Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016
...

 Li-o em dois períodos. Até c. 1960/61 logo após ser publicado; o restante agora em Setembro/Outubro de 16. Já me não lembro bem do que li para trás, mas tenho ideia que era uma biografia razoável, bem pesquisada, que não se perdia nos «clichés» estafados acerca do biografado, que já enjoam, sinceramente.
 Pois bem, o capítulo XI entra por eles, pelos lugares-comuns sobre Salazar, como cão em vinha vindimada; o discurso — a escolha do léxico, a adjectivação — é sub-reptício de modo a inculcar no leitor incauto má impressão do biografado: frieza, má índole, conivência e culpa de crimes, até. Fiquei estupefacto. Que terá dado ao autor, não imagino.
 A linguagem entranha-se, por mimetismo. Em muitas (in)consciências torna-se reflexo condicionado. Todo o linguajar hoje espelha isso.
 
O Meneses é fruto do meio. Vicejou com alguma promoção me(r)diática porque veio rotulado de novidade heterodoxa. E porque estamos muito órfãos da verdade sobre Salazar...
 Imagino só quanta desta prosa subliminar não anda lá para trás, no resto do livro, apesar da boa impressão com que fiquei ao princípio. E concluo que é este Ribeiro de Meneses só mais um desses que não parecem, mas pouco fogem aos lugares-comuns da arenga antifascista. No fim pouco adianta. É só mais um catecismo que reza pelas mesmas palavras a ladainha do possível. Jaime Nogueira Pinto fez o mesmo. Parecem rebeldes quando não passam de idiotas úteis.

 Uma biografia de fôlego, escrita por um historiador, não devia referir Salazar como «primeiro-ministro»: é anacrónico e nada rigoroso. Pode decorrer da redacção original em inglês e do descaso da tradutora (Teresa Casal). Pior são certas tiradas em estilo telejornaleiro, mas também disso já não leva o idioma português emenda.


(Filipe Ribeiro de Meneses
, Salazar, 1ª ed., Dom Quixote, [Alfragide], 2010.)



Escrito com Bic Laranja às 18:04
Verbete | Comentar

21 Comentários:
De [s.n.] a 31 de Dezembro de 2016 às 00:52
Tinha boa impressão deste historiador e pensava que os seus livros/biografias mereciam ser comprados para guardar bem guardadinhos. Quando este livro saiu (creio ter sido este o seu primeiro) fiquei com vontade de o adquirir. Acabei por não o fazer. Depois do que diz sobre o mesmo, agora é que decididamente não o vou comprar. Não me interessam escritores tendenciosos, menos ainda se se tratar de historiadores. E como frisa e bem, um historiador que não seja objectivo, que não se cinja à verdade, que não seja totalmente imparcial ao abordar a vida de qualquer personalidade mundialmente conhecida, política ou outra, mormente se se tratar de um Governante da estatura de Salazar, então além de desacreditado está condenado à partida e tudo quanto escrever será sempre catalogado como literatura pró sistema ou polìticamente correcta. E para quem não suporta censura encapotada ou literatura adulterada, por conveniência, qualquer que seja o género de escrita, esta perde todo o interesse e portanto é descartável.

Como este pseudo-historiador há muitos outros por aí. Vivem do e para o sistema. Venderam a alma ao diabo para conseguirem sobreviver.
Maria


De [s.n.] a 31 de Dezembro de 2016 às 08:03
A Maria possui um atributo que, agradando a muitos, e curiosamente não a Salazar, revela pequenos indícios de total desconhecimento do que é 'cientificamente' a narrativa e o facto histórico, mas o seu/sua interlocutor gostará de a ler... Se possuir algum 'tempo de seu', e lhe aprouver, posso recomendar-lhe alguma literatura que a ajudará no entendimento de conceitos como 'objectividade/objecto', 'facto/historicidade', 'narrativa/verdade'. Há de tudo um pouco, mas desde o séc.XIV se distanciou de si... é muito século de pensamento... Muitos gostarão das suas palavras porque lhe poupa o esforço de pensar... mas este agrado não os faz crescer. Eu penso que se o autor/ra do blog 'faz uma análise crítica ' do livro, como de outro qualquer, deveria ler. Atalhar o caminho é uma simples quimera: pode encurtar-se o percurso, mas a paisagem não é a mesma e se o atalho for sugerido por GPS não é o SEU verdadeiro caminho
Tenha um 2017 muito feliz


De Bic Laranja a 1 de Janeiro de 2017 às 19:40
Tenha Vossemecê um 2017 muito feliz também!


