Quinta-feira, 2 de Julho de 2015
Da resistência ao aborto gráfico

 Quem me conhece sabe que não sou de militâncias. Não me embalo com democracias. Todavia há maneiras de prosseguir intentos.
 O surpeendente empenho do institucionalão saco de plástico, apanhou-me num fim-de-semana na praia e tomei consciência que o inacreditável estava a ir por diante com mão invisível ante a bovina atonia geral. Depois da petição das 100 000 assinaturas à Assembleia encabeçada por Vasco Graça Moura haver sido humilhantemente arquivada ao esquecimento por uma horda de deputados desqualificados, parecia-me bem que mais nada se haveria fazer por contrariar a ignomínia. O que era surpreendente! Porque todos a que falava na porcaria do aborto gráfico se mostravam tão contrariados e ofendidos como eu.

 Pois bem, no meio daquela resignação fúnebre animei-me quando descobri a I.L.C. e os seus mentores, que prosseguiam, afinal, o intento de atalhar ao vergonhoso aborto gráfico com um projecto definido. A I.L.C., com os seus mentores e colaboradores era o único porto de abrigo dos que, como eu, não desistia mas não viam bem o que fazer.

 Infelizmente a I.L.C. não teve êxito. Congregadora de vontades individuais, mas apolítica, apartidária e não corporativa -- uma verdadeira iniciativa de cidadãos -- a I.L.C. demonstrou que a democracia -- sempre incensada nos media e agitada panfletariamente contra ditaduras e fassistas -- há-de ser boa é para... gregos. O diário Público e o semanário O Diabo, que se assumiram e assumem militantemente contra o aborto, e outros que continuam a escrever em português sem caso de abortografias como o Sol, o I ou os Económicos ou a revista Sábado, nenhum - NENHUM! -- se dispôs a encartar os impressos da I.L.C. para recolha das necessárias 35 000 assinaturas. Outros, por vaidade, ciumeira ou sei lá porquê, em lugar de congregarem a massa de descontentes que como eu andava à nora em 2010, dividiram-na. -- O espectáculo dos grupelhos rivais da I.L.C. no livros das fuças livro a maldizerem-se, e com erros de português, foi desgraçado.

 Chegados aqui, o aborto gráfico tomou Portugal de presúria e, refastelado no diário do governo, alambazado aos dicionários, mina tudo para embrutecimento do indígena. Ele é ver o índex das asneiras compilado pelo J.P.G. da I.L.C.. A única asneira que lá falta -- a pior, a meu ver -- é dos novos mentores do referendo que surgem agora ou mais uma vez a fazer melhor que a I.L.C.: recolher, não 35 000, mas 79 000 (!) assinaturas para propor um referendo àqueles deputados engajados a tudo menos às Belas Letras ou sequer à Gramática. Como o farão não sei dizer, sem o empenho de diários, semanários, pasquins ou folhas de couve com um encarte de impressos com descrevi em cima, e sem os voluntários que angariaram a custo e expensas próprias as c. de 15 000 assinaturas da I.L.C. ...

 E é isto, a resistência ao aborto gráfico. Cada um faz a sua. Eu, por mim, enquanto tiver caneta e força nos dedos vou assinando e rasurando. E evitando protagonismo.

 Isto foi só um desabafo!... --  E agora vou ver a corrida na monumental da minha terra.

Arte & Emoção.
(Imagem da Radiotelevisão Portuguesa, ex-programa «Arte & Emoção».)



Escrito com Bic Laranja às 20:37
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Toiros na R.T.P.

Não me refiro a ninguém... É só o título do oráculo das corridas de touros que hão-de dar.

Toiros na Radiotelevisão.JPG
(In O Diabo, 23/6/15.)

 



Escrito com Bic Laranja às 08:01
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2015
Que jeito me daria!...

 Calhava bem haver alguém capaz de esquartejar o Lince e pô-lo a trabalhar às avessas. Um Lince multiplicado por menos um para emendar os aleijões do Acordo Abortográfico. Isso é que era!
 Como se decifrará esta gaita...?

