Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016
Conjecturando a Estr. de Benfica e mais além

 Em Novembro do anno passado conjecturei cá esta imagem nas Portas de Benfica e expliquei:

 A legenda desta no archivo da C.M.L. é simplemente «Pessoas passeando», Paulo Guedes, 19...
 Conjecturo a Estrada de Benfica. Se não, vede: contra o horizonte o Monsanto, despido; contra o Monsanto, à direita, o arvoredo da mata de Benfica; contra o arvoredo algumas casitas na estrada da Damaia (ou de A-da-Maia); no campo entre a estrada em que conjecturo estarmos e aquela percebe-se o valado duma ribeira — de Alcântara; as piteiras e o barranco à mão esquerda são da quinta do César que se entrepunha entre a estrada e a quinta das Pedralvas às Portas de Benfica.
 Posto isto, o telhado que sobressai do chapéu do cocheiro é o da Vila Ana. A estrada serpenteia caminho da Igreja de N.ª Sr.ª do Amparo cuja torre se não vê por causa do arvoredo diante. O fotógrafo virou costas às portas de Benfica e apontou a Nascente. O Sol baixo do quadrante S denuncia uma tarde de Inverno
  É ou não é?

Estr. de Benfica, Lisboa (P. Guedes, 19...)
Estr. de Benfica, Lisboa, 19...
Paulo Guedes, in archivo photographico da C.M.L.

 *  *  *

 Não vinha isto agora por nada senão por que um cavalheiro sem pejo de replicar imagens e legendas e até reflexões cá do blogo Bic Laranja sem no nunca referir em nada do que publica, um cavalheiro chamado Fraga-hífen-Aurélio (fraga é penedo e o hífen são peneiras) conseguiu com dedução autobrilhante a partir do seu próprio neurónio (o que é extraordinário) ligar a imagem de cima (sem legenda no archivo photographico municipal) a uma outra de Paulo Guedes (em baixo) legendada ali como Estr. das Laranjeiras.
 Como o fez?
 Elementar: o grupo de damas enchapeladas mai-los meninos que se vêem passeando algures na primeira imagem é justamente o mesmo que se vê na segunda; e se a segunda é na Estr. das Laranjeiras, onde seria, pois, a primeira?...

Quinta de São Miguel, Falagueira (P. Guedes, s.d.)
Quinta de S. Miguel, Falagueira, 19...
Paulo Guedes, in archivo photographico da C.M.L.

 Pois bem, o Sherlock hífen-Aurélio (aurélio, no caso, não de ouro, mas de orina), com premissa duma legenda dada e arregaçada, exibe óbvios dotes de dedução, mas falece-lhe desastradamente dom de observação que vá além da indumentária de quem passa e, assim como no arquivo se acham corriqueiras imagens de Benfica grosseiramente às avessas, assim se acharão legendas enganadas (ainda ontem na Paixão por Lisboa havia um caso).
 Já dizia o velho cronista que em coisa de grande antiguidade certeza não pode haver; por conseguinte impõe-se análise mais fina e algum estudo, a ver no que dá: a fisionomia do casarão e a longa recta plana daquele estradão não se quadram com a Estr. das Laranjeiras (v. mapa). — Que sobra? — A pista das Portas de Benfica. Ficariam a estrada e aquele casarão aquém ou além delas?
 A resposta está contida na legenda.

————
Nota: sendo uma conjectura mais do que verosímil, ocorre-me que o lugar é na Estrada Real, palmilhada numerosas vezes por Eça e Ramalho, fossem a Sintra, fossem ao coelho à Porcalhota, fossem até cumprimentar o dono desta quinta, Luís do Rego da Fonseca Magalhães; Eça viu de certeza esta païsagem; quem sabe não reconheceria o próprio filho do afamado tribuno parlamentar Rodrigo da Fonseca ali na imagem diante do portão de sua quinta de S. Miguel da Falagueira.  — Outras conjecturas!...



