Domingo, 23 de Abril de 2017
Variedades: Aretha


Aretha Franklin - I Say A Little Prayer
(1970)



Escrito com Bic Laranja às 22:35
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Sexta-feira, 21 de Abril de 2017
República popular das Berlengas

 Os campanários da transição para o socialismo badalavam hoje abundantemente o próximo concílio de zés pereiras no santuário de S. Barreirinhas de Peniche. Não duvideis de com isto vir a haver romagem de povo em tanta cópia que haja de ombrear com a Cova de Iria nos 100 anos das aparições de Nossa Senhora. Abençoada seja a construção do socialismo.

 

Romeiros do concílio de zés pereiras prenunciados em antevisão inspirada do santo do cunhal do cárcere passadas a papel em tinta de caca e pena de gaivota, in ...



Escrito com Bic Laranja às 23:33
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Doutrinação e anestesia

 É um quarto para as dez da noute dum dia estafante. Ligo a televisão para saber de notícias. Num canal fala o Louçã. Noutro falam da bola. E no último fala a Marisa de Alcouce. Nos púlpitos desta civilização me(r)diática a pluralidade de informação resume-se a isto. Uma via da doutrinação à anestesia e volta. Circulando pela esquerda.

 

image.jpeg

Família em roda da televisão, anos 50. Autor n/ ident., in Estrada de Avonlea.



Escrito com Bic Laranja às 21:43
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Domingo, 16 de Abril de 2017
Bujarda

 A ironia de certas coisas é achar-se tão fàcilmente uma carrada de bujardas publicadas. Deixo o exemplo em baixo e poupo-me ao fastio de arrolar as mais; pode o benévolo leitor interessado achá-las passim nos livros do Google.
 Mais proveitoso do que arrolar bojardas selectivamente para estribar a ideia de que não são bujardas, seria achar-lhe a origem, para lhe podermos por fim afinar a grafia. Isso sim. Até lá... ironizemos.

António Cabral, Jogos Populares Infantis, 2.ª ed., Editorial Notícias, Lisboa, 1998.



Escrito com Bic Laranja às 23:08
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Sábado, 15 de Abril de 2017
O carro fez-se explodir

Os carros de hoje passaram de objectos automóveis a sujeitos suicidas.

 

(Jornal das 7, S.I.C.-N., 15/4/17.)



Escrito com Bic Laranja às 19:39
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Convento da Encarnação á estrada de Sacavem

Convento da Encarnação às estradas da Encarnação e da Ameixoeira (E. Portugal)
Convento da Encarnação ás estradas de Sacavem, de Moscavide e da Ameixoeira, 1940.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 14:08
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A bitrécula

 Há uma bitrécula desembestada carregada de dicionários na blogosfera. Anda agora desvairada duas e três vezes ao dia com abéculas imaginadas. — Aliás, fora da matéria que lhe circunda o umbigo não conceberá senão abéculas. Uma degenerescência narcisista... — A obsessão deu três tiradas de primeira página lá onde se exibe, pobres e a descair para o ordinário. Mereceu aqui uma adenda e uma notinha de pé de página bem polidas sem notar que era o módico de caridade que lhe cabia. Se recebe agora ref.ª mais destacada é pelo dó que dá; projectar a própria psicose no objecto da mania é já caso clínico.

 Estimo as melhoras.


Eco e Narciso (Nicolau Poussin, 1630)
Nicolau Poussin, Eco e Narciso
Óleo sobre tela, 74 x 100 cm, c. 1630.
Museu do Louvre,  Paris.



Escrito com Bic Laranja às 13:20
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
Telejornalismo: mãe de toda a coltura

 Anderlecht-Manchester United narrado por locutor semi-... inspirado:

 — Os Red Devils não conseguiram entrar na partida da melhor forma. Ainda assim com um jogo algo inconsciente...

 Jogo inconsciente?!... Ou inconsistente...? Tanto dá. Interessa é falar. Ir dizendo coisas:

 — A 2.ª parte começa uma vez mais com o United ao ataque. Darmian vai à linha e cruza com contrapeso e medida...

 Contrapeso é a medida da mãe de toda a coltura. Jornalismo com ele!

 

Jornal da Uma, TVI, 14/4/17.

