Domingo, 4 de Novembro de 2007

Panorâmica dos Anjos (3º quartel do séc. XIX)

 Torno à Senhora do Monte de S. Gens. Acredito que esta chapa foi batida na mesma ocasião que a da praça de touros do Campo de Santana. Aqui a panorâmica é voltada a NNE. O cenário campestre dos Anjos é admirável. Sobressai ali a velha igreja dos Anjos (1) com a sua única torre sineira. Os fados atravessaram-na no caminho da Av. D. Amélia (Almirante Reis) o que lhe ditou a sorte. Foi demolida em 1907. — O amigo Manuel publicou há dias uma fotografia bastante aproximada do ponto exacto onde esteve a igreja, parece que adivinhando isto que eu cá tinha fisgado.


Panorâmica tirada sobre a antiga Igreja dos Anjos e a Ermida do Resgate, Lisboa, c. 1880.
Fotografia: col. de António de Novais, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 A Rua Direita dos Anjos — subindo do Largo do Intendente — passava diante da igreja e seguia pelo lado poente cortando os arrabaldes, ladeada de casario. Um pouco mais acima pode ainda o benévolo leitor hoje em dia encontrar a Ermida de Nossa senhora do Resgate (2). Seguindo adiante chegava-se ao campo de Santa Bárbara. Por aí o casario além da estrada de Arroios já se rarefazia; ao redor todo o cenário era rural.
 Na encosta a poente, na zona mais chegada cá distingo a Rua do Conde de Pombeiro subindo desde a Rua Direita dos Anjos e noto lá o palácio do mesmo Conde de Pombeiro (3) logo ao cimo. Acolhe-se lá hoje a legação da Itália. Um pouco acima um edifício grande com dois corpos: é o quartel do Cabeço da Bola (4). Mais além imagino se aquilo que se lá vê muito mal, muito ao longe, será porventura o Hospital de Dª Estefânia (5). Não me parece… Ora o hospital foi inaugurado em 1877 e se lá não está, então a data da fotografia cai no 3º quartel do séc. XIX, tal como conjecturara já para a da praça do Campo de Santana.
 Mais ao longe distigue-se ainda um estradão subindo a encosta e que julgo ser a Travessa do Abarracamento da Cruz do Tabuado (6), que evoluiu para ser a Rua Pascoal de Melo.
 Tornando atrás desejo oferecer ao benévolo leitor um panorama inverso (em baixo à esq.) desde a Rua Direita dos Anjos para sul, com o monte de S. Gens ao fundo e a igreja do Anjos por demolir mesmo aqui em frente.

Primitiva Igreja dos Anjos, Lisboa (ante 1901) Primitiva Igreja dos Anjos, Lisboa (1907)
Antiga igreja dos Anjos, Lisboa, 1906 [ant. 1901] e [1907 à dir.].
[Machado & Souza, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 E prossigo agora pensando se o branco de casarias rebrilhando ao sol (*) que Ega avistava da sua Villa Balzac, à Penha de França, não era exactamente este que avistamos aqui, desde a Igreja de Arroios (7) à Rua da Bombarda (8), o que me deixa outra vez com a cumeada toda da Penha de França para pôr aquela Torre de Nesle...


(*) Eça de Queirós, Os Maias, v. I, [1.ª ed.], [Porto], [Livraria Chardron], [s.d.], p. 193.

Escrito com Bic Laranja às 07:48
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Sábado, 3 de Novembro de 2007

Girls Band

 Disfarçada de notícia saiu há pouco ali da S.I.C. a publicidade à nova reunião das Spice Girls. O assunto não me merece interesse mas deu-se o caso de ter ouvido mais um daqueles desconchavos do papagueanço pedojornalístico (ou pedopublicitário): a classificação das meninas Spice como a primeira girls band do mundo.
 O que é isso da «primeira girls band do mundo»?!...


The Supremes - Baby Love
(1964)



Silver Convention - Fly Robin Fly
(1975)


Doce - Bem Bom
(Eurovisão, 1982)

 Nenhuma destas foi de certeza a primeira girls band do mundo. Em 75-76 é notório que, apesar da bonita orquestração, já o trabalho de memória era reduzido a um ou dois versos para não sobrecarregar a complexa coreografia. Em 82 ainda se sabia contar, desde que usando como mnemónica o passar da borga da naite anterior (naite é um conceito termo anacrónico para 82, eu sei, mas prova a profundidade histórica do meu saber).
 Pois hoje, se a memória alcança os anos 90 (as meninas Spice são dos 90, não é? — O Old Spice é que é mais antigo, está bem...) O tino parece não dar para contar além da primeira (banda feminina do mundo, hora da madrugada, o que seja...). Bem bom!

(Revisto em 9/8/2009 e em 18/7/2014.)

Escrito com Bic Laranja às 15:00
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Foleirada (domina dixit)

 O caríssimo Réprobo desafiou-me, à laia de corrente blogosférica, a apresentar aqui algum ídolo do meu tempo juvenil que hoje me envergonhe ou seja motivo para autoflagelo e chacota. Quando revolvia o baú dos ídolos à procura desses que aí estão a virose da nostalgia atingiu-me e duvidei se, de feito, eles serviriam bem o propósito. De repente a senhora apareceu e disse:
 — Gostas dessa foleirada?
 Caso arrumado.


ABBA - Dancing Queen

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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