De [s.n.] a 3 de Janeiro de 2017 às 03:23
À pessoa que me cita, como não assina e não sei se é homem ou mulher, não coloco nome, não obstante permito-me deixar uma resposta. Devo esclarecê-lo/a que cresci num ambiente anti-Salazar e anti-regime. Sendo filha de um Pai republicano que não simpatizava com o Governante e menos ainda com o regime, ele jamais pronunciou uma única palavra em desfavor de Salazar, antes pelo contrário, elogiou-o várias vezes por medidas tomadas em defesa de Portugal e dos portugueses.

Se pelos meus escritos dou a impressão que não gosto do antigo Governante, então estou a ser mal interpetada.

Não faço ideia por que diz que a Salazar não agradaria um meu atributo. Desculpar-me-á mas francamente não compreendo a sua ideia, mas também não me interessa mesmo nada. Só sei que fosse Salazar vivo ainda hoje e com saúde suficiente para me entender e eu seria a primeira a ir visitá-lo para lhe transmitir o profundo agradecimento que os milhões de portugueses de bem lhe devem e o tributo que continuam a prestar à sua memória por tudo quanto fez por eles e pelo País. E ainda fazer-lhe ver que independentemente dos traidores que destruíram um País quase milenar mandando assassinar milhões de portugueses inocentes, persistirem nas difamações vergonhosas e mentiras monumentais com que desde há quatro décadas não se cansam de lançar ignòbilmente sobre o seu nome e percurso político, ele foi o maior político português do séc. XX e assim será lembrado e homenageado pelos séculos e séculos.

Outra coisa. Estou pràticamente sempre em consonância com as críticas literárias e opiniões, outras, expressas pelo digníssimo dono desta Casa, que tanto prezo, sobre as mais variadas matérias. Só peço a quem não gostar de me ler, que talvez seja o seu caso, por favor não me leia.
Tenho dito.
Maria


De [s.n.] a 4 de Janeiro de 2017 às 15:48
Minha cara Maria...perbi, só agora, que é porque desconhece o meu género que não me atribui nome, me"baptiza"Esteja a menina completamente à-vontade eu chamo-me Luís Maria Pronto já ficou a saber o meu género - confesso que o inverso não entendo comofuncionaria, mas vossemecê lá o saberá.Gostaria que soubesse me considero um pouco hermafroidita é que quero representar todos: eunucos-M/F M&F M,F L&G, e nenhum porque não me atribuo tanto valor
Há uma variavel - esta sim impotante- 'Idade' Ha um tempo para Tudo até para achar que um pai republicano é uma boa fonte para se saber que não foi educada Num regime anti Republicano, para achar que o seu paizinho não tecer comentários contra o regime era porque os não tinha - digamos que neste caso o excesso de zelo e a enorme inteligência do seu paizinho causou um enorme mal no seu imaginário. A menina achava que o silêncio dele era aceitação ,apesar de reconhecer que ele era anti regimePois mas naquele tempo não se podia anunciar umapostura anti regime e o seu paizinho, bem, deve ter considerado mais importante a segurança da família...
A menina coloca a hipótese de alguém. Achar, pelos seus escritos que é Antisalazarista ???? Tem lido o que escreve? A menina É salazarenta, mas hoje pode escrever publicamente isso, ensinar os seus filhos, fazer manifestações e comícios- mas não convide os milhões ou vamos ter algum probema de espaço eu ajudo: Meo Arena em dia de Toni Carreira ou Fátima no dia das Comunidades
Olhe difícilmente Salazar a receberia,talvez comigo... Agora ia ter que me contar direitinho esses milhões assassinados - não está a fazer confusão com a Guernica!???? O Salazar tinha um enorme problema relacional : detestestava a afronta e odiava os lambe botas. Entre os primeiros e os últimos preferiam os primeiros porque lhe dávam luta e ' lá se lubificava a máquina ' ele era mais esperto do que muitos julgam"
Mas uma coisa me deixou atónito; se não quer ser lida porque escreve? Se não que que o seu texto seja sujeito a análise crítica - hermenêutica, porque o coloca em espaço publico.
Quando o seu amigo - já me disse o género só falta nome, se preparava para fazer uma analize critica do livro, como não emcontrou la o que queria Encontrar entrou em roda livre e lá saiu uma rajada de impropérios E a menina muito sabiamente aprontou-se a dizer que já não ia ler porque certamente o livro é herético. Eu só lhe quis dizer que lesse o livro e tirasse as suas conclusões . SIMPLES?!
O autor é mau o tema desgastado e depois ninguém vaiá Torre do Tombo nem à biblioteca nacional...
Quando o seu amigo for á rua diga-me para ver se consigo identificar. Deve andar de SS😂😂😂😂 Ainda bem que o Papa vem a Fátima 😂😂😂😂😂🙈




