Segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016

Da vulgaridade ordinária

 Ùltimamente só aparece gente estúpida a dizer barbaridades. Alguma dela deveras ordinária. E a imprensa, sem critério nem sentido de decoro que lhe já restem, bolça-nos tudo em cima.

 Há dias, numa reportagem sobre o Teatro Nacional (*) não eram passados dois minutos da peça e já o repórter chafurdava na muita m... que as gentes do teatro diz que dizem. — Não quereis ver a gracinha? Disse-o, não uma, nem duas, nem três vezes; repetiu-o meia dúzia de vezes em 30 segundos, atirando-a aos funcionários do Teatro, aos telespectadores e, cada vez que o repetia, era com a boca cheia dela e prazer incontido.
 São génios assim, chispantes de esterco telecomunicativo, que tresandam modernamente nas tubas da T.V. Dantes havia nível e moderação, isso é que digo.

José Hermano Saraiva, Contos e lendas da Pampilhosa
(A Alma e a Gente, IV-33, R.T.P., 10/IX/2006.)

 


(*) Repórter T.V.I., «Por detrás do pano», T.V.I., 26/II/16.

Escrito com Bic Laranja às 22:05
Verbete | comentar | comentários (6)

Sôbre as avenidas para S. Sebastião

 Hei-de rever uma de S. Sebastião, pôr-lhe legenda mais cuidada, como alguem suggeriu, e commentar mais a preceito. Mas agora deixo cá est' outra que mostra aquelles lados dêsde as avenidas n' um dia de nevão: 26 de Dezembro de 26. No archivo photographico da Camara acha-se invertida. Publico-a direita. Em segundos planos avistam-se sem dúvida o palacio Vill' Alva do capitalista José Maria Eugenio d' Almeida, o palacete Mendonça, a Penitenciaria e o Monsancto. O photographo — o architecto Pardal  Monteiro — noto que bateu a chapa do alto d'um predio de rendimento, em rua que não procurei identificar. Não cuido seja descoberta difficil ao benevolo leitor apreciador d' estas curiosidades olisipographicas.

Vista sôbre S. Sebastião, Lisboa (P.P.Monteiro, 1926)

Nevão em Lisboa; vista sobre S. Sebastião desde as avenidas, Lisboa, 1926.
Porfirio Pardal Monteiro, in archivo photgraphico da C.M.L., PAM000060.

Escrito com Bic Laranja às 11:20
Verbete | comentar | comentários (15)
Domingo, 28 de Fevereiro de 2016

Do jornalismo borrão

 A noite é de Óscares tão brancos e a cultura é tão negra (Joana Amaral Cardoso, Público, 28/02/2016). Há uma urgência e um descontentamento que fez com que a ausência de nomeados não-brancos nos Óscares &c..

 Óscares tão brancos e a cultura é tão negra...

 A cultura é dominantemente negra e os Óscares tão brancos são uma afronta? Ou serão os Óscares tão brancos como a cultura que os criou que tornam tão negra (enegrecem, ensombram) a cultura que, afinal, não é a que se queria? — Que quere realmente dizer a Joana Cardosa? —  Que a cultura não há-de ser a caldeirada que é, mas deve diluir-se de dada cor inconveniente para se mascarrar da polìticamente correcta? E que dizer nesse caso do adjectivo não-brancos? Será pintalguice de referenciais brancos latentes ou racismo mal disfarçado no livro de estilo para evitar dizer pretos?...
 As notícias querer-se-iam factuais e claras, não obscuras, mas tal também havia de ser racismo, decerto...

Halle Berry e Denzel Washington, Óscares de melhores actores, 2002.

 Deram brado os queixumes de racismo branco (o único reconhecido e certificado) de smiths e quejandos na nomeação dos Óscares. Não sei se há racismo se não, mas se houvesse artistas pretos premiados por quota, condescendência ou caridade em vez de mérito, ficariam eles satisfeitos ou indignados à mesma?... Da indignação por ter cão e por não ter, quererão eles e as joanas car(i)dosas da jornalice pluricultural pró-colorida torná-lo lei constitucional, para emenda presente, futura e eterna da História? E o que faz Spike Lee, por ex., que nunca foi escravo ou desvalido da História, mais merecedor de indemnizações compensatórias da História do que alguém? Ser preto?

 

(Imagem do Press Herald de Portland.)

Escrito com Bic Laranja às 23:46
Verbete | comentar | comentários (2)

Carjéquingue

— Boa noite[,] está em fuga o grupo armado [bando de assaltantes] que esta tarde matou uma pessoa na sequência duma acção de carjéquingue [dum assalto].

(Jornal das 8, T.V.I., 28/II/16).

