Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

Do pequeno almôço

 Os nossos antigos diziam desjejum (ainda se o ouve no desayuno castelhano) . Nós, portuguêsmente, afrancesámo-nos (os brasileiros, no caso, nem tanto): à letra, o déjeuner francês mais não é que o desayuno castelhano; afrancesámo-nos, portanto, apondo portuguêsmente o petit francês ao nosso almôço.

  — Um queque e ¼ de Vigor por desjejum.

Queque e ¼ de Vigor

Escrito com Bic Laranja às 07:45
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Domingo, 30 de Outubro de 2016

Omissão e homilia

 Do que apanhei (ouvi mal o eixo, ontem, sob o espectro de morpheu), acerca do copioso vicejo de doutores de gargarejo, nem pio. Um silêncio eloquente.

 

(A «família disfuncional favorita dos portugueses» segundo o saco de plástico é dum semanário brasileiro que se pública para ai aos sábados.)

Escrito com Bic Laranja às 17:27
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016

Da democracia para galegos

IMG_0410.JPG

 Hoje mais um licenciado de gargarejo no governo. Bi-licenciado. É continuar a escavar. Não parece haver limites à trampolinice. Quem haja aí que tenha pingo de dignidade há-de servir para galego. Com direito a voto.


Fotografia: Galegos carregadores de pianos e trastes de todo tipo, Estação do Rossio, c. 1910. Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

Escrito com Bic Laranja às 20:52
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Do progresso material e espiritual da província

José Hermano Saraiva, Nas margens do Tua
(Horizontes da Memória, R.T.P., 1997.)

Escrito com Bic Laranja às 11:30
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

As casas do conde de Soure no Monte Agudo

 Tenho aqui criticado pecadilhos e azelhices, mas justo é que louve quando haja de louvar. Talvez seja agora caso...
 O Fraga-hífen-Aurélio (Lisboa de Antigamente) que transcreve as Peregrinações de Norberto Araújo ilustrando-as com imagens do archivo photographico da C.M.L., publicou há dias uma chapa de José Arthur Leitão Barcia dumas casas e duma ermida na estrada da Penha de França; são umas velhas casas demolidas por volta de 1916 conhecidas ùltimamente por Pateos dos Condes de Soure e que povoaram até então o alto do Monte Agudo (*). Como são chãos onde hoje poisa a escola secundária de D. Luísa de Gusmão, que frequentei nos meus tempos do liceu, quando há uns anos li a passagem de Noberto Araújo acerca do lugar quis achar imagens do que me ele descrevia, mas foi em vão.
  Segundo o olisipógrafo as casas ali vinham do tempo de el-rei D. Sebastião e eram pertença de uns Carvalhos, gente boa e de haveres, que vieram à posse dos condes de Soure pelo casamento em 1693 duma dama sua herdeira com o 3.º conde daquele título, D. João José da Costa e Sousa. Foi essa dama D.ª Luísa Francisca de Távora, dama da Rainha, filha e herdeira de Henrique de Carvalho e Sousa, senhor da Azambujeira, morgado de Patalim (Évora), comendador da Ordem de Cristo e provedor das Obras do Paço. Estes títulos e privilégios entraram assim na casa de Soure, a par das casas do Monte Agudo.

Pátios do Conde Soure — Estr. da Penha de França, Lisboa (J.A.L. Barcia, ante 1916)
Pátios do Conde Soure e ermida de N. Sr.ª do Monte Agudo na Estr. da Penha de França, Lisboa, c. 1916.
José Arthur Leitão Bárcia, in archivo photographico da C.M.L.

 O achado da fotografia tem o seu mérito porquanto vem etiquetada no archivo photographico da Câmara como, imagine-se, Palácio do Conde de Sôr (sic); e localizam-na na Rua da Vinha ao B.º Alto. — Se trocar Soure por Sôr é já digno de encómio, que dizer dele quando quem no faz atribui tão sàbiamente o lugar retratado à Rua da Vinha, rua ela que entesta nada mais nada menos com a Travessa do Conde de... Soure?!... — Mas aproveitemos a chave. Pesquisando por Sôr em vez de Soure, acha-se outra do palácio, da sua demolição (v. infra). Não deixa dúvidas: o brasão que encima a porta é dos Carvalhos; as casas demolidas deviam vir do séc. XVII, antes de passarem à casa de Soure.
  Òbviamente o louvor ao Fraga-hífen-Aurélio vem inteiramente donde jazem o demérito e a asneira do archivista. Mas não é menor por isso. Parabéns!

Demolição do Palácio dos Condes de Soure no Monte Agudo, Lisboa (J.A.L.Bárcia, c. 1916)

Demolição do palácio do Conde Soure no Monte Agudo, Lisboa, c. 1916.
José Arthur Leitão Bárcia, in archivo photographico da C.M.L.