UM LINCE QUE CORRIGISSE AS MUTILAÇÕES DO ACORDO ORTOGRÁFICO



Escrito com Bic Laranja às 18:57
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Da espuma dos dias

 Na espuma dos dias fervilha a Grécia. Na bancarrota há anos e a pagar o dinheiro que pediu emprestado com dinheiro pedido emprestado, hoje deu um calote porque lhe ninguém não emprestou mais. Estas coisas têm mais graça ditas por entendidos que falam na telefonia: um diz que é incumprimento oficial, outro chamava-lhe incumprimento objectivo; graças a Deus que não é default !...

  Com a bancarrota da Grécia, que hoje é oficial e objectiva, a bolsa -- perdão os mercados --, ontem, quando não era nem uma nem outra, afundava (?!). Ora hoje, sendo como é, estava em alta. -- Natutralmente não espero as marianas adams e outros entendidos que sopram nas telefonias desta vida saberem de verbos pronominais ou transitivos, portanto assumamos o crash do complemento enquanto a cotação da gramática na bolsa nos mercados se afunda. Daqui podemos continuar em alta na evolução o idioma para os níveis da linguagem infantil: -- «Senta aqui. Vê como os mercados afundam? -- Isto para não dizer que este nível de linguagem é equivalente ao falar crioulo...

 A bola (a bola jogada, não a chachada do jogo falado que dá todos os dias nas TV), -- quando me dedico a olhar para ela em dias letárgicos quando se me pega o quebranto dalguma lazeira estival -- é uma monotonia bocejante. Um tédio de dar sono! Ontem vegetei na 2.ª parte  e prolongamento do campenoanto europeu de reservas enganado pelos 5-0 à Alemanha. -- Dantes diziam-se reservas, depois chamaram-lhe esperanças e hoje designam o escalão em modo de rotina informática como sub-21. A evolução da linguagem é bem o marcar passo desta civilização:
  Reservas carreava uma réstia de linguagem militar (nada em que se hoje queira pensar), com divisões de primeira linha e, cá está, reservas; não era dispiciendo dizê-lo assim pois falamos em grupos de homens de 20 anos, em boa idade de assentar praça...
  Já as esperanças eram muito mais deste tempo adociçado, em que ir á tropa obriga a uma anacrónica disciplina e... é violento; a violência e a virilidade quere-se aparente só, como os povos primitivos e as suas típicas pinturas de guerra; daí verem-se os atléticos corpanzis dos ases da bola todos alcatifadinhos de tatus que até assustam.
 Sub-21 será, afinal, o último grito de excelência tecnológica aplicada ao corriqueiro do dia-a-dia que é falar da bola à mesa do café com o diário da dita à frente: a segmentação sub- é para o indígena se não perder, segundo o melhor rigor da automação; nada de juvenis, juniores &c., que eram uma confusão.

 Pois os ditos sub-21 andaram por lá, na Europa, em campanha e... fracassaram!
 Hoje o Cavaco felicita a selecção nos jornais e até o Figo, nas redes suciais, lhe deu  parabéns!
 Acho piada a estes tiques de linguagem porque mostram o arrumo das cabeças e a pureza do papaguear.
Noticiário desportivo (Google, 1/1/15)

 

(Muito revisto às 11h00 da noite.)



Escrito com Bic Laranja às 13:00
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Da real palavra de honra e de certa pontualidade... descabelada

(Nesta agora mistura-se o comboio e a pontualidade por um cânone assaz extravagante — ou out of the box, como parece chic a valer louvar-se por aí agora qualquer imbecil extravagância...)

In illo tempore, conta Trindade Coelho o curioso e caricato caso que pregou na cadeia academica, em «paternal custodia», os estudantes Azevedo e Silva e Manuel Palma, que eram redactores duma folha, a Evolução, que publicavam em Coimbra. Aquilo é que foram tempos de censura e presos políticos...

