Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

Cais das Colunas

 Honra-me o confrade Mendo Ramires com um convite para pendurar aqui na parede um postalinho do saudoso Cais das Colunas - que a empreitada do Metropolitano haja. Meio desprevenido e um tanto atrasado, vale-me que o cavalheiro Jorge Ferreira supriu a falha com cinco belíssimos postais ilustrados n' O Carmo e a Trindade, com dedicatória a condizer.
 Pois caro confrade, cá ficam mais dois postais. Cuido vir ainda em tempo de não dar impressão que andei a pintar a manta. A dedicatória é de Raul Proença.

Cais das Colunas (E.Gageiro, 1973)
Cais das Colunas, Lisboa, 1973 (1).
Fotografia de Eduardo Gageiro in Lisboa no Cais da Memória: 1957-1974, p. 108.

 

*   *   *

« O lado S da praça é formado pelo chamado Cais das Colunas (de duas colunas que aí se levantaram), hoje um pouco deteriorado, sendo raros os desembarques que nele se efectuam, a não ser de pequenos vapores e embarcações de vela que fazem a travessia do Tejo para a outra banda. De aí desce até ao rio uma ampla escadaria de mármore.» (2)

Caes das Columnas, Terreiro do Paço (J. benoliel, 1912)

Vapor, Cais das Colunas (Anón., 1930-32)

Chegada de D. Tomás Lipton ao Caes das Columnas, Lisboa (A.C.Lima, 1911)

Caes das Columnas, Lisboa (Anón., ante 1939)

Caes das Columnas, Lisboa (J.A.L. Bárcia, s.d.)

Escadaria, Cais das Colunas (A. Passaporte, 195...)


*   *   *

Caes das Columnas, Lisboa (F. Cunha, s.d.)
Cais das Colunas, Lisboa, [s.d.]
Fotografia de Ferreira da Cunha (1901-1970) in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


(1) A silhueta do silo da Trafaria e o tipo do cacilheiro atracado parece-me que tornam a fotografia daquém 1973, mas posso estar enganado.
(2) Raul Proença, Guia de Portugal, 1.º v., Generalidades; Lisboa e arredores, 1.ª ed., Lisboa, B.N., 1924, p. 209.
(3) Há um ano publiquei uma outra do Cais das Colunas, também do E. Gageiro. Foi nas Canoas do Tejo. E em Janeiro deste ano outra ainda, de Ant.º Passaporte, no Tamandaré. [Não esquecendo a primeira de todas, o Eugénio dos Santos].


Música: Verdes Anos (Carlos Paredes).

 

(Revisto em 20/VII/14. Muito revisto e augmentado em 12/XI/17.)

 

Escrito com Bic Laranja às 06:49
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11 comentários:
De Bic Laranja a 17 de Dezembro de 2006
De nada! Obrigado eu pela visita. Cumpts.
De Scarlata a 17 de Dezembro de 2006
Que bom consumir estas fotos em conjunto com esta musica. Belissimo momento. Obrigada!
De Bic Laranja a 16 de Dezembro de 2006
A resposta seguiu no correio. Cumpts.
De Paulo Cunha Porto a 16 de Dezembro de 2006
Meu Caro Bic Laranja:
Bela a segunda fotografia. A primeira não é que o não seja, mas, com tanta conversa de "pintar a manta", as duas silhuetas dos passantes infundem-me algum receio, nestes tempos alternativos. Faça-me uma caridade: coloque a Sua penúltima resposta no texto do postal. Abraço.
De Bic Laranja a 14 de Dezembro de 2006
De nada, Zé. // Já soube, Pedro. Parece-me que é também a nau D. Fernando e Glória. // Um abraço para ti, amigo Zé do Pinho. // Mais valor ainda para o cais, amiga T. // Devia repor-se lá o paço real, P. // Vamos ter esperança, Marta... // Cumpts.
De marta a 14 de Dezembro de 2006
As saudades que tenho do Cais das Colunas.
Quantas conversas não tive aí, quando na altura, se deambulava por Lisboa a pé. Obrigatório parar junto às colunas e espraiar o olhar.
Beijinhos
De p a 14 de Dezembro de 2006
Também numa noite de 24 para 25 de Abril, na Praça do Comércio, fixei uma imagem na minha memória. No espectáculo dos festejos do 25 de Abril colocaram pessoas e luzes nas janelas da praça. Que diferença! Que vida!
De T a 14 de Dezembro de 2006
Numa noite de 24 para 25 de Abril,há muitos anos, andava eu a passear pelo Terreiro de Paço e sentei-me no Cais das Colunas a ver . Estava contemplativa e vi uma mulher majestosa mas muito triste, que passeava por ali: era a Eunice Munoz.
Desde então associo o escondido cais e a actriz envelhecida.
De Zédepinho a 14 de Dezembro de 2006
A pintar a manta não diria, mas?... Que a beleza e o significado das ditas não desapareça com as obras de "Santa Ingrácia", quero dizer do metro. A acontecer seria a descaracterização da Praça do Comércio, não só arquitetonicamente como de toda a simbologia que a mesma encerra. Pelo postal, pela música e pelo reavivar da memória bem hajas. Um abraço
De pedro a 14 de Dezembro de 2006
Já tinha saudades do Cais! Obrigado. Na primeira foto há também um cais que já desaparaceu com as recentes obras para a Agência Marítima Europeia. Vamos lá ver o que sai dali. Li no jornal que em vez do cacilheiro que se vê na foto que lá estará o Creoula e a Sagres.

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