 


(*) O Monte Agudo, fronteiro ao Cabeço da Bola e sobranceiro ao B.º das Colónias, é hoje um topónimo pouco conhecido. Para ele confluem modernamente as ruas do Mestre Ant.º Martins e Heliodoro Salgado. A primeira é rua moderna, nada há a dizer. Mas a última é a antiga Calçada do Monte Agudo, topónimo do séc. XVII substituído por homenagem a Heliodoro Salgado (Santo Tirso 8/7/1861 - 12/9/1906), maçon fundador da Carbonária Lusitana e militante do Partido Republicano. Em 1944 e em 1950 a Comissão Municipal de Toponímia propôs que se tornasse ao topónimo seiscentista. O nome, porém, manteve-se. Imagino porquê...

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

Do palácio e quinta dos condes das Galveias

Mas o Palácio das Galveias tinha aquele aspecto de degradação horrível, pelos anos de 19...?

Palácio Galveias, Lisboa (A.J.L. Bárcia, 1915-28)
Largo do Dr. Afonso Pena e Palácio Galveias, Campo Pequeno, [1915-28].
José Arthur Leitão Barcia, in archivo photographico da C.M.L.


  Torno com esta fotografia porque suscitou uma pregunta que me deu mote para o que resumo a seguir.

 O palácio Galveias chegou ao estado em que se viu antes de ser expropriado e convertido em biblioteca municipal. Foi construído pelos Távoras no séc. XVII, de que é exemplar arquitectónico de casas nobres desse tempo, mas, com a desdita dessa família no tempo de Pombal o palácio (e quinta, que era maior do que se imagina) mudou de dono. Chegou às mãos dos Abreus e Castros [Melos e Castros, quero dizer], condes das Galveias pelos alvores do séc. XIX até que estes o finalmente venderam a um Braz Simões, salvo erro industrial ou capitalista, uma coisa assim. Este arrendou-o em fracções a gente pobre como sudedeu a outros palácios fidalgos como p. ex. os casebres do Loretto (Marialva) ou o palácio dos Telles da Sylva (Alegrete). Até que decaíu no estado em que o vemos na imagem. Acabou expropriado pelos anos 20 por se dar remate às avenidas Barbosa du Bocage, Elias Garcia e Defensores de Chaves. Com a posse do Estado c. de 1928/29, em boa hora decidiu-se restaurá-lo e vertê-lo em biblioteca com o solene aspecto que lhe reconhecemos hoje.

 Mais uma nota. Os cartazes de espéctaculos na frontaria do palácio anunciam os filmes mudos Cabiria no Politeama e Maciste no Olympia. São filmes italianos de 1914 e 1915. Não sei ao certo quando foram estreados cá, mas já li alhures que foi por 1916. Ora aqui está uma data verosímil para a imagem.

  Por fim, para vermos por onde se estendia antes das avenidas a quinta das Galveias com suas terras de semeadadura e com quem confrontava, fica uma planta do eng.º Ressano Garcia, de 1902.

 


Frederico Ressano Garcia, Planta da zona de Picoas até ao Campo Grande, que inclui a avenida Ressano Garcia, actual avenida da República, a estrada de Picoas, o matadouro, o largo da Cruz do Taboado, a propriedade da condessa de Camaride, a estrada do Arco do Cego, a avenida Fontes Pereira de Melo, a praça de Touros, a propriedade do conde das Galveias, a estrada de Entrecampos [a quinta de Francisco Isidoro Viana] e o mercado Geral de Gados, C.M.L.,1902 (PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/01928), apud Francisco de Matos et al., Do Saldanha ao Campo Grande: os originais do Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, C.M.L., 1999, pp. 26-27.

Escrito com Bic Laranja às 12:12
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Sábado, 22 de Outubro de 2016

Salazar, por Franco Nogueira

Franco Nogueira, Salazar, 6 vols., Coimbra/Porto, Atlântida/Civilização, 1977-1985

  Acabadinhos de chegar do encadernador. Os 6 volumes por c. de 5 contos de réis. A encadernação foi... soma algumas vezes isso...

Escrito com Bic Laranja às 14:39
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Dores de cabeça

Olivais Sul, Rua B-3, Lisboa (J. Goulart, 1966)

Rua B-3 (R. Vila Cabral), Olivais Sul, 1966.
João Hermes Cordeiro Goulart, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 11:00
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016

Largo do Dr. Afonso Pena

 Na senda de imagens do Campo Pequeno para ilustrar ontem o verbete do cruzamento Av. João XXI com a Defensores de Chaves (seja lá isso onde for), topei com esta muito curiosa em que o palácio Galveias se estende muito para o lado da Rua do Arco do Cego (ou Estr. do Campo Pequeno). Tanto que se nem ela lá percebe.
 A inferior mostra o lugar com um aspecto mais contemporâneo.
 Ambas são do tempo em que o terreiro fronteiro ao palácio Galveias se chamava Largo do Dr. Afonso Pena.

