Sábado, 30 de Abril de 2016
Estética em apreço

 Entro no café e cruzo-me com uma roliça de alguns 50, caminhar tronchudo, a exibir as carnes tatuadas por fora dum vestido primaveril. Sem os adornos tingindo-lhe os lombos a gaja não valeria nada.

Xana, Lisboa — (c) 2010
Xana,
Lisboa — (c) 2010



Escrito com Bic Laranja às 16:14
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016
Cidade nova

 Estava aqui a ouvir o Take Five de Dave Brubeck e, não sei porquê, veio-me à mente a Av. dos Estados Unidos nos anos 70. Não sei porquê.

Av. dos E.U.A., Lisboa(A. Pastor, 1974
Av. dos E.U.A., Lisboa, 1974.
Artur Pastor, in Archivo Photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 22:18
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016
A censura folclórica

« Muitos discos estavam proibidos de se transmitir em [i.é, no] R.C.P. [Rádio Clube Português]. Algumas largas dezenas! — Somente uns pares de exemplos: O Menino de Sua Mãe, de Fernando Pessoa, Baile de Roda Mandado, do folclore algarvio ...» &c. &c. (Matos Maia, Aqui Emissora da Liberdade, 2.ª ed., Caminho, Lisboa, 1999, pp. 173-174, apud Delito de Opinião.

  Era de facto tenebroso: umas largas dezenas (dezenas) de cantigas proibidas de pôr no ar, de que sobrou memória duns pares de exemplos... Parece folclórico! Atenho-me ao Baile de Roda Mandado...

Margarida foi à fonte
Com sapatinhos de lona.
Escorregou, partiu a bilha,
Espetou os cacos na teeesta!

  Há-de ter sido disso, pois... A mesma coisa que meia dúzia de anos marchados em liberdade entendeu cobrir a pentelheira àquelas miúdas das escolas secundárias... Piii!
  Censura com Patchouli não deve ser censura. Vamos que é folclore.

Grupo Folclórico de Faro, Baile de Roda Mandado e rapsódia.
(Faro, 2013)



Escrito com Bic Laranja às 19:31
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Casal Vistoso ou Quinta das Ameias

I.S.T., Lisboa (M. Novais, anos 30)

  O adjectivo 'vistoso' é comum ser usado por elegante ou garrido, mas significa primeiramente dar nas vistas, isto é, que se vê ou avista distintamente. A fotografia acima (1) foi tirada aquando da construção do Instituto Superior Técnico. Cuido que o benévolo leitor não achará difícil ver um casarão que se recorta contra o horizonte encimando uma colina. Fica na direcção do Areeiro. É o Casal (lá está!) Vistoso.
  A designação Quinta das Ameias, por que também era conhecido, ela advém-lhe do que se notava vendo mais ao pé, quando se percebia a casa cujos muros eram recortados em ameias.
  Há algo mais a dizer sobre...

Casal Vistoso, Areeiro (A. Serôdio, 1974)
Casal Vistoso tomado da Av. Gago Coutinho, Areeiro, 1974.

  O Casal Vistoso é do séc. XVII. Os Abreu e Castro, a quem talvez tenha pertencido nesse século (ou no seguinte), não soube eu agora descobrir quem foram. Não sei se a quinta coincidiria então com os limites que conhecemos da Planta Topográfica de Lisboa de 1908 (2) mas julgo que sim. Tinha esta quinta rudemente a forma duma meia lua em fase de minguante. De Sul para Norte, ia desde os terrenos próximos da Rua do Garrido até ao planalto onde hoje ficam as ruínas do Casal e, para lá dele, até umas terras sobranceiras à linha de cintura, no troço entre o Areeiro e Chelas. Confinava a Leste com o Casal dos Arciprestes (3), a NO com a quinta dos Peixinhos (4) e a SO e S com a quinta do Bacalhau. Entre esta e ela, corria a Azinhaga do Areeiro.

Planta 12 M, Lisboa (Planta Topográfica de Lisboa, 1908)
Planta Topográfica de Lisboa: 12 M [correspondência actual: Areeiro, Casal Vistoso, Av. Afonso Costa, Olaias], Lisboa, 1908.

