Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Nótula sobre a quinta das ameias

 Já me tinha perguntado se o Casal Vistoso não teria tido capela - uma quinta do séc. XVII só é natural que tivesse!...

Tem esta freguesia [dos Anjos] no seu destrito as Ermidas seguintes: [...] S. Joaõ Bautista na quinta das Ameyas na estrada de Sacavem, que he de Verissimo de Abreu de Castro;

P.e António Carvalho da Costa, Corografia Portugueza, t. III, Lisboa, 1712, p. 419.

 Não dá o P.e António Carvalho da Costa qualquer descrição da capela mas indica quem era o Abreu de Castro a quem pertencia a quinta.
 


Da Corografia Portugueza: Ermidas da freguesia dos Anjos.

Escrito com Bic Laranja às 09:20
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Corografia Portugueza (tomo terceyro)

 Proponho a leitura completa do rosto deste tomo. Entoar com alguma ênfase, mas sem exagero nem maneirismos excessivos. Ler até com todas as licenças necessárias. Repitir se precisar melhorar.
 Se teve o privilégio duma plateia pergunte se soou como venda de banha da cobra. Se não, pergunte a si mesmo. Pode até parecer que sim, que soa a banha da cobra. Eu digo que não...


(Obra completa na B.N.)

Escrito com Bic Laranja às 23:37
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EDP

A E.D.P. é uma sociedade (ou um conglomerado delas) que produz e vende electricidade. Com lucro e dividendos. Calculo que a E.D.P. só subcontrate electricistas porque se os empregasse directamente apenas anúncios de néon se acenderiam, tal é o delírio posto na missão dos que lá emprega.


(Fotomontagem com fragmentos das páginas da E.D.P. na rede. Delírio edepiano por via de Sérgio Correia no Delito de Opinião.)

Escrito com Bic Laranja às 09:52
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Soirée

Ou os anos 90 numa estética mais apreciável.
 

 
The Corrs, Everybody Hurts

Escrito com Bic Laranja às 00:30
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Uh-Oh, Uh-Oh

Lembrei-me que gostava desta.
Ritmo desprendido, música algo arrastada... A letra meia alucinada pode ser que seja poesia; o teledisco desconexo: chamemos-lhe arte...
Os anos 80 também parece que foram um bocado meios coiso...
 


Talking Heads, The Lady Don't Mind
(Little Creatures,1985)

Escrito com Bic Laranja às 15:29
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Herói nacional tem caspa

Linic_Lindo.jpg

(Imagem No Baloiço... Em Saltos Altos.)

Escrito com Bic Laranja às 14:48
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Domingo, 27 de Dezembro de 2009

Casal Vistoso ou Quinta das Ameias

I.S.T., Lisboa (M. Novais, anos 30)

  O adjectivo 'vistoso' é comum ser usado por elegante ou garrido, mas significa primeiramente dar nas vistas, isto é, que se vê ou avista distintamente. A fotografia acima (1) foi tirada aquando da construção do Instituto Superior Técnico. Cuido que o benévolo leitor não achará difícil ver um casarão que se recorta contra o horizonte encimando uma colina. Fica na direcção do Areeiro. É o Casal (lá está!) Vistoso.
  A designação Quinta das Ameias, por que também era conhecido, ela advém-lhe do que se notava vendo mais ao pé, quando se percebia a casa cujos muros eram recortados em ameias.
  Há algo mais a dizer sobre...

Casal Vistoso, Areeiro (A. Serôdio, 1974)
Casal Vistoso tomado da Av. Gago Coutinho, Areeiro, 1974.

  O Casal Vistoso é do séc. XVII. Os Abreu e Castro, a quem talvez tenha pertencido nesse século (ou no seguinte), não soube eu agora descobrir quem foram. Não sei se a quinta coincidiria então com os limites que conhecemos da Planta Topográfica de Lisboa de 1908 (2) mas julgo que sim. Tinha esta quinta rudemente a forma duma meia lua em fase de minguante. De Sul para Norte, ia desde os terrenos próximos da Rua do Garrido até ao planalto onde hoje ficam as ruínas do Casal e, para lá dele, até umas terras sobranceiras à linha de cintura, no troço entre o Areeiro e Chelas. Confinava a Leste com o Casal dos Arciprestes (3), a NO com a quinta dos Peixinhos (4) e a SO e S com a quinta do Bacalhau. Entre esta e ela, corria a Azinhaga do Areeiro.

Planta 12 M, Lisboa (Planta Topográfica de Lisboa, 1908)
Planta Topográfica de Lisboa: 12 M [correspondência actual: Areeiro, Casal Vistoso, Av. Afonso Costa, Olaias], Lisboa, 1908.