De Bic Laranja a 4 de Janeiro de 2017 às 20:44
Hum! Ja se lhe descobre o «tenha um 2017 muito feliz»... Vá com calma, não se enerve. Só a azia pavloviana ao tema seria já maleita suficiente. Votos de boas melhoras.


De [s.n.] a 7 de Janeiro de 2017 às 04:51
Era para não responder a este senhor Luís Maria (será mesmo este o seu nome?, pergunto porque descular-me-á ma não parece - olhe o meu primeiro nome é aquele pelo qual assino os comentários e o dono desta Casa sabe perfeitamente que estou a dizer a verdade), mas por respeito para com o dono deste blogo, para bem da minha consciência e em memória do grande português e grande patriota que foi meu querido e saudoso Pai, resolvi fazê-lo.

Vê-se que não me tem lido neste e noutros, poucos, blogos onde tenho vindo a comentar ao longo dos anos. Tudo bem e nada contra. Também se nota que deve viver ou terá vivido muitos anos fora de Portugal, tendo em conta a sua ortografia cujas frases são aqui e ali um pouco contraditórias ou menos claras. É natural que aconteça para quem não esteja bem familiarizado com o português. Isto acontece com muitos emigrantes e não o censuro por essa falha, note bem. Deve ser justamente por não ter tido conhecimento dos meus comentários ao longo dos anos que não saberá, mas informo-o de que o meu Pai não tinha medo algum de dizer bem ou mal de Salazar ou de qualquer outro político da altura, se fosse o caso, porém nunca feito acintosamente ou menos correctamente, de nenhum deles, a sua formação moral não lho permitiria assim como não se coadunava com a sua rectidão de carácter e nem por sombras por ter medo de falar contra o regime ou contra o Estadista. Isso de o senhor Luís Maria afirmar que o regime proibia qualquer pessoa de dizer mal de Salazar e esse seria o motivo pelo qual o meu Pai teria medo de o fazer, pois digo-lhe que está redondamente enganado. O meu Pai não dizia mal do regime ou de Salazar devido, tenho a certeza absoluta, devido ao facto de ser uma pessoa superiormente bem educada, com uma personalidade vincadíssima e muito senhor das suas próprias opiniões e nada nem ninguém nem mesmo Salazar tê-lo-íam impedido de dizer o que lhe aprouvesse quanto ao Estadista ou ao regime. Também devo acrescentar que pela educação por ele recebida (monárquica, é curioso não é?, um republicano convicto educado por mornárquicos?, pois é!, mas é a verdade pura), mas também pelo facto de minha Mãe ser monárquica, bem como toda as sua famíla e por uma questão de respeito por ambas o meu Pai jamais o faria e nunca, jamais, em tempo algum por ter medo do regime, de Salazar ou das proibições polítucas.

Segundo: o meu Pai teve como ortopedista durante anos, um dos médicos pessoais de Salazar, o Prof.Dr. Vasconcelos Marques, com quem teve, como se pode imaginar, inúmeras conversas sobre o regime e sobre o governante. Este facto diz-lhe alguma coisa ou não?

