Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
O maçon (o outro)



 Certa vez — e dei conta dele aqui — vinha o meu bom amigo S. dois passos atrás do maçon (mas não vinha com ele) e, ao ver-me, desviou-se do caminho a segredar-me muito baixinho — «Aquele pertence a uma sociedade secreta. Toda a gente cá sabe que ele é maçon.»
 Pois é caso agora de eu procurar o meu bom amigo S. a dizer-lhe: «Epá! Toda a gente na internete sabe que tu pertences a uma sociedade secreta

(Verbete revisto às sete e vinte.).



Escrito com Bic Laranja às 12:44
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012
Hora de...

E.N.224, Portugal (L. Gonçalves, 2011)

E.N. 224, salvo erro -- não me deu agora para o ir ver... É uma que leva de Arouca a Castelo de Paiva através da Serra de... Montemuro. Por ali...
Cliché de Luísa Gonçalves, 2011. Ideia do título plagiada ao Manuel do Gasolim.



Escrito com Bic Laranja às 23:30
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012
Vergonha, Ciberdúvidas!

« Ao mesmo tempo que verbera e zurze o «Público», o Ciberdúvidas — numa prova de grotesca parcialidade — não faz qualquer referência aos barbarismos que o «Expresso» e outros meios e entidades que — supostamente — grafam segundo o A.O.L.P. 90. Não se ouve nem se lê uma palavra no Ciberdúvidas acerca dos *patos (por pactos), *impatos (por impactos) *compatos (por compactos), *adetos (por adeptos), *fatos (por factos), *factos (por fatos), *contatos (por contactos), *adatações (por adaptações), *conveções (por convecções), *retos (por reptos), *fição (por ficção), *seção (por secção) — et caetera et ad nauseam —, com que o «Diário da República», C.P.L.P., a Administração Pública, a Lusa, o «Expresso», o «D.N.», o «Record» [melhor fôra «Recor»], «A Bola» e outros «abrilhantam» a língua portuguesa.  Vergonha, Ciberdúvidas! Contemplem o resultado de uma reforma "ortográfica" deficiente, lançada sem preparação adequada e sem instrumentos de suporte. Abram os olhos, abandonem a vossa mesquinha e cega parcialidade e vejam o estado de choldra ortográfica que se vive em Portugal.»
Rui Duarte, «Repreensão ao Ciberdúvidas», Ciberdúvidas, 27/VIII/12.

Arte & Emoção.
(Imagem da R.T.P., programa «Arte & Emoção».)



Escrito com Bic Laranja às 22:17
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Génio(s) constitucional(ais)

 No domingo o prof. vate Marcelo, e hoje também o prof. macróbio Adriano, agitaram a lei das doze tábuas do caminho para o socialismo por causa da R.T.P. (um frete velado às amesendadas carpideiras que ecoam, é o que é). Tem graça invocarem a Constituição porque a última grande coisa que ouvi dela, e por eminentes constitucionalistas, foi que por não dar agora jeito só valia em 2013.


(Revisto às vinte para as sete da tarde.)



Escrito com Bic Laranja às 16:35
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012
O jornalista que vá e diga à vítima
image.jpeg

O dono do cão que matou uma mulher na sexta-feira em Matosinhos garante cumprir os requisitos exigidos por lei.
Lusa / Sol
, 27/VIII/12.


(Imagem da S.I.C. Notícias.)


Escrito com Bic Laranja às 22:12
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Investidores dispostos a perder dinheiro...?

Marco alemão

« A Alemanha voltou hoje a realizar um leilão de dívida com juros negativos, angariando 1.975 mil milhões de euros [= 1 975 000 000 000,00 € (!) ] (*) a uma taxa de juro média de -0,025 por cento. O sucesso do leilão significa que os investidores estão dispostos a perder dinheiro para...»

«Alemanha volta a financiar-se com juros negativos», Sol, 27/VIII/12.