« Este incidente do Palma e do Azevedo e Silva, foi dos mais interessantes do meu tempo de Coimbra. Foi por causa da Evolução, um jornal de que o Palma era também editor, e onde sahiu um artigo do Azevedo e Silva, irreverente para a Universidade! Foram julgados pelo conselho de decanos, que os condemnou a uns dias de prisão e á perda de um anno; mas os dias de prisão foram de um grande pagode, porque á porta da cadeia academica, na rua dos Loyos, tinham sempre musica á hora de jantar, e champagne e companheiros a rodos; e quanto á perda do anno, remediou-se com uma portaria que revogou o accordão do conselho de decanos, mas que foi arrancada a ferros pelo Eduardo d' Abreu, ao ministro que era então o Fontes! Farto já de telegraphar ao Fontes sem resultado, o Eduardo d' Abreu apresentou-se na estação de Coimbra, quando o rei D. Luiz vinha do Porto de inaugurar os Albergues Nocturnos; e depois de conferenciar com Sua Magestade, no salão do comboyo, como o rei, constitucionalmente, só lhe désse bonitas palavras, e o Fontes, que estava ao pé, nem isso ao menos, o Eduardo d' Abreu vem á plataforma do salão real, e grita assim para a Academia toda:
  — Estudantes de Coimbra! Sua Magestade El-Rei acaba de me dar a sua palavra d' honra de que logo que chegue a Lisboa fará expedir uma Portaria readmittindo os estudantes Azevedo e Palma! — Viva Sua Magestade El-Rei!

Comboio n.º 1 (M. Novais 1933-83)

  A cara do Fontes não se descreve; mas caso é que logo que chegou a Lisboa, a Portaria foi expedida, e em Coimbra, durante uns poucos de dias, reinou um pagode real! Tenho todos os documentos, sem faltar um, d'esse longo e accidentado incidente, e formam um volume como um diccionario!
  O Azevedo e Silva está advogado em Lisboa, e é um commercialista de grande nomeada, aliás justissima; — e o Palma, o Manuel Palma que era o rei dos rapazes, e a quem chamávamos o conselheiro por usar barba toda e ser o modelo da pontualidade e do apuro, esse está em casa no Alemtejo, acho que em Beja.
  A pontualidade do Palma era tal, que cortava sempre o cabello no dia 1.º de cada mez, no Vaz que tinha loja de barbeiro ao pé da Feira; e como quer que uma vez alterasse a regra, e nos apparecesse na aula, no dia 1, sem o cabello cortado, e só o cortasse no dia 3, o Alfredo da Cunha fez-lhe logo estes versos:


Caso estranho e singular!

Singular e estranha ideia !
Venham sábios da Chaldeia
Tal phenomeno explicar!
Elle — o Palma — foi cortar
O cabello em dia três!!!
Mas porque é que d'esta vez,
Porque é que elle desvairou,
E o cabello não rapou
No primeiro d'este mez?!

Trindade Coelho, In illo tempore, estudantes, lentes e futricas, Aillaud, Paris — Lisboa, 1902, pp. 152-153.

 

 Pois deste caso tenho ainda que me meti hoje, eu, a ensaiar a tonsural pontualidade do Palma. Com uma diferença, que foi a de cortar o cabelo em dia 30 — o último do mês e não o primeiro — porque doutra forma não acharia como o fazer em tempo de aparecer na aula, no dia 1, com a lã tosquiada.

tonsure.gif


Imagens: Locomotiva D. Luiz, [s.l.], 1933-83. Mário de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.; Fradinhos, da rede...



Escrito com Bic Laranja às 00:05
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Domingo, 28 de Junho de 2015
Junho

Tirando o de 81 este é o Junho mais quente que me lembra. Em 81 foi um record em Lisboa: 43ºC, pelos meados do mês. Recorda-me de, para refrescar, tomar uns duches de água fria à tardinha. Ao depois ia-me plantar à porta da minha mãe em tronco nu e de chinelos, a tomar fresco; apareciam normalmente uns quantos vizinhos à cata do mesmo.
 Este Junho de 15, agora, também entra nos meus records: dos duches sem precisão de esquentador à cata do de  81...
 Esse Junho de 81 foi prenúncio dum Verão estupendo, o Verão do Zé, do Jaime e do Pedro (ou vice-versa); o Verão da Fórmula 1; o Verão, também, do gira-discos que me deu o primo Zeca; o Verão, ao depois, do Jackpot, que por acaso não veio com o Joe Dolce... -- Mas para mim também foi o Verão dele. Lembra-me cada vez que o oiço.



Joe Dolce, Shaddap You Face



Escrito com Bic Laranja às 21:58
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Sábado, 27 de Junho de 2015
Via transviada

 

Faz-te mercê, barão, a Sapiência
Suprema de, cos olhos corporais,
veres o que não pode a vã ciência
dos errados e míseros mortais.

Os Lusíadas, X, 76.


 Renato Epifânio tem uma coluna n' O Diabo: «A Via Lusófona». -- Só este nome...