Terceiro: Eu não disse que escrevo com o intuito de querer que ninguém me leia (ou coisa parecida que sugeriu, estou a citar de memória), eu esrevo para meu enorme prazer pessoal, faço-o ainda nos blogos onde sou sempre bem recebida e por fim, mas não menos importante, o que eu salientei é que quem não aprecia aquilo que escrevo que não leia os meus comentários. Eu, por exemplo, quando não gosto de certos comentários ou de algum comentador (o que devo dizer que é muito raro) simplesmente passo à frente. Por que é que o senhor não faz o mesmo? Asseguro-lhe que é uma óptima táctica. Acho que estas frases, proposições ou orações, como se lhes queira chamar, estão clarinhas como água e em bom português, de que me gabo, modestia à parte, de ser possuidora desde que os meus professores de português, logo desde o primeiro ano de Liceu, mo elogiavam, dando-me sempre as melhores notas. Como simples curiosidade permito-em acrescentar que foi exactamente o mesmo que aconteceu com os meus primeiros professores de fancês e de inglês.

Ficou suficientemente elucidado quanto à minha pessoa e sobre a íntegridade e elevada formação moral do meu Pai, senhor Luís Maria? Espero sinceramente que sim.
Maria


De [s.n.] a 7 de Janeiro de 2017 às 06:41
Era para não responder ao senhor Luís Maria (será mesmo este o seu nome?, pergunto porque descular-me-á mas não parece; no meu caso assino com o nome com que familiares e amigos sempre me trataram e pelo qual assino os comentários e o dono desta Casa sabe perfeitamente que estou a dizer a verdade), mas por respeito para com o dono do blogo, para bem da minha consciência e em memória do grande português e grande patriota que foi meu querido e saudoso Pai, resolvi fazê-lo.

Vê-se que não me tem lido neste ou noutros, poucos, blogos onde tenho vindo a comentar ao longo dos anos. Nada contra. Também se nota que deve viver ou terá vivido muitos anos fora de Portugal, nota-se na parte sintáctica e nalguma falha de coerência do seu comentário cujas frases são por vezes algo contraditórias ou pouco claras. É natural que tal aconteça para quem tenha estado muito anos longe do país d'origem. Caso tenha sido o seu caso, não o censuro por essa falha, note bem. Deve ser por não ter tido conhecimento dos meus comentários ao longo dos anos que não saberá, mas informo-o de que o meu Pai não tinha medo algum de dizer mal de Salazar ou de qualquer outro político da altura (na verdade o meu Pai não dizia mal de ninguém) porém nunca o faria acintosamente ou menos correctamente, a sua formação moral não lho permitiria porque não se coadunava com a sua rectidão de carácter, mas nem por sombras por ter medo de falar contra o regime ou contra o Estadista. Isso de o senhor Luís Maria afirmar que o regime proibia qualquer pessoa de dizer mal de Salazar e esse seria o motivo pelo qual o meu Pai teria medo de o fazer, pois digo-lhe que está redondamente enganado. O meu Pai não dizia mal do regime ou de Salazar devido, tenho a certeza absoluta, pelo simples facto de ser uma pessoa superiormente bem educada e com uma personalidade vincadíssima. Mas era senhor das suas próprias convicções e nada nem ninguém nem mesmo Salazar tê-lo-íam impedido de dizer o que lhe aprouvesse quanto ao Estadista ou ao regime. Tê-lo-á feito depois de reformado, em tertúlias com ex-colegas do tempo de Coimbra e todos eles diziam o que lhes apetecia de Salazar e do regime, sem qualquer receio e nunca lhes aconteceu mal algum. O regime perseguia única e exclusivamente comunistas que conspiravam contra o regime e agentes comunistas subversivos. Também devo acrescentar que pela educação por ele recebida (monárquica, é curioso não é?, um republicano convicto educado num meio mornárquico?, pois, mas é a verdade pura), mas também pelo facto de minha Mãe ser monárquica e salazarista, bem como toda as sua famíla, por uma questão de respeito por ambas e jamais por ter medo do regime, de Salazar ou das proibições políticas. Uma coisa era o respeito em casa pela minha Mãe e por nós filhos, outra coisa eram as discussões civilizadas mas aguerridas em reuniões com ex-colegas e amigos.

O meu Pai teve como ortopedista, durante anos, um dos médicos pessoais de Salazar, o Prof. Vasconcelos Marques, com quem teve inúmeras conversas sobre o regime e sobre o Governante. Este simples facto já lhe diz alguma coisa ou não? Conheceu por motivos de trabalho o pai de Mário Soares e Marcello Caetano.

