Domingo, 9 de Setembro de 2007

Easy jet (jacto, ejecção fácil)

Ontem ao almoço o senhor D. Jorge saíu-se com uma interessante frase:
- Os pais estão a ficar culpados.
Hoje o sr. Moita Flores deixa no ar que voaram... em baixo custo...


Praia da Luz, Algarve, [s.d].
Postal no Fórum Motor Clássico.


Ajeitado em 9 10/8 à 10h30 da manhã.

Escrito com Bic Laranja às 14:51
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Sábado, 8 de Setembro de 2007

Villa Balzac

 A dado passo d' Os Maias (cap. VI) Carlos visita de surpresa Ega na Villa Balzac, à Penha de França. Entusiasmei-me quando li esse passo porque estudava num liceu na Penha. Não sei porquê — por certo pela vetustez daquelas casinhas logo à porta do liceu, ou daquela vila ou pátio atrás da Praça António Sardinha, não interessa... — mas tinha uma vaga ideia que a Rua da Penha de França era caminho antigo; intuía-o pelo serpentear pouco rectilíneo na cumeada que vem desde Sapadores.
 O lugar da Villa Balzac desconcertou-me. Aliás começou por desconcertar Carlos — Carlos teve difficuldades em encontrar a «Villa Balzac»: não era, como tinha dito Ega no Ramalhete, logo adiante do largo da Graça um chaletsinho retirado, fresco, assombreado, sorrindo entre arvores.
 Eça ilustra melhor no passo seguinte o caminho mas não consigo situar a Villa Balzac.

« Passava-se primeiro a Cruz dos Quatro Caminhos; depois penetrava-se n'uma vereda larga, entre quintaes, descendo pelo pendor da collina, mas accessivel a carruagens; e ahi, n'um recanto, ladeada de muros, apparecia emfim uma cazota de paredes enxovalhadas, com dois degraus de pedra á porta, e transparentes novos dum escarlate estridente. » (*)

 Na altura imaginei que toda a adjacência da Rua da Penha era a larga hipótese e assim tornava-se difícil. Estreitando, mais não consegui que arrumar a Villa Balzac nas proximidades do Caminho de Baixo da Penha ao pé de Sapadores, embora no meu tempo de liceu não soubesse nem o nome dessa velhinha rua nem que os Quatro Caminhos eram em Sapadores.
 Assim fiquei! Refugiado numa difusa imagem da Penha de França bucólica, de veredas e quintais para diluir um tanto a frustração de não saber onde era a Villa Balzac.
 Se é que existiu.

Sapadores, Lisboa (A.I. Bastos, 1969)Rua [e largo] de Sapadores, Lisboa, 1969.
Fotografia de Artur Inácio Bastos, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


(*) Eça de Queirós, Os Maias, v. I, [Porto], [Livraria Chardron], [s.d.], p. 193.
Escrito com Bic Laranja às 12:46
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Cabeçudos e Zés Pereiras

 A cimeira dos ministros dos estrangeiros (melhor é dizer do interior) da Europa foi para o ar quando iam decorridos quase 4/5 do telejornal. Até a Festa do Avante deu primeiro. A reportagem terminou com a menção do "silêncio e a tranquilidade [na reunião] indispensáveis para os grandes momentos da construção europeia", enquanto cá fora os cabeçudos e os Zés Pereiras rufavam os tambores.
 É preciso ser-se mais claro?

Cabeçudos e Zés Pereiras (Viana, 2007)


Imagens da R.T.P..

Escrito com Bic Laranja às 22:56
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R.T.P.

A R.T.P. mandou o seu enviado europeu António Esteves Martins para a cimeira de Viana do Castelo.
Viana do Castelo é na Europa, não cá. A R.T.P. lá o sabe. Daí que o enviado tenha sido de lá.

Carta de Portugal (1923)
Carta de Portugal (1923)
Guia de Portugal, vol. 1, B.N.L., Lisboa, 1924.

Escrito com Bic Laranja às 22:17
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Instrução

Escola, M. Keil
 Ouço o sobe e desce sobre o abandono escolar e fico a pensar na instrução pública, no ensino...
 A instrução é um trato entre duas partes que só têm deveres: o mestre instruir e o aluno aprender. Se uma das partes faltar ao seu dever o objecto do tracto, a instrução, torna-se inexistente.
 Ora o que aprendo deste sobe e desce é que se dá grande importância à porção de alunos que rompe o tracto. À porção (um número) não aos alunos. Isto para comparação com esses modelos de virtudes que são o estrangeiro e a média europeia. A prova desta intenção distorcida são todos os rodriguinhos já inventados e decretados para não reprovar os cábulas. Mas mesmo assim é preciso que os cábulas se mantenham no sistema.
 Percebeis agora a razão da prioridade em mantê-los?
 Isso mesmo: para fazer número.
 Já aqui disse que até os burros tem vontade própria e por isso sei que não adianta agora também chamar à razão estes que preconizam a instrução pública enfeudada à ensinometria.
 
