Domingo, 30 de Abril de 2017
Ainda Salazar, por Franco Nogueira, e a imprensa livre

 Conto uma história.
 O vol. II foi-me gentilmente oferecido pelo meu estimado amigo, o Sr. A. Fernandes. Adquiri o vol. I num OLX qualquer por menos dum conto de réis. Ambos usados, mas em bom estado. O caso foi ficando assim até que me resolvi a comprar os restantes; negociei-os em conjunto, ficando-me
cada um pouco mais ou menos pela conta do outro que comprara. Sucede que estes últimos quatro, embora inteiros, vinham com a cabeça e a lombada tão, mas tão amarelecida do pó, e deitando tal cheiro, que me cheirou o caso a décadas de armazém. Desconfio que foram comprados de propósito para armazenar e deixar esquecer, numa habilidade porventura concertada de os subtrair ao público. Isto explica-me a raridade de certas edições incómodas, como esta — ou aqueloutra do livro de Rui Mateus (*), com 3 tiragens só no ano de 96, salvo erro, e cujos volumes se quase evaporaram.
 Coisas da democracia, certamente por culpa do salazarismo.
 Resolvi-me encaderná-los por causa do estado pior daqueles vols. III-VI. Entretando já estão mais arejados...

F. Nogueira, «Salazar», Atlântida/Civilização, Coimbra/Porto, 1977-85.

 


(*) Rui Mateus, Memórias de um P.S. Desconhecido, Lisboa, Dom Quixote, 1996, proposto para abateindisponível, ou desaparecido das bibliotecas de Lisboa. Um que se ache talvez esteja convenientemente emprestado; podemos esperançosamente aguardar que o devolvam...


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Sexta-feira, 28 de Abril de 2017
Salazar, por Franco Nogueira

« Termino com este sexto volume a biografia de Oliveira Salazar. Na portada do primeiro tomo, afirmei o propósito de isenção, serenidade, frieza e recusa a elogio e vitupério. Quanto humanamente viável, penso que o consegui. Creio que não terei agradado aos fanáticos de sinais opostos: para uns, não afirmei com suficiência a grandeza do homem; para outros, não fiz sobressair as suas sombras o bastante. Mas em verdade eram outros os meus desígnios: aproveitar os documentos, descrever os factos, intervir nas fontes o menos possível [...] Figura de muitos ângulos, com traços contraditórios e sempre vincados, de características extremadas, Salazar presta-se a muitas versões, a muitos retratos, e todos verdadeiros ainda que falsos se incompletos. Ao erguer uma biografia daquele homem, que poderia perguntar-se às fontes disponíveis? Era um homem com força de vontade inquebrantável? Era lúcido, inteligente? Era honesto, incorruptível? Era duro, autoritário? Era vaidoso, arrogante? Era frio, insensível? Era nervoso, emotivo? Era ambicioso, amante do poder? Era bom português, patriota? Todas estas perguntas se poderiam formular, e mil outras; há elementos para lhes responder, e documentação para comprovar as respostas. Seria viável escrever uma biografia que seleccionasse algum daqueles traços, e o transformasse no tema central. Seria viável; mas não seria intelectualmente e historicamente honesto. Será isso, no entanto, que pretendem os fanáticos a que aludi. Para uns, basta descrever um Salazar desumanizado, provido de todas as perfeições; para outros, se não se afirmar que Salazar foi um criminoso ou apenas um autoritário, não se está a compor uma obra exacta. Rejeitei as duas atitudes, procurei investigar [...] Alguns criticaram os volumes precedentes porque, da sua leitura, o leitor desprevenido poderia concluir que o biografado fora um homem de génio, e portanto eu estava sendo parcial, ou faccioso. Ora a verdade é esta: Oliveira Salazar foi um homem de génio. «Não é popular afirmá-lo», escreveu um jornalista de extrema-esquerda, «mas foi-o». Enquanto não se aceitar esta realidade, nenhuma biografia daquele vulto político será possível, e é este ponto que muitos não sofrem reconhecer ou admitir, sendo levados a exigir uma biografia de Salazar necessariamente e exclusivamente demolidora. Desde que o não seja, pensam que não é isenta e que é unilateral. Mas do facto de ter sido um homem de génio não se segue que haja sido um intocável, um divino, um santo, e há que aceitar também esta realidade, porque de outro modo continua a não ser viável uma biografia, salvo se esta se confinar ao panegírico hagiológico. No mais, e quanto aos cinco volumes já publicados, ninguém impugnou um documento e a sua interpretação, ninguém contestou um facto e a sua relevância.

