Sábado, 16 de Agosto de 2008

A reportagem mais perigosa do mundo

A estrada mais perigosa do mundo Aquele eminente jornalista que os deputados da República acharam necessário ouvir no parlamento para lhes explicar porque subia sem parar o preço do petróleo é o repórter de guerra da R.T.P. na Jórgia (ou Georgia, há quem prefira). Na estrada para Góri, no seu dizer a estrada mais perigosa do mundo, entrevistou dois (perigosos?) camponeses (um que até se chamava Hamlet) e três aldeãs mais um cão sarnoso em... estado de choque.
 Até aprendeu a dizer ponto de controlo em russo (ou jorgiano não vá a coisa parecer tendenciosa): checkpoint.

Escrito com Bic Laranja às 13:14
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Quase ao virar da data...


 

Vista do Mosteiro da Batalha. Gravura publicada em Londres no mês de Outubro de 1838.
© Blog da Rua Nove

Escrito com Bic Laranja às 23:48
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Frágil


Sting, Fragile

Escrito com Bic Laranja às 23:26
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Altos e baixos...

 

 

A-HA, Hunting High and Low

Escrito com Bic Laranja às 23:09
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Museu dos coches

 Mudar o museu dos coches para a esquina do outro lado da rua faz-me lembrar aquele estudante de engenharia que se transferiu duma universidade pública para uma particular (diz-se privada, não é?) porque ficava ali perto, entre outras razões...


Praça Afonso de Albuquerque e Museu Nacional dos Coches, Lisboa, 1940.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 17:37
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Aviso aos gatunos

 Diz que havia 4600 prédios devolutos em Lisboa quando ardeu aquele agora em Julho na Avenida. Sei de mais um: o senhorio despejou a polícia porque precisa do palacete para fazer um hotel. Despejar assim a autoridade demonstra bem a força de quem manda.


Av. João Crisóstomo, 42, Lisboa, 1969.
João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 12:31
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Domingo, 10 de Agosto de 2008

Para pendurar e pôr ao fumeiro

Chouriços Os do telejornal descobriram que a srª gerente do banco assaltado em Campolide é duma terreola qualquer e foram já lá a correr ao café da terra.


Os chouriços são da sopa de pedra,
in Sótão da Inês. 

Escrito com Bic Laranja às 20:48
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Sábado, 9 de Agosto de 2008

Diário da República ilustrado

Av. da República, cruzamento com a Elias Garcia, Lisboa, 2008
Av. da República, cruz. com a Elias Garcia, Lisboa, 2008.

 

Av. da República, 55, Lisboa, 2008
Av. da República, 55, Lisboa, 2008.

 

Av. da República, 73, Lisboa, 2008
Av. da República, 73, Lisboa, 2008.

 

Av. da República, 77-79, Lisboa, 2008.
Av. da República, 77-79, Lisboa, 2008.

 

Av. da República, 93, Lisboa, 2008
Av. da República, 93, Lisboa, 2008.

 

Av. da República, 95, Lisboa, 2008
Av. da República, 95, Lisboa, 2008.

 

Av. da República, 97, Lisboa, 2008
Av. da República, 97, Lisboa, 2008.

 

Av. da República, muro da Feira Popular, Lisboa, 2008
Av. da República, muro da Feira Popular, Lisboa, 2008.

 



 No princípio dos anos 80 a série da Balada de Hill street deu-me uma imagem muito abjecta de Nova Iorque: imunda de graffitti e degradada, habitada como um formigueiro por gente que, depois vista em detalhe, era no mínimo pouco menos que sebosa, vivendo em casas semi-arruinadas ou na rua, convivendo em desacatos e zaragatas.
 Vendo melhor, outros filmes ou séries americanos dos anos 70 já davam esta imagem, mas com a Balada de Hill street lembro-me de ter pensado com certo alívio que Lisboa não era assim, pelo menos do centro para as avenidas. A imagem deprimente de edifícios em ruínas no tecido urbano nuclear da cidade, da imundície dos grafitos, das pilhas de lixo em cada esquina, das ruas encardidas, do cheirete a mijo, dos cachos de gente andrajosa deambulando pelas ruas arrastando trastes vasculhados na porcaria dos caixotes, tudo isso, se fosse era a excepção e não a regra. Havia os bairros de lata, bem sei, mas a cidade como um todo não tendia para uma imensa zona J. Pois hoje parece que sim.