  O casal propriamente dito situava-se no ponto mais alto da quinta. Tinha (e ainda tem) portão de entrada pelo Norte, que antigamente ficava no fim dum caminho em cotovelo que subia desde o velho lugar do Arieiro (Estrada de Sacavém). Formavam o Casal duas filas de casas alinhadas de Poente para Nascente com um pátio entre elas. Um jardim de buxo nas traseiras das casas no lado Sul deixa presumir que estas eram as principais. Tinha o jardim um muro de cercadura com ameias e sacadas de arco quebrado.
  Todas as casas eram térreas excepto a do topo oriental da fileira Sul, que tinha um sobrado com telhado de quatro águas. As da fileira Norte, mais pequenas, destinar-se-iam porventura ao serviço da quinta ou a habitação de criados.
  Há testemunho (5) que teve o Casal Vistoso interiores decorados com azulejos de Delft e que serviu o lugar de retiro do príncipe D. Luiz Filipe. Este facto leva-me a admitir que o Casal passou ao património da Coroa depois de ter pertencido à condessa d' Edla, à semelhança do palácio da Pena que el-rei D. Carlos [Luiz] tomou para a Coroa mediante indemnização. Neste caso do Casal Vistoso é uma mera conjectura, porém.

Casal Vistoso, Lisboa (A.Serôdio, 1974)
Casal Vistoso tomado da Rua Sarmento Beires, Areeiro, 1974.

  Sem mais trabalho de arquivo (6) é difícil adiantar aqui mais. É uma pesquisa que caberia à D.G.E.M.N. que, por motivo dalgum interesse tardio lançou a quinta no seu inventário em 2002 (7); então as casas eram já um pardieiro inqualificável. O caso deve obedecer a uma dessas formalidades de registo (descargo de consciência?); o mais difícil não se fez...
  Os projectos de urbanização do Casal Vistoso no Arquivo da Câmara levam a crer que esta propriedade pertença ou haja pertencido à C.M.L., mas não posso garantir (8). O Inventário Municipal de Património (9) regista-a, mas tal também não significa nada em termos da conservação do património. A história desta quinta, tudo parece, há-de contar-se pelo número de mamarrachos que nela se conseguirem construir.

Casal Vistoso, Lisboa (A. Serôdio, 1974)
Portão do Casal Vistoso, Areeiro, 1974.
 


(1) Recorte destacado dum original do Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..
(2) J.A.V. da Silva Pinto, A. de Sá Correia,
Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911: planta 12 M (des. por Abel Santos), Lisboa, 1908.
(3) Há referências a este casal como sendo dos Aciprestes ou Ciprestes.
(4) Uma visão do estado actual desta quinta dos Peixinhos em
Que cidade é esta, Lisboa S.O.S., 19/12/2009.
(5) Dr. Quintanilha Mantas. Cf. Dom Gastom, in
Quinta das Ameias ou Casal VistosoRuinarte, 20/12/2009.
(6) O
Arquivo Municipal refere o Casal Vistoso sobretudo a propósito dos planos de urbanização dos anos 60 para cá. Outras referências marginais prendem-se com o alargamento da Estrada de Sacavém c. 1890.
(7) Cf.
D.G.E.M.N., Nº IPA PT031106030236.
(8) Arquivo da C.M.L.,
Projectos de construção de arruamentos do Casal Vistoso.
(9) C.M.L., Plano Director Municipal, anexo I (
Inventário Municipal de Património), 03.02.
Fotografias do Casal Vistoso em 1974: Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

(Originalmente publicado às vinte para as dez da noite de 27/XII/2009.)



Escrito com Bic Laranja às 00:01
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2016
Conquistas de Abril
AO_ECF.jpeg

O artigo 199.º da Constituição diz:

Competência administrativa

 Compete ao Governo, no exercício de funções administrativas:

        ...

    g) Praticar todos os actos e tomar todas as providências necessárias à promoção do desenvolvimento económico-social e à satisfação das necessidades colectivas (C.R.P.).

-- // --

 Assim: 

 Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve: 

 1 - Determinar que, a partir de 1 de Janeiro de 2012, o Governo e todos os serviços, organismos e entidades sujeitos aos poderes de direcção, superintendência e tutela do Governo aplicam a grafia do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa [...] (Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011)

--  // --

 Agora, quanto a meter o AO/90 no conteúdo da alínea g) do  artigo 199.º da Constituição, é uma violência vergonhosa! Realmente, qual é o desenvolvimento económico-social resultante da vigência do AO/90?! Pelo contrário, é só prejuízo e retrocesso económico-social — os pais dos alunos afectados com os novos manuais escolares, etc. que o digam. E quais as necessidades colectivas que o AO/90 vem satisfazer?

