Quarta-feira, 17 de Março de 2010

Númbaro 2

 A númbaro um é reservada...
(c) Luísa Gonçalves
(c) Luísa Gonçalves

Escrito com Bic Laranja às 00:51
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Segunda-feira, 15 de Março de 2010

Uma importante escolha a fazer

 Esse megálito regulador do arco de curvatura dos pepinos que é a União Europeia, enquanto me suga a identidade e me tritura no almofariz da cidadania comum, entendeu agora obrigar-me à viva força a escolher livremente um browser para o meu computador. Desatou à trombada à Microsoft, a vil monopolista a quem a libérrima República Portuguesa compra sistemas operativos, e impôs-lhe o império da minha forçosa liberdade de escolha face ao seu global monopólio. Vai daí salta-me hoje para o computador uma actualização importante  (já ontem eu dera conta da sua importância e desprezei-a) para utilizadores localizados nos Estados-Membros do Espaço Económico Europeu (vede bem que nem é necessário ser-se da Europa, basta só vir a passar por aí) e... anda cá e escolhe o programazinho para ires à Internete. Esse que tinhas não vale porque não foste tu a escolher. Pronto! Pusemos-to já no lixo. Agora és verdadeiramente livre
 Entre o vendedor de automóveis (mais ou menos intrujão) que vende o carro com pneus da marca que bem entende, mas pronto a andar, e o Grande Libertador que dita arrancar os pneus aos carros todos para que os automobilistas obrigatoriamente escolham com toda a liberdade a marca dos pneus, o que vos parece...?

Brausa

Escrito com Bic Laranja às 19:31
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Domingo, 14 de Março de 2010

Variedades: "Puttin' On The Ritz"


Fred Astaire - Puttin' On The Ritz
(Blue Skies, 1946)

Escrito com Bic Laranja às 23:32
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Excursão a Mafra

 Quando andei na escola primária houve uma excursão de um dia a Mafra. Mafra, Ericeira e Sintra. Estive vai não vai para não me deixarem ir por o meu irmão lhe ter dado a ciumeira e começado a reclamar. Na sua escola primária houvera anos antes uma excursão a um lugar longe também e o meu pai, por castigo (o meu irmão era uma peste) ou por lhe parecer alguma coisa menos bem, não o autorizara a ir. Mas não houve caso comigo e tive licença. Fomos em duas camionetas de carreira alugadas e não na habitual camioneta do clube lá do bairro, normalmente só requisitada pela escola da Câmara para as excursões em Lisboa.

Camionetas de carreira, Caneças (Soc. Arboricultora, Lda., s.d.)
Camionetas de carreira, Soc. Arborícultora, Lda. [?], [s.d.]
(Fórum Auto-Hoje)


 Ficou-me na memória esta excursão. Vim deslumbrado com o convento de Mafra; um paço real verdadeiramente majestoso. – Coisa de criança deslumbrada, dei em contar os degraus da escadaria nobre como que para lhe comprovar a grandeza: contei mais de cem!... – (Calhando em lá voltar e torno outra vez a contá-los.)
 Nesse passeio falhámos ao depois a Ericeira por nos havermos atrasado em Mafra, creio, mas passámos ainda no Sobreiro para conhecer a casa do mestre João Franco, que Deus tem. E seguimos para Sintra onde houve visita guiada ao paço da vila e onde aprendi sobre el-rei D. Afonso VI ter gasto o chão do quarto em voltas sobre voltas enquanto esteve lá preso pelo irmão.
 De Sintra nesse dia fiquei com a pena de não visitar a Pena e com  a estranheza de lá ver, a dado passo que parámos para merendar, um campo de futebol relvado (na época eram coisa só de clubes importantes, cuidava eu).
 De Mafra, já disse, trouxe um verdadeiro deslumbre com o convento e uma recordação barata; um postal colado numa tábua que os vendedores ambulantes tinham para os turistas. O postal guardou-mo a minha mãe cuidadosamente atrás do contador da água... e o deslumbre com o convento valeu-me – quem sabe se – o destino de cumprir 14 meses de tropa na Escola Prática de Infantaria...

Convento de Mafra (Ed. C.C.N.S. Socorro, 1972)
Convento de Mafra, 1972.
Ed. C. C. Nossa Senhora P. Socorro, in Os Meus Postais.