  Outro equívoco importa destruir: afirmar a genialidade de Salazar não implica compromisso político ou ideológico; é um acto de inteligência, que não traduz adesão a princípios, ainda que lúcida e independente, e muito menos devoção embevecida sem atitude crítica. Salvo excepções, para muitos políticos portugueses, todavia, negar hoje o mérito pessoal de Salazar (o que é diferente de negar o Salazarismo) tornou-se um expediente e um imperativo ou uma obsessão, parecendo que sentem terror de uma sombra que se diria esmagá-los, ou de uma comparação ou paralelo que se diria diminuí-los; mas esses, quase clandestinamente, não têm deixado de se debruçar sobre a vida e a figura de Salazar na ânsia de descobrir o segredo e a receita da sua longa permanência no poder. No fundo, sentem avidez de mando, pouco democrática, e que parece julgarem ser-lhes inerente; e desejariam saber como exercer esse mando a título vitalício, e sem restrições. Ao fim e ao cabo, têm ânimo de ditadores, sem espírito de servir nem de sacrifício, com gosto pelo exercício pessoal de um poder arbitrário e discricionário, que não estava nas coordenadas de Salazar. Simplesmente o génio não se transmite por herança nem é susceptível de cópia; e os imitadores são epígonos, a situar no limbo da história.»

Franco Nogueira, Salazar; O Último Combate (1964-1970), Civilização, Porto, 1985, pp. XI-XIII.

Franco Nogueira, «Salazar», Atlântida/Civilização, 1977-85.



Escrito com Bic Laranja às 22:00
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Quinta-feira, 27 de Abril de 2017
Dança barroca

Passacaille (Armida J.-B.Lully)
(Comp.ª de dança barroca, «Neveux de Rameau», São Petersburgo.)


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Quarta-feira, 26 de Abril de 2017
Desmentido. O Sapo não me censurou

 

 

Foi critério editorial. Por evitar excesso de destaque. Desconhecia. É justo. Fica o desmentido e as razões.

Bom dia,

 A página da tag «25 de Abril», tal como todas as outras páginas de tags, listam apenas um post por blog, de modo a que todos tenham oportunidade de ser listados. É assim desde o início do SAPO Blogs, há quase 14 anos. A partir do momento que o senhor publicou um segundo post com a tag «25 de Abril», esse post saltou para o topo da página pública. Do mesmo modo, o seu post de hoje, saltou para o topo da página: http://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G3907d625/20391749_6FBTZ.jpeg
 Seja como for, o SAPO Blogs é uma plataforma de publicação aberta a todos os que querem expressar a sua opinião. A censura não está nos nossos valores nem faz parte do nosso trabalho.

De Pedro em 26 de Abril de 2017 às 10:38.


Carimbo em GSIA 24 Horas.


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Escrito com Bic Laranja às 18:38
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O Sapo censurou-me um verbete (um não, dois verbetes) sobre o 25 de Abril

  Às oito e um quarto da noite de 25 publiquei Do evangelho pelo dia de S. Marcos com a etiqueta «25 de Abril». Cinco minutos depois o Pedro Correia publicou Coragem no Sporting com a mesma etiqueta ficando imediatamente adiante do meu texto. É meia-noite e um quarto de 26 e o que se vê a seguir ao do Pedro Correia já não é o meu texto, cinco minutos anterior. É outro como se vê. O meu texto desapreceu da lista. O critério editorial dos destaques do Sapo é fascista, como se percebe.

 Este blogo publica-se faz hoje 12 anos, no Sapo. Obrigadinho da consideração!

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Adenda à meia-noite e meia: o Sapo acabou de me apagar dos destaques um segundo texto sobre o grande acidente nacional: O 25 de Abril, o apagão da História e a vidinha. Temo que o fascismo do Sapo me acabe em breve por apagar o blogo todo.


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Escrito com Bic Laranja às 00:15
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Terça-feira, 25 de Abril de 2017
O 25 de Abril, o apagão da História e a vidinha

Barragem de Cambambo, Angola, c. 1969. A. n/ ident., S.E.I.T., n.º 335627, cx. 448, env. 8.