Para nâo ganharem juros num simples depósito bancário?!...


(*) Naturalmente... o jornalista verteu 1.975 billion euros em 1.975 mil milhões deixando de traduzir o ponto decimal dos saxónicos pela vírgula do português. O resultado foi o disparate que se lê por extenso como mil novecentos e setenta e cinco mil milhões, ou seja, um bilião e novecentos e setenta e cinco mil milhões, quando a cifra da noticia, em rigor e em português corrente, era mil novecentos e setenta e cinco milhões de euros (1 975 000 000,00 € ou, como estranhamente tanto gostam agora os jornalistas de apresentar estas cifras, 1,975 mil milhões de euros). Soubessem eles ler o que escrevem... (Nota às dez para a meia noite.)



Escrito com Bic Laranja às 20:23
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Sábado, 25 de Agosto de 2012
R.T.P. em directo

Olé!

Olé!


Imagem da R.T.P.: 7.ª Grande Corrida da R.D.P./R.T.P.



Escrito com Bic Laranja às 14:56
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012
A soberania?! Lembraram-se agora?!...
image.jpeg

 É formidável a vozearia patriótica da rádio e da TV a agitar pendões e a soprar trombetas por causa da alienação da R.T.P. e do fecho do 2.º canal. Quando escancararam as alfândegas a Bruxelas e venderam o Escudo aos alemães não se ouviu clamor de gente tão patriota! E quando agora renderam a nacionalíssima R.T.P. ao português do Brasil, qual destes patriotas se lembrou da soberania? Não perceberam que nas mãos em que Portugal anda metido tudo é mercadoria e que na oportunidade certa também lhes despachariam o tacho? Tadinhos!

(Fotografia sem legenda. A.N.T.T., Colecção d' «O Século», Espólio de Joshua Benoliel.)


Escrito com Bic Laranja às 21:08
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Icebergue em português lê-se aicebergue

 Sabia que o «i» em português já se lê «ai» como no amaricano? É na palavra «icebergue». A pronúncia correcta é dada adiante do vocábulo. A mosca já caiu na sopa do Priberam, mas a larva veio do esterco de dicionário que a Academia das Ciências de Lisboa editou sob a batuta do formidável Malaca. E o Portal do português brasileiro do I.L.T.E.C. exibe-o lá, também. Em ambos os casos (da Academia das Ciências e do I.L.T.E.C.) o dinheirinho para a obra foi dos contribuintes portugueses. Deve ser por isso que nem o Houaiss nem o Vocabulário Ortográfico que Academia Brasileira das Letras atirou ao presidentinho (*) Cavaco incluem a barbaresca aberrração; não lhes tocou nada... (O Aulete estranhamente menciona «icebergue», não sei porquê, mas não diz que se leia «aicebergue».)
 Icebergue (aice) com «i», benévolo leitor. Ai se... Ai se...




(*) Os diminutivos e aumentativos do(as) presidentes variam coloquial ou depreciativamente em género; assim: presidentinho, presidentona, é como cada um o mereça...



Escrito com Bic Laranja às 17:33
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
Henry Mancini, «Moon River»


(Festival de Maiorca, 1975.)



Escrito com Bic Laranja às 22:21
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Domingo, 19 de Agosto de 2012
Talhões da Espanha
Castelo de Olivença, in «Livro das Fortalezas» de Duarte das Armas

 Essa vedeta de «vaudeville» que é o chamado prof. Marcelo festejou agorinha mesmo, ao vivo e a cores, um não sei quem que aguentou a [igreja] matriz manuelina de Olivença por mais uma semana, ou lá o que foi, na corrida ao pódio dos melhores rincões de Espanha. Para aquela ave rara Olivença é um cantinho Espanha?! Quere ele que seja só Olivença, não quererá o Portugalinho inteiro?! Ele os muchachos da banda castelhana que se não acanhem e abocanhem afoitamente os Jerónimos e a Torre de Belém como pérolas do manuelino espanhol, vá!