Escrito com Bic Laranja às 10:57
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Sexta-feira, 12 de Março de 2010

O três antónios

 No liceu havia três antónios. Um António que havia era o Galo. Não sei porque era o Galo. Ele tinha menos carisma que uma galinha. Usava risco ao lado e óculos de fundo de garrafa. Tinha muito mais ar de António que de galo.
 Outro António que havia era um António da Rua António Pedro. Perturbava muito as aulas. Com uma professora de Biologia que nunca mandava calar ninguém (calava-se ela em vez disso), que nunca expulsava ninguém – era a professora mais complacente e passiva que jamais se viu... – Pois o António da Rua António Pedro fez tantas, mas tantas, que finalmente conseguiu a ordem: – "António, agora sai!" – O tom nem foi nada imperativo, diga-se, mas o António saiu sem mais.
 Este era o segundo António.
 O terceiro não me lembro.

Sala de Ciências Naturais, Liceu Pedro Nunes (H. Novais, s.d.)
Sala de Ciências Naturais, Liceu Central de Pedro Nunes, [1930-1980].
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da
F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 19:20
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Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Mulher, Portugal

Mulher, Portugal (H. Novais, s.d.)
Mulher, Lisboa, [1930-1980].
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da
F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 13:35
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Quarta-feira, 10 de Março de 2010

Tirando às aranhas pelas paredes

D. Afonso IV (1291-1357), Círculo de Leitores, 2005 O infante D. Afonso, futuro rei Afonso IV, andou em moço muito bravo contra seu pai, el-rei D. Dinis, porque – assim reza a história – el-rei o preteria em favor dum filho bastardo, Afonso Sanches. Uma crónica antiga diz que foi posto a corrrer pelos que seguiam o infante revoltado (muitos eram homiziados fugidos à justiça real) o boato de que D. Dinis procurara ao Papa a legitimação de Afonso Sanches com o argumento que «o infante D. Afonso não era homem para ser rei porque não havia siso nem entendimento, que andava como sandeu desmemoriado, tirando às aranhas pelas paredes»...
 Tirando às aranhas pelas paredes, como heis-de entender, é dizer em português moderno andar às aranhas, ou andar à toa - próprio, portanto, de quem não tem siso nem entendimento.
 A falsa tirada argumentativa – que cuido ser da Crónica de Portugal de 1419é riquíssima de expressividade e sentido e diz muito mais sobre governantes do tempo presente do que, afinal, sobre D. Afonso IV, a quem historicamente se houvera de referir.
 Não é curioso?






Bernardo de Vasconcelos e Sousa, D. Afonso IV, Lisboa, Círculo de Leitores, 2005.

Escrito com Bic Laranja às 22:55
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Domingo, 7 de Março de 2010

Domingo

 No fim dos anos 80 a cantora Edie Brickell teve um par de êxitos que chegaram até hoje (ou parece-me eu). Chegou a ser anunciada na época como uma nova Suzanne Vega. No fim dá-me a ideia que faltou fôlego para mais.
 Na semana passada (de vez em quando acontece-me) andei com esta cantiga no ouvido o todo o dia de terça e de quarta-feira também. Na quinta topei-a na Origem das Espécies.
 


Edie Brickell & New Bohemians, Circle
(C) 1988 Geffen Records

Escrito com Bic Laranja às 20:56
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Caso de morfologia

Joana Dias, Revista «Tabu» (A.P. Santos 2010)

 A psicóloga Joana Dias dá esta semana uma altaneira entrevista à revista do Sol. A folhas tantas, sobre o convite para integrar uma lista do P.S. nas últimas eleições, perguntam-lhe assim:
 - Decidiu comunicar esse convite a Louçã porque achou que tinha o dever moral de o fazer...
Resposta:
 - Moral, não. Ético [...]
 Um caso de morfologia, portanto...

(Fotografia: António Pedro Santos, Tabu, nº 183, 5/2/2010.)

Escrito com Bic Laranja às 11:09
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Sábado, 6 de Março de 2010

O Rossio e a Rua Augusta

O Rossio e a Rua Augusta eram as propriedades mais valiosas, dantes, no jogo do Monopólio. Hoje não sei...

O Rossio e a Rua Augusta, Lisboa (H. Novais, c. 1950)
O Rossio e a Rua Augusta, Lisboa, c. 1950.
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da
F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 13:32
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010

Idiotia de Estado

 Li agora a notícia "Tráfico de influências no caso da A.N.F." e o que lá diz é uma rica pescadinha de rabo na boca: o Estado é caloteiro, pagando tarde e a más horas a comparticipação dos remédios às farmácias; a confraria dos boticários resolveu então passar a adiantar aos irmãos da confraria o pagamento dos calotes e lançou-se na agiotagem com uma usurazinha de 1,5%. Sem arcaboiço financeiro, porém (a agiotagem exige muita massa) a confraria dos boticários levou todavia o rendoso negócio por diante facilmente: o próprio banco do caloteiro, a C.G.D., financiou.
 É uma engenhosa elaboração (com algum compadrio) mas com uma refinada ironia: um caloteiro idiota é mansamente levado a pagar as dívidas, acabando (se bem que por interposta pessoa) redondamente credor de si mesmo.