Jornal da Uma, TVI, 14/4/17.



Escrito com Bic Laranja às 14:36
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A mãe de todas as notícias (salvas as da bola)

O trampa da América largou a mãe de todas as bujardas. (Não vejo novidade!...)

 

Fotografia sem legenda. A.N.T.T., Colecção d' «O Século», Espólio de Joshua Benoliel.

 

Adenda às 4h05 da tarde: a mãe de todas as bujardas diz que liquidou 36 talibãs ou lá o que lhes chamam; não foram uns 35, nem terão sido c. de 30 ou 40; foram rigorosamente 36.
Uma bujarda daquele tamanho!...

Nova adenda: o infantilóide que bate palminhas, palminhas logo que a Porto Editora incorpora um qualquer de seus arrotos nos dicionários diz que não é bujarda, é bojarda. Que bojarda é mentira ou peta e que bujarda é um martelo. Pois se o que o trampa da América largou não foi senão uma marretada nos talibãs, o martelo serve. O toleirão que fique ele lá com a bojarda do dia que dirigiu para cá.



Escrito com Bic Laranja às 12:43
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Domingo, 9 de Abril de 2017
D' «Os Flechas»

 O Dragão revelou-o com entusiasmo. Pus dúvidas. Ao José também. O acordês bordaleiro que o A. admitiu na «obra» é para rejeição a priori. Todavia, o confrade Henrique tratou de me generosamente oferecer o livro (obrigado!) em condição de ser corrigido para português pelo Lince que ele próprio consertou. (É verdade! O Lince que conserta a ortografia portuguesa em vez da a mutilar existe. — Outra vez obrigado!)
  Vai daí, já o li...

 Sôbre os Flechas aproveitam-se os capítulos 3-5 em português de estilo... possível.

« Outra vantagem muito apreciada pelos militares e pela P.I.D.E./D.G.S. era a sua extrema lealdade e devoção aos seus comandantes. Durante o seu serviço à P.I.D.E./D.G.S., não houve notícia de nenhuma deserção dos Flechas, nem de nenhuma captura sua pelos movimentos insurgentes. Registaram-se, porém algumas mortes de Flechas em combate.
  [...] No período compreendido entre 1970 e 1973, a maioria das operações executadas pelos Flechas teve como área de actuação a Zona Militar Leste [de Angola], num total de 119 missões, das quais 88 ocorreram em 1972. Esse ano acabou por representar um marco na luta contra os insurgentes do M.P.L.A., fruto das rupturas internas do próprio movimento [decorrentes] do desmantelamento de toda a estrutura logísitca proveniente da Zâmbia, das acções dos Flechas e do esforço coordenado entre os militares, a P.I.D.E./D.G.S. e os congéneres vizinhos da Rodésia e África do Sul.

  [...] Na frente Leste, a zona de guerra mais activa em Angola, os Flechas capturaram 46 insurgentes, mataram mais de 134, apreenderam largas quantidades de armas, munições e documentos importantíssimos, bem como libertaram muita da população que se encontrava refém dos grupos insurgentes.
  [...] Numa intervenção dos Flechas, pelas nove da manhã de 18 de Fevereiro de 1971, destruíram-se dois acampamentos do M.P.L.A. perto da fronteira com a Zâmbia, chefiados pelo insurgente Chicungulo. Os Flechas abateram três insurgentes confirmados, recuperaram um homem, três mulheres, seis crianças e apreenderam um canhão sem recuo de 75 milímetros, com tripé e protector de boca. O canhão apresentava as seguintes inscrições na parte posterior da câmara de explosão:

FRESTONG
115 LBS
INSP. B.A.S.
Riple 75m/m
ORD. CORPS U.S.A.
n. 7229965

  [...] O sucedido motivou uma missiva dirigida à Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa. O então adido de defesa, coronel P. L. Mosier acusou a recepção da carta [...] »

Fernando Cavaleiro Ângelo, Os Flechas. A Tropa Secreta da P.I.D.E./D.G.S. na Guerra de Angola, Casa das Letras, Alfragide, 2017.

