Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014
Pateo das Aguias

 Tenho notado ultimamente alguma freguezia que me cá chega ao Pateo das Aguias reencaminhada do livro das fuças. Não lhe sei origem mais detalhada, nem o interêsse que a move...
 Segundo me em tempo contaram, foi o Pateo das Aguias parece que um alfobre de jornaleiros ardinas e de futebolistas -- alguns d'elles de nomeada -- tipos lisboetas de bairro bem caracteristicos até pouco mais de meado do séc. XX. Depois d'isso, quem sabe... -- Encarrapitava-se este pateo alfacinha no Alto do Pina, bem ao cimo da Calçada da Ladeira, no seu lado S, confrontando-lhe o portal para a primitiva Rua do Garrido. Na voragem demolidora da Calçada da Ladeira, aquando da feitura da Alameda de Dom Affonso Henriques nos annos 40, foi-se o Pateo das Aguias e os seus habitantes houveram-se de mudar de bairro. Não foram, porém, para longe d'ali...
 Uma planta d'este pateo alcandorado no cimo da moderna Alameda, á Rua do Barão de Sabrosa, foi o melhor que me appareceu no esgravatar d'estas novidades antigas que então emprehendi. Escapou-me entretanto o pormenor d'uma photographia de Eduardo Portugal de Dezembro de 42, que o mostra  visto de fora, decadente, mas com feição completa, firmemente encastellado ainda no cume esventrado do Alto do Pina.
  Bom, mas por ora, prima o benevolo leitor, se fizer favor, a imagem se quizer ver melhor o enquadramento.


Pateo das Aguias, Alto do Pina, 1942.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 17:00
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Natal é quando o commercio quizer

 N'um paiz em que se tudo faz em cima do joelho, vejo agora armarem luzes de Natal pela Alameda e Av. Almirante Reis. Vamos em meio de Outubro...

Terraplenagem da Alameda Dom Afonso Henriques, Lisboa (e. Portugal, 1938)

Terraplenagem da Alameda, Lisboa, 1938 (Outubro).
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 16:31
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Domingo, 19 de Outubro de 2014
Drogaria Ferreira, casa fundada em 1755





Photographias: Rua dos Condes 2-18, Lisboa, c. 1900; Alberto carlos Lima, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 13:59
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Photographo em serviço

 Confrontar com o photographo compondo o ramalhete. N' aquell' outra pareceu-me Almada Negreiros; n'esta nem tanto. N' aquell' outra não identifiquei o lugar. Sei agora que é a Rua dos Condes: ao fundo o Atheneu Commercial; á esquerda a Drogaria Ferreira, casa fundada em 1755; ante o photographo, com certeza o objecto do seu trabalho, o cinema Olympia.

Photographo em serviço, Rua dos Condes (J. Benoliel, c. 1912)

Photographo em serviço na Rua dos Condes, Lisboa, c. 1912-13.
Joshua Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 13:45
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014
Get smart

Como seria estupido dizer-se «telephone esperto» gente intelligente vem e diz «smartphone».


(Imagem na 2.ª parte da Arte da Articulação.)



Escrito com Bic Laranja às 18:16
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014
Portugal e o enxugo

 Drenagem é gallicismo, é novecentista. Ramalho usou-o certa vez...
 Referindo-se aos campos (e do mesmo modo, porque não, a cidades...) os nossos antigos -- incluindo alguns engenheiros do fontismo [melhor, da Regeneração] -- diziam enxugo por drenagem. No Ribatejo, terra alagadiça, recordar-se-hão por ventura de o ainda dizer em referindo-se ao reverso das cheias na leziria. Em redacções de jornaes ou na Camara Municipal do Intendente comprova-se hodiernamente que nada d'isso, nem pensar! Pior: nem com drenagem vamos lá. A cavalgadura que (diz-se) preside ao municipio, nem o modo conjunctivo dos verbos parece capaz de usar...

Segundo o socialista, «não haverá nenhum systema de drenagem que permittirá [i.é que permitta] evitar situações deste genero» (Antonio Costa: «Não existe solução para as cheias em Lisboa», in R.R., 14/X/2014 -- graphia adaptada.)