Compreendeu mal as minhas palavras, eu não disse que escrevo com o intuito de querer que ninguém me leia (ou coisa parecida por si sugerida, estou a citar de memória), eu escrevo para meu enorme prazer pessoal, faço-o ainda nos blogos onde sou sempre bem recebida e por fim mas não menos importante, o que eu salientei anteriormente foi que quem não aprecia aquilo que escrevo não é obrigado a ler os meus comentários e na minha modesta opinião nem deve fazê-lo. Eu, por exemplo, quando não gosto de certos comentários ou de algum comentador (o que que é muito raro) simplesmente passo à frente. Por que é que o senhor não faz o mesmo? Asseguro-lhe que é uma óptima táctica. Acho que estas frases, proposições ou orações, como se lhes queira chamar, estão clarinhas como água e em bom português. Gabo-me, modestia à parte, de ser boa conhecedora da nossa língua-mãe.

Fui suficientemente clara quanto ao meu carácter e à elevada formação moral do meu Pai, sr. Luís Maria? Espero sinceramente que sim.


De [s.n.] a 7 de Janeiro de 2017 às 17:37
Era para não responder ao senhor Luís Maria (será mesmo este o seu nome?, pergunto e desculpar-me-á, mas não parece; posso dizer que no meu caso assino sempre com o meu primeiro nome, o mesmo com que familiares e amigos sempre me trataram e pelo qual assino todos os comentários e o dono desta Casa sabe perfeitamente que estou a dizer a verdade), mas por respeito para com o dono deste blogo e também para bem da minha consciência e em memória do grande português e grande patriota que foi meu querido Pai, resolvi fazê-lo.

Vê-se que não me tem lido neste ou noutros, poucos, blogos onde tenho vindo a comentar ao longo dos anos. Tudo bem, nada contra. Também se nota que deve viver ou terá vivido muitos anos fora de Portugal, nota-se na parte sintáctica, acentuação e pontuação e nalguma falta de coerência do seu comentário cujas frases são por vezes algo contraditórias ou pouco claras. É natural que tal aconteça para quem tenha estado muito anos longe do país d'origem. Se este foi o seu caso, não o censuro, note bem. Deve ser por o senhor não ter tido conhecimento dos meus comentários nos últimos anos, que não saberá, mas deixe-me informá-lo que o meu Pai não tinha medo algum de dizer mal de Salazar ou de qualquer outro político da altura (na verdade o meu Pai não dizia mal de ninguém), porém e se caso o fizesse nunca o faria acintosamente ou menos correctamente, a sua formação moral não lho permitiria porque simplesmente não se coadunava com a sua rectidão de carácter, mas não o fazia por ter medo de falar contra o regime ou contra o Estadista, mas com o devido respeito, algo que sempre o norteava. Isso de o senhor Luís Maria afirmar que o regime proibia qualquer pessoa de dizer mal de Salazar e esse seria o motivo pelo qual o meu Pai teria medo de o fazer, pois digo-lhe que está redondamente enganado. O meu Pai não dizia mal do regime ou de Salazar, tenho a certeza absoluta, pelo simples facto de ser uma pessoa superiormente bem educada e com uma personalidade vincadíssima, além de ser incapaz de algum dia atraiçoar, por palavras ou acções, opositores políticos, o Governante da altura ou a sua Pátria. Mas também era senhor das suas próprias convicções políticas e nada nem ninguém nem mesmo Salazar tê-lo-íam impedido de dizer o que lhe aprouvesse quanto ao Estadista ou ao Regime, mas sempre com elevação. Tê-lo-á feito, se tanto, durante a vida e depois de reformado, em tertúlias com ex-colegas do tempo de Coimbra, alturas essas em que todos eles diziam o que lhes apetecia sobre Salazar e o Regime sem qualquer receio de serem escutados (e jamais o foram, não eram traidores) e nunca lhes aconteceu mal algum. O regime perseguia única e exclusivamente comunistas que conspiravam contra a Pátria e agentes comunistas subversivos. Estes traidores é que eram bem vigiados e não o cidadão comum e bem fez a Polícia Política em tê-los sempre debaixo d'olho ou, em vez de perdermos a paz social, a Pátria e milhões de portugueses inocentes assassinados a sangue frio em 1974 e durante os anos seguidos, tê-los-íamos perdido muitas décadas antes. Também devo acrescentar que pela educação recebida (em meio monárquico, é curioso, não é?, um republicano convicto educado desde pequenino num meio mornárquico?, pois é, mas é a pura verdade), mas também pelo facto de minha Mãe ser monárquica e salazarista, assim como toda a sua famíla, o meu Pai por respeito a ambas nunca o fez e jamais por ter medo ou receio do regime ou de Salazar ou das proibições políticas. Uma coisa era o respeito pela minha Mãe e por nós, filhos, onde, em casa, não permitia discussões políticas, mas isto ùnicamente para que os filhos não fossem influenciados na escolha das opções políticas futuras, quaisquer que estas fossem e que bem entendessem, outra coisa diferente eram as discussões civilizadas mas aguerridas em reuniões com ex-colegas e amigos, em clubes literários mas também em esplanadas perto de casa, onde eu ainda me recordo, de passagem para as aulas, de ver o grupo em grande e amigável confraternização.
(cont.)