 O resto é palha anticolonialista dando a comer aos nunca por demais doutrinados burros do presente os dogmas em vigor. Uma redundante doutrinação, tanto mais estúpida quanto o A., imerso em anticolonialismo e valores de Abril, nem dela deve ter noção. E tanto mais paradoxal ainda quanto tem o dito A. a coragem de afirmar (não propor, nem sugerir: afirmar!) a enorme heresia de que a guerra do ultramar fôra ganha em Angola, no terreno, a guerrilha fôra reduzida a coisa nenhuma e Angola estava pacificada em 1974. No entanto é-lhe impossível sair do caldo de caserna pós-abrilino, metido em carolas assim, que não pensam, apenas reverberam o som emitido dos púlpitos da propaganda:

« Os políticos da Metrópole [...] conseguiram inexplicavelmente hipotecar os árduos ganhos militares conseguidos com sangue suor e lágrimas, ao não consentir uma aproximação e negociação com os movimentos insurgentes.»

 Disto, basta dizer: 1) quem hipotecou tudo (Portugal por inteiro) foi o levantamento de rancho da tropa metropolitana em 25 de Abril de 1974 (quantos daqueles capitães foram condecorados por bravura na frente de batalha?...); 2) negociar era simplesmente capitular, como se depois provou com a tropa toda, lá no Ultramar, baixando as armas (já para não falar duns que acabaram a desfilar em cuecas...)

  Mas isto, era preciso entendê-lo. E porém, deste entendimento falho saem antes tiradas como:

  • «as últimas potências colonialistas de África», referindo-se a Portugal, Rodésia e África do Sul (alvíssaras a alguém que entenda que as fronteiras dos Estados paridos destes malditos colonialistas são tão coloniais como no tempo do... colonialismo);
  • «movimentos insurgentes nacionalistas» que são eufemismo, ao longo de todo o livro, para terroristas e guerrilheiros que combatiam Portugal — o móbil nacionalista é, aliás, neste tipo de doutrinação pelo discurso, descaradamente legitimador da guerrilha, mas no caso da defesa nacional portuguesa é posto em termos de regime («o regime de Salazar» — a defesa do Ultramar foi realmente coisa do tal regime, desde a conquista de Ceuta em 1415 por el-rei D. João I, garantidamente...);
  • a referência anacrónica à Guiné portuguesa, naquele tempo, quase sempre e só como Guiné-Bissau, coisa do P.A.I.G.C., de 1975 (vamos que o historiador o não soubesse...);
  • a referência como «países vizinhos [de Angola]» a República do Congo, a República Democrática do Congo, a Tanzânia [!] e a Zâmbia;
  • &c.

 O texto está pejado de anglicismos* (ou o normal crioulo amaricano como novo paradigma do português), comprovando fraco domínio da cultura portuguesa num oficial da Armada à procura de devir historiador. Ex.: insurgência/insurgente por subversão, guerrilha, terrorista &c.; inteligência por serviço secreto, de informações, espionagem; decepção (do ing. deception — v. to deceive) por ludíbrio, engano; disruptivo por interrupção, quebra, corte, rompimento; revisitar por rever, reconsiderar &c.; Lawrence das Arábias por Lourenço da Arábia...

  O uso do acordo ortográfico no livro comprova a conformação «nacional» deste oficial da Armada Portuguesa. E espelha cabalmente, em suma, o naufrágio português.

  (Não obstante toda esta conformação mal amanhada, a editora Casa das Letras deve envergonhar-se do livro. Tanto que nem se o acha na sua página.)


* Anglicismos semânticos. Convém-me dizê-lo por inteiro porque passam aqui lexicógrafos demasiado emproados para o captarem.



Escrito com Bic Laranja às 20:25
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017
Das contrapartidas

 Esta manhã percebi. Quando um operário embargava a viação rodoviária com a máquina de pintar marcas em redor dos automóveis estacionados, percebi. A contrapartida da E.M.E.L. à concessão do rendoso estacionamento nas ruas de Lisboa são uma marcas a balizá-lo mais ou menos desenhadas no alcatrão. Isso e parquímetros cravados no passeio.

 

Saldanha, Lisboa (A.Ferrari, 194...)

Saldanha, Lisboa, 194...
Amadeu Ferrari, in archivo photographico da C.M.L.



