Panorâmica sobre o Campo dos Mártires da Pátria, Lisboa, 1940. Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. Olho do alto o Campo de Santana - vista privilegiada desde a esquina da Rua Gomes Freire - em 1940 pela objectiva de Eduardo Portugal. Ao fundo o Tejo e o Castelo, imersos na luz difusa de Lisboa. À esquerda o Largo do Mitelo - o nome deriva do palácio de porte nobre que faz esquina com o largo do Mastro, logo abaixo. Segundo Castilho - com remate e actualização de Norberto de Araújo...
Não vale a pena alongar-me na lista de sucessivos proprietários do palácio nem na descrição dos interiores. Talvez volte ao assunto mais tarde. Deixo-vos cá a informação - nova para mim - que neste palácio do Mitelo morreu em 1865 o Conde de Vimioso, cavaleiro fidalgo e toureiro, afamado pela ligação à cantadeira Severa. |
... Do Campo dos Mártires da Pátria. [...] Toda a correnteza ocidental do Campo de Santana ainda parece lá estar mais ou menos intocada. A começar na esquerda, o palacete hoje fechado, que albergou serviços do M. da Educação, depois da boca da calçada do Moinho de Vento, como quem vai para o Instituto Câmara Pestana, em direcção à calçada de Santana. Acá da mesma c. do Moinho, o casario parece o mesmo que persiste, incluindo (por esta ordem) o Instituto Alemão, a Embaixada Alemã, o antigo e avarandado prédio do Patriarcado (antes não sei de que Visconde), o prédio (também patriarcado) que foi da família Geraldes Barba, e penso só o último (hoje substituído por um de azulejo verde a fazer canto com a Alameda de S. António dos Capuchos, onde está o restaurante "Clara") desapareceu. Mas lá se vê por detrás a mole imponente do Convento e Igreja de S. António dos Capuchos, hoje hospital da mesma apelação. |
Adenda: Fica tudo mais claro lendo o comentário que o prezado confrade Je Maintiendrai gentilmente me cá deixou esta manhã: O tinteiro poderia estar cheio mas a tinta escorreu e faltava-me, como direi... mata-borrão. Agora percebo que a legação da Alemanha se desviou para o palácio da antiga Faculdade de Direito (ou do visconde de Valmor) e que o Patriarcado se fixou nos palacetes do dr. Geraldes Barba e Ludovice. Obrigado sou eu pelo esclarecimento. |
" No sítio onde assenta a Escola [Faculdade de Medicina] existiu a Praça de Touros do Campo de Sant'Ana, de tradições na vida alfacinha, com a sua aura fidalga e popular a um tempo. Foi aquela Praça inaugurada em 3 de Julho de 1831, tempos do Senhor D. Miguel, que assistiu à «festa», sendo corridos dezasseis touros das manadas reais; à noite, com motivo no acontecimento tauromáquico, houve «luminárias» e «fogo de vistas». A Praça do Campo de Sant'Ana era pequena e quase tôda de madeira, sem o tipo clássico dos redondéis hispano-árabes, uma arena muito para «brinco de touros», mas que fêz as delícias dos nossos avós. Panorâmica do Desterro e do Campo de Santana tirada da Senhora do Monte, Lisboa, [ant. 1891]. A única fotografia da praça de touros do Campo de Santana que descobri no Arquivo Fotográfico da C.M.L. é esta. A qualidade não é famosa mas é uma fotografia muito antiga. Trata-se duma panorâmica tomada do Largo da Nossa Senhora do Monte sobre o Desterro; arrisco dá-la ao 3º quartel do séc. XIX. A praça do Campo de Santana é aquele corpo negro no quadrante superior esquerdo; para a sua direita estende-se o casario ocidental do Campo de Santana (ou Campo dos Mártires da Pátria); ao fundo avisto nitidamente o Monsanto. Em baixo, à direita, o Hospital do Desterro. Em primeiro plano um pequeno largo onde confluem a Travessa da Bica do Desterro (hoje Rua Nova do Desterro) e a Calçada da Bica do Desterro (Calçada do Desterro), lugar onde hoje se encontra uma fonte monumental que foi removida do Largo do Intendente. Quase na base da fotografia apercebo-me da Rua da Palma entre muros e em traçado menos regular do que hoje no troço vindo do Socorro; no canto inferior direito lá segue ela para o Intendente, sem vislumbre da Av. Rainha Dª Amélia (Almirante Reis). Além da fotografia sobra no Arquivo Fotográfico da C.M.L. a gravura a seguir, que é do espólio de Eduardo Portugal. Praça de Touros do Campo de Santana, desenho, Lisboa, [s.d.]. Este verbete dedico-o à Dona T., onde há mais pitoresco sobre as corridas nesta praça de touros. |
« Habitada por selvagens da idade prè-histórica; na posse de íberos, celtas e celtíberos depois, na de fenícios, gregos e cartagineses no último século antes de Cristo; de romanos até 409 da nossa era, de vários bárbaros e finalmente de visigodos até 711, de árabes mouros até 1147 - Lissibona ou Aschbouna ia passar para sempre às mãos do primerio Rei português.
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Ilustrações de Balter in Daniel De Foe, Robinson Crusoe, Didáctica, [s.l.], [s.d]. | |
A Europa não é cá. Mas há por aí uns que fazem que sim. Julgam-se arraçados de campinos; não passam de flexicabrestos.
Campinos na Lezíria, Ribatejo, [1950-60].
Fotografia: Helena Corrêa de barros, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Fotografia: Helena Corrêa de Barros (1950-60).
Nos anos 60 viajar de avião ainda era ocasião de cerimónia. E sendo a jacto, isso sim, era requinte; os passageiros vestiam-se a preceito, tinham modos. Daqui a expressão jet set.
Quando se viaja de avião hoje em dia percebe-se ao que chegámos. Viajar a jacto orientou-se do passageiro para o cliente, o que é dizer, da qualidade para a quantidade: o cliente tornou-se passageiro indiferenciado; tanto faz ser um grego boçal que se refastela na cadeira sem respeito pelo vizinho, ou que seja a secretariazinha descarada e atiradiça do presidente da associação dos patos bravos europeus que estende malcriadamente os pés (bastante grandes, por sinal) por cima do banco da assistente. É o jet set dos dias de hoje. Está certo.
O interior da cabina do A380, visivelmente orientado para o cliente; próprio para rebanhos de 525 a oitocentos e tal clientes. Já faltou mais para a supressão da tripulação de cabina e a introdução de máquinas de sandes.
Interior da cabina do A380 via Weblog Aero de Régis Saleur.
Só para animar aqui o blogo.
Tom Jones - Sex Bomb
E agora o Nobel.
Máscara de teatro, Museu Arqueológico de Atenas, 2007.
O certo é que às vezes, na poeira dos caminhos, topam-se coisas magníficas emergindo da vegetação...
Hephaesteion (Theseion), Atenas, 2007.
Do autor de inúmeras fotografias que matam a sede do passado lisboeta a este blogo recebi esta sentida mensagem:Achei extraordinário e fiquei muito sensibilizado ao encontrar reproduções de fotografias que bati, em 1961, para os arquivos da C.M.L.. Bem hajam por me darem a oportunidade de rever estes meus trabalhos.
Muito obrigado sou eu pela oportunidade de ver a cidade de há 40 anos!
Artur Goulart
Enviado por Artur Goulart em 03/10/07 às 12:13 AM
Marco fontanário, Prazeres, 1961.
Fotografia: Artur Goulart in Arquivo Fotográfico da C.M.L..