 Emfim, a ramalhal figura valeu-se da drenagem em 1888 (carta a Emilia de Castro) para referir o caso clinico de esvaziar um furúnculo ou algo assim... Sobra-nos porém d'aquelle Costa que, não havendo entupimento, se nos aggravará o caso com o problema dos vasos communicantes...
 Uma gaita, onde o enxugo irá parar!...

Innundações na Av. 24 de Julho, Lisboa (J. Benoliel, 1945)
Innundação, Av. 24 de Julho, 1945.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

(Revisto ás sete e um quarto da tarde.)



Escrito com Bic Laranja às 11:50
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014
Piscina dos Olivaes

 Obra municipal do tempo do Estado Novo votada ao abandono por vereações democraticas empenhadas em metter agua de maneira mais estrondosa.

Piscina dos Olivaes, Lisboa (Estúdio de Horácio de Novaes, post 1967)
Piscina dos Olivaes, Lisboa, post 1967.
Estúdio de Horácio de Novaes, in bibliotheca d' arte da F.C.G.



Escrito com Bic Laranja às 14:28
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014
Problema de inundações

Carro a atravessar a ria, Aveiro (A. Pastor, c. 1952)Carro no meio da ria, Ria de Aveiro, c. 1952.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 17:21
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Domingo, 12 de Outubro de 2014
O regresso civilizacional

Debret, oficial régio passeando publicamente (Rio de Janeiro, 1816).jpg

 Sei desta de Debret, do oficial régio que passeia com a família, no Rio de Janeiro, em 1816. Era hábito instituído na época o chefe da casa passear-se sempre à frente dos filhos, da mãe, dos criados e dos escravos, necessàriamente nesta ordem. Em 1816, o Brasil não era com certeza das terras mais civilizadas, mas havia esta ordem formal, quase protocolar, na vida pública. Atrevo-me a pensar que se chegou a tal nos alvores do séc. XIX como corolário dum processo civilizacional.
 Ontem vi nos noticiários televisivos imagens, não dum oficial régio, mas de boa parte dum governo de camisa aberta e mãos nos bolsos, deambulando a par de caixotes de lixo e paredes borradas de grafitos, e notei que qualquer subalterno(a) se punha adiante do primeiro ministro. Este governo do séc. XXI ia e vinha de reunir-se oficialmente em conselho num vulgar 9.º andar dum mamarracho digno de qualquer subúrbio berlinense da 2.ª metade do séc. XX.
 O processo civilizacional, parece-me, deu em regresso civilizacional, mas há quem louve a frescura simplória dos modos e trajos desta representação do Estado Português. Pois que me explique daí o avultado de tantos gastos desta gente. Não hão-de ser só os carrões alemães.

Pose de Estado, Lisboa (R.T.P., S.I.C., 2014)


(Estampa de Debret in Colégio de N. Senhora de Lourdes. Imagens da XIX.ª comissão liquidatária da Radiotelevisão Portuguesa brasileira e da Sociedade Industrial de Comunicação concentrados, 11/X/2014.)



Escrito com Bic Laranja às 19:08
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014
A Mina e o guinéu (moeda)