(Carlos Fernandes, O Acordo Ortográfico não está em vigor; prepotências do governo de José Sócrates e do presidente Cavaco Silva, Lisboa, Guerra e Paz, 2016, pp. 52-53.)

 



Escrito com Bic Laranja às 19:41
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...

  — Mas porque tem esse horror aos partidos?
  E Salazar, explicando-me, claramente, o seu pensamento:
  — Está enganado… Eu não tenho horror aos partidos, dum modo geral ; tenho horror ao partidarismo em Portugal. A Inglaterra vive, pode dizer-se, ha seculos com os seus dois partidos alternando-se no poder, e até ao presente tem-se dado bem com isso. A educação cívica do povo leva as massas a deslocarem-se entre os dois, levadas por grandes movimentos de ideias, ou por grandes aspirações, ou por necessidades nacionais. Em Portugal, porém, êsses agrupamentos formaram-se à volta de pessoas, de interêsses mesquinhos, de apetites, e para satisfazer êsses interesses e apetites. Ora, é essa mentalidade partidaria que tem de acabar, se queremos entrar num verdadeiro periodo de renovação. A terapeutica da Nação doente, retalhada, exige-nos uma imobilização, que pode ser definitiva ou demorada, de toda a acção politica fragmentaria.

António Ferro, Salazar : o homem e a sua obra, [Lisboa], E.N.P., 1933, pp. 140-141.

António Ferro, «Salazar», E.N.P., 1933

 



Escrito com Bic Laranja às 00:05
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Domingo, 24 de Abril de 2016
Programa de variedades

Nancy Sinatra — These Boots Are Made for Walkin'
(1966)

 


A apresentação (despida) das artistas deve-se a não haver pronto-a-vestir antes do 25 de Abril.



Escrito com Bic Laranja às 22:00
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Coisas d' O Diabo

Subtilezas na (mu)dança de director («O Diabo», 1-8 de Março de 2016)

Subtilezas na (mu)dança de director editorial. «O Diabo», 1-8 de Março de 2016.



Escrito com Bic Laranja às 13:29
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2016
A Avenida de Fontes...

 Sugeriu o leitor Mário Cruz no Solar da família Mayer um «antes e depois» com esta de Judah Benoliel. Antes, em 1901, a Av. de Fontes exibia placa central arborizada em jeito de boulevard, com gente elegante em promenade; depois, por moda ou progresso (ou pela moda do progresso) obliterando-se as árvens em prol do desafogo rodoviário. Ainda assim foi um depois só ainda premonitório do tráfego a haver, pois vedes que não havia...
 Agora que há tráfego e não como deixar de haver, a premonição do Medina enxertado é que deixe de haver e daí a fúria no replantio das árvens...
 
Bom! A verdade é que no final fim [dos] anos 50, mesmo com progresso, a Av. de Fontes era bem pouco claustrofóbica.

Avenida de Fontes Pereira de Mello, Lisboa (J. Benoliel, anos 50)

Av. de Fontes Pereira de Mello pela manhã, Lisboa, 195...
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 23:36
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016
O solar da família Mayer

 A Avenida de Fontes Pereira de Melo por alturas do aterro sobre a Rua de S. Sebastião. Antes de haver Palácio Sotto-Mayor.
 Um eléctrico em rota descendente — circulava-se pela esquerda, no príncipio do séc. XX. — Um saloio observa... o eléctrico ou as madames que passeiam — um luxo, uma placa central daquela dimensão; digna das melhores avenidas.
 No lugar do palacete Sotto-Mayor um solar de belo porte e com ar de ter pergaminhos — cuido que pertencia à família Mayer. Casa de quinta que não sei agora dizer o nome mas que, parece-me (posso estar enganado), vinha desde a Cruz do Tabuado (Largo da Escola Médica-Veterinária) e se estendia ruralmente através da paisagem que nesta imagem se abarca até alturas da Travessa do Sacramento (ou Av. Tomás Ribeiro).
 O palacete Sotto-Mayor diz que andou a ser construído de 1902 a 1906. Os eléctricos são de 1901. A fotografia pode ser do Inverno desse mesmo ano. E aqueles prédios de rendimento lá mais acima... Na esquina da Martens Ferrão é um dos que andam agora entregues aos grafiteiros. — Vede que beleza! Casas com mais de cem anos!...
 Calhando ao depois descobrir mais coisas darei cá notícia.