  O casal propriamente dito situava-se no ponto mais alto da quinta. Tinha (e ainda tem) portão de entrada pelo Norte, que antigamente ficava no fim dum caminho em cotovelo que subia desde o velho lugar do Arieiro (Estrada de Sacavém). Formavam o Casal duas filas de casas alinhadas de Poente para Nascente com um pátio entre elas. Um jardim de buxo nas traseiras das casas no lado Sul deixa presumir que estas eram as principais. Tinha o jardim um muro de cercadura com ameias e sacadas de arco quebrado.
  Todas as casas eram térreas excepto a do topo oriental da fileira Sul, que tinha um sobrado com telhado de quatro águas. As da fileira Norte, mais pequenas, destinar-se-iam porventura ao serviço da quinta ou a habitação de criados.
  Há testemunho (5) que teve o Casal Vistoso interiores decorados com azulejos de Delft e que serviu o lugar de retiro do príncipe D. Luiz Filipe. Este facto leva-me a admitir que o Casal passou ao património da Coroa depois de ter pertencido à condessa d' Edla, à semelhança do palácio da Pena que el-rei D. Carlos [Luiz] tomou para a Coroa mediante indemnização. [A proposta veio de D. Luiz, mas efectivamente foi já no reinado de D. Carlos, no fim 1889, que se concretizou a compra]. Neste caso do Casal Vistoso é uma mera conjectura, porém.

Casal Vistoso, Lisboa (A.Serôdio, 1974)
Casal Vistoso tomado da Rua Sarmento Beires, Areeiro, 1974.

  Sem mais trabalho de arquivo (6) é difícil adiantar aqui mais. É uma pesquisa que caberia à D.G.E.M.N. que, por motivo dalgum interesse tardio lançou a quinta no seu inventário em 2002 (7); então as casas eram já um pardieiro inqualificável. O caso deve obedecer a uma dessas formalidades de registo (descargo de consciência?); o mais difícil não se fez...
  Os projectos de urbanização do Casal Vistoso no Arquivo da Câmara levam a crer que esta propriedade pertença ou haja pertencido à C.M.L., mas não posso garantir (8). O Inventário Municipal de Património (9) regista-a, mas tal também não significa nada em termos da conservação do património. A história desta quinta, tudo parece, há-de contar-se pelo número de mamarrachos que nela se conseguirem construir.

Casal Vistoso, Lisboa (A. Serôdio, 1974)
Portão do Casal Vistoso, Areeiro, 1974.
 


(1) Recorte destacado dum original do Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..
(2) J.A.V. da Silva Pinto, A. de Sá Correia,
Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911: planta 12 M (des. por Abel Santos), Lisboa, 1908.
(3) Há referências a este casal como sendo dos Aciprestes ou Ciprestes.
(4) Uma visão do estado actual desta quinta dos Peixinhos em
Que cidade é esta, Lisboa S.O.S., 19/12/2009.
(5) Dr. Quintanilha Mantas. Cf. Dom Gastom, in
Quinta das Ameias ou Casal VistosoRuinarte, 20/12/2009.
(6) O
Arquivo Municipal refere o Casal Vistoso sobretudo a propósito dos planos de urbanização dos anos 60 para cá. Outras referências marginais prendem-se com o alargamento da Estrada de Sacavém c. 1890.
(7) Cf.
D.G.E.M.N., Nº IPA PT031106030236.
(8) Arquivo da C.M.L.,
Projectos de construção de arruamentos do Casal Vistoso.
(9) C.M.L., Plano Director Municipal, anexo I (
Inventário Municipal de Património), 03.02.
Fotografias do Casal Vistoso em 1974: Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

(Publicado de novo à meia-noite e um de 26 de Abril de 2016 e tornado à primeira forma no primeiro dia de Verão de 22.)

Escrito com Bic Laranja às 23:50
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Cantata para o dia de Natal


J. S. Bach - Oratório de Natal (Weihnachts-Oratorium, BWV 248), Cantata nº 1.
English Baroque Soloists; Coro Monetverdi; maestro: J. E. Gardiner.

Escrito com Bic Laranja às 09:00
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Em compasso de jiga...

Do «Messias» de Händel...
Outra versão em barroco puro.


 Sylvia McNair - Rejoice Greatly, O Daughter Of Zion
Händel, O Messias (HWV 56, 1741).

Escrito com Bic Laranja às 23:55
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Cartão de Natal



A Sagrada Família*

Sisto Badalocchio, c. 1610
Óleo sobre tábuas, 81,3 x 57 cm
(Ateneu de Wadsworth, Hartford)

Aos benévolos leitores que
generosamente visitam este blogo,
sinceros votos de um

 

 

SANTO E FELIZ NATAL .