Escrito com Bic Laranja às 17:11
Verbete | Comentar

Domingo, 21 de Agosto de 2016
Cantiga de noites brandas



Rui Veloso - Sei de uma Camponesa



Escrito com Bic Laranja às 21:20
Verbete | Comentar

Sábado, 20 de Agosto de 2016
Prosaico

 Ouve-se dizer aí do oportunismo de Paulo Portas no congresso do M.P.L.A.

 

Catherine Deneuve, Oportunidades...


 E rabos de palha?...

 

————
(Catherine Deneuve via Guglo.)



Escrito com Bic Laranja às 21:26
Verbete | Comentar | Comentários (5)

Heminotícias

 Dos dois do Iraque que corre notícia de pregarem um enxerto de porrada num moço da Ponte de Sor ouvi nos seminoticiários: 1) da imunidade diplomática e o caso; 2) do Santos Silva sobre os negócios estrangeiros e o caso; 3) de juristas sobre a diplomacia e o caso; 4) da família da vítima, vitima da poderosa imunidade diplomática dos poderosos no caso e; 5) um gentio de brincos e tatuagens dizendo, instado por um pé de microfone, que só quando viu os ténis e o relógio (os adornos que marcam o prestígio na tribo?) é que reconheceu o Rubem (o moço agredido) diante de si, todo partidinho, ele que com o Rubem «andamos todos os dias, ele vai a minha casa eu vou a casa dele, somos como irmãos»...
 Em tudo quanto ouvi nas seminotícias, não ouvi notícia do motivo de o Rubem ter apanhado daquela maneira. Quase me convenço que foi por nada. Mais agora que o dos afectos telefonou para Santa Maria a inteirar-se do inocente moço.


Imagem via Guglo.



Escrito com Bic Laranja às 19:57
Verbete | Comentar | Comentários (2)

A central...

 Basta ver as primeiras págs. dos principais jornais para se perceber como o 4.° poder actua! (Skeptikos, in Dragoscópio, 20/8/16.)

Basta ver as primeiras págs. dos principais jornais para se perceber como o 4.° poder actua (Skeptikos, in Dragoscopio, 20/8/16.)



Escrito com Bic Laranja às 14:22
Verbete | Comentar | Comentários (6)

Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016
Salazar em inauguração de Abril

Diário de Notícias* dixit.

Salazar na inauguração da Ponte 25 de Abril (D.N., 2016)

* Matutino brasileiro que se publica diàriamente em Lisboa.

————
(Devo o postal de caricata legenda ao sr. M.V., a quem agradeço.)



Escrito com Bic Laranja às 21:35
Verbete | Comentar | Comentários (2)

Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016
Electrostupidez em corrente contínua

 Já tinha dado fé duns One Diretion por cá. Hoje a Radiotelevisão Portuguesa brasileira anunciou Amor Eletro nas Festas do Mar de Cascais.


(Anúncio de Festas do Mar de 2016, in R.T.P. Memória, 15/8/16.)



Escrito com Bic Laranja às 21:50
Verbete | Comentar | Comentários (11)

Domingo, 14 de Agosto de 2016
A batalha mortall

 E seendo oras de noa pouco mais ou menos se começou a batalha mortall: e logo no começo erã as pedras muytas que lançauã os homẽs de pee de hũa parte aa outra. E da parte da uenguarda [vanguarda] dos castellaãos forom logo lançados certos troõs o que aos portugueses fez huũ pouco despanto pollos não auerem em husso [uso]. E porque na auenguarda em que o Condeestabre era, hũa pedra dos troõs que asy lançauam matou dous boõs escudeiros que diziam que eram jrmaãos. E entom se começarõ de ferir das lanças muy rrijgamẽte [rijamente]. E o Cõdeestabre jndo ante a sua bãdeyra: forom em elle postas [foi alvejado de] muytas lãças: e em breue forõ todas as lanças de hũa auenguarda e da outra quebrãtadas: e [o] vallado dellas feyto [cheio]. E entõ vierom as fachas [machadinhas? de combate]: e logo elrey com a rreguarda [retaguarda] cõ grade aguça [sagacidade] se ajũtou aa uguarda feryndo de facha tantos e taes golpes que eram asperos de atender aaquelles que os soffriam: como vallẽte rey: ajudando seus naturaes: e sua real coroa defendendo. E o Condeestabre nõ lhe cansaua dizendo:
 — « A [Ah] portugueses! pellejar, filhos e senhores, por vosso rey e por vossa terra! »
 E forõ logo hy [aí] mortos huũa gram cama [camada] de castellaõs; e asy bastos como som os feixes no rrestolho do boõ trigo, e bem basto: especialmente morrerõ logo todos a mayor parte chamor[r]os [*] que entõ chamauã aos maáos portugueses que cõ elrey de Castella vijnham.