 

 Depois de 25 de Abril de 1974 era imperativo apagar a memória do período de maior prosperidade da História de Portugal e recriá-la, em nome da divina democracia e da santa liberdade, em tom carrregado e linguagem sinistra.

« Mas o Arquivo Salazar, transferido das caves de S. Bento (onde julgo que foi saqueado após o 25 de Abril) para a Biblioteca Nacional (onde creio estar devidamente instalado), continua defeso para os investigadores. Todas as consultas e extensas pesquisas que ali fiz, quando ainda em S. Bento, cessaram, pelo menos para mim, com o 25 de Abril — ainda que segundo parece esteja agora aberto estranhamente à pesquisa política, e apenas à pesquisa política, com objectivos que antecipadamente se confessam comprometidos e orientados num único sentido, e destinados a provar o que deliberadamente se quer provar, sem sujeição à contradita e à rectificação através de investigadores e historiadores.»
Franco Nogueira, Salazar, vol. VI, Civilização, Porto, 1985, p. XV.

 A pesquisa política era a da Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, decerto. O objectivo antecipadamente confessado que o embaixador Franco Nogueira refere veladamente é ostensivo e orgulhoso no nome da coisa. O estilo de linguagem é oficial e é como desde 74 se veicula a História investigada por autoridades com chancela e certificados de Abril. O Arquivo Salazar passou entretanto à guarda da Torre do Tombo, mas mesmo agora, acessível a investigadores de geração mais recente, o que acaba saindo dos prelos não é famoso. A História foi mesmo virada do avesso e é como vai.

« E o segundo ponto é este. Quando comecei a a descrever períodos mais recentes, nos volumes IV e V, e a aludir à acção de homens ainda felizmente vivos, deparei com com reacções opostas. Uns teriam querido que eu simplesmente omitisse qualquer referência: sentem horror em que se documente que trabalharam ou que exerceram funções de grande relevo com Salazar. Outros teriam desejado que lhes fizesse alusão, e extensa, mas somente para sugerir que já naquela altura se opunham a Salazar, e que até foram vítimas deste, mesmo quando a documentação demonstra quanto eram seus devotados colaboradores [...]»
Id., ibid.

 Há dias intrigava-se o José na Porta da Loja com o sumiço geral logo no dia 25 de Abril de 1974 da sociedade que compunha o Portugal do Estado Novo. Cuidei eu ter lá comentado ser o caso em tudo semelhante aos adesivos da I.ª República que desabrocharam em tamanha cópia no dia 6 de Outubro de 1910 que até os pergaminhos da véspera se tornaram republicanos. Os adesivos já não lembram, mas o caso com todos e cada um foi o mesmo: cuidado com os ferretes porque ai da minha rica vidinha!


Fotografia: Barragem de Cambambe, Angola, c. 1969. A. n/ ident., S.E.I.T., n.º 335627, cx. 448, env. 8.



Escrito com Bic Laranja às 23:20
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Do evangelho pelo dia de S. Marcos

Escola, Portugal ultramarino (Autor n/ ident., S.E.I.T. 384686, s.d.)


 Dia de S. Marcos, dia de curiosos evangelistas. Das tubas do regímen pregam cravos... Diz que é a abençoada democracia, a santa liberdade... É bonito! Todo o amesendado do regímen tem neste sacrossanto dia um feito notável a contar, algo a dizer... — Há pedaço li nos títulos do Sapo que o primeiro-ministro do Rato passou dia do grande acidente nacional trancado em casa duma amiga. Escondido, ou fazer o quê...?

 Pouco me importa: o evangelho para este dia é livre como o disparate. Uma bênção ao povo; um enjoo para a nação.

 Já ontem, em antecipação, a Helena Garrida rezava a habitual missa pelas Contas do Dia, um rosário matinal da emissora do Estado. Desde Abril melhorámos muito; metade das casas não tinham água canalizada (em 1974); somos mais cosmopolitas, temos melhores empregos... — Ora a gente ouve isto e apetece erguer as mãos aos céus e dar graças... à parvoíce. É que, imbuído nesta fé palpitam-me, irreprimíveis, preguntas à parva:

 Que porção de casas teria água canalizada em Portugal, em 28 de Maio 1926?... — Calhando eram mais que em 25 de Abril de 1974...

