Domingo, 30 de Agosto de 2009

Domingo à noite...

Nova Lisboa, alçado das ruas principais...
Prospecto das frontarias que hande ter as ruas principaes que se mandaõ edificar em Lixboa baixa arruinada e se dividem com colunelos para separaçaõ do uzo da gente de pé do das carruages.
Desenho a tinta-da-china, aguarelado a carmim, assinado por Sabastião Joseph de Carvalho e Mello e Eugénio dos Santos e Carvalho. Dim. 340 x 1000 mm. In
Monumentos, nº 21, Setembro 2004, p. 70.
 



 Na era dourada dos cursos da C.E.E. julgo que criei na mente uma espécie de aura de sonho com a descoberta da Lisboa pombalina. Não sei se isto se entende.
 Frequentei um curso da C.E.E. no Largo da Abegoaria (o Paulo Pires, aquele que faz teatro, também andou lá) e costumava subir da Baixa à Trindade observando ruas e casas. Tentava perceber-lhes nas fachadas sóbrias que marcas lhes davam a origem setecentista ou oitocentista: o ferro forjado raiado do tímpano duma porta que por vezes trazia data; o velho feitio das janelas de guilhotina; o esconso das escadas; o piso nobre de sacadas; o acanhado das trapeiras... Queria ver vestígios de cena pombalina que amalgamava na mente, com antiga gente imaginada nebulosamente nos seus distintos modos e roupagem. Um livro que resgatei por esse tempo na Barateira da Trindade (Suzanne Chantal, A Vida Quotidiana em Portugal ao Tempo do Terramoto, Livros do Brasil, Lisboa, s.d.) forçou mais o devaneio. Coisas da imaginação, ou pior.
 O fenómeno, quando o explico, adensa-se em algo mais extraordinário porque se dava com o walkman (o barbarismo derivou em fones e, até ver, no neobarbarismo hi-pod) nos ouvidos, nalgumas vezes com música pouco a condizer: uma cassete dos primórdios de Suzanne Vega. Pois com toda esta mistura, ouvir velhas cantigas da Suzanne Vega traz-me sempre a aura diáfana do devaneio em que naquele tempo punha a imaginação. Calculo que os meus itinerários da Baixa se gravaram em fundo na cassete da Suzanne Vega e no fim, refundida a cassete, plasmou-se tudo cá na ideia. Assemelha-se-me isto - agora que o conto - a uma involuntária lavagem ao cérebro, porque a busca incessante de vestígios do passado tornou-se-me numa mania em todos os caminhos que percorro. Não sei se é coisa que faça bem.
 


Suzanne Vega, Ironbound (Fancy Poultry)
Madrid, 1989.

Escrito com Bic Laranja às 21:45
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Crazy

 Em meio de Agosto de 91 - caneco, fez já 18 anos! - guiaram-me uns amigos para uma discoteca de Tavira... ou de Faro, já nem sei... Conhecia muito pouco do Algarve naquele tempo - particularmente discotecas - e essa vez até nem teve que contar. Apenas uma coisa: tocou na discoteca uma cantiga dum cantor que eu não sabia o nome mas cuja voz reconheci de outra cantiga que ele cantava e que eu gostava mais. De nenhuma das duas cantigas eu sabia também sequer o título. A que não passou na discoteca foi esta.
 


Seal - Crazy
Festival de Montreux, 2004.

