
Certa vez — e dei conta dele aqui — vinha o meu bom amigo S. dois passos atrás do maçon (mas não vinha com ele) e, ao ver-me, desviou-se do caminho a segredar-me muito baixinho — «Aquele pertence a uma sociedade secreta. Toda a gente cá sabe que ele é maçon.»
Pois é caso agora de eu procurar o meu bom amigo S. a dizer-lhe: «Epá! Toda a gente na internete sabe que tu pertences a uma sociedade secreta.»
(Verbete revisto às sete e vinte.).

E.N. 224, salvo erro -- não me deu agora para o ir ver... É uma que leva de Arouca a Castelo de Paiva através da Serra de... Montemuro. Por ali...
Cliché de Luísa Gonçalves, 2011. Ideia do título plagiada ao Manuel do Gasolim.
« Ao mesmo tempo que verbera e zurze o «Público», o Ciberdúvidas — numa prova de grotesca parcialidade — não faz qualquer referência aos barbarismos que o «Expresso» e outros meios e entidades que — supostamente — grafam segundo o A.O.L.P. 90. Não se ouve nem se lê uma palavra no Ciberdúvidas acerca dos *patos (por pactos), *impatos (por impactos) *compatos (por compactos), *adetos (por adeptos), *fatos (por factos), *factos (por fatos), *contatos (por contactos), *adatações (por adaptações), *conveções (por convecções), *retos (por reptos), *fição (por ficção), *seção (por secção) — et caetera et ad nauseam —, com que o «Diário da República», C.P.L.P., a Administração Pública, a Lusa, o «Expresso», o «D.N.», o «Record» [melhor fôra «Recor»], «A Bola» e outros «abrilhantam» a língua portuguesa. Vergonha, Ciberdúvidas! Contemplem o resultado de uma reforma "ortográfica" deficiente, lançada sem preparação adequada e sem instrumentos de suporte. Abram os olhos, abandonem a vossa mesquinha e cega parcialidade e vejam o estado de choldra ortográfica que se vive em Portugal.»
Rui Duarte, «Repreensão ao Ciberdúvidas», Ciberdúvidas, 27/VIII/12.
(Imagem da R.T.P., programa «Arte & Emoção».)
No domingo o prof. vate Marcelo, e hoje também o prof. macróbio Adriano, agitaram a lei das doze tábuas do caminho para o socialismo por causa da R.T.P. (um frete velado às amesendadas carpideiras que ecoam, é o que é). Tem graça invocarem a Constituição porque a última grande coisa que ouvi dela, e por eminentes constitucionalistas, foi que por não dar agora jeito só valia em 2013.
(Revisto às vinte para as sete da tarde.)


« A Alemanha voltou hoje a realizar um leilão de dívida com juros negativos, angariando 1.975 mil milhões de euros [= 1 975 000 000 000,00 € (!) ] (*) a uma taxa de juro média de -0,025 por cento. O sucesso do leilão significa que os investidores estão dispostos a perder dinheiro para...»
«Alemanha volta a financiar-se com juros negativos», Sol, 27/VIII/12.
Para nâo ganharem juros num simples depósito bancário?!...
(*) Naturalmente... o jornalista verteu 1.975 billion euros em 1.975 mil milhões deixando de traduzir o ponto decimal dos saxónicos pela vírgula do português. O resultado foi o disparate que se lê por extenso como mil novecentos e setenta e cinco mil milhões, ou seja, um bilião e novecentos e setenta e cinco mil milhões, quando a cifra da noticia, em rigor e em português corrente, era mil novecentos e setenta e cinco milhões de euros (1 975 000 000,00 € ou, como estranhamente tanto gostam agora os jornalistas de apresentar estas cifras, 1,975 mil milhões de euros). Soubessem eles ler o que escrevem... (Nota às dez para a meia noite.)

Sabia que o «i» em português já se lê «ai» como no amaricano? É na palavra «icebergue». A pronúncia correcta é dada adiante do vocábulo. A mosca já caiu na sopa do Priberam, mas a larva veio do esterco de dicionário que a Academia das Ciências de Lisboa editou sob a batuta do formidável Malaca. E o Portal do português brasileiro do I.L.T.E.C. exibe-o lá, também. Em ambos os casos (da Academia das Ciências e do I.L.T.E.C.) o dinheirinho para a obra foi dos contribuintes portugueses. Deve ser por isso que nem o Houaiss nem o Vocabulário Ortográfico que Academia Brasileira das Letras atirou ao presidentinho (*) Cavaco incluem a barbaresca aberrração; não lhes tocou nada... (O Aulete estranhamente menciona «icebergue», não sei porquê, mas não diz que se leia «aicebergue».)
Icebergue (aice) com «i», benévolo leitor. Ai se... Ai se... 
(*) Os diminutivos e aumentativos do(as) presidentes variam coloquial ou depreciativamente em género; assim: presidentinho, presidentona, é como cada um o mereça...
(Festival de Maiorca, 1975.)

Uma imagem meia desconcertante do Chão da Feira. Há como que um certo rústico na scena: o ermo do lugar, o arvoredo esparso na parada do Castelo (e o horizonte até lá), a muralha descascada, a terra batida, as casas além do arco. Nem o gailoeiro à esquerda mai-la silhueta do lampião contradizem esta atmosphera. Bem pelo contrário...
Chão da Feira, Lisboa, c. 1900.
José Arthur Leitão Bárcia, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
(Verbete revisto às 4h00 da tarde.)
« Entre os rapazes meus conhecidos da provincia, o meu inseparavel companheiro dos passeios a Carreiros era um mancebo de trinta annos, que tem hoje os seus sessenta e um, e está litteralmente escangalhado, como eu que o digo. Então era elle esbelto, e galhardo, amigo de mulheres novas e vinho velho, como Byron, que elle vira no theatro de S. Carlos em 1813, e affirmava que bebeu com elle uma garrafa de aguardente de canna no Nicóla, botiquineiro do Rocio. Parece-me pêta, porque Byron, se emborcasse uma botelha de aguardente em Portugal, não nos chamava barbaros. Paiz onde um inglez se embebedar, será sempre um paiz civilisado.»
Camillo Castello Branco, Scenas da Foz, 2.ª ed., Porto, Cruz Coutinho, 1860, p. 13.

Cork Convent, arredores de Cintra (c. 1840).
Desenhado por C. Stanfield, a partir dum esquisso do Cap. Elliot. Gravação de E. Finden.
(Imagem do Blogo da Rua Nove.)
« E ante huũ pouco espaço q̃ se a batalha começasse : vinte ou trinta homẽs de pee portugueses : com grande medo se sayrõ dãtre a carriagẽ hõde estauã pera fugijr: pera Porto de Moos. E os ginetes de Castella q̃ ja andauam darredor da carriagẽ de Portugal os vyrem : e forom a elles : e elles se colherom a huũs vallados de siluas que eram contra Porto de Moos pera hõde elles fugiam. E como porcos aa calcada os matarom todos aas lãçadas que nom ficou nenhuũ. A qual cousa cõ a graça de Deos esforçou mujto aos portugueses que jamais nẽ huũ nom olhou pera fugir : ante dezião que todos queriã morrer como homẽs que morerem como porcos como aquelles que fugiram morrerom. E seendo oras de noa pouco mais ou menos se começou a batalha mortall (...) »
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«O Preço da Juventude» teve estreia em Portugal em 24 de Maio de 1952, dia da inauguração do Império. Esta há-
-de ser desses dias.

Cinema Império, Lisboa, [1952].
Estúdio de Horácio de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
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