Coronica do Condestrabre de Purtugall Nuno alvarez Pereyra, principiador da Casa q̃ agora he do Duque de Bragãnça, sem mudar a antiguidade de suas palauras &c, Capitolo LI.

 

 

————
[*] O Priberam diz que chamôrro é nome injurioso que outrora os castelãos davam aos portugueses. Da Crónica se depreende que é nome ancestral que os portugueses dão aos seus próprios traidores e que sobrevivia justamente com esse sentido ao tempo da Guerra Civil de D. Pedro e D. Miguel.



Escrito com Bic Laranja às 22:48
Verbete | Comentar | Comentários (10)

Sábado, 13 de Agosto de 2016
Deixa arder!

Recomeçou o campeonato.

Masturbatório futeboleiro, R.T.P. 3, 2016/17



Escrito com Bic Laranja às 00:10
Verbete | Comentar | Comentários (1)

Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016
Dias do factor 50 ou esta vida de turista!

Sigunda-feira, 4 de Julho

 Dois dias — sabbado e domingo — meios fora do tempo. Nem dando por que dias da semana fossem. Mas sigunda-feira (hoje) não veio que não desse nota do seu astral segunda-feiral: moleza e, pior, dia encoberto, algo fresco. Vamos à praia de tarde...

Praia da Falésia — © 2013
Praia da Falésia, Algarve — © 2013

Fialho e Perna de Pau

  Fialho refere a Perna de Pau de relance no conto da Ruiva (Contos, Círculo de Leitores, 1991, p. 39)...

« O João lembrou que fossem comer alguma cousa. E mais aberto com as mulheres contava os seus apetites e as suas valentias; duma vez tinha tosado um gajo, na Perna de Pau [...] »

 Fialho capta bem o jeito popular da linguagem. Algum vocabulário e modos de dizer:

  • Fialho de Almeida, «Contos», Algarve — © 2016gentalha de pagode, o rei, ministros, a procissão, o S. Jorge (p. 38) — refere-se a gente d' algo, palaciana, quando eu, hoje, uso «o pagode» pelos que pagam (impostos). O oposto [na escala social] (p. 38);
  • Angelca por Angélica (id.);
  • bilhardeiras das fidalgonas [...] andam na berzundela (bebedeira) um dia ou outro, mas sempre... (ibid.)
  • sécia (mulher enfeitada)
  • pulmonia [= pneumonia]; pulmonia, foi ela que a raspou até hoje (matou-a);
  • Ena pai! (p. 37);
  • faca na perna (= na liga);
  • palanfrório (p. 62)

 O diálogo nas pp. 24-25 é castiço.
 Outras ref.ªs alfacinhas: ao Quelhas (Soc. Esperança e Harmonia, nome de cariz maçónico); a taberna do Pescada, aos Prazeres; o Manuel do Altinho, também por ali...
 Não sei se eram reais como a Perna de Pau.

Boletim da praia

 Alevantou-se vento. Já cá fazia falta!...
 O Albatroz dos Mares [Condor da Vila Moura] passa de velas cheias. Uma beleza!