 

Carjéquingue

 

Escrito com Bic Laranja às 20:06
Verbete | comentar | comentários (13)

Dos panhóis, do pato e da locução

FullSizeRender.jpg

— Quase 80% dos socialistas panhóis apoiam o pato entre o P.S.O.E. e o Ciudadanos.

(Jornal das 7, S.I.C. Notícias, 28/II/16).

 

Addenda de Costa [nada que ver…] em 28 de Fevereiro de 2016 às 22:13:

 Um exemplo, entre tantos, do triunfo da tal geração "mais bem preparada de sempre". Gente aflitivamente inculta, mas geralmente dotada de um diploma universitário - uma instrução tantas vezes indigna do grau outorgado - e que nunca leu mais do que o mínimo exigido na escola (e idealmente sob a forma de resumos e "fichas") e um livro ou outro do autor da moda (raramente recomendável). Gente que tem da língua uma ideia, tendo ideias, puramente funcional, utilitarista: desde que se perceba, está tudo bem.

 Gente que passeia a sua vacuidade vaidosa, de copo de gin na mão e citando restaurantes em voga, de "lounge" em "lounge" ou locais afins. Gente que empenhadamente participa no grande desígnio embrutecedor em que aposta o poder.

 Gostava de rir disto. Não consigo...

Costa

Escrito com Bic Laranja às 19:35
Verbete | comentar | comentários (15)
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Da cartilha certificada

 Anda a Republica Popular de Abril para cima de cinco anos sem alphabetização de adultos (Armando Loureiro, «Não há cursos de alfabetização para adultos desde 2010», in Antena 1, 26/II/16).
 Sem, sem, não será bem, pois sei ainda mais gravemente da noticia que elle ha cursos dispersos, por associações voluntariosas — não curando até de mães, filhos ou netos extremosos com ensinar as lettras á familia. — Que é,  não teem direito a certificação. Esta notavel realidade da cartilha (não) certificada, sem a qual as lettras ensinadas não valem como aprendidas nem valem á escripta ou ao leitor que as leia, é reflexo d’uma intelligencia cultural enorme que ultrapassa o mais fundo analphabetismo. Quem duvida?

João de Deus, Cartilha Maternal, 3.ª ed. Lisboa, Impr. Nacional, 1878.

João de Deus, Cartilha maternal ou arte de leitura, 3ª ed., Lisboa, Imp. Nacional, 1878.

Escrito com Bic Laranja às 11:25
Verbete | comentar | comentários (1)
Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

981 milhões + fundo de desemprego

Calculai se não fosse Stock. Ou da Cunha. Ou sequer dr. ... Em Economia.


T.V.I., 25/II/16
(T.V.I., 25/II/16.)

Escrito com Bic Laranja às 20:41
Verbete | comentar

Código de processo penoso

 Fazer leis.
 Já me  referi á natureza pamphletaria da malta esquerdóide que se amesenda em agitada maioria na assembléa legislativa nacional. Tanto assim que me não admira: chegados a 25 de Fevereiro, dia de S. Romeu, quinquagesimo sexto dia do anno, 310 dias para acabar, sae publicada a Lei n.º 1 / 2016. Procede á 25.ª alteração ao Código de Processo Penal, coisa que não iria lá bem só com uma recomendaçãozinha em forma de resolução. Uma trabalheira. Merece a deputação ás Côrtes umas férias de recôbro, não?!...

Lei 1/2016, de 25/2/2016

Escrito com Bic Laranja às 18:23
Verbete | comentar

O electricista

Arménio Carlos

— Arménio Carlos na R.T.P. 3. Sindicalista a tempo inteiro desde praí 90, quando lhe perguntam a profissão responde electricista. Não aguento mais...
— Eh! Eh! Eh! Verdade? Ele disse que era electricista? E não deixou cartão?

(Diálogo à margem d' «O Diário Económico foi à vida», in Porta da Loja, 23/2/16. Imagem do dito electricista no sobredito diário.)

Escrito com Bic Laranja às 00:25
Verbete | comentar | comentários (7)
Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Apocalipse com pés de môlho

 Estamos condemnados.
 Por causa das alterações climáticas inculcaram hoje os menestreis da emissora doutrinadora nacional o nível da água do mar subiu mais no século XX do que nos últimos três mil anos e o ritmo continua a acelerar.   O apocalipse pós-industrial vem num estudo de dois (tantos?!) scientistas amaricanos publicado na revista da Academia Americana das Sciencias. Vamos acabar todos com os pés de môlho e a agua pelo umbigo (os mais altinhos pelo doisbigo) até ao fim do seculo. — Bom, os que sobreviverem.
 A menos que... 
 A menos que o Mundo siga a catechese da conferencia do clima de Paris e pratique devotadamente o sancto rito de abolir o carvão e os hidrocarbonetos na indústria. Ahi sim, ficar-nos-ha a agua só pelos joelhos, que é bastante menos perigoso.
 Quere-se dizer: estamos safos.

