Segunda-feira, 4 de Maio de 2015
Diz que vai ser transformado em casas de luxo

IMG_2632.JPG
Av. da República, 37, Lisboa (c) 2010.

*  *  *

 O banco Sabadell vendeu o n.º 37 da Avenida da República a um investidor estrangeiro [Havemos de vender tudo. Tudo!...]
 « É com imenso gosto (gosto?) que verificamos que a operação que agora se conclui vai permitir a recuperação integral do imóvel de acordo com o projecto que Banc Sabadell aprovou junto da Câmara Municipal de Lisboa», disse o responsável pela área de promoção da C.B.R.E., Francisco Sottomayor.

«Banco Sabadell vende prédio na Av. da República. Vai ser transformado em casas de luxo», Dinheiro Vivo, 17/VII/2014.

 De luxo não são elas já, estas casas?!...

 

 Deve ser fraco luxo para o gosto contemporâneo. Ao luxo pós-moderno parece essencial começar com lixo: despejarem-se inquilinos e lojas (o último café fechou há-de haver dias) e haverem escancaradas as janelas; as sacadas do 2.º por cima do Antigo Catorze da Miguel Bombarda vi-as hoje, dia de vendaval, a arejar pró-luxuosa e pró-lixamente o luxo velho. Do novo luxo -- ou neo-lux para ser chic a valer -- não conheço o projecto, mas acredito beatamente que a anunciada recuperação integral do imóvel leve à demolição integral do interior, emparedamento e edificação dos logradouros e, finalmente, exibição triunfal da antiga fachada, alteada de dois ou três andares na melhor estética eurocaixilho para contentamento do gostozinho mais... prosaico, digamos... -- É o gosto que hoje encanta... Não merecemos mais, hei-de admitir.

(Interiores: Av. da República, 37 -- 1.º andar, Lisboa, 2008 (in Cidadania LX).



Escrito com Bic Laranja às 19:55
Verbete | Comentar

13 Comentários:
De Só entre nós a 4 de Maio de 2015 às 22:30
Gostos não se discutem, mas o certo é que ninguém gosta de ver prédios a cair.


De Bic Laranja a 5 de Maio de 2015 às 01:25
Certo, certo é nem se discutir gostos por ausência absoluta de objecto. Apenas discutia a falta de gosto, não percebeu?
Cumpts.


De Inspector Jaap a 4 de Setembro de 2015 às 16:37
Luxo não tem nada a haver com o dito; tem apenas a ver com a definição destes magarefes do que é o dito, tão brilhantemente descrito no verbete pelo caro Bic.
Cumpts


De Bic Laranja a 10 de Setembro de 2015 às 21:33
Tenho-o visto. Está destelhado, com uma grua a sair-lhe por cima no poço da escada. Estranhamente não o demoliram. Vamos lá ver no dá.
Cumpts.


De [s.n.] a 2 de Outubro de 2015 às 10:54
Vai dar em recuperação e reabilitação das duas frentes (incluindo interiores mais emblemáticos) e nova intervenção no restante edifício.


De [s.n.] a 31 de Outubro de 2015 às 14:26
Vai dar em recuperação e reabilitação das duas frentes (incluindo interiores mais emblemáticos) e nova intervenção no restante edifício.


De Bic Laranja a 31 de Outubro de 2015 às 15:18
«Interiores mais emblemáticos»... Emblema de quê? Do gosto de quem? Qual o critério de «emblemáticos»?...
Vai dar num sucedâneo sem gosto nem originalidade para enganar ignorantes plastificados e transeuntes pré-fabricados nos moldes eurocaixilho.
Grato da sua boa vontade.


De [s.n.] a 6 de Novembro de 2015 às 16:28
Quando se parte do pressuposto que tudo se sabe e se é o dono da razão, da sapiência e ainda se julga o arauto da defesa da arquitetura só faz com que demonstre que nada sabe e nem vale apena continuar a conversa.