Av. Fontes Pereira de Melo, Lisboa (A.C. Lima, 1905-1908)Avenida Fontes Pereira de Melo [e solar da família Mayer], Lisboa, c. 1901.
Alberto Carlos Lima, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

(Publicado originalmente em 29/XII/2010.)



Escrito com Bic Laranja às 19:31
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Dia de S. Cânhamo

 A religião em vigor comemora o dia mundial da marijuana.

Louçã fuma um charro (in Homem das Tabernas, 2008)

(Beato Louçã incensando urbi et orbi, ao balcão, entre copos... [n]o mundo visto em contramão.)



Escrito com Bic Laranja às 11:19
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2016
O Medina enxertado

 A comoção ardente que caustica o fosso encefálico do Medina enxertado para plantio de árvores em solos de alcatrão rodoviário desbordou ùltimamente da 2.ª circular para Av. da República. Desafortunadamente, do crepitar subcapilar e inter-orelhal deste enxertado Medina não chispou faúlha de jeito para atear fogo ao Campo Grande, onde — aí sim — o arvoredo a replantar seria de vulto e de muito maior monta a encomenda aos hortos da adjudicação directa municipalo-partidária.
 Não recebendo o empreendedorismo arboricultor medinal tal bênção, houve de inovar (esse verbo transitivo boçalmente vulgarizado agora por empreende-duríssima inovação gramatical), salgando segundo os cânones da religião pe(i)daleiro-municipal a sagração das rodovias laterais da Av. da República à ciclobeatitude: uma para lá, outra para cá, em duplicado e à maneira de certas auto-estradas …
 Na rodovia central sobejante, no entanto, haverá cruzamentos do Saldanha ao Campo Pequeno onde caridosamente poderá o ímpio automobilista virar à direita e (muito melhor) à esquerda: uma outra salga para o tráfego rodoviário piedosamente incensada de mais arvoredo no separador do eixo da avenida para expiação do pecado das emissões, certamente.
 Postos então ali os cruzamentos de superfície ao nível da sua superficial sapiência, parece ao Medina enxertado ser bom e útil e até lindo escavar a avenida pelos alicerces do viaduto da linha de cintura ante a Feira Popular (esse marco do empreendedorismo de inovação) e unir os dois túneis que ficaram curtos naquele outro troço de avenida onde não há cruzamento nenhum que se veja. Como ideia de descer o nível é imbatível.
 A minha mãe ensinou-me a procurar o melhor nas pessoas.
 Acho este Medina enxertado na câmara de Lisboa com cara de pouco esperto. Mas concedo, pois, que ronha de sabichão lhe não falta.

image001.jpg
(Imagem do P.S. de Cedofeita.)

Revisto.



Escrito com Bic Laranja às 20:33
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Domingo, 17 de Abril de 2016
Show de Variedades

Shirley Bassey, Smoke Gets In Your Eyes
(Morecambe & Wise, 1971)



Escrito com Bic Laranja às 21:50
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Sábado, 16 de Abril de 2016
Da igualdade do género

 Ontem alguém dizia com meia ironia que o Bloco de Esquerda ia mudar o nome para «bloque» para ser neutro.
 — E a «esquerda»...?
 — A «esquerda» não mudam porque é feminino.
 — Pois... como a «merda».

(Imagem da pipoca mai' doce.)



Escrito com Bic Laranja às 12:33
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Terça-feira, 12 de Abril de 2016
Sexo e raça errados

 Os especialistas dizem que o facto de ser homem e de ser um europeu ocidental jogam contra ele. («Guterres defende candidatura à O.N.U.», Jornal da Noite, S.I.C.,12/IV/16.)

António Guterres(Sapo)
Imagem do Sapo.



Escrito com Bic Laranja às 21:11
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016
A irrisão do meu tempo

A religião do meu tempo

Sim, meus caros, é mágoa, é desalento
e se uma leitora ao menos der por isso
vale a pena fingir o que deveras sente.

Os toldos vermelhos fecharam-se nas praias.

Faltam homens sem qualidades.
Já todos entendemos
que um tempo acabou.

Acabou o seu tempo,
diz-me o psicanalista, lá nos anos 70,
a acordar num bocejo e a olhar para o relógio.

(Luís Filipe Castro Mendes, «O novo ministro da Cultura em 10 poemas», Observador, 11/4/2016.)