 Que falta de cosmopolitismo tolheria o mundo português em 25 de Abril de 1974, quando tinha Portugal fronteiras ultramarinas em África com quase todos os países a Sul do Equador, já para não falar do Senegal e da Guiné (Conakri), ou da Indonésia e da China? Só se fosse cosmopolitismo estrangeirado que, sendo de importação, serve de garridice à tacanhez bem falante...

 Mas bom, temos agora melhores empregos, é verdade — não esquecendo melhores desempregos também... — Ocorrem-me de imediato os da própria Helena Garrida, amesendada nas emissora e radiotelevisão do Estado logo que lhe falhou o emprego no Diário Económico. Não chegando o exemplo, podia somar para cima de 300 multifacetados presidentes da câmara (o poder autárquico, essa conquista de Abril!...) cujo paradigma mais recente é o Me(r)dina da Cedofeita, jardineiro e ás do pedal em Lisboa: democraticamente não eleito, tão livre e capaz no plantio de árvores e de pistas de ciclismo a despropósito num par de avenidas notáveis da capital, como fascista e terrível em não mandar repavimentar regularmente um metro de calçada em qualquer rua travessa ou obscura da cidade. E para corroborar dos reais melhores empregos de Abril, é somar-lhe a sinecura semanal na comentadoria tudilógica da T.V.I. 24. Tudo em acumulação e inclusive.

 Pois que valham os melhores empregos. Antes de Abril nunca seriam tão melhores assim. Porque não eram tão mal empregados como agora.

 


Fotografia: Escola primária feminina, Portugal ultramarino (Autor n/ ident., S.E.I.T., n.º 384686, s.d.).



Escrito com Bic Laranja às 20:15
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Domingo, 23 de Abril de 2017
Variedades: Aretha


Aretha Franklin - I Say A Little Prayer
(1970)



Escrito com Bic Laranja às 22:35
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Sexta-feira, 21 de Abril de 2017
República popular das Berlengas

 Os campanários da transição para o socialismo badalavam hoje abundantemente o próximo concílio de zés pereiras no santuário de S. Barreirinhas de Peniche. Não duvideis de com isto vir a haver romagem de povo em tanta cópia que haja de ombrear com a Cova de Iria nos 100 anos das aparições de Nossa Senhora. Abençoada seja a construção do socialismo.

 

Romeiros do concílio de zés pereiras prenunciados em antevisão inspirada do santo do cunhal do cárcere passadas a papel em tinta de caca e pena de gaivota, in ...


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Escrito com Bic Laranja às 23:33
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Doutrinação e anestesia

 É um quarto para as dez da noute dum dia estafante. Ligo a televisão para saber de notícias. Num canal fala o Louçã. Noutro falam da bola. E no último fala a Marisa de Alcouce. Nos púlpitos desta civilização me(r)diática a pluralidade de informação resume-se a isto. Uma via da doutrinação à anestesia e volta. Circulando pela esquerda.

 

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Família em roda da televisão, anos 50. Autor n/ ident., in Estrada de Avonlea.



Escrito com Bic Laranja às 21:43
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Domingo, 16 de Abril de 2017
Bujarda

 A ironia de certas coisas é achar-se tão fàcilmente uma carrada de bujardas publicadas. Deixo o exemplo em baixo e poupo-me ao fastio de arrolar as mais; pode o benévolo leitor interessado achá-las passim nos livros do Google.
 Mais proveitoso do que arrolar bojardas selectivamente para estribar a ideia de que não são bujardas, seria achar-lhe a origem, para lhe podermos por fim afinar a grafia. Isso sim. Até lá... ironizemos.

António Cabral, Jogos Populares Infantis, 2.ª ed., Editorial Notícias, Lisboa, 1998.



Escrito com Bic Laranja às 23:08
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Sábado, 15 de Abril de 2017
O carro fez-se explodir

Os carros de hoje passaram de objectos automóveis a sujeitos suicidas.

 

(Jornal das 7, S.I.C.-N., 15/4/17.)