De Bic Laranja a 7 de Janeiro de 2017 às 17:59
Cheira-me que é antes uma Maria Luís. Ja não merecer o ente resposta oferece menos dúvida que a sua identidade.


De [s.n.] a 7 de Janeiro de 2017 às 22:02
Isso, isso. Mas ainda assim e recorrendo à regra de ouro pela qual os portugueses se pautaram/pautavam rigorosamente até ao malfadado 25/4, tempos esses em que eles ainda conservavam a coluna vertical bem direitinha, "toda a carta merece uma resposta". Nos dias de hoje o meio internáutico (blogos, e-mails, etc.) substitui (mais ou menos) as cartas pessoais e outras. O género de correspondência nos moldes antigos parece estar definitivamente ultrapassado. Estará? A ver vamos, como dizia o outro.
Maria


De Bic Laranja a 1 de Janeiro de 2017 às 19:50
Maria.
Como digo: vicejou com promoção me(r)diática e rótulo de novidade heterodoxa. Acabou republicado em fascículos no institucionalão saco de plástico. Que maior prova haverá de que é o Meneses tão só mais um catequista politicamente correcto?!
Cumpts.


De Marcos Pinho de Escobar a 2 de Janeiro de 2017 às 16:09
Concordo inteiramente. Parei no exacto ponto que refere. Mas, como sou teimoso, concentrarei esforços para terminar a leitura. A "parceria" com o Ischpréçu diz tudo e mais alguma coisa. Abraço amigo e BOM ANO!












De Bic Laranja a 4 de Janeiro de 2017 às 20:44
Abraço e bom anno!


De José Leite a 8 de Janeiro de 2017 às 11:23
Caro BIC

Ao visitar um site especializado em iates, deparei-me com este artigo acerca da reforma de um iate, que foi construído no Arsenal do Alfeite e entregue em 1968.
Nada teria de estranho se não fosse o facto dessa revista indicar como presumível primeiro proprietário.
Enviei um email indicando a empresa offshore que encomendou o iate, com sede no Liechenstein, etc.
Agradeceram, mas pelos vistos continuam a acreditar que tenha sido ...... Salazar !!!!!
Aqui fica o link directo para o artigo em questão:
http://www.superyachttimes.com/yacht-news/ocean-technical-starts-major-refit-on-thea/

Cumprimentos
José Leite


De Bic Laranja a 8 de Janeiro de 2017 às 12:59
«(...) Her original owner, although never confirmed, is believed to be the then Prime Minister of the Estado Novo (...)»
Traduzindo: o seu dono original, todavia nunca confirmado, crê-se ser o então presidente do Conselho do Estado Novo... — crê-se — uma notável fé do autor do enunciado que por via do sujeito indeterminado, nunca confirmado, lança a inculca mas se exclui a si dela: da fé e da insídia.
E em fim, nem com a verdade esfregada nas ventas se desdiz. O costume.
Anno bom!