Ou

A [mesma] religião do meu tempo

 Sim, meus caros, é mágoa, é desalento e[,] se uma leitora ao menos der por isso[,] vale a pena fingir o que deveras sente. Os toldos vermelhos fecharam-se nas praias. Faltam homens sem qualidades. Já todos entendemos que um tempo acabou. Acabou o seu tempo, diz-me o psicanalista, lá nos anos 70, a acordar num bocejo e a olhar para o relógio.»

(Idem.)

 Tanto em verso sem rima como sem verso nem rima, é... poético!...
 Não tanto como contos eróticos em castelhano, porém...

As musas Melpomene, Erato e Poliímnia (Le Suerer, 1652-55)

As Musas: Melpomene, Erato e Poliímnia
Eustáquio Le Sueur, 1652-55
Óleo sobre tela, 130 x 130 cm
(Museu do Louvre, Paris)



Escrito com Bic Laranja às 15:38
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Domingo, 10 de Abril de 2016
Variedades: Shirley Bassey

Shirley Bassey — Goldfinger
(1968)



Escrito com Bic Laranja às 21:45
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016
Das paixões e da guerra...

 Certa vez em que na minha guerra fui escalado de reforço à porta Norte do quartel, onde era a cadeia, havia lá um soldado condenado em oito dias de prisão pelo comandante. Um outro injuriara-o e ele, agravado, pregara-lhe um murro sem meia medida. Quinze dias passados calhou-me de escala o mesmo serviço na mesma porta Norte onde era a cadeia. Admirei-me de lá ver aquele mesmo que esmurrara o outro e procurei-lhe como era que ainda ali estava. Pois respondeu-me que, daquele murro, cumprira ele a pena já, mas que lhe o comandante tornara a dar oito dias por, em saindo, ter ido pregar novo murro no outro. Dizia que só com dois murros se desagravava.

 Ora, mas tudo isto vem para um caso! De haver aí um (auto) flagelador ministro da cultura à bofetada, logo agora, quando no ministério da guerra se cultivam batalhoas no lugar de batalhões.

*   *   *


Duelo entre Mello Barreto e Rodrigues Nogueira, Estr. da Ameixoeira (J. Benoliel, 1909)
Duelo entre Mello Barreto, jornalista, e Rodrigues Nogueira, do Partido Progressista, Ameixoeira, 1909.
Joshua Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 18:32
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016
É!

Bem me pareceu.

Afonso Moreira (Cartas ao Director), «O Diabo» 5/IV/16),
Afonso Moreira, O Diabo, 5/IV/2016 (cartas ao Director).



Escrito com Bic Laranja às 15:08
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2016
Reflictam, reflictam!

3751900316_19079e4c6f_z.jpg

  O sr. ministro dito da Defesa Nacional incomoda-se com paneleirices no Colégio Militar. O direito à paneleirice parece que vem na Constituição, portanto, nada a obstar à Defesa Nacional com tropa paneleira...
  Não admira é, porém, com tropa coisa e ministro da Defesa de tal (isto deve andar tudo ligado), que os púlpitos radiofónicos doutrinem hoje o povinho em geral e os meninos da escola em particular para o dramalhão de poderem vir a ser refugiados.

Capture.JPG

  Portanto: E se fosse eu? (que houvesse de fugir), é o nome (completo) da campanha promovida pela Plataforma de Apoio aos Refugiados, mai-los catequistas me(r)diáticos todos em peso e em freiral uníssono.
  Ninguém ousará discordar da catequese e o presidente D. Marcelo, que vai a todas e não falha uma, associou-se ao simulacro infantil da mochila cheia de «kits de refugiado» em vez de livros da escola e disse paradoxalmente mais: que lhe acrescentaria espaço para... livros; a Guerra e Paz talvez não, que é calhamaço pesado — ou talvez sim havendo edição de bolso —, mas talvez levasse o Ulisses do James Joyce ou outro estrangeiro que me já não lembra. A Bíblia? — a instâncias dum repórter — é que seria opção mais remota...
  Deus nos guarde!
  Deus nos guarde, porque esta espécie de gente — que nem já nas modas vai, mas voga nas meras tendências — não enxerga o óbvio. Quando os queridos refugiados nos tomarem a terra, para onde havemos nós de fugir? Para a terra deles?... Ou haverá aí mais europas?...


Fotografia: Mocidade Portuguesa das 600 escolas festejando os refugiados. Original s.d. do estúdio de M. de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.

Verbete revisto.



Escrito com Bic Laranja às 13:12
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