A todos
BOAS FESTAS !

 

Escrito com Bic Laranja às 09:00
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Nova raspadinha E.M.E.L.

Raspadinha E.M.E.L.

 Decididamente esta espécie de civilização global não passa duma imensa venda de banha da cobra.
 A E.M.E.L., essa sociedade comercial que manda nos arruamentos de Lisboa (a Câmara não se presta a fazer valer a jurisdição que lhe compete, embora encha o baú com um imposto automóvel, sem despesas de cobrança) – a E.M.E.L., dizia eu – vai começar a vender parquímetros de bolso que funcionam com cartão pré-pago. No seu dizer, "será muito benéfico para a empresa e para o utente, porque deixam de existir as situações em que o utente ou paga menos tempo do que fica estacionado ou paga a mais". O benéfico para a empresa é de gritos: vender ao automobilista por € 30,00 uma geringonça (agora parece que se diz gadget, não é?) para ele ter o extraordinário privilégio de poder pagar o estacionamento tal qual a tarifa corrente; e mais, com o pré-pago antecipa receita forçando o utente ao uso complementar dum cartão sem o qual a geringonça será inútil.
 Já o benefício do utente é o logro de ser servido de pagar para... poder pagar adiantado. Ora como sabemos, neste mundo quem paga adiantado é mal servido. No caso, a dupla tributação a favor do município (I.M.V. e E.M.E.L.) é um roubo de estrada e um simulacro de res publica sem proveito para o cidadão. E este há-de sem remédio ter de continuar pagando cumulativamente o tributo aos bárbaros que de facto senhoreiam as ruas.

(Raspadinhas da E.M.E.L. em...)

Escrito com Bic Laranja às 22:00
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Buzinão

Buzinão
 Soaram hoje as buzinas a Norte ouvindo-se as gentes bradar contra as Scuts. Não me espanta. Gente grada de vários quadrantes tem-se alvoroçado com muito arruído contra umas Scuts... telefónicas.


(Sinais na antiga J.A.E.)

Escrito com Bic Laranja às 19:30
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Os dois decilitros

 Quando eu era pequeno, lá na rua era comum uns matulões espertalhaços açularem os mais miúdos só para vê-los à briga. Normalmente havia um que começava: - Eia pá! O Papuço chamou-te maricas (era tudo mentira). Tu admites?!... És mesmo maricas!
 Então costumava entrar outro dos da matula a ajudar o gaiato agravado: - Ele não deixa nada chamarem-lhe maricas - e virava-se para o miúdo - Não deixas, pois não? Vai lá dar-lhe os dois decilitros! Não tenhas medo que se o Papuço te quiser bater eu defendo-te. Vai lá, não sejas maricas!
 Os dois decilitros (curiosa expressão que não sei donde veio) era molhar dois dedos com cuspo e passá-los com sobranceria na cara doutro miúdo provocando-o. O outro, que normalmente não se ficava com o desaforo, virava-se ao provocador, pegando-se de seguida os dois à bulha. Era o que os mais velhos procuravam.
 Não vem isto aqui a propósito de nada senão que ultimamente me parece que andam os merceeiros de notícias assim como os matulões espertalhaços lá da rua: açulando os que se deixam levar...
 

Sérgio Sousa Pinto (D.N., 20/12/2009)
(Imagem, D.N.)

Escrito com Bic Laranja às 19:45
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Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Casal Vistoso

 A Av. Afonso Costa, em Lisboa, parte do Areeiro (lado nascente) em aterro sobre a velha estrada de Sacavém, rasga a encosta que do Casal Vistoso caía em suave declive sobre a Rua Barão de Sabrosa, e liga à Rotunda das Olaias novamente em aterro sobre o vale da Azinhaga da Fonte do Louro. Quem, porventura, nos anos 40 se chegasse à embocadura do que é hoje a Av. Afonso Costa, ao Areeiro, veria de alto a Rua Alves Torgo (a velha estrada de Sacavém) e adiante, no cimo duma colina, o Casal Vistoso.
 Foi este Casal Vistoso, ou Quinta das Ameias, edificado no séc. XVII; pertenceu aos Abreus e Castro (1) e foi retiro de campo da condessa d' Edla (2) e de el-rei D. Fernando II.
 Outrora era a silhueta desta quinta que dominava todas as vistas que deitássemos na direcção do Areeiro, antes da actual praça. Hoje em dia mal se vê da Av. Afonso Costa, que lhe morde os alicerces, tal é o volume edificado em seu redor.