Resigno-me. Sugiro-lhes que façam um projecto. Contratem uma agência, promovam uma ampla campanha muito descontraída informal cool para cativar as azémolas; adornem-lhes as albardas, doirem-lhe os arreios com uma cena - sei lá - olha! tipo Allgarve; o mote lema divisa slogan pode ser: Na Escoola ninguém Xoomba!


Ilustr.: Maria Keil, Luís Filipe de Abreu in Livro de Leitura da Primeira Classe, 1ª ed., 1967.

Escrito com Bic Laranja às 22:33
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

Respirar fundo

O sossego dos 12 Agostos é uma cidade assim.

Montes Claros, Lisboa [c. 1952]
Panorâmica do Tejo, tirada dos Montes Claros no Parque Florestal de Monsanto, Lisboa, [c. 1952].
Fotografia: Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 23:31
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Do sossego

O ano havia de dividir-se em doze meses de Agosto. O 13.º mês e o subsídio de férias podiam ser Junho e Julho.

12 Agostos

Escrito com Bic Laranja às 22:55
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

A cara não me é estranha

 Num café na Rua do Viriato onde costumo tomar a bica notei há semanas uma cara que não me era estranha. Veio-me na altura ao espírito um professor de Filosofia que tive. Mas não, não podia ter engordado tanto. Esta cara que não me era estranha era dalguém de sua natureza - nota-se - forte, e o professor não era gordo.
 Esqueci o caso. A memória não chega para tudo e cismas destas já aprendi, resolvem-se, mas só se tiver de ser.
 Entretanto - os blogos nisto também podem ser como as cerejas - a camponesa do tempo em que o Rui Veloso usava óculos levou-me a memória de volta à Casa da Lina e às Noites de Luar, uns bares onde havia um artista divertido e bonacheirão chamado Luís Duarte. E deu-se que esta semana, quando tornei a ver no café da Rua do Viriato a tal cara que não me era estranha mas que não sei donde, quem me ocorreu logo foi o Luís Duarte. Mas tenho dúvidas...
 Santos Populares em Alfama, Lisboa [193...]
 Na verdade estou cá agora a pensar: será que o Luís Duarte da camponesa foi por causa da cara que não me é estranha? Ou será o Luís Duarte da cara que não me é estranha - agora, já esta semana - por causa da camponesa?


Fotografia (Santos Populares em Alfama) do Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Escrito com Bic Laranja às 23:12
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Pensar?

A revista do Sol diz isto na capa sobre um livro qualquer que anda na berra.



Houvesse por aí geral capacidade de apenas pensar e já seria positivo.
Mas se assim fosse o tal livro já não estaria nos topes.

Escrito com Bic Laranja às 07:25
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Naturalmente!

 Sempre preferi A Rapariguinha do Shopping ao Chico Fininho. Grande malha, esta rapariga.


Rui Veloso - A Rapariguinha do Shopping
(Digressão d' Os Vês pelos Bês, 2007)

Escrito com Bic Laranja às 22:39
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Ucanha

« Segundo José Leite de Vasconcelos (tido como natural de Mondim da Beira, mas, na verdade, nascido aqui em Ucanha), as razões da construção desta ponte sobre o rio Varosa teriam sido essencialnmente, três: a da defesa, à entrada do couto monástico de Salzedas, a da ostentação senhorial, bem patente na bela e alta torre sobreposta a uma das extremidades do tabuleiro da ponte, e a da cobrança fiscal, pelo valor económico que tal representaria para o mosteiro, aliás já extremamente rico. »

Ponte de Ucanha

« [...] A velha estrada seguia da ponte para Ferreirim e Britiande.
   Por determinação, tornada geral, de D. Manuel I (que lhe concedeu foral novo em 1507), os direitos de portagem foram formalmente proibidos. »

Raúl Proença, Guia de Portugal, 5º v., Trás-os-Montes e Alto-Douro II - Lamego, Bragança e Miranda, 3ª ed., B.N., Lisboa, [s.d.], pp. 733-736. [Reed. da F.C.Gulbenkian, imp. 1995].

Sem custo para o utilizador, portanto. Ou como melhor se haveria de dizer: com passagem franca.

Escrito com Bic Laranja às 00:30
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