Escrito com Bic Laranja às 19:39
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Convento da Encarnação á estrada de Sacavem

Convento da Encarnação às estradas da Encarnação e da Ameixoeira (E. Portugal)
Convento da Encarnação ás estradas de Sacavem, de Moscavide e da Ameixoeira, 1940.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 14:08
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A bitrécula

 Há uma bitrécula desembestada carregada de dicionários na blogosfera. Anda agora desvairada duas e três vezes ao dia com abéculas imaginadas. — Aliás, fora da matéria que lhe circunda o umbigo não conceberá senão abéculas. Uma degenerescência narcisista... — A obsessão deu três tiradas de primeira página lá onde se exibe, pobres e a descair para o ordinário. Mereceu aqui uma adenda e uma notinha de pé de página bem polidas sem notar que era o módico de caridade que lhe cabia. Se recebe agora ref.ª mais destacada é pelo dó que dá; projectar a própria psicose no objecto da mania é já caso clínico.

 Estimo as melhoras.


Eco e Narciso (Nicolau Poussin, 1630)
Nicolau Poussin, Eco e Narciso
Óleo sobre tela, 74 x 100 cm, c. 1630.
Museu do Louvre,  Paris.



Escrito com Bic Laranja às 13:20
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
Telejornalismo: mãe de toda a coltura

 Anderlecht-Manchester United narrado por locutor semi-... inspirado:

 — Os Red Devils não conseguiram entrar na partida da melhor forma. Ainda assim com um jogo algo inconsciente...

 Jogo inconsciente?!... Ou inconsistente...? Tanto dá. Interessa é falar. Ir dizendo coisas:

 — A 2.ª parte começa uma vez mais com o United ao ataque. Darmian vai à linha e cruza com contrapeso e medida...

 Contrapeso é a medida da mãe de toda a coltura. Jornalismo com ele!

 

Jornal da Uma, TVI, 14/4/17.

Jornal da Uma, TVI, 14/4/17.



Escrito com Bic Laranja às 14:36
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A mãe de todas as notícias (salvas as da bola)

O trampa da América largou a mãe de todas as bujardas. (Não vejo novidade!...)

 

Fotografia sem legenda. A.N.T.T., Colecção d' «O Século», Espólio de Joshua Benoliel.

 

Adenda às 4h05 da tarde: a mãe de todas as bujardas diz que liquidou 36 talibãs ou lá o que lhes chamam; não foram uns 35, nem terão sido c. de 30 ou 40; foram rigorosamente 36.
Uma bujarda daquele tamanho!...

Nova adenda: o infantilóide que bate palminhas, palminhas logo que a Porto Editora incorpora um qualquer de seus arrotos nos dicionários diz que não é bujarda, é bojarda. Que bojarda é mentira ou peta e que bujarda é um martelo. Pois se o que o trampa da América largou não foi senão uma marretada nos talibãs, o martelo serve. O toleirão que fique ele lá com a bojarda do dia que dirigiu para cá.



Escrito com Bic Laranja às 12:43
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Domingo, 9 de Abril de 2017
D' «Os Flechas»

 O Dragão revelou-o com entusiasmo. Pus dúvidas. Ao José também. O acordês bordaleiro que o A. admitiu na «obra» é para rejeição a priori. Todavia, o confrade Henrique tratou de me generosamente oferecer o livro (obrigado!) em condição de ser corrigido para português pelo Lince que ele próprio consertou. (É verdade! O Lince que conserta a ortografia portuguesa em vez da a mutilar existe. — Outra vez obrigado!)
  Vai daí, já o li...

 Sôbre os Flechas aproveitam-se os capítulos 3-5 em português de estilo... possível.

« Outra vantagem muito apreciada pelos militares e pela P.I.D.E./D.G.S. era a sua extrema lealdade e devoção aos seus comandantes. Durante o seu serviço à P.I.D.E./D.G.S., não houve notícia de nenhuma deserção dos Flechas, nem de nenhuma captura sua pelos movimentos insurgentes. Registaram-se, porém algumas mortes de Flechas em combate.
  [...] No período compreendido entre 1970 e 1973, a maioria das operações executadas pelos Flechas teve como área de actuação a Zona Militar Leste [de Angola], num total de 119 missões, das quais 88 ocorreram em 1972. Esse ano acabou por representar um marco na luta contra os insurgentes do M.P.L.A., fruto das rupturas internas do próprio movimento [decorrentes] do desmantelamento de toda a estrutura logísitca proveniente da Zâmbia, das acções dos Flechas e do esforço coordenado entre os militares, a P.I.D.E./D.G.S. e os congéneres vizinhos da Rodésia e África do Sul.