Largo do Dr. Afonso Pena e Palácio Galveias, Lisboa (J.A.L. Bárcia, s.d.)
Largo do Dr. Afonso Pena e
Palácio Galveias, Campo Pequeno, [s.d.]
José Arthur Leitão Barcia, in archivo photographico da C.M.L.

Palácio Galveias, Lisboa (A. Salgado, 1945)
Palácio Galveias e Largo do Dr. Afonso Pena
, Campo Pequeno, 1945.
André Salgado
, in archivo photographico da C.M.L.

 

Adenda às sete da tarde: a planta 10 M do levantamento topográfico de Lisboa (J.A.V. da Silva Pinto, C.M.L.,1904-1911) ajuda a perceber a imagem superior: a frente do palácio que dava para a Rua do Arco do Cego tinha uma faixa de jardim com renque de árvores orlando o palácio por chãos que são hoje rua pública; o muro de base do gradeamento prolongava-se ele mesmo para ao longo da estrada, além do limite da fachada N do palácio. É o muro branco que se vê na banda esquerda na fotografia de cima e que por ilusão de óptica me pareceu prolongar-se para Nascente através da dita Rua do Arco do Cego.
 A planta em concreto, da autoria do agente técnico de engenharia Alberto de Sá Correia, é de 1908. Quando foi a rua alargada à expensas daquela orla do jardim do palácio Galveias não sei. Talvez em 1929, que o limite ad quem dado no arquivo àquela fotografia lá em cima.

Planta 10M (1908)

Escrito com Bic Laranja às 17:43
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Noticiário da cidade

Av. dos Defensores de Chaves, Lisboa (A. Goulart, 1966)

 Rebentou hoje um colector de águas no Campo Pequeno, em Lisboa, na embocadura da Av. dos Defensores de Chaves. Para lá do transtorno aos automobilistas e do contratempo ao trânsito, ouvi dizerem na emissora nacional que o incidente afectara o metropolitano havendo sido fechada a estação do Campo... Grande. Disseram-no e repetiram-no tal qual, sucessivas vezes: estação do Campo Grande. Isto a par da preciosa informação de a ruptura no colector ser no cruzamento da Av. dos Defensores de Chaves com a Av. João XXI.
 Haviam os informantes da emissora de apontar-me no mapa de Lisboa se tal cruzamento existe e se fica a bem dizer no Campo Grande. Mais ou menos, vá lá!...

(Fotografia: Av. dos Defensores de Chaves, Lisboa, 1966. Artur Goulart, in archivo photographico da C.M.L.)

Escrito com Bic Laranja às 17:30
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

Vida e obra de Fernando Pessoa

João Gaspar Simões, Vida e Obra de Fernando Pessoa (1.ª ed., Bertrand, 1951)

 «Vida e Obra de Fernando Pessoa; História de uma geração», de João Gaspar Simões, 1.ª ed., Bertrand, 1951. — Por ventura o livro que atravessou Isabel da Nóbrega no caminho de João Gaspar Simões…
 Chegou-me hoje às mãos a encomenda: 2 vols.; da Holanda. Muito mais em conta do que os 19 contos de réis que um alfarrabista da nossa praça pede pela mesma edição. E a pesar dos portes.
 A primeira edição duma obra em português que torna a Portugal.

Escrito com Bic Laranja às 11:36
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Domingo, 16 de Outubro de 2016

O Diário de Torga por abrir e o x-acto

Lisboa — (c) 2016


 Companhia intimista de serões de Inverno ou de tardes bucólicas de Outono.

Escrito com Bic Laranja às 16:20
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

Nobel do mergulho no Tejo

República do inglês macarrónico

 A faceta de comentador de tudo e um par de botas do inquilino de Belém é cada vez mais exasperante. A colagem a todo o acontecimento de cartaz é doentia; a pesporrência de lugares-comuns em comunicados inanes, uma aflição. E a aculturação ao amaricano, uma pobreza. — «The times they are a-changin'» nem bom inglês é.

Escrito com Bic Laranja às 15:31
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R.T.P. em directo

Corrida de gala á antiga portugueza, Campo Pequeno (R.T.P., 2016)

 Corrida de gala á antiga portugueza, Campo Pequeno (Radiotelevisão Portuguesa, 2016)

Escrito com Bic Laranja às 00:00
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016

Qualquer dia temos outro Saramago

 Se aí o comentário político televisivo anda já remunerado como direitos de autor, porque me espanto eu da quadratura do Nobel?!!

Quadralgaduras.JPG

Quadralgaduras do circo apanhadas no Sol.

Escrito com Bic Laranja às 20:35
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