De Maria de Lurdes a 23 de Janeiro de 2017 às 15:08
Eu não visito este blog há muito tempo. Não existe razão, mas, existe motivo: o conteúdo, em si, deixou de seduzir e percebi que meu ' comprimento de onda' não encaixava, logo não era bem vinda. Eu gosto de 'pensar com'e daquele jogo saudável do humor não óbvio. Ontem tive a visita de um amigo de 42 anos, que conhecia, por mim, o lugar ' após algum serrar de presunto lá acabou, em jeito de despedida, por me dizer para por cá passar porque acreditava que alguma coisa não tinha corrido bem... Cá vim, cá estou! Li, mas não reli. Como comecei por dizer o Luis é meu amigo há 42 anos, vivemos o 25 de Abril e tivemos militância distinta: ele no PDC - e hoje brilhante ideólogo do CDS - eu no MRPP porque sim - hoje uma brilhante ideóloga de coisa nenhuma. Líamos muito,nessa meninice que nos fez crescer rápido demais, e já não tínhamos tempo, apesar de termos idade, para os " sete...". Era tudo... da 'Biblioteca Matos Romão ' ao ' Núcleo da Juventude Cristã' do Capital ao Mein Kampf Como diz o poema " eu era a sua menina e ele era o meu rapaz", mas os mais ferozes adversários das RGAs. Ele foi para Direito, eu para Filosofia, nunca perdeu a mão, nem o discernimento do ' juízo fundamentado e consequente', muito menos profundidade do discurso Concordo e entendo tudo o que escreve, apesar de o fazer sem grande preocupação e com alguma ironia. Percebo que até me toca e lhe agradou a brincadeira.
Mas existiu aqui um " erro de casting ": não é UMA é UM e haveria de se ter em consideração ( whatever that means) essa hipótese Para a Maria não tenho o que dizer porque nunca a ' monarquia' desempenhou papel de relevo na cultura, muito menos na moral...tudo o resto são quimeras ' mal resolvidas' e lapsos de cultura, eventualmente, compreensíveis Quanto ao anfitrião - que gosto muito de 'ouvir pensar'- lamento o desconforto, alguma pequena ira e, eventualmente, um ligeiro descontrolo. Aproveito para esclarecer, por consideração, que Pavlov nunca falou de 'azia' antes de saliva e 'reflexo condicionado' - que aqui, mais uma vez ficou comprovado- , que os nervos são uma realidade física estruturada e estruturante dos corpos e que tenho sempre o maior cuidado com eles: todos temos nervos e é esse enervamento do nosso sistema muscular e cerebral que nos permite viver com qualidade. Relativamente ao 'ēns', vulgo ente, como dizia o Padre Manuel Antunes, está doente... mas não recebe respostas: É a resposta, se encontrado
Quanto ao Salazar " que Deus o tenho no seu justo descanso"
Não posso deixar de lhe dizer que me foi necessário buscar o significado de " língua afiada" e que não consegui encontrar qualquer enquadramento no momento nem, tão pouco, na minha personalidade que justificasse: eu digo o que penso e não faço nem silêncio nem fermento e não guardo rancor nem tenho medo. Se dizer o que se pensou e se considera verdade é dizer ' mal ' EU DIGO! mas sempre em discurso directo e ao referente. Não cuspo em lugar nenhum, muito menos no prato que me deu o que comer e nunca ninguém me verá 'desrespeitar' ou permitir desrespeito a alguém que me mereça ou tenha merecido alguma consideração

"esquecer não é apenas ausência e falta, mas,como mostrou Nietzshe, condição elementar da vida mental. Só graças ao esquecimento é que a mente tem uma oportunidade de renovação completa " ( Hans Georg Gadamer, Verdade e Método , Berlim, 1990
(Peço desculpa pela prosa e pode, naturalmente, apagar)


De Bic Laranja a 23 de Janeiro de 2017 às 18:27
Estimada Lourdes:
Visite o blogo quando que quiser. É bem vinda. Ou não visite se lhe não achar interesse. Não faria sentido aborrecer-se. Comentários foleiros e/ou segundo o aborto gráfico é que não tolero, se mo permite.
Para prevenir mal entendidos, melhor é assinar o seu nome, pois com estranhos há menos complacência.
:)
Cumpts.


De Maria de Lurdes a 28 de Janeiro de 2017 às 13:26
Vai-me perdoar,mas,os únicos comentários 'foleiros' que encontro são os da esferográfica...
Quando quiser "discutir em público e no lugar certo" acordos ortográficos é dizer, não faltam candidatos diferenciados.


De Bic Laranja a 28 de Janeiro de 2017 às 18:10
Esta perdoada.


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