  [...] Na frente Leste, a zona de guerra mais activa em Angola, os Flechas capturaram 46 insurgentes, mataram mais de 134, apreenderam largas quantidades de armas, munições e documentos importantíssimos, bem como libertaram muita da população que se encontrava refém dos grupos insurgentes.
  [...] Numa intervenção dos Flechas, pelas nove da manhã de 18 de Fevereiro de 1971, destruíram-se dois acampamentos do M.P.L.A. perto da fronteira com a Zâmbia, chefiados pelo insurgente Chicungulo. Os Flechas abateram três insurgentes confirmados, recuperaram um homem, três mulheres, seis crianças e apreenderam um canhão sem recuo de 75 milímetros, com tripé e protector de boca. O canhão apresentava as seguintes inscrições na parte posterior da câmara de explosão:

FRESTONG
115 LBS
INSP. B.A.S.
Riple 75m/m
ORD. CORPS U.S.A.
n. 7229965

  [...] O sucedido motivou uma missiva dirigida à Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa. O então adido de defesa, coronel P. L. Mosier acusou a recepção da carta [...] »

Fernando Cavaleiro Ângelo, Os Flechas. A Tropa Secreta da P.I.D.E./D.G.S. na Guerra de Angola, Casa das Letras, Alfragide, 2017.

 O resto é palha anticolonialista dando a comer aos nunca por demais doutrinados burros do presente os dogmas em vigor. Uma redundante doutrinação, tanto mais estúpida quanto o A., imerso em anticolonialismo e valores de Abril, nem dela deve ter noção. E tanto mais paradoxal ainda quanto tem o dito A. a coragem de afirmar (não propor, nem sugerir: afirmar!) a enorme heresia de que a guerra do ultramar fôra ganha em Angola, no terreno, a guerrilha fôra reduzida a coisa nenhuma e Angola estava pacificada em 1974. No entanto é-lhe impossível sair do caldo de caserna pós-abrilino, metido em carolas assim, que não pensam, apenas reverberam o som emitido dos púlpitos da propaganda:

« Os políticos da Metrópole [...] conseguiram inexplicavelmente hipotecar os árduos ganhos militares conseguidos com sangue suor e lágrimas, ao não consentir uma aproximação e negociação com os movimentos insurgentes.»

 Disto, basta dizer: 1) quem hipotecou tudo (Portugal por inteiro) foi o levantamento de rancho da tropa metropolitana em 25 de Abril de 1974 (quantos daqueles capitães foram condecorados por bravura na frente de batalha?...); 2) negociar era simplesmente capitular, como se depois provou com a tropa toda, lá no Ultramar, baixando as armas (já para não falar duns que acabaram a desfilar em cuecas...)

  Mas isto, era preciso entendê-lo. E porém, deste entendimento falho saem antes tiradas como:

  • «as últimas potências colonialistas de África», referindo-se a Portugal, Rodésia e África do Sul (alvíssaras a alguém que entenda que as fronteiras dos Estados paridos destes malditos colonialistas são tão coloniais como no tempo do... colonialismo);
  • «movimentos insurgentes nacionalistas» que são eufemismo, ao longo de todo o livro, para terroristas e guerrilheiros que combatiam Portugal — o móbil nacionalista é, aliás, neste tipo de doutrinação pelo discurso, descaradamente legitimador da guerrilha, mas no caso da defesa nacional portuguesa é posto em termos de regime («o regime de Salazar» — a defesa do Ultramar foi realmente coisa do tal regime, desde a conquista de Ceuta em 1415 por el-rei D. João I, garantidamente...);
  • a referência anacrónica à Guiné portuguesa, naquele tempo, quase sempre e só como Guiné-Bissau, coisa do P.A.I.G.C., de 1975 (vamos que o historiador o não soubesse...);
  • a referência como «países vizinhos [de Angola]» a República do Congo, a República Democrática do Congo, a Tanzânia [!] e a Zâmbia;
  • &c.

 O texto está pejado de anglicismos* (ou o normal crioulo amaricano como novo paradigma do português), comprovando fraco domínio da cultura portuguesa num oficial da Armada à procura de devir historiador. Ex.: insurgência/insurgente por subversão, guerrilha, terrorista &c.; inteligência por serviço secreto, de informações, espionagem; decepção (do ing. deception — v. to deceive) por ludíbrio, engano; disruptivo por interrupção, quebra, corte, rompimento; revisitar por rever, reconsiderar &c.; Lawrence das Arábias por Lourenço da Arábia...