IMG_0661.JPG


 A imagem é uma recreação verosimil da Olisipo romana, há dous mil anos, quando o Tejo (e o mar) entrava pela Baixa e dava pelo umbigo ao Rossio. Hoje, como sabemos, subiu já além do Caes do Sodré e continua a acelerar. Há-de ser por isso que construiram ali o Observaorio Europeu da Toxicodependencia, mesmo mesmo sôbre a maré alta.

 

(Revisto.)

Escrito com Bic Laranja às 09:01
Verbete | comentar | comentários (10)
Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2016

Fado corrido

Deolinda Rodrigues, Fado Corrido
(In Madragôa,
Perdigão Queiroga,
1952)

Escrito com Bic Laranja às 23:48
Verbete | comentar

Da Praça Pasteur à Av. João XXI

 Madragôa, de Perdigão Queiroga. Excerto da Pr. Pasteur à Av. João XXI, pelo Areeiro. Para espantar o desespero (José Luís — Carlos José Teixeira) e entregar uma telefonia (Trinca-Espinhas — Barroso Lopes). Boa gorjeta, 20$00, fora o que o Sr. Santana (Manuel Santos Carvalho) lhe põe na algibeira do casaco.
 O cego do acordeão ainda o conheci à esmola no metropolitano, uns trinta anos depois.

Madragôa
(
Perdigão Queiroga, 1952)

Escrito com Bic Laranja às 23:04
Verbete | comentar | comentários (4)
Sábado, 20 de Fevereiro de 2016

Aeronáutica civil ratada ou o regulador regulado

 Inconsequente e inócua todavia, a deliberação da Aeronáutica Civil. Resta, dela e do estrelejado aplauso do ministro do Rato, saber se tornarão a ouvir-se aí galambais figuras bradando contra o ordenadão do presidente da Aeronáutica Civil.


Dakota CS-DGA (TDE) restaurado, Sintra (Vintage Aeroclube, 2014)
Dakota CS-DGA (TDE) restaurado, Sintra, 2014
In Restauro do Dakota da T.A.P., Vintage Aeroclube.

Escrito com Bic Laranja às 17:58
Verbete | comentar
Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016

T.A.P. e camionagem (barraqueirada)

Transportes Aéreos Portugueses, Lisboa (M. Novaes, c.1970)
Transportes Aéreos Portugueses, Lisboa, c. 1970
Mario de Novaes, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 20:26
Verbete | comentar
Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016

Concessão ao football (ou nem tanto)

 Tenho estado aqui a ver o Sportem com um club bavaro. Não estou com muita attenção, mas do que me apercebo não há um jogador alemão com nome alemão. Commento isto alto com a senhora que me só diz — E não é o Sporting o mesmo?
 Pois, agora é assim por todo o lado. Ou como dizia o cigano: é tudo uma raça pegada. E os nomes são mais moiros que outra cousa.
 Ah! Bom, agora saiu um Brandt.

 

image.jpg
Recorte do Diário de Notícias de 25/IV/1974 no blogo do Catano.

Escrito com Bic Laranja às 21:41
Verbete | comentar | comentários (2)

Dezembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
13
14
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Visitante


Contador

Selo de garantia

pesquisar

Ligações

Adamastor (O)
Apartado 53
Arquivo Digital 7cv
Bic Cristal
Blog[o] de Cheiros
Caminhos de Ferro Vale Fumaça
Carmo e a Trindade (O)
Chove
Cidade Surpreendente (A)
Corta-Fitas(pub)
Delito de Opinião
Dragoscópio
Eléctricos
Espectador Portuguez (O)
Estado Sentido
Eternas Saudades do Futuro
Fadocravo
Firefox contra o Acordo Ortográfico
H Gasolim Ultramarino
Ilustração Portuguesa
Lisboa
Lisboa de Antigamente
Lisboa Desaparecida
Menina Marota
Mercado de Bem-Fica
Meu Bazar de Ideias
Paixão por Lisboa
Pena e Espada(pub)
Pequena Alface (Da)
Perspectivas(pub)
Pombalinho
Porta da Loja
Porto e não só (Do)
Portugal em Postais Antigos(pub)
Retalhos de Bem-Fica
Restos de Colecção
Rio das Maçãs(pub)
Ruas de Lisboa com Alguma História
Ruinarte(pub)
Santa Nostalgia
Terra das Vacas (Na)
Ultramar

arquivo

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

RSS

____