 Renato Epifânio publica esta semana uma «Carta Aberta ao Ministério da Educação do Governo de Portugal» (O Diabo, 23/VI/15). Saúda, em associação à Associação de Professores de Latim e Grego, a pretensão do dito Ministério de desenvolver um projecto de Introdução à Cultura  e Línguas Clássicas. -- Note o benévolo leitor bem: a pretensão de desenvolver um projecto de Introdução à Cultura e Línguas Clássicas... -- i.é, a vontade (uma ideia) de um projecto (outra ideia), a ser desenvolvido (que não existe senão em ideia, portanto), ao que se seguirá levar a cabo a introdução duma disciplina (a realização, finalmente...) de... Introdução à Cultura e Línguas Clássicas. Não será pròpriamente uma disciplina de Cultura e Línguas Clássicas, mas uma disciplina de Introdução, um intróito em jeito de sucedâneo.
 Menos mal. À falta da mestria (i.é, saber consolidado com aptidão de fazer obra e que se traduz em português pelo poético know-how), saúde-se, pois, a funda elaboração teórica da ideia duma vontade de fazer um projecto de ensinar pela rama cultura e línguas clássicas aos meninos da escola primária. Ou do ensino básico...

 Renato Epifânio afirma (bem) que Portugal deve preservar a sua matriz cultural... contrariando uma certa inércia para o esquecimento histórico, bem patente, por exemplo na diluição da raiz etimológica de grande parte do nosso vocabulário que o novo acordo ortográfico propõe.
 Na última parte, porém, é que Renato Epifânio é fraquito: a certa inércia para o esquecimento histórico não é inércia, é trabalho empenhado de apagar a memória histórica; e tal labor é (tem vindo a ser) levado a cabo com afinco; quem dera fosse, como lá atrás, mero pregão da pretensão de desenvolver um projecto de -- neste caso agora -- esquecimento histórico (não passaria de uma ideia...) E somando-lhe a diluição da raiz etimológica de grande parte do nosso vocabulário não é, como o Epifânio diz, o novo acordo ortográfico que propõe; o verbo é mais imperativo e o seu agente é feroz e empenhado no propósito: é como o Governo de Portugal e o respectivo Ministério da Educação -- a quem Renato Epifânio se meigamente dirige -- ditam, impõem.

 Renato Epifânio afirma ao depois (bem, também, mas todavia aquém...) que Portugal deve renegar a saloiice de atitudes como a do bom aluno europeu que sucessivos governos assumem (pior, digo eu, fomentam e elegem em doutrina) a olhar de baixo os restantes povos europeus, concluindo que, não temos, em suma, de sentir um complexo de inferioridade em relação a qualquer outro povo deste nosso comum continente.
 Muito bem, muito bem! Mas... mal se enxerga Renato Epifânio. -- Que faz ele para aí com o qualificativo «lusófono/a»? -- Não encerra este termo todo um sentido de diluição e complexo de inferioridade em relação a qualquer povo daqueloutro nosso comum Mundo Português? -- Não é a Via de Renato Epifânio «lusófona» por medinho de afirmar-se portuguesa em toda a sua dimensão material e espiritual, ou seja Lusíada?

 Enquanto não puxar pela mioleira bem pode Renato Epifânio prosseguir nas (trans)vias da luso-fonia cujo literal significado mais não será que luso-gargarejo: ou seja, a velha e vernácula garganta!


(Imagem: Tétis revela a Gama a máquina do Mundo. Carlos Alberto, óleo s/ tela (?) da colecção do autor, in Os Lusíadas de Luis de Camões ilustrados por Carlos Alberto Santos e anotados por João Manuel Mimoso.)



Escrito com Bic Laranja às 13:47
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2015
Monos da outra banda

Quando se pensava ser impossível algo mais ridículo do que Allgarve

Chegam os três estarolas presidentes das câmaras de Almada, Barreiro e Seixal com mais um contributo precioso para o anedotário nacional: «Almada, Seixal e Barreiro transformam-se em 'Lisbon South Bay'.» No Público (e não, não é no  Inimigo):

« Lisbon South Bay é o novo nome adoptado para os territórios da margem sul do Tejo, geridos pela Baía do Tejo, empresa pública do universo Parpública, e integrados no Arco Ribeirinho Sul.
  O nome, apresentado esta quinta-feira pela administração da empresa e pelos presidentes das três câmaras municipais (C.D.U.), resulta de um estudo de
marketing em que foram realizadas mais de mil entrevistas, a entidades e pessoas da região, e tem como objectivo, segundo o presidente da Baía do Tejo, facilitar a promoção internacional dos parques industriais do Barreiro e Seixal, e a Cidade da Água projectada para os terrenos da antiga Margueira, em Almada. »

A sorte desta gente é que o ridículo não mata.