Escrito com Bic Laranja às 15:46
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Esta vida de turista! (10/7/08)

Engano

Moleskine 

 O novo caderninho foi um engano. A capa mole não facilita nas anotações breves e rápidas; não dá apoio de escrita. Em chegando a Lisboa vou ter de comprar outro. Ao depois vejo o que fazer deste. Entretanto pus cá nele, a abrir, o homem das pastilhas...
 

O homem das pastilhas

Carrinha do homem das pastilhas (Ford 300E) O homem das pastilhas era o pracista das guloseimas que abastecia a mercearia da esquina. Nunca aquele homem de bata cinzenta por cima do fato engravatado deu qualquer coisa à miudagem lá da rua. Uma pastilha que fosse.
  - "Ó vizinho! Dê-nos uma pastilha! Só uma! Dê lá!..." - era a cantilena do Nabo e do irmão. O homem das pastilhas quase sempre ignorava; raramente respondia sequer que não, mas eles persistiam; para o fim era já só o Nabo que se punha naquilo, quando o irmão mais velho se fez rapazola e deixou de parar lá na rua. Nesses tempos mais antigos eu ficava calado atrás; não me rebaixava à pedincha porque o homem nunca dava nada, mas não me afastava, não se desse o caso de o homem perder o tino e acabar por dar alguma coisa. Entretanto ia cismando cá comigo sobre a marca da carrinha antiquada do homem das pastilhas. Não sei porquê ganhei crença que era Opel; todos os carros arredondados de aspecto antiquado que eu via eram Opel. E todos eles ostentavam a marca, o que não era o caso da carrinha do homem das pastilhas. Toda a vez que o homem abalava sem dar nada o Nabo reclamava: - "É sempre o mesmo. Custava-lhe muito dar uma pastilha à gente?!..." - Eu respondia, quem sabe desculpando o homem das pastilhas: - "Ele nem tem dinheiro para uma carrinha mais moderna. Anda naquela Opel tão antiga." Aí o Nabo enervava-se: - "Aquilo não é uma Opel, é uma Ford." - mas eu não acreditava. Não conhecia nenhum Ford com aquele aspecto. Nem a carrinha dizia Ford no capot nem em mais lado nenhum que eu visse. Mas o Nabo tinha razão. Era Ford era. Nabo afinal era eu.

Cultura biológica

 Quando as coisas eram simples a linguagem não precisava ser elaborada. Hoje estamos no ponto das mentiras se dizerem inverdades. Também dantes, os pais perante os filhos eram pura e simplesmente pais; não sendo progenitores diziam-se então pais adoptivos para maior clareza. Era quanto bastava. Agora a clareza é uma madrasta e a Biologia é um prado verde cheio de adubo natural onde os jornalistas pastam. Foi este desenvolvimento sustentável que fez brotar pais biológicos da cabeça daquela gente noticieira.

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Dos assaltos a bancos

 Quando havia muitas notícias sobre fogos era quase certo que no dia seguinte haveria muitas mais notícias sobre ainda mais fogos. Logo:

  1. É de esperar que aumentem em breve os assaltos a bancos.
  2. É previsível o advento dum crime novo na imprensa: bankjacking.
  3. Comprova-se que presidente-da-câmara-comentador é um emprego de futuro.

     

Imagem em Voz de burro não chega ao céu...

Escrito com Bic Laranja às 20:39
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Oxalá não chova

 No gaveto da Casal Ribeiro com a Almirante Barroso veja-se a desgraça. Que gente perdulária esbanja um bem patrimonial assim? Quereis lá ver que a avidez lhe(s) embotou o espírito? - Ora se foi tal, tal não foi de todo: houve um freguês de modos requintados que se deu a trabalhos de remover todas as telhas - oxalá não chova! - Vede lá que foi trabalho imbricado: para quê não sei dizer; se foi o dono, zelou melhor pelas telhas que pelas casas; se não... Melhor é havermos cuidado com beatas mal apagadas...

Av. Casal Ribeiro, 1 (Lisboa, 2008)
Av. Casal Ribeiro, nº 1, Lisboa, 2008.

