Almada Negreiros poeta do Orpheu, narciso do Egipto, actor, pintor bailarino, e tudo. Estou cá a cismar se «e tudo» pode conter aquele photógrapho compondo o ramalhete empoleirado numa escada. Ele parece... Ou não?...
Almada Negreiros por Stuart de Carvalhais.
(Imagem do álbum de Paulo Vasco.)
C'est moi, c'est La Folie
Qui vient de dérober la Lyre d'Apollon
Rameau, Platée (La Folie)
Mireille Delunsch, François Le Roux, Musiciens du Louvre, 2002.
Ana de Amsterdam
Apdeites V3
Arquivo Digital 7cv
Bic Cristal
Blogo de Cheiros
Blogo da Rua Nove Onze
Cabo Carvoeiro
Caminhos de Ferro Vale Fumaça
Carmo e a Trindade (O)
Carreira da Índia
Chez George Sand
Cidade Surpreendente (A)
Clima: Virtual vs. Real
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