(João Campos, in Delito de Opinião, 25.06.15.)

 

*        *

*

 

 O caso desta gente é que já morreu. Suicidou-se. Tudo isto que se lhe vê lhe brota naturalmente do bestunto aculturado. Gente que dá em desprezar o seu modo natural tomando modos estrangeiros é gente fraca, de alma servil que não tarda em perder a noção de si, havendo de aculturar-se ao que primeiro lhe chegue. Em esquecendo-se de si, da sua identidade, ao ponto de lhe começar a linguagem a aflorar espontânea e naturalmente no modo estrangeiro sobrepondo-se ao seu falar original anterior, será quando esta gente com certeza atingiu o ponto de não retorno; é quando esta gente deixa de ser a gente que é e se torna gente outra.
 Perdida a consciência de si, o que lhe observo cada vez mais é que, para exprimir uma ideia (se a tem), se vale esta gente em primeira instância do amaricano da cultura que a domina, que lhe espontaneamente sai, assim, tão natural como a sede, como diziam naquele anúncio feito por esta gente, dantes, e quando na sua terra era o estrangeiro que falava o Português.


Aquela gente..., in Setúbal TV [de Setúbal].

(Revisto.)



Escrito com Bic Laranja às 20:04
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Terça-feira, 23 de Junho de 2015
Depois das carreiras da Trafaria, o...

Eléctrico, Sintra (Wenher Krutein, 1955-65)Eléctrico de Sintra (Wenher Krutein, 1955-65, in Portugal Velho).



Escrito com Bic Laranja às 09:42
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2015
Das carreiras da Trafaria

 Em chegando à Trafaria eram as carreiras para a Costa que eram encarnadas...

Cacilhas, 2 (M. Hearson, s.d.)
Camioneta da carreira da empresa Transul, Cacilhas, 1968-75.
Diapositivo de autor não identificado restaurado por Martyn Hearson, in Flickr.



Escrito com Bic Laranja às 21:57
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Domingo, 21 de Junho de 2015
Praia do Sol

Praia do Sol, Tejo (A. Pastor, 1973)
Praia do Sol, Rio Tejo, 1973 (?).
Arthur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

 
 Devo ter navegado nele. Quase de certeza.
 Em meninos somos atentos ao que nos rodeia. Muito nos fica gravado na ideia e nunca mais o esquecemos.
 As travessias de barco da minha infância para a praia, de Belém à Trafaria, eram uma aventura que me fascinava; reparava muito nas bóias e nos pneus que rodeavam o barco; dois padrões. As bóias eram para se salvar a gente se se o barco afundasse -- dizia-me a mãe. -- E os pneus? -- Notava que não eram bem como as bóias... -- Os pneus também -- atalhava o meu irmão, espigadopte e... -- Servia tudo para o mesmo...
 Reparava depois muito na espuma que se formava quando o cacilheiro ia cortando as águas. Perguntava como e porquê? -- O mano, com oito anos de avanço sobre mim sabia, é claro. E dizia-me com toda a sabedoria: era Omo. O barco deitava Omo à água, como a mãe para lavar a roupa... -- Não percebia bem, ali, para lavar o quê, mas, lá que explicava a espuma, explicava...
 Depois, do meio do Tejo, eram aqueles reservatórios na outra banda como os da Sacor no Cabo Ruivo que víamos lá de casa. Só que estes eram da Esso e lá onde estavam era o Porto Brandão. Mais tarde soube ler-lhes as letras E S S O pintadas em quatro deles, uma em cada um, não havia dúvida. Reparava muito neles. Ainda reparo. Mas nunca passávamos muito perto porque o barco que apanhávamos não escalava o Porto Brandão.
Em chegando à Trafaria eram as carreiras para a Costa que eram encarnadas; nada como os autocarros verdes, nem na cor nem no aspecto -- não tinham daquelas cabinas para o motorista nem radiadores de calhambeque, eram direitos... -- Mas antes das carreiras havia os gelados de máquina no café do cais, com cone de baunilha; o gelado de baunilha e chocolate saía da máquina e enchia o cone em cornucópia: para mim um cone pequeno de vinte cinco tostões; para o meu irmão um cone maior, de cinco escudos; cones de sete e quinhentos não havia para ninguém...
 Uma vez na praia tive sede e pedi água; o meu irmão disse-me o óbvio: -- Vai ali beber -- e apontou para o mar. Eu ainda perguntei se se podia beber daquela... -- Sim! Há lá muita. -- E eu com 4-5 anos acreditava inocentemente em tudo o que me aquele judeu dizia...