Praia da Falésia, Algarve — © 2016
Praia da Falésia, Algarve — © 2016

 A preia-mar galga o areal por inteiro; pior que no ano 7; sobra uma fita de terra vermelha que escorreu da falésia, tinta de fuligem negra das marés. O caso é que com a maré cheia a praia desaparece por inteiro.
 E praia de lixo: há pedaço passou um pacote de Smarties a esvoaçar. Com humanos acaba sempre tudo numa...
 Agora que vai na vazante recomeçam os romeiros da vida saüdável para lá e para cá. — O credo da vida saüdável pela via da estrumeira...

Praia da Falésia, Algarve — © 2016
Praia da Falésia
, Algarve — © 2016


(Algarve, 4/7/16)



Escrito com Bic Laranja às 15:27
Verbete | Comentar | Comentários (3)

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016
Animais afectados...

«... Porque as pessoas precisam de ajuda [se precisam!], mas os animais também se encontram na ilha... (Sara de Sousa de Oliveira, S.I.C., 10/8/16).»

 

Animais afectados, S.I.C., 10/8/16



Escrito com Bic Laranja às 19:28
Verbete | Comentar | Comentários (2)

Segunda-feira, 8 de Agosto de 2016
E Paris aqui tão perto!...

 O «espirituoso», á moderna, abrange os variados officios que, antes da nacionalisação d'aquelle extrangeirismo, pertenciam parcialmente aos seguintes personagens, uns de caza, outros importados: Chocarreiro — tregeiteador — arlequim — palhaço — proxinella — polichinello — maninêllo — truão —jogral — goliardo — histrião — farcista — farçola — végete — bobo — pierrot — momo — bufão — folião, etc.
 Esta riqueza de synonimia denota que o bobo medieval bracejou na peninsula iberica vergonteas e enxertias em tanta copia que foi preciso dar nome ás especies. Ora, o «espirituoso» tem de todas.

Camillo Castello Branco, «Gracejos que matam», Novellas do Minho, v. I, 2.ª ed., Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1903, p. 9.

*  *  *

 À bolina dos jogos do Rio o cata-vento de Belém apanhou brisa de feição e já prometeu o dia de Portugal de 2018 em São Paulo de Piratininga. Tenho impressão que nem quando a côrte do príncipe regente D. João cavou para o Rio de Janeiro, nem logo a seguir quando o seu filho D. Pedro lhe deu a birra nas margens do Ipiranga, em nenhum desses infaustos sucessos se viu Portugal tão perdido e alienado como agora. — O caso, vendo bem, é que se o Portugal do Minho a Timor era tão feio que até dava raiva, o Portugalinho lindo da raia de Castela também não deve ser coisa que valha. Pois se nem para palco dum espirituoso serve!...

O espirituoso, Lisboa, 1989.
O espirituoso, Lisboa, 1989.
Imagem no i.



Escrito com Bic Laranja às 22:18
Verbete | Comentar

Agosto 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
12

16
18
19

22
23
25
26
27

28
29
30
31


Visitante

Contador
Selo de garantia
Pesquisar
 
Ligações

Adamastor (O)
Arquivo Digital 7cv
Bic Cristal
Blog[o] de Cheiros
Caminhos de Ferro Vale Fumaça
Carmo e a Trindade (O)
Chove
Cidade Surpreendente (A)
Corta-Fitas(pub)
Delito de Opinião
Dragoscópio
Eléctricos
Espectador Portuguez (O)
Estado Sentido
Eternas Saudades do Futuro
Fadocravo
Firefox contra o Acordo Ortográfico
H Gasolim Ultramarino
Ilustração Portuguesa
Lisboa
Lisboa de Antigamente
Lisboa Desaparecida
Menina Marota
Mercado de Bem-Fica
Meu Alpendre (O) (pub)
Meu Bazar de Ideias
Palaurossaurus Rex
Pena e Espada(pub)
Pequena Alface (Da)
Perspectivas(pub)
Pombalinho
Porta da Loja
Porto e não só (Do)
Portugal em Postais Antigos(pub)
Retalhos de Bem-Fica
Restos de Colecção
Rio das Maçãs(pub)
Ruas de Lisboa com Alguma História
Ruinarte(pub)
Santa Nostalgia
Terra das Vacas (Na)
Ultramar

Arquivo

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

RSS
----