  O uso do acordo ortográfico no livro comprova a conformação «nacional» deste oficial da Armada Portuguesa. E espelha cabalmente, em suma, o naufrágio português.

  (Não obstante toda esta conformação mal amanhada, a editora Casa das Letras deve envergonhar-se do livro. Tanto que nem se o acha na sua página.)


* Anglicismos semânticos. Convém-me dizê-lo por inteiro porque passam aqui lexicógrafos demasiado emproados para o captarem.



Escrito com Bic Laranja às 20:25
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017
Das contrapartidas

 Esta manhã percebi. Quando um operário embargava a viação rodoviária com a máquina de pintar marcas em redor dos automóveis estacionados, percebi. A contrapartida da E.M.E.L. à concessão do rendoso estacionamento nas ruas de Lisboa são uma marcas a balizá-lo mais ou menos desenhadas no alcatrão. Isso e parquímetros cravados no passeio.

 

Saldanha, Lisboa (A.Ferrari, 194...)

Saldanha, Lisboa, 194...
Amadeu Ferrari, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 22:02
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017
Tardinha a cheirar a Verão (pub)

Super Bock 90 annos, Lisboa (c) s.d.


Publicidade ao bom tempo. Photographia sem data produzida 90 annos depois da actividade da C.ª União Fabril Portuense.



Escrito com Bic Laranja às 20:46
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Segunda-feira, 3 de Abril de 2017
«Memórias» de Raul Brandão: a edição que fazia falta...

Raul Brandão (Alex V. Palacios)Raul Brandão
(Alex V. Palacios)

 Quando há uns 15 dias ouvi a vereadora vimaranense das bibliotecas muito empolgada numa entrevista à maçónica T.S.F., apregoando a reedição das Memórias de Raul Brandão, porque já fazia falta, fiquei cá desconfiado. — Então não tem a Relógio d'Água as Memórias no catálogo, em edição recente?! — Não parece que esteja esgotada. Nem o preço é proibitivo. Foi subsidiado...
  Esta edição parte — lê-se na nota — da versão de 1925 (actualizada ortograficamente e expurgada de gralhas e lapsos); e em notas numeradas procede ao registo das variantes [...] da 1.ª edição, da 2.ª edição e da edição do «Jornal do Fôro» (1969), fixada esta última por Manuel Mendes a partir das notas e emendas deixadas por Raul Brandão nos exemplares que possuía. Tem, além disto, um índex alfabético em cada tomo e, a completar o 3.º, uma tábua biográfica relativa às pessoas mais importantes ou as mencionadas por mais de uma vez ao logo das Memórias.
 
Não conhecia então estas Memórias, nem nada, de Raul Brandão (começara o Húmus mas não prosseguira nele além das primeiras páginas). Quando as vi no escaparate da livraria por módico preço (louvado Instituto Português do Livro e das Bibliotecas!) não hesitei. Nem me arrependi. As Memórias são muito boas e a edição também.

Raul Brandão, «Memórias» (3 vols.), Relógio d'Água, Lisboa, 1998-2000.

  O José publicou na Porta da Loja ontem umas páginas da tal edição nova que fazia falta, da Quetzal. O verbete que ele destaca, de Janeiro de 1926 (3.º vol.), passa de Eça de Queiroz (filho) a Jaime Batalha Reis, a Lenine e nada o marca como na edição da Relógio d' Água (v. supra). Muda de capítulo só chegando ao Magalhães Lima: — ORREU [sic] UM DIA DESTES... (v. infra, p. 581)
  —
Ah pois 'orreu! 'as é que 'orreu 'esmo!
  Mas bem: era preciso enfiar a nova cacografia do governo também agora no Raul Brandão, enfim!... Vêde vós com que esmero!...

Raul Brandão, «Memórias», Quetzal, 2017, pp. 576-577.

Raul Brandão, «Memórias», Quetzal, 2017, pp. 578-579.

Raul Brandão, «Memórias», Quetzal, 2017, pp. 580-581.

 

 Quem se dê bem com a leitura electrónica pode achar o 1.º vol. na ed. da Renascença Portuguesa de 1919 gratuitamente aqui. Pelo menos não terá de aturar «conce[p]ções» ou «Egi[p]tos».

 

(As páginas da paupérrima e acordizada ed. da Quetzal são do José; os quinaus são meus.)



Escrito com Bic Laranja às 17:45
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