Escrito com Bic Laranja às 22:02
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017
Tardinha a cheirar a Verão (pub)

Super Bock 90 annos, Lisboa (c) s.d.


Publicidade ao bom tempo. Photographia sem data produzida 90 annos depois da actividade da C.ª União Fabril Portuense.



Escrito com Bic Laranja às 20:46
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Segunda-feira, 3 de Abril de 2017
«Memórias» de Raul Brandão: a edição que fazia falta...

Raul Brandão (Alex V. Palacios)Raul Brandão
(Alex V. Palacios)

 Quando há uns 15 dias ouvi a vereadora vimaranense das bibliotecas muito empolgada numa entrevista à maçónica T.S.F., apregoando a reedição das Memórias de Raul Brandão, porque já fazia falta, fiquei cá desconfiado. — Então não tem a Relógio d'Água as Memórias no catálogo, em edição recente?! — Não parece que esteja esgotada. Nem o preço é proibitivo. Foi subsidiado...
  Esta edição parte — lê-se na nota — da versão de 1925 (actualizada ortograficamente e expurgada de gralhas e lapsos); e em notas numeradas procede ao registo das variantes [...] da 1.ª edição, da 2.ª edição e da edição do «Jornal do Fôro» (1969), fixada esta última por Manuel Mendes a partir das notas e emendas deixadas por Raul Brandão nos exemplares que possuía. Tem, além disto, um índex alfabético em cada tomo e, a completar o 3.º, uma tábua biográfica relativa às pessoas mais importantes ou as mencionadas por mais de uma vez ao logo das Memórias.
 
Não conhecia então estas Memórias, nem nada, de Raul Brandão (começara o Húmus mas não prosseguira nele além das primeiras páginas). Quando as vi no escaparate da livraria por módico preço (louvado Instituto Português do Livro e das Bibliotecas!) não hesitei. Nem me arrependi. As Memórias são muito boas e a edição também.

Raul Brandão, «Memórias» (3 vols.), Relógio d'Água, Lisboa, 1998-2000.

  O José publicou na Porta da Loja ontem umas páginas da tal edição nova que fazia falta, da Quetzal. O verbete que ele destaca, de Janeiro de 1926 (3.º vol.), passa de Eça de Queiroz (filho) a Jaime Batalha Reis, a Lenine e nada o marca como na edição da Relógio d' Água (v. supra). Muda de capítulo só chegando ao Magalhães Lima: — ORREU [sic] UM DIA DESTES... (v. infra, p. 581)
  —
Ah pois 'orreu! 'as é que 'orreu 'esmo!
  Mas bem: era preciso enfiar a nova cacografia do governo também agora no Raul Brandão, enfim!... Vêde vós com que esmero!...

Raul Brandão, «Memórias», Quetzal, 2017, pp. 576-577.

Raul Brandão, «Memórias», Quetzal, 2017, pp. 578-579.

Raul Brandão, «Memórias», Quetzal, 2017, pp. 580-581.

 

 Quem se dê bem com a leitura electrónica pode achar o 1.º vol. na ed. da Renascença Portuguesa de 1919 gratuitamente aqui. Pelo menos não terá de aturar «conce[p]ções» ou «Egi[p]tos».

 

(As páginas da paupérrima e acordizada ed. da Quetzal são do José; os quinaus são meus.)



Escrito com Bic Laranja às 17:45
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Domingo, 2 de Abril de 2017
Cansaço (fado tango)
 

 



Escrito com Bic Laranja às 22:45
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Povo que Lavas no Rio (o poema e a sordidez, ainda...)

Ajudai-me a perceber o fado «Povo que Lavas no Rio».
A canção. Estou à procura de perceber sôbre que é esta canção: — Que representa o caixão? — Quem é o povo que lava no rio? — O significado do poema não me é claro. Obrigado!

 Haveis de desculpar-me o pendor para o vernáculo. Vai para cinco anos dei notícia aqui com estupefacção da nojice que ia pela Wikipeida, com a reles e sórdida apropriação do fado do «Povo que Lavas no Rio» pela paneleiragem militante.

