Domingo, 9 de Dezembro de 2007

A corja

Transporte de pedra junto à Penitenciária, Lisboa (P.Guedes, c. 1910)
 Aqui há dias dizia-me o meu bom amigo Pinho V., desconsolado, que nunca vira a coisa pública entregue a cáfila tão infame e sem escrúplulos como agora. De exemplo deu-me ele subterrâneos e quartéis... Bem sei que sim. Mas o que eu via até aqui era a matulagem ainda cumprir o ritual de passagem por um qualquer valhacouto académico para se poder armar aos doutores da mula ruça. Era um mínimo de decoro em vendedores de banha da cobra. Pois ultimamente, avaliando pelo oleoso e descarado acompanhar com bandoleiros e tuaregues - mas não só -, torna-se claro que é de reles bandidos que estamos servidos.
 Há tempo li que até a Penitenciária já venderam... Não resta nada que os detenha e o burgo começa a ficar perigoso para se nele viver.

Penitenciária de Lisboa (J.Benoliel, 1913)

Fotografias, respectivamente de Paulo Guedes e de Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 

Escrito com Bic Laranja às 08:23
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Sábado, 8 de Dezembro de 2007

A lição

 Ontem o sr. reitor e o tuaregue demonstraram aos professores do centro de História da F.L.U.L. como são as relações de feudo-vassalagem na Idade Contemporânea.

Cidade Universitária, Lisboa (J.H.Goulart, 1970)
Cidade Universitária, Lisboa, 1970.
João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 14:01
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Retrato dum anão sentado no chão

 Sr. engenheiro,
 Primeiro louvo-lhe a estóica modéstia de ter posto o nome da minha pobre terra no Tratado. Sei que é uma qualidade que lhe custa manifestar; tanto mais quanto o seu nome assentaria ao Tratado com maior propriedade por ser a sua pessoa mais em acordo com os grandes feitos...
 A sua altivez inflamada não me inspira habitualmente a mais que desprezo; mas hoje a palhaçada fartou-me: não me importaria nada com os seus ilustres convidados caso fosse recebê-los na sua própria casa, na condição do sr. engenheiro antes ter de se deslocar desde o seu trabalho, em carrito de segmento médio-baixo sem luzinhas azuis, através do carnaval que os seus gigantones provocaram na cidade.
- O diabo que o carregue, sr. engenheiro!



Retrato dum anão sentado no Chão (Dom Sebastião de Morra?)
Diego Velázquez, c. 1645.
Óleo sobre tela, 106,5 x 81,5 cm,  Museu do Prado, Madrid.</font>
Escrito com Bic Laranja às 23:12
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Acreditação Ádipe Ofídica ® 2007

Segundo a norma Gasolim da Qualidade.

Ádipe Ofídico

Escrito com Bic Laranja às 06:02
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Deloitte dos hospitais

 A acreditação do Hospital de Dona Estefânia - passei lá há dias e vi uma faixa azul, orgulhosa, ali pendurada - deixou-me aqui cismar.
 A entidade acreditadora é um certo Health Quality Service, que parece não ser mais que um mero consultor britânico para hospitais e afins, pertencente a uma CHKS, Ltd.. Trata-se portanto duma empresa (ou um grupo como agora é escola).
 Ora bem! Quando eu vou ao hospital (um não certificado) eu vou convencido que no hospital há médicos e enfermeiras, os quais são médicos e enfermeiras a sério, que aprenderam Medicina e Enfermagem e que sabem em princípio tratar as pessoas doentes. Mas não tenho eu nada que garanta isto; apenas confio que as coisas se definem assim e que se aquilo é um hospital, tem por definição que ser assim. Ou seja, convencionou-se, e eu tenho fé que assim seja. E isto mesmo é o que toda a gente faz se não o Mundo seria demencial.
 Pois com o Dona Estefânia posso perder a fé. Há ali uma empresa consultora inglesa ou algo que o valha que me garante que um centenário hospital português é mesmo um hospital e não uma coisa a fingir. Haja Deus por haver uma empresa que garanta algo assim. É que cá não haveria Ministério da Saúde que o fizesse nem gente que o cresse.
 E que mais faz a empresa consultora?
 Adapta os seus próprios serviços para satisfazer as necessidades específicas do hospital ajudando-o a atingir os seus objectivos. Se isto de satisfazer as necessidades não tiver que ver com compras e boticas hospitalares, presumo que a consultora se adapte com os seus consultores e se torne num corpo de enfermeiros que passem a tratar doentes; pois que objectivos serão os dum hospital senão tratar de doentes?
 Ajuda a deslindar a malha confusa dos regimentos (ou regulamentos, como modernamente se diz) de saúde, além de estudar os requisitos da prestação de serviços de saúde e facultar as bases para a melhoria de qualidade. Parece-me isto, em boa linguagem deloitte, assessoria jurídica e de gestão. Isso e mais banha da cobra, pois facultar as bases para a melhoria não é exactamente levar a cabo a dita melhoria (eu sei que devia dizer implementar e não levar a cabo; peço desculpa).
 Prepara a organização para as inspecções (se as da I.G.S. ou as da A.S.A.E. não sei). Atenção que não prepara o hospital; prepara a organização: assim, em modos de empresa. (Olha! Daqui suponho que devem ser as inspecções da A.S.A.E. que são preparadas.)
 Enfim! Trata-se - mais uma vez em boa linguagem deloitte - duma abordagem desenvolvimentista com benefícios de resultados, visíveis por ex. numa melhor implementação das boas práticas.