 Ora pois, afinal de contas, se a mesquinhez foi requintada ao nível do telhado (talvez almejando a estética muito superior do mamarracho que se vê à direita), ao nível térreo é um chiqueiro o que todos podem ver: as janelas entaipadas a tijolo e cimento servem a um besuntado festival de cartazes; o gradeamento (pro)posto pela Câmara(?) para salvar os peões dalguma desafortunada derrocada atira-os para o meio da estrada; e ao depois a sinalização de trânsito por ali semeada pouco mais é que publicidade ao Código da Estrada, a que muitos ao fim e ao cabo pouco prestam atenção. Tal como ninguém liga a que neste pardieiro à beira da ruína tenha morado Fernando Pessoa.
 Dramática mensagem esta, a que até o Neptuno volta as costas. Mas, enfim, ele é de pedra...

Quando ainda podia chover

Estefânia, Lisboa (Tele Atlas/Google Maps 2008)
Vista de satélite da Estefânia, Lisboa, onde se assinala a casa onde morou Fernando Pessoa ainda com telhado. A imagem deve ter sido colhida antes de Outubro 2007.

(Tele Atlas/Google Maps)

Escrito com Bic Laranja às 06:45
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Panorâmica do terreno para o aeroporto da Portela

Há perto de 70 anos o governo inclinava-se para a Portela. Resta saber para que lado estava o fotógrafo virado.

Panorâmica do terreno para o aeroporto da Portela  (E.Portugal, c. 1940)
Panorâmica do terreno para o aeroporto da Portela, Lisboa, c. 1940.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 13:52
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Prédio para demolir

Prédio para demolir lê-se na legenda do Arquivo Fotográfico da C.M.L. A fotografia é de Arnaldo Madureira, sem data, mas certamente dos anos sessenta. Estranhamente - e com rara felicidade, a meu ver - o prédio mantém-se de pé. Não sei quem lá viveu nem a quem pertence. Penso se não era casa duma só família. Na porta de entrada há um único puxador de campaínha, em cobre, que mecanicamente accionava, talvez, uma sineta. O piso nobre tem varandas em ferro forjado, uma de sacada, e todas as portas têm dintéis rematados com um friso decorativo de belo efeito, bordando cortinas. Não sei como seja por dentro nem os trabalhados artistícos que ainda guarda.
 Um imóvel burguês destas características, loja, andar nobre e água furtada, era comum na Lisboa de 1900 e compunha muito bem a cidade; hoje é extravagância inusitada - que não devia ser assim, pois que nem é questão de gosto (ou a sua falta). É a costumeira ganância que sempre devora o património.
 Desde esta fotografia aguentou-se bem, talvez graças à loja. Há tempo a loja fechou; logo depois um cartaz de autorização de obras foi devidamente posto na varanda. Obras que adivinho sejam de demolição e cujo único acto que me apercebi até agora foi o abrir subtil duma janela da varanda. E deixá-la depois ficar assim...
 É na Rua Rebelo da Silva, nº 1, faz esquina com a Pascoal de Melo. Mas podia ser outro noutro lado da cidade, pois esta Lisboa... é como anda...


Prédio para demolir, Lisboa, [s.d.].
Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

(Ajeitado às 9h00 da noite.)

Escrito com Bic Laranja às 16:00
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Domingo, 3 de Agosto de 2008

O home Jaquim

 Ele há agora um home Jaquim assaltando casas. Calhando é o mesmo que os jornalistas chamam 'cara' Jaquim e que tem andado roubando automóveis de gente grada.  Nã deve ser de cá, esse tal home Jaquim, pois...
 Ou ao invés - pensando melhor - já cá andaria quando o Geraldo Geraldes tomou de assalto o castelo de Évora.

 

História de Portugal, A.P.R., 1953 História de Portugal (pág. do álbum)


  E, calhando mesmo, os jornalistas medievais devem até ter noticiado todos os assaltos a castelos durante a Reconquista como castlejacking.


A caderneta de cromos da História de Portugal é da tabacaria.

Escrito com Bic Laranja às 23:06
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Sábado, 2 de Agosto de 2008

Reabilitação da zona ribeirinha

A razão de ser de um megaprojecto alfacinha completamente explicada aqui.
A «garçonnière» lúbrica do sr. administrador, Lisboa, [s.d.].
Publicada por Lisboa S.O.S. em 26/7/2008.

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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