Escrito com Bic Laranja às 01:08
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Sábado, 29 de Agosto de 2009

Do decoro

  No adro da igreja do Carmo dois rapazolas com um patinete (o bárbaro consagrado é skate) macaqueavam para lá e para cá. - Pás! Pás! - faziam naquela macaquice mesmo nas barbas da Guarda do quartel do Carmo.
 Abeirei-me da sentinela (vamos lá ver o que isto dá, pensei com os meus botões) e perguntei-lhe serenamente porque permitia a Guarda aquilo ali.
 - Não sei... - balbuciou - Não tenho ordens... Mas o senhor fale com o cabo da guarda - e tocou uma campainha.
 Veio o cabo e procurei-lhe então à mesma se à Guarda lhe não incomodava aquela macaquice ali ao pé.
 - Ali onde estão é o museu. Desde que não venham dali para cá - e apontou o pau da bandeira - não fazemos nada.
 - Mas o museu é monumento nacional... - e fitei-o.
 Hesitou, admirado, e repetiu a arenga: - Desde que não venham dali para cá... - Ao que depois aduziu: - Na verdade até agora ninguém se queixou. Mas se o senhor quiser pôr o caso ao comando... - e virou-se fazendo face ao quartel sem contudo me voltar as costas.
 - Não é caso para isso. Muito obrigado - despedi-me.
 Mais tarde calhei passar a S. Bento e pus-me a questão se ali a Guarda fará mais pelo decoro ou se será como no Carmo, meramente decorativa.


Convento do Carmo, Lisboa, [s.d.].
Fotógrafo não identificado. Arquivo Fotográfico da C. M.L..

(Texto revisto: 0h56.)

Escrito com Bic Laranja às 20:02
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Jovem de 35 anos

Jovem de 35 anos...

Jovem de 35 anos! RTP Notícias
Notícia da RTP.

(Tristemente o jovem faleceu. Mas não é doutra coisa que aqui tracto.
)

Escrito com Bic Laranja às 21:00
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Sexta-feira

  1. A população do Reino Unido está a crescer pela primeira vez na história - solta-se duma locutora da TVI no café. Os locutores são assim, como as araras: dizem coisas.
  2. Revista de imprensa na telefonia: - "Hospitais a gastar acima do aceitável, uma notícia sobre saúde no J.N." - Sobre saúde? Qual saúde...?
  3. Ainda no J.N.: "P.S.D. reduz impostos às empresas." - Posto nestes termos parece que o P.S.D. já governa os impostos.
  4. Camilo Lourenço empolgado sobre juízes: "não pode haver actividade nenhuma da vida onde não seja medida a produtividade!" É o mercantilismo feito religião. Mas como é que se medirá a produtiva actividade de sermão e homilia dos fala-barato?
  5. Anúncio antes das notícias das 9h30: "A primeira ida de Jorge Gabriel à praia depois da lipo-aspiração, um exclusivo na Lux."

Hoje também há a greve nos aeroportos, mas basicamente é isto...

Bagageiro, Aeroporto de Lisboa, [s.d].
Bagageiro, Aeroporto da Portela, [s.d.].
Fotografia: Museu da TAP.

Escrito com Bic Laranja às 10:18
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

O melro

 O mundo está para acabar num espirro por causa da gripe pandémica. Tenho esperança que o ministério das máscaras ainda nos possa salvar cá em Portugal, vamos lá a ver... Vai ser trabalhoso, pois a gripe é pandémica porque sim. Como aquela outra gripe pandémica, também porque sim, dos pássaros. Isto é tudo muito sério e por tal estou até aqui meio ralado porque havia hoje um melro morto naquele pedaço ajardinado entre o 27 e o 28 lá onde trabalho e não consigo agora encontrar o nº azul da gripe aviária para avisar para lá. Já procurei em todo o lado e não consigo achar...

Melro de Novembro (Richard Allen)
Melro de Novembro.
Richard Allen, Aguarela, 27 x 32 cm.

Escrito com Bic Laranja às 22:38
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Da sinalética

 Fala-se muito por aí agora em sinalética (parece que é sinónimo de sinais, mas com mais ciência) que não é respeitada...
 Montado no Google Streetview eis um belo exemplo de sinalética: oficial e não oficial. Da não oficial parece que haveriam as autoridades oficiais de enquadrá-la no meio da diarreia legislativa em que se perdem - era o mínimo para mascarar a candente falta de autoridade. Da sinalética oficial sobra aquele aviso de Hospital ali para sinalizar em 2009 um hospital fechado e vendido, salvo erro, em 2004. À relaxada mulher de César (autoridades oficiais, leia-se) já tanto dá parecer séria como perra. Deixa-se andar, governa sem vergonha, improvisa sinalética oficial que não se consegue assimilar e cuida que salva a autoridade desde que lhe não grafitem o palácio. Entretanto enfarta-se de democracia e arrota eleições porque talvez assim se salve.