 Pois passados estes anos — e apesar de o verbete da Wikipeida andar já enterrado nas catacumbas daquela espécie de enciclopeida, ou enciclopetas, ou o raio —, vejo que perdurou a merda lá escrita o tempo suficiente à tona para se lambuzar nela uma outra mentezinha demente, a ponto de lhe haver pegado com lúbrico préstimo e ir assim aplicá-lo em resposta ao infeliz estrangeiro que, incauto, perguntara do sentido do poema de Pedro Homem de Mello. Pobre estrangeiro. Recebeu a obsessão introdutória antifascista e uma dose cavalar de supositórios de paneleirice por esclarecimento.

 Isto ainda há dois anos. Há-de perdurar. Agora também em língua franca para que o mundo não perca nem pitada da cada vez mais orgulhosa vulgaridade portuguesa.

" Um poema que muito simplesmente canta a força do povo no seu viver agreste, para lá de «haver quem [no] defenda» ou de «quem compre o [seu] chão sagrado» (quem no ofenda, portanto).  Mais, a comunhão do narrador com aquela condição, que o povo não deixa de reconhecer pois até na morte o cuidará, talhando-lhe a força de braço «as tábuas do [seu] caixão», isto é, dando-lhe sepultura digna."



Escrito com Bic Laranja às 19:37
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O que se tira dum comício há 110 anos

 Bom, o que se tira deste povo republicano que agita os cocos e os palhinhas, e daquelas oliveiras, mais daquela rua com paliçada ao fundo, é que poisam nos exactos chãos onde se viam aqueles prédios já desaparecidos daquela photographia da Av. Almirante Reis à noute, de há oito dias: uma que mostrava um troço irreconhecível hoje entre a Portugália e a Praça do Chile. Tal qual aqui.

Comício republicano, Arroios (J. Benoliel, 1907)
O Comicio da Av. D.ª Amelia, Arroios, 1907.
Joshua Benoliel, in Illustração Portugueza, 2.ª serie, n.º 67, 3/VI/1907, p. 697.



Escrito com Bic Laranja às 17:05
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Quinta-feira, 30 de Março de 2017
Hepatético

Piruças quase de mãos postas rezando a sua ladainha na SIC-N em 29/III/2017.

 O Piruças sobre a o surto de hepatite A, citando de cór:

— Não é coisa nova. Já cá a tivemos, antes de 1974, com a pobreza que havia. Ao depois, com o saneamento básico desapareceu. (Uma conquista de Abril!...)
— Não há grupos de risco. Há comportamentos de risco... (Bons costumes!)
— O vírus é expelido nas fezes dos infectados e o sexo oral sem protecção &c. &c.... (Que terá o cu que ver com...?!)

 Concluamos todos o recado: antes do 25 de Abril grande acidente nacional a doença era a figadal pobreza. Com a riqueza e bons costumes conquistados... Ámen!

 

(O Piruças quase de mãos postas rezando a sua ladainha, na SIC-N em 29/III/2017.)



Escrito com Bic Laranja às 12:08
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Terça-feira, 28 de Março de 2017
A sociedade de cervejas e a bebedeira...

... do pugr€sso.

Rua Pascoal de Melo no cruzamento com a Ant.º Pedro, Arroios (M. Novais, c. 1950)
Rua António Pedro no cruzamento com a Pascoal de Melo, Arroios, c. 1950.
Mário de Novais in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.



Escrito com Bic Laranja às 19:02
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Segunda-feira, 27 de Março de 2017
A Gùiana

Mapa da Gùiana, 1656

 O Fernando Alves perorava há pedaço sôbre a Gùiana francesa, êsse dept.º ultramarino da França. Claro que êle dizia Guiana sem ler o «u». Dizia e repetia. Repetiu sempre, porque não sabe, porque não aprendeu e nunca leu êste blogo. Mas lá do «quadro geral de instabilidade social» que lhe fere o sentido gramsciano com «acutilância social» e lhe inspira a veia social evangelista, disso sabe êle: quis morigerar a França por desprezar a sua possessão ultramarina, mas não pelo colonialismo — ele lá chegará... — Verberou-a, à França, porque na Gùiana, «uma em quatro famílias vive abaixo dos limites [há mais que um?] da pobreza» e porque «o desemprego na Guiana [sic] francesa atinge os 22%, enquanto na França metropolitana ronda os 9%». Eis já o colonialismo a aflorar pela faixa da esquerda, mesmo que se lhe pressinta, ao Fernando Alves, uma certa complacência de oratória neocolonial por êste «lugar recôndito», «parcela ultraperiférica da União Europeia» que «se sente abandonada» pela metrópole. Eis cá um dept.º ultramarino (não confundir com censuráveis províncias) duma França pós-colonial que hoje por hoje até sabe a pato porque… é «território da União Europeia». Isto é: é nosso, atributo de «favores mediáticos» bem calhado para legitimar todo o anticolonialista-neocolonialista-colectivista em geral, e o Fernando Alves em particular, no dever missionário de botar voto de faladura na matéria e enfiar por ali o bedelho à conta da sua moral social exclusiva e da impante solidariedade contra o desprêzo metropolitano. Tudo sem fascismo. Este é um ultramar que vem a calhar...