(Imagem do «Livro da Fortalezas» de Duarte das Armas in «Montalvo e as Sciencias do Nosso Tempo».)


Escrito com Bic Laranja às 21:30
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O ar da minha terra no virar do séc. XX

 Uma imagem meia desconcertante do Chão da Feira. Há como que um certo rústico na scena: o ermo do lugar, o arvoredo esparso na parada do Castelo (e o horizonte até lá), a muralha descascada, a terra batida, as casas além do arco. Nem o gailoeiro à esquerda mai-la silhueta do lampião contradizem esta atmosphera. Bem pelo contrário...

Chão da Feira, Lisboa (Bárcia, c. 1900)
Chão da Feira, Lisboa, c. 1900.
José Arthur Leitão Bárcia, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

(Verbete revisto às 4h00 da tarde.)



Escrito com Bic Laranja às 11:04
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012
Camillo, Byron e os bárbaros

« Entre os rapazes meus conhecidos da provincia, o meu inseparavel companheiro dos passeios a Carreiros era um mancebo de trinta annos, que tem hoje os seus sessenta e um, e está litteralmente escangalhado, como eu que o digo. Então era elle esbelto, e galhardo, amigo de mulheres novas e vinho velho, como Byron, que elle vira no theatro de S. Carlos em 1813, e affirmava que bebeu com elle uma garrafa de aguardente de canna no Nicóla, botiquineiro do Rocio. Parece-me pêta, porque Byron, se emborcasse uma botelha de aguardente em Portugal, não nos chamava barbaros. Paiz onde um inglez se embebedar, será sempre um paiz civilisado.»
Camillo Castello Branco, Scenas da Foz, 2.ª ed., Porto, Cruz Coutinho, 1860, p. 13.

Cork Convent, Cintra, 1840 (Stanfield, Elliot, Finden)
Cork Convent, arredores de Cintra (c. 1840).
Desenhado por C. Stanfield, a partir dum esquisso do Cap. Elliot. Gravação de E. Finden.
(Imagem do Blogo da Rua Nove.)



Escrito com Bic Laranja às 17:23
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2012
Aljubarrôta

« E ante huũ pouco espaço q̃ se a batalha começasse : vinte ou trinta homẽs de pee portugueses : com grande medo se sayrõ dãtre a carriagẽ hõde estauã pera fugijr: pera Porto de Moos. E os ginetes de Castella q̃ ja andauam darredor da carriagẽ de Portugal os vyrem : e forom a elles : e elles se colherom a huũs vallados de siluas que eram contra Porto de Moos pera hõde elles fugiam. E como porcos aa calcada os matarom todos aas lãçadas que nom ficou nenhuũ. A qual cousa cõ a graça de Deos esforçou mujto aos portugueses que jamais nẽ huũ nom olhou pera fugir : ante dezião que todos queriã morrer como homẽs que morerem como porcos como aquelles que fugiram morrerom. E seendo oras de noa pouco mais ou menos se começou a batalha mortall (...) »

Coronica do Condestrabre de Purtugall Nuno alvarez Pereyra, principiador da Casa q̃ agora he do Duque de Bragãnça, sem mudar a antiguidade de suas palauras &c, Capitolo LI.

 



Escrito com Bic Laranja às 12:59
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012
«O Preço da Juventude»

«O Preço da Juventude» teve estreia em Portugal em 24 de Maio de 1952, dia da inauguração do Império. Esta há-
-de ser desses dias.


Cinema Império, Lisboa (H.Novais, 1952)
Cinema Império, Lisboa, [1952].
Estúdio de Horácio de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.



Escrito com Bic Laranja às 21:29
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O Império

Cine-Teatro Império, Lisboa (H.Novaes, s.d.)
Cinema Império, Lisboa, [1957].
Estúdio de Horacio de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.