Hospital (Google Streetview, 2009)
Hospital de Arroios, Lisboa, 2009.

Escrito com Bic Laranja às 17:18
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Domingo, 23 de Agosto de 2009

Eléctricos de Lisboa (fotografias antigas)

 Maravilhosa colecção de fotografias dos eléctricos de Lisboa em 1977. É um preciosíssimo inventário ilustrado de todas as carreiras que eu ainda conheci em circulação (acho que não houve nenhuma destas em que eu não tivesse andado). Noto o ar descuidado dos carros eléctricos (e da cidade em geral), estranhamente tão familiar na minha memória, que contrasta com imagens comparáveis dos anos 60 (cf. Praia e 24 - P. Chile) e com o brinco que é o 28 hoje em dia. Nalgumas fotografias outros pormenores passam à margem dos carros eléctricos a quem tenha a paciência do olhar atento; como aquela do 27 para o Poço do Bispo, no jardim da Praça Paiva Couceiro, onde uma família enlutada parece confortar-se sob o olhar do guarda-freio. O cemitério não é longe...
 

Eléctricos de Lisboa; fotografias antigas. Trams aux fils, 1977.

Escrito com Bic Laranja às 09:51
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Redução de serviço

Com o objectivo de adequar a oferta à procura nos períodos de menor utilização do transporte público (sábados à tarde, domingos, feriados e período nocturno), no dia 23 de Agosto de 1982 (2ª feira) a carreira 23 de eléctricos [para S. Bento] é suprimida. O seu serviço continua a ser assegurado pelas carreiras 6 de autocarros, que é reforçada e passa a funcionar no período nocturno, e 26 de eléctricos.»
C. Filipe, A minha página Carris.


Eléctrico 23, C. Redondo (Trams aux Fils, 1977)
Eléctrico 23, Conde de Redondo, 1977.
Fotografia:
Trams aux fils.

Escrito com Bic Laranja às 07:45
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Sábado, 22 de Agosto de 2009

Reforço de serviço

 « A partir do dia 17 de Novembro de 1947 (2ª feira) a carreira 23 de eléctricos [para S. Bento] é reforçada

C. Filipe, A minha página Carris.


Rossio, Lisboa (H. Novais, s.d.)
Eléctrico 23, Rossio, c. 1948.
Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Escrito com Bic Laranja às 23:41
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Praça da Figueira

Muito provavelmente em vésperas da demolição.

Mercado, Praça da Figueira (E.Portugal, 1949)
Praça da Figueira, Lisboa, 1949.
Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 22:31
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Dias da rádio

Dias da rádio...



(Aparelho de rádio...)

Escrito com Bic Laranja às 22:07
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Agosto de 1940

Av. da Torre de Belém, Lisboa (E.Portugal, 1940)
Avenida da Torre de Belém, Lisboa, 1940.
Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Almanaque Disney

Escutas em Belém

Há escutas em Belém.

Escrito com Bic Laranja às 19:28
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Dia do que se queira

 A folhinha do calendário diz que é dia de S. João Eudes, mas não é isso que diz no jornal. Diz que é dia da fotogra-
fia.

Rampa da estação do Rossio, Lisboa (E.Portugal, s.d.)
Rampa da Estação do Rossio, Lisboa, [s.d.].
Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Adenda ao dia...

Travessa da Saúde, Belém (E.Portugal, s.d.)
Travessa da SaúdeLisboa, [s.d.].
Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

O mais notável desta é que o burro está do lado da universidade que depois ali houve...

Escrito com Bic Laranja às 16:14
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