Hospital de Dona Estefânia em dia soalheiro, Lisboa, [antes da acreditação].
Fotografia do Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 Todo este devaneio com a Deloitte dos hospitais desviou-me daquilo que inicialmente queria dizer e que era: como raio se aceita uma entidade empresarial sem geral reconhecimento para tratar doentes nem alvará de clínica (e quiçá sem uma caixa de primeiros socorros nos seus escritórios) abonar inquestionadamente um hospital como de boa reputação? Porque apregoa a banha da cobra descrita lá em cima? Porque faz questionários aos utentes do hospital no modo das outras empresas de sondagens à medida?!... Parece-me muito pouco. Ou doutro modo: parece demaisado. E sendo tanto, quem lhe acredita a ela a capacidade acreditadora? O governo inglês? A rainha Isabel?!...
 Podia ir com isto até à causa primeira e sabeis a que conclusão chegaria? Se na Criação primeiro havia Deus, na acreditação de hospitais primeiro havia a Health Quality Service. É o que é.

Escrito com Bic Laranja às 06:41
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Da insanidade certificada

 Ando desligado destas músicas novas (salvo o enjoo repetitivo das listas de canções que dão na Renasceça em F.M. e, claro, do André Sardet, que dá em todo o lado). Dizem-me que há um tipo de música trance ou transe, outro house que não sei bem... Este do house tenho uma vaga ideia: em 82 havia uns malucos que tinham uma casa (cá está: house) no meio duma rua. Apareciam num jocoso transe (cá está: transe) de insanidade (nonsense) bem humorada e assimilada ao quotidiano. Mas toda a gente via que aquilo era a gozar.
 Hoje parece-me que se vive num outro transe, aparentemente mais subtil, em que a insanidade se funde com um quotidiano de disparates todo ele certificado e com selo de qualidade...
 Será que os Madness eram certificados como, por exemplo, a água torneiral do Algarve (a única no Mundo que o é) ou o Hospital de Dª Estefânia? E será que neste caso os médicos e as enfermeiras não precisam de o ser (certificados) pela Universidade, pela Ordem, &c., ou deve haver mais redundância?


Madness - Our House  


Revisto às 11 e meia da noite.

Escrito com Bic Laranja às 16:02
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Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Domingo à noite: programa de variedades

Este Natal não ouvi da estreia de nenhum 007. Também não interessa. Nem a música é como dantes.


Shirley Bassey - Diamonds Are Forever
(Ao vivo, 1973)

Escrito com Bic Laranja às 22:22
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€ 4,00

Este recorte deu-me o amigo P.M. (). Veio no Correio da Manhã já não sei de quando.

€ 4,00

Escrito com Bic Laranja às 21:12
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O saco verde

 Há dias ouvi na telefonia uma espécie de minuto verde. Devia ser um ambientalista (dantes dizia-se ecologista mas as coisas hoje têm mais que ver com ambiências sócio-económicas que com ecologia). Devia pois ser um ambientalista quem recitava a cartilha: que eu devia preferir o saco verde; que o saco verde era reutilizável; que o saco verde custava só 10 tostões, ou centavos, ou um DINHEIRINHO assim; e que, em se estragando, podia tro-
cá-lo GRA-TUI-TA-MEN-TE.
 Percebo (todos percebemos) a diferença para os sacos pluricolores dos súperes, também reutilizáveis e fornecidos GRA-TUI-TA-MEN-TE; a diferença são uns cêntimos, mas é dinheiro.
 Bem vejo assim porque chamam verde ao dito saco. Desbotou da cor do dinheiro.

Escrito com Bic Laranja às 13:19
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007

D. João Coutinho (1), conde de Redondo e capitão de Arzila

 « A primeira vez que o infante D. Luís foi a Castela visitar o imperador Carlos V, seu cunhado, e a imperatriz D. Isabel, sua irmã, entre os senhores e fidalgos que o acompanharam foi o conde [de Redondo] um deles, e rogou-lhe [ao infante] que não dissesse logo ao imperador quem ele era. Chegando o infante a Barcelona, onde a corte estava, foi recebido do imperador com mostras de muita alegria e contentamento. Estando ambos [o imperador e o infante] dentro em uma câmara, chegou-se o conde a um canto da sala onde ficara para mijar e um tudesco da guarda repreendeu-lho áspero; e o conde, tomando a porta da câmara, depois que chegou aonde o imperador estava, disse-lhe:
   — Senhor, mande-me Vossa Majestade dar em seus reinos um lugar seguro onde mije [...] » (2)

 


(1) D. João Coutinho: filho de D. Vasco Coutinho, conde de Borba; este trocou em 1500 o senhorio da vila de Borba pelo de Redondo e Pavia e passou desde então a ser conde de Redondo, mas continuou a ser conhecido por conde de Borba. D. João é, pois, o 2º conde de Redondo, título que recebeu em 1523. Morreu em 1549. É este o conde de Redondo referido em dois passos do Clérigo da Beira, de Gil Vicente.
(2) Ditos Portugueses Dignos de Memória: História íntima do século XVI anotada e comentada por José H. Saraiva, 3ª ed., Mem Martins, Europa-América, 1997, 284 (p. 89).
Imagem de Quitécnica.

Escrito com Bic Laranja às 23:44
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Marquês de Subserra

A prova que faltava aqui.

R. Marquês de Subserra, Lisboa, 2007
Rua do Marquês de Subserra no cruzamento com a Rodrigo da Fonseca, Lisboa, 2007.

Escrito com Bic Laranja às 14:38
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