 O Ultramar português, em tempos, é que estava mal. Para começar era português. Depois tinha muita (demasiada) atenção da metrópole — um estôrvo. E enquanto cá penso nele, o Ultramar português, de sempre, esteve errado. Logo de há séculos, a julgar de como foi parida não só esta Gùiana «dept.º ultramarino da França», «território ultraperiférico da União Europeia», mas outrossim as suas gémeas inglesa e holandesa. É que desde que os portugueses se afoitaram ao mar e extenderam seus domínios — muito até por se não quererem meter em questões de castelhanos e outros dalém Pirenéus — que essoutros daí, pouco inventivos, mas mui cobiçosos, sempre lhe procuraram lançar a gadanha. É com isto que vêm a fabricar as Gùianas, êsses entalhes açucarados esculpidos do Brasil português e tão a jeito de lhe não deixar falecer, a essoutros, um quinhão do rendoso trauto açucareiro. Para êsses gulosos do açúcar do Novo Mundo, a geometria do encontrão e do latrocínio fazia escola já desde a pirataria atlântica (não sabiam navegar até mais longe) contra as naus da carreira da Índia. E de tal maneira lhes corre a inveja no sangue que só lhes podia infectar os bestuntos, como infectou, com requinte de régua e esquadro na partilha de África. Alemães e Belgas, incompetentes antes e após a conferência de Berlim na fabricação de impérios (ou reinos metropolitanos homogéneos que fosse), mas inchadíssimos de bazófia, melhor não arranjaram do que imperialmente se instalarem em África a abocanhar talhões portugueses. O Sudoeste africano alemão, o Sudeste africano alemão e a coutada pessoal de Leopoldo II, rei dos Belgas, são exemplos acabados duma velha história de esbulho e parasitagem advinda de terras de puritanos, modernamente sublimada nos foros do Direito Internacional e do concêrto das nações com o lindo nome de «autodeterminação dos povos», uma habilidade neocolonial.
 Aqueles outros (isto é irónico), brutos como bárbaros ou covardes como ratos, logo houveram de perder em África os impérios que nunca construíram e lhes fôram servidos de bandeja. Por cá também fizeram escola.
 Ora da França e da sua Gùiana, hoje, o melro Fernando Alves que assovie às massas a moral exclusiva que lhe aprouver. Mas, como orador que se quere de nomeada, aprenda a dizer Gùiana com todos os sons.

 

http://7.fotos.web.sapo.io/i/oa6140b94/17408127_eJ5bs.png

(Recorte de Rebelo Gonçalves, Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, Atlântida, Coimbra, 1947, p.182.) 

(Revisto.)


Assunto:

Escrito com Bic Laranja às 19:02
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Do tempo

 A árvore ao fundo da rampa já se reveste de verde. As olaias na Av. da Cidade do Porto também, depois de nas últimas semanas andarem frolidas em rosa-shock. Uma novidade: no meu telhado apareceu um melro; há dias sondava, ontem assoviava timidamente. Este tempo invernoso é que não anda calhado...

Vista aérea dos Olivais ao aeroporto, Lisboa, 195... C.M.L./D.E.P., in archivo photographico da C.M.L.

Vista aérea dos Olivais ao aeroporto, Lisboa, 195...
C.M.L./D.E.P., in archivo photographico da C.M.L.

Legenda )

 



Escrito com Bic Laranja às 12:53
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