Rua Alves Torgo e Quinta das Ameias ou do Casal Vistoso, Areeiro (Lisboa), 1947.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


(1) O Guia de Portugal designa a Quinta das Ameias como Casal Ventoso, o que é evidentemente uma gralha tipográfica. Diz o seguinte: "A estr. de Sacavém leva ao Areeiro, atravessando a linha férrea de cintura. Antes do apeadeiro, vê-se à dir. o palácio da Quinta das Ameias ou  Casal Ventoso [sic], que data do séc. XVII e era dos Abreus e Castros" (vol. I, p. 269).
(2) J. F. do Alto do Pina,
História da Freguesia.

Escrito com Bic Laranja às 14:01
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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Lisboa à noite...

Mitigando talvez angústias das iluminações de Natal...


Postais: Estúdio Mário de Novais: Lisboa à noite, anos 40. Da Biblioteca de Arte da F.C.G..


Escrito com Bic Laranja às 00:24
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

8 para a meia-noite


In My Room,  Washington, D.C, 1943.
Esther Bubley para o Dept. de Informação de Guerra, in Shorpy.


Escrito com Bic Laranja às 23:52
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Da rapaziada jeitosa

 Ontem no Mário Crespo um secretariozeco de estado atabalhoava explicações sobre o negócio do Magalhães. A folhas tantas, confrontado com a grossa dívida pela subvenção dos computadores, refraseou: - Dívida não. Acerto de contas.
 Muito airoso. Parecendo dizer que não há dívida, reconheceu (nem sei se se deu conta) tanto a dívida como o natural corolário de haver de saldá-la. O que são afinal os 180 milhões da Acção Social a favor da tal Fundação das Comunicações Móveis senão uma provisão de dívida?
 É a rapazes assim jeitosos que isto anda entregue.

Old boys' club: c. 1910
Old Boys' Club, 1910.
Fotografia de
Shorpy.

Escrito com Bic Laranja às 17:31
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C'est chic

Now we freak, oh what a joy...



Chic - Le Freak

Escrito com Bic Laranja às 09:56
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Ferro curto

Tourada

 Nas touradas é costume haver num dos sectores da praça uma minoria alvoroçada e insatisfeita que sempre clama por mais um ferro. Depois, certos cavaleiros, mesmo os triunfantes, embalam desembestados no ruído estendendo a lide até à náusea, acabando por vexar a maioria na praça com o aborrecimento. Pois eu parece-me que todo o touro deveria consorciar-se com qualquer cavalo a seu gosto e, no acto, devia constitucionalmente o director de corrida deixá-los adoptar um ou mais moços de forcado. Arrumava-se de vez com certa tourada sem remédio que, sinceramente, só de ouvir enjoa.

(Imagem em Café com Pão.)

Escrito com Bic Laranja às 16:37
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Iluminação pública

Candeeiro de cegonha, Abrantes [cópia de A. V. Silva dum modelo de Marinho Antº de Castro para Lisboa em 1780]

« Por um edital do Intendente Geral da Polícia, que se acha fixado nos logares publicos d'esta capital, se faz saber que as principaes ruas d'ella serão illuminadas desde o dia 17 d'este mez. S. Magestade houve por bem fazer a despeza dos lampeões, e cada morador das ruas, em que elles serão postos, deverá contribuir com um quartilho d'azeite em cada espaço de 27 dias [Gazeta de Lisboa, 15 de Dezembro de 1780].
  [...]
 O que isto daria que palrar! quanto não foram comentados os prós e os contras! 
 Estava-se numa assembleia, e achava-se entre os circunstantes certo falador com vizos [i.e. visos] de engraçado, barba muito escanhoada, cabeleira de duas guinguetas, vestido de veludo preto, e uma larga fita ao pescoço, em que tinha uma cruz pendente. (Bom retrato!)
 Tendo-se falado, - diz Figueiredo - e discorrido muito, das utilidades iluminação da cidade, quando andava em questão, depois de largos discursos, em que esteve calado, respondeu afinal em ar de Catão:
 - Eu não sei que utilidade me vem, estando em minha casa pelas 8 ou 10 horas da noite, que estejam ardendo a este tempo tantas mil luzes na rua. Eu não sei.
 E encolhendo os hombros, voltando-se com ar risonho, correu o auditório com satisfação:
 - Eu não sei. Eu não sei.
 ... esperando que lhe dissessem: Amen1.

  É curiosa a anedota, e parece-me contada com a maior graça.»

Júlio de Castilho, Lisboa Antiga; Bairros Orientais, 2ª ed. revista e ampliada pelo autor e com anotações do Engº Augusto Vieira da Silva, vol. IX, Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1937, pp.168 e ss..
1 Theatro de Manuel de Figueiredo, tom. XIV, pág. 498.
 

 

Escrito com Bic Laranja às 07:00
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