Escrito com Bic Laranja às 19:40
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Domingo, 12 de Agosto de 2012
Oliveirinha da serra

 Isto não tem agora que ver com coisa nenhuma. Foi só que a salada estava meia salgada e a senhora frisou por me animar: — «Mas olha que tem ruca.» — Referia-se à «rúcula» mas a páginas tantas já lhe eu peguei a mania que tenho de deturpar os nomes às coisas nas conversas em família. Com isto pus-me eu a trautear a cantiga do Ruca no meio de duas garfadas de rúcula.
 — Quem ia a cantarolar há pedaço era o teu amigo.
 É o pequeno aqui do lado; é meu amigo porque lhe ofereço bolachas.
 — O pequeno gosta de cantarolar. Já o tenho ouvido.
 — Pois gosta. E hoje ia fazendo côro com o pae.
...
 — Em pequeno eu não gostava de cantar. Quando fui para a escola não sabia cá cantigas. Pareceu-me sempre que cantar era de meninas. Pois na primeira classe a senhora professora, logo nos primeiros dias, decidiu que — «Meninos, agora vamos cantar uma canção!» — Deve ter sido isto ainda no Outono de 1973; não sei se a pedagogia desse tempo mandava pôr os meninos na instrução primária a cantar por causa do esforço das primeiras letras. Calhando era só um meio de a professora ocupar tempo até tocar sineta da saída tendo terminada a lição mais depressa. Seja como seja, tanto faz. A cantiga que a senhora professora nos mandou cantar foi a «Olveirinha da Serra»...
 Nisto a senhora interrompe-me com uma gargalhada bem sonora.
 — Eu já sei essa história! — e ria.
 — Já a contei...?!
 — Já. Não é aquela em que tu tiveste vergonha de a não saberes cantar e te puseste a abrir e a fechar a boca como os peixes fingindo que cantavas?! — e ria.
 — É. A professora percebeu. Deitou-me cá um daqueles olhares que aprendi logo ali Ó 'liveirinha da serra, o vento leva a flor... ♪ ♫ ♬


O Livro da Primeira Classe, Ministério da Educação Nacional, [Lisboa], [s.d.].



Escrito com Bic Laranja às 16:50
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012
Do bom gosto e da excelência

Av. da República, 37 - 1.º andar, Lisboa, 2008 (Cidadania LX)

 Há dias tomei nota no meu caderninho: «Av. da República, 37; anda neste Verão com uma vidraça toda partida (1.º andar) e uma sacada no 3.º às escâncaras.» Cuido que nem hajamos de chegar ao Inverno para a excelência lhe tragar o miolo e lhe cuspir venalmente a côdea...

Av. da República, 37 - 1.º andar, Lisboa, 2008 (Cidadania LX) Av. da República, 37 - 1.º andar, Lisboa, 2008 (Cidadania LX)
Av. da República, 37 - 1.º andar, Lisboa, 2008 (Cidadania LX)

Fotografias: Av. da República, 37 -- 1.º andar, Lisboa, 2008 (in Cidadania LX).



Escrito com Bic Laranja às 22:21
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Sábado, 4 de Agosto de 2012
5.ª Volta Ciclista a Portugal

SEC-AG-1897I.jpg

  A equipa de «O Século» junto do automóvel que a havia de conduzir durante a 5.ª Volta Ciclista a Portugal. Identificados: Álvaro Pavão; António Silva e Costa; Judah Benoliel; Fernando Ávila. (A.N.T.T., «O Século», PT/TT/EPJS/SF/001-001/0031/1897I.)



Escrito com Bic Laranja às 07:00
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2012
Alvanéis

 Torno com esta para deslindar o enigma...