P.s.- Aproveite para olhar para o piso 4 da fachada da Miguel Bombarda para ver o "eurocaixilho" que vai lá ficar. (Só a titulo de exemplo)


De Bic Laranja a 6 de Novembro de 2015 às 20:16
Aprenda vossemecê a escrever «arquitectura» antes de se arrogar a mais. Ao depois venha cá ensinar o eurocaixilho do 4.º andar e se quiser o das mansardas demolidas que eu não tenho tempo de parar por lá a ver.
Obrigado.


De [s.n.] a 7 de Novembro de 2015 às 14:32
Boa tarde

Quanto ao "arquitectura/arquitetura" deixe-me dizer que isso depende do facto de aceitar ou não o A.O. contudo digo-lhe que pelos vistos estamos de acordo, pois se da primeira vez o corrector ortográfico corrigiu, desta já não permiti.

Não concordo e continuo a usar como acho correcto "arquitectura/arquitecto" derivado do latim -architectus.

E quanto ao edifício em si, se realmente se interessar por saber, posso ajudar um pouco mais.

Mas já que não tem tempo para lá ir ver, as janelas são réplicas exactas do existente (sem condições de reaproveitamento) feitas em madeira maciça como as que lá estavam mas com as tecnologias de vidro, isolamento e ferragens que permitem dar resposta adequada ao critérios de térmica e acústica exigidos.
(que acredito você também gosta de dispor em sua casa).

E quanto á mansarda que tanto o indignou, essa estava devido aos anos de falta de cuidado com a estrutura de madeira completamente podre e sem condições de ser aproveitada e/ou recuperada.

Contudo, todos os ornamentos de chapa foram retirados e estão guardados para voltarem a ser colocados em cima de uma estrutura semelhante e toda nova. Inclusivamente as chapas de ardósia (apesar de grande parte delas serem réplicas em chapa e fibrocimento pintado) foram cuidadosamente retiradas e estão guardadas para serem novamente colocadas.

Se mais tiver interesse em conhecer estou ao dispor.

Cumprimentos


De Bic Laranja a 17 de Novembro de 2015 às 20:53
É melhor configurar o corrector ortográfico para o padrão certo, quando não «corrigirá» sempre mal.
Diz-me que a caixilharia das janelas será em madeira. Agrada-me. E aos carpinteiros marceneiros que ainda sobrem também, pois que se já viam condenados a converter-se à serralharia.
A mansarda, indignou-me vê-la desaparecer. Logo cismei que haveria de dar lugar a mais dois ou três andares de vulgareco eurocaixilho como se vê na fachada canibalizada a Ventura Terra no n.º 46 (o Júpiter; deve V. ter visto). Vivo neste drama de a arquitectura de reabilitação não conhecer mais que vidro e alumínio para esconder o betão, que quere?
Pena as ardósias de fancaria. Já devem ser do tempo em que mutilaram a fachada na frente da Av. da República para montra dum banco modernaco. Não me espanta.
Maior pena me dão tenho dos logradouros. Já vi a maqueta...
Obrigado!


De Bic Laranja a 17 de Novembro de 2015 às 20:56
Maior pena tenho...


De [s.n.] a 18 de Novembro de 2015 às 15:21
De facto, partilho da opinião que estamos a dar mais importância ao reabilitar e ao reconverter, do que ao restaurar e recuperar.
Compreendo e até aceito que quem investe milhões os queira recuperar e aqui até aceito o desaparecimento do logradouro (considero um mal menor) tendo em conta que há outro olhar no que diz respeito ao imóvel existente.
A fachada mutilada que fala, vai retornar a ser como era e as serralharias das montras e portas todas recuperadas e executadas novas com o mesmo desenho nos vãos que desapareceram.
Acredite quando lhe digo que neste caso não será outro "Júpiter e Garrigues ".
Disponha!


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