Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

De morrer em triplicado

Vai uma
Vão duas
Vendido!

Mariana Pereira, «A biblioteca de Hermano Saraiva pode ser licitada num 'click'», Diário de Notícias, 16/7/2018

Escrito com Bic Laranja às 23:20
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Do Algarve castiço

[...] Duas cores e cheiro: branco, branco, branco, branco doirado pelo sol, que atingiu a maturidade como um fruto, pinceladas de roxo uniformes para as sombras, e um cheirinho suspeito a cemitério. O fruto que chega a este estado está a dois dedos do apodrecimento, e é talvez por isso que a ideia do sepulcro me não larga nas noites brancas e pálidas em que me julgo perdido num vasto campo funerário…
  O céu aproxima-se de mim. Da açoteia chego às estrelas com a mão. A aragem do mar é tépida e o cheiro persiste… Voluptuosidade e morte… Tenho a sensação criminosa de apertar nos braços uma mulher que se entrega, no momento em que entreabre a boca sucumbida — num vasto campo-santo, onde os espectros imóveis e brancos, de sudário, olham e esperam… O fruto vai completar o seu destino. Cheira que tresanda…

Raul Brandão, Os Pescadores, Porto, 2003. p. 148.


 

Rua da Falésia, 47, ex-pinhal de Albufeira, 2018.
Rua da Falésia, 47, 
ex-pinhal de Albufeira, 2018.

Escrito com Bic Laranja às 21:40
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Do Algarve…

«Olhão, uma visão de África» (A. pastor, 1965)

  De manhã saio em Olhão deslumbrado. Céu azul-cobalto — por baixo chapadas de cal. Reverberação de sol, e o azul mais azul, o branco mais branco. Cubos, linhas geométricas, luz animal que estremece e vibra como as asas de uma cigarra. Entre os terraços, um zimbório redondo e túmido como um seio aponta o bico para o ar. E ao cair da tarde, sobre este branco imaculado, o poente fixa-se como um grande resplendor. É uma terra levantina que descubro; só lhe faltam os esguios minaretes. Duas cores e cheiro: branco, branco, branco, branco doirado pelo sol, que atingiu a maturidade como um fruto, pinceladas de roxo uniformes para as sombras, e um cheirinho suspeito a cemitério. O fruto que chega a este estado está a dois dedos do apodrecimento, e é talvez por isso que a ideia do sepulcro me não larga nas noites brancas e pálidas em que me julgo perdido num vasto campo funerário…
  O céu aproxima-se de mim. Da açoteia chego às estrelas com a mão. A aragem do mar é tépida e o cheiro persiste… Voluptuosidade e morte…Tenho a sensação criminosa de apertar nos braços uma mulher que se entrega, no momento em que entreabre a boca sucumbida — num vasto campo-santo, onde os espectros imóveis e brancos, de sudário, olham e esperam… O fruto vai completar o seu destino. Cheira que tresanda […]

Olhão, geometria de formas (A. Pastor, 194…-65)

  A habitação primitiva é um cubo com uma porta com uma porta e uma janela. Em cima a açoteia, para onde se sobe por degraus de tijolos, e muitas vezes sobre a açoteia o mirante. Entro num e noutro destes buracos com as telhas assentes em canas. Todos eles reluzem de cal. Dois compartimentos: a chaminé, que é o nome da cozinha, e a casa de fora. Uma esteira no chão, uma cama com uma colcha de seda, que só serve nos dias de festa, uma cómoda e um bancal de renda. A um canto um pote e o indispensável pincel. Caia-se tudo. Caia-se o lar e os degraus. Caia-se sempre. É um delírio branco. Subo à açoteia — a melhor parte da casa. O homem de Olhão tem por ela uma paixão entranhada. Se um vizinho a ergue, ele nunca fica a trás — levanta-a logo mais alto. É que a açoteia é o seu encanto: sítio esplêndido para respirar, eira para a alfarroba e o figo, e quarto para dormir no Verão sob um pedaço de vela.

Raul Brandão, Agosto de 1992, in Os Pescadores, Porto Editora, 2003. pp. 148, 154.


Fotografias: Artur Pastor, Olhão, uma visão de África e Olhão, geometria de formas, 194…-65 (ART016034 e ART016035, in archivo photographico da C.M.L.)

Escrito com Bic Laranja às 19:22
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Sábado, 14 de Julho de 2018

Albufeira com sol e mar antes do dito

Albufeira com sol e mar antes do dito, Algarve (M. Novais, 195…)

Praia do Sol e Mar, Albufeira, anos 50 (?).
Mário de Novais, in Bibliotheca d'arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 13:51
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2018

Dias de praia

Corneto - Olá, 197...
(www.misteriojuvenil.com)

Escrito com Bic Laranja às 17:30
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2018

Postal telefonado do Algarve

Algarve, 198... (A. Pastor)

Chaminé , Algarve, 198…

Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 18:41
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

Algarve velho, Algarve novo...

Algarve em fim de tradição, Praia da M.ª Luísa (A. Pastor, 198…)
Praia da M.ª Luísa, Algarve, 198…
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 12:30
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

Praia para ali

Auto-retrato, Praia da Falésia. N.º 7610 — © 2015

Auto-retrato, Praia da Falésia.
N.º 7 610 — © 2015

Escrito com Bic Laranja às 18:37
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Praia para aqui

Auto-retrato, Praia da Falésia. N.º 7 609 — © 2015

Auto-retrato, Praia da Falésia.
N.º 7 609 — © 2015

Escrito com Bic Laranja às 18:36
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Terça-feira, 3 de Julho de 2018

Praia daqui

Praia da Falésia, Algarve. N.º 7 604 — © 2015

Praia da Falésia, Algarve.
N.º 7 604 — © 2015

Escrito com Bic Laranja às 18:33
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Praia dali

Praia da Falésia. N.º 7 600 — © 2015

Praia da Falésia, Algarve.
N.º 7 600 — © 2015

Escrito com Bic Laranja às 18:11
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2018

Praia de cá

Praia da Falésia. N.º 7562 — © 2015

Praia da Falésia, Algarve.
N.º 7 565 — © 2015

 

Escrito com Bic Laranja às 17:19
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Praia de lá

Praia da Falésia. N.º 7 562 — © 2015

Praia da Falésia.
N.º 7 562 — © 2015

Escrito com Bic Laranja às 17:17
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Domingo, 1 de Julho de 2018

Algarve de pastiche

Pastiche de chaminés, Albufeira (A. Pastor, 198…)
Pastiche de chaminés, Albufeira, 198…
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 14:15
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Sábado, 30 de Junho de 2018

Mar

Praia da Falésia. N.º 7471 — © 2015

Mar, Praia da Falésia. N.º 7471 — © 2015 

Escrito com Bic Laranja às 12:18
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Sol e Mar

Sol e Mar, Albufeira (A. Pastor, 198…)
Sol e Mar,
Albufeira, 198…
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 11:35
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Em cheio...

Há dias saiu-me isto no café. «Em cheio» pode ser de muita maneira. Foi hoje.
Fica aqui para que me lembre de esquecer.

Dia em cheio, Lisboa — © 2018

Em cheio… Portugal — © 2018.

Escrito com Bic Laranja às 21:36
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Insomnia

Noites de insomnia — Lisboa (c) 2015

 

Escrito com Bic Laranja às 02:55
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