 

* * *


 Numas imagens da construção das avenidas novas que achei na Torre do Tombo, de que dei notícia em 23 e 25 de Julho, vêem-se uns alvenéis a levantar o que me parecia um gailoeiro (um prédio de rendimento). Das referências conhecidas visíveis (cúpulas do Campo Pequeno) ou mais ou menos familiares (um palacete na Av. da República) conjecturei que a obra seria dalgum prédio de gaveto na Av. Cinco de Outubro com as avenidas Barbosa du Bocage, José Luciano (Elias Garcia) ou Visconde de Valmor. O palacete à vista, em se identificando, daria a chave do enigma; era um trabalho simples de testar as hipóteses.
 Uma moradia que em tempos houve no n.º 50 da Av. da República era uma delas, mas não se assemelhava, pelo que procurei se podia ser o n.º 52, logo a seguir; lembrei-me duma bela fotografia tirada da saída do Metropolitano junta à Av. de Berna que abarca todo esse último quarteirão oriental da Av. da República abaixo do Campo Pequeno antes de o camartelo tragar aquilo tudo. — Nada que se assemelhasse; o n.º 52 nem o 54 ou qualquer dos seguintes provava ser a moradia enigmática. A Av. Barbosa du Bocage, cujo n.º 87 o leitor José também começou por sugerir estava descartada.
 Entretanto fui passando a pente fino imagens da Av. da República no arquivo fotográfico municipal à procura do que aparecesse. E topei com o n.º 42 da dita avenida, já demolido: uma moradia com r/c, 1.º e 2.º, três corpos — dois menores, recuados, marcando as entradas principal e de serviço, e um corpo central, de frontão e sacadas de cantaria triplas (1.º e 2.º andares), ladeado de janelas de peitoril em ferro, singelas no lado da entrada e duplas no lado da entrada de serviço.
 Era a tal moradia.
 A hipótese de ser na antiga José Luciano (Elias Garcia) caiu. De resto o quarteirão oriental da Av. da República entre aquela e a Barbosa du Bocage era (ainda é) quase todo ocupado pelo n. 46, um prédio de rendimento do arquitecto Ventura Terra. Fico por saber o que houve no n.º 48, mas pouco importa aqui.

Av. da República, 42, Lisboa (A. Madureira, 1959)
Av. da República, 42-42A, Lisboa, 1959.
Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


 Confirmada a Visconde de Valmor, parecia ser então o tal prédio dos alvenéis o n.º 45, no gaveto com a Cinco de Outubro, e com frente para esta serventia sob o n.º 84 (um cuja fachada tem uns bonitos azulejos ornamentando a entrada do café Bola Cheia. Adiantei isto na resposta ao leitor José e cingi a data das velhas fotografias da Torre do Tombo a 1909-10, baseado na carta 10L (de 1908) do «Levantamento da Planta de Lisboa» em que não está desenhado nenhum do gaioleiros da Visconde de Valmor bem visíveis diante da obra; por outro lado a moradia do n. 40 da Av. da República (ao lado da enigmática n.º 42 que me serviu para localizar esta obra) estava ainda por começar quando a fotografia foi tirada e só foi começada em 1911 (C.M.L., proc.º 20036). Eis os limites para a datação.
 Contudo, porém, algo me fazia espécie: nas fotografias da Torre do Tombo temos os alvenéis levantando, virada ao Norte, uma parede de alvenaria grossa e sem janelas. Ora uma parede sem janelas só pode ser uma empena. E para ter uma empena voltada ao Norte na Av. Cinco de Outubro, o prédio em construção não podia ser um de gaveto Sudeste, pois esse, voltada ao Norte, há-de ter uma fachada. Outra coisa que fazia espécie era a peculiar cantaria das sacadas em meia-lua: ora o prédio da «Bola Cheia» tem sacadas rectangulares. Havia de ver o que há ou houve imediatamente antes do n.º 84, na Av. Cinco de Outubro. Ora o que há antes é o n.º 72. E o n.º 72 que houve antes é isto…

Av. 5 de Outubro, 72, Lisboa (Gonçalves, 1979)
Av. Cinco de Outubro, 72, Lisboa, 1979.
Gonçalves, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



Escrito com Bic Laranja às 22:29
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