 Desconfio agora é do rigor da data indicada para a chapa: Dezembro de 73. O ano pode ser, mas o mês é óbvio que não.



Escrito com Bic Laranja às 21:03
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Verão de 56?

 Meio edificado, ainda com horizonte. A matrícula do Fiat 600 é posterior a Julho de 56. Calhando a imagem é desse Verão

Cruzamento da Av. dos E.U.A. com a Av. de Roma, Lisboa (S.A. Fernandes, c. 1956)
Av. dos Estados Unidos, Lisboa, post 1956.
Salvador de Almeida Fernandes, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 13:30
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Sábado, 20 de Junho de 2015
Aviso à circulação

Nó da auto-estrada, Almada (A. Pastor, 1973)
Nó da auto-estrada, Almada, 1973
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

 

 Nestes dias não há-de haver viatura que dê uma trombada por uma dessas auto-estradas que não haja de sair um jornalista do fundo da valeta.



Escrito com Bic Laranja às 22:15
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015
A peste cacográfica

IMG_0827.JPG

 O canal do Porto até rejeita o aborto gráfico, mas tal peste mete-se em tudo. E nem sempre há tarimba que nos salve...

 Esta mocinha já tinha quase encalhado a ler Fi-lo-lo-gia Românica no teleponto, um trava-língua danado referido à notícia do prémio Camões deste ano. Quando chegou à parte de a premiada ser poetisa dramaturga e ficionista, que havia uma jornalista tenrinha de ler...?

 

(Imagem do canal do Porto, 17/VI/15.)



Escrito com Bic Laranja às 21:56
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Terça-feira, 16 de Junho de 2015
Do devorismo autofágico

« Quando os cães disputam um osso ladram e mordem; e também nesta faina do devorar havia latidos e dentadas, denúncas formais dos que tinham comido menos contra os que tudo queriam para si.»

Oliveira Martins, Portugal Contemporâneo, vol. II, 2.ª ed., Europa-América, Mem Martins, [1996], p. 20.

*     *
*


 Hoje, duas mioleiras que rangem diàriamente na emissora nacional, o Papillon e a estouvada da matraca infernal, deram duas para a caixa.

RM2452_NPO2000.jpg A torrencial Ana Gomes descobriu a bombordo dos submarinos (ou talvez aqui) uma encomenda de 2 navios-patrulha pelo Estado aos estaleiros de Viana. Logo agora, depois de os ter vendidos (os estaleiros), baratinhos, porque quando era seu dono e os administrava (o Estado) lhes não arranjava nem a encomendinha dum bote a remos.

 O Papillon, por seu lado, explicou nas contas do dia a venda da TAP pelo real preço de 0,5 Jorzes Juses, parafraseando os esquerdóides mai-lo seu óbvio ululante.
 Se bem o entendi, a mezinha do consórcio Helder & Rodoviária para a TAP é,90d283f1e248c660b6bd8a6669f4f133.jpg

 Nestes trabalhos porá o Estado português de si todo o empenho e fiança e... eis os 350 milhões dos «investidores».
 Os mesquinhos 10 milhões que meteram para aí como gazua cobrirão à tanga, porventura, os encargos do governo nacional com escritórios de advogados, agências de comunicação e afins para o expediente dos 350 milhões do consórcio... A menos que hajam servido afinal meramente para cobrir o bendito alívio da cavacal figura...


Imagens:
Navio-patrulha oceânico da classe Viana do Castelo, in Revista Militar, n.º 2452, Maio de 2006.
Cartaz publicitário Rio de Janeiro, Brasil, TAP, anos 70, in Voa Portugal; 60 anos na Rota do Futuro, TAP, 2005.



Escrito com Bic Laranja às 22:28
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