 Esta manhã, a propósito de quebrados e medidas do sistema imperial, caiu a conversa no dinheiro inglês e na complicação que aquilo era.
 -- Um xelim são doze dinheiros -- diz-me o meu interlocutor.
 Veio ao caso um
passo d' «O Natal do Sr. Scrooge», de Dickens, onde uma inábil tradutora, sem sombra de ideia do que traduzia, verteu uma semanada de 5 xelins e 6 dinheiros (five-and-sixpence no original) numa renda de 5 ou 6 pénis [credo!] por semana.
 E
mpreendendo agora na questão do velho dinheiro inglês leio que desde a Batalha de Hastings em 14 de Outubro de 1066 (está para fazer anos), a libra se dividiu na Inglaterra em 20 xelins (s. <= lat. solidus) ou 240 dinheiros (d. <= fr. denier <= lat. denarius) -- Ora 240 ÷ 20 = 12, portanto 1s. = 12d. -- um xelim são doze dinheiros! -- Afinal parece fácil.
 Tornando a Dickens recordo-me doutra moeda inglesa em que se também falava: o guinéu (g.). O guinéu é mais de 1 libra; são 21 xelins -- ou 1 libra e 1 xelim, por conseguinte -- e tem a curiosidade de ser (ou haver sido) considerado mais digno nas contas do que a libra; pagar-se-ia a um mesteiral em libras, mas, negócios entre cavalheiros acertavam-se em guinéus (v. Mandy Barrow, «Antigo dinheiro inglês», in Vida e Cultura Britânica).
 Outra curiosidade do guinéu é
derivar-lhe o nome da Guiné, a região de África desbravada pelos portugueses no fim do séc. XV, donde afluiu muito ouro à Europa e onde D. João II mandou Diogo de Azambuja levantar a feitoria de São Jorge da Mina em 1482. No pico da exploração do ouro da Mina, nos alvores do séc. XVI, consta que tiraram os portugueses de lá mais de 11 t de ouro por ano...
 Tem graça, pois, que as voltas e os quebrados da libra esterlina -- moeda de prata -- venham lá do Guilherme da Normandia ou até do Carlos Magno. Mas mais graça tem, todavia, que as voltas do guinéu -- moeda de ouro de valor superior à libra -- venham da acção dos portugueses na História Universal.


Castelo da Mina, mapa português do séc. XVI na Quipaedia.



Escrito com Bic Laranja às 21:45
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Quotidiano em Lisboa quando a esfinge de Gizé ainda tinha nariz

Rua Francisco Sanches, Lisboa (A Madureira, 1960).
Rua Francisco Sanches, 156, Lisboa, 1960.
Arnaldo Madureira, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 13:05
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014
Cavalinhos de baloiço e administradores zeiniais

genial Baba levou novo coice, agora duns brasileiros não foi? Demasiado balanço nos cavalinhos doutros meninos...!

Av. João XXI, Lisboa (A. Pastor, 1980)
Av. João XXI, Lisboa, 198...
A. Pastor, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 21:43
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014
Um pequeno «paço» para a Aritmética, uma cabriola monumental na burrice

 Perante uma chocarrice assim alguém esperaria resposta?
 Pois o pobre Hernâni não só respondeu (santa inocência!), como se me saiu com isto: -- «Bic Laranja. Você está certo quando aos primeiros paços (sic) da aritmética
 Percebo inteiramente como deu o Hernâni em chacinar o seu próprio nome, mas daí querer derramá-lo na totalidade do idioma, Deus nos dê paciência!...

 As Sete Artes Liberais, in Museu Britânico.



Escrito com Bic Laranja às 22:51
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A propósito de bronzes

 Obra do escultor Leopoldo de Almeida inaugurada em 24 de Novembro de 1970 e apeada num desses cunhais da História...
 Como entretanto as fundições de canhões nacionais cederam lugar à importação de submarinos p.p.p. pode ser que se ache [a estátua] nalgum armazém da falsa História -- a tal que nos legou uma pesada herança que também não existe...

Monumento ao marechal Carmona, Campo Grande (A.Serôdio, 1970)
«Por Portugal uno e indivisível», Campo Grande, 1970.
Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 16:48
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A propósito de bustos
História de Portugal XV (Verbo, 2002) História de Portugal XVI (Ed. Verbo, 2006 ) História de Portugal (Verbo, 2008)


 Há cinco anos publiquei estas imagens para ilustrar a representação do Estado na II.ª e na III.ª repúblicas. As de cima são dos últimos volumes da História de Portugal do prof. Veríssimo Serrão. As inferiores (literalmente e em todos os sentidos) são da Presidência abrilina. Como documentos históricos a sua eloquência é óbvia. Como sinal dos tempos, as superiores, tal como a II.ª República, nunca existiram.

   Mário Soares (Júlio Pomar) Jorge Sampaio (Paula Rego)


(Imagens da
Editorial Verbo e do museu da Presidência)



Escrito com Bic Laranja às 12:22
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