Farmácia de Nossa Senhora das Dores, Ajuda (E. Portugal, s.d.)
Farmácia da Irmandade do Santíssimo Coração de Jesus e Caridade de Nossa Senhora das Dores, Ajuda, [s.d.].
Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 

(Revisto em 6/2/2010 às 10h20 da manhã.)

Escrito com Bic Laranja às 17:45
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Finalmente!

Hoje tornou a chover.

Lisboa (A. Cunha, 1973)
Lisboa, 1973.
Alfredo Cunha, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 15:07
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Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Notícia dum pano molhado nas ventas

 Este caso tem já oito dias. Trata-se dumas 'bengaladas' de se lhes tirar o chapéu dum deputado Nigel Farage ao novo presidente da U.E., o sr. Hermano de Rompuy, na primeira ida deste ao parlamento. Soube disto anteontem pelo confrade Funes que no-lo oferece de modo simples e directo.
 Como a nossa imprensa parece que pouco fez caso, fazendo jus ao que digo de a Europa não ser cá e, como o que o deputado Farage disse ao sr. Rompuy, apesar de abrupto (e também por isso, conceda-se) não é descabido, cá deixo ao leitor interessado a notícia do caso, com a necessária com tradução e com duas notas a propósito.
 Para começar que regime europeu é este que alça burocraticamente por presidente um baronete feito à pressa, que o entroniza a dado passo numa barraca de feira em Belém e, só quase três meses depois o manda apresentar-se ao respectivo parlamento? — Um parlamento eleito, refira-se. — Neste aspecto até a monarquia portuguesa era mais democrática, já que jurava em cortes o herdeiro do trono previamente à sua entronização.
 E depois que dizer do canal das Euronotícias que deu enfoque à grosseria e aos insultos, mas cirurgicamente emudeceu Farage sobre a redução da Grécia a um protectorado e sobre obliteração dos estados-nação europeus que o monolito que é a U.E. vai levando a cabo.
 

Nigel Farage dirigindo-se ao presidente da U.E., Hermano de Rompuy, P.E., 24/2/2010.

 


Notas:
No
IOL Diário leio agora a noticia que o deputado foi castigado a não receber ajudas de custo durante 10 dias de eurotrabalho (equivalente € 3.000,00). Eis onde põem os noticieiros o enfoque da interpelação de Nigel Farage.
(Verbete revisto em 4/3/2010 às 11h30 da noite.)

Escrito com Bic Laranja às 11:20
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Da escadaria do Técnico

A Alameda de Dom Afonso Henriques ainda no período de garantia, resplandecente...

Alameda Dom Afonso Henriques, Lisboa (H. Novais, c. 1950)
Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, c. 1950.
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da
F.C.G..

(A azémola ao canto é um elemento digno deste verbete: qualquer semelhança com o objecto do verbete anterior é coincidência fortuita.)

Escrito com Bic Laranja às 00:36
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Segunda-feira, 1 de Março de 2010

Transcrição dumas escutas

C.R.  – ... Para isso é que [é] um jogo de preparação, para que os jogadores possam 'tar relaxados; possam jogar ainda melhor. E bom, mas... É como digo, é... simplesmente um jogo – para ganhar, claro – para a equipa começar a ganhar confiança, para que no Mundial possamos 'tar bem.

T.S.F. - É um estilo de jogo semelhante àquele que a Coreia do Norte pratica - que será adversário na fase de grupos.

C.R. – Sim, o objectivo é que... É para estudarmos um pouco tamém contra a equipa que vamos jogar, contra a Coreia do Norte; é um pouco parcido o jogo, é tamém por isso que... vamos jogar contra a China. Espero que seja um bom jogo [que] Portugal possa ganhar.

[...]
C.R. – Aquilo que... foi feito; aquilo que 'tá a ser desempenhado é para ajudar. Não... não vou fazer nada de especial. É simplesmente um jogo. Não [é] porque vou jogar pela selecção que vou-me manifestar de maneira diferente. É simplesmente mais um jogo e que temos que ganhar e claro que toda a gente sabe aquilo que tá a ser desenvolvido para... par' ajudar as pessoas da Madeira.

Uma batata não diria melhor...
(Áudio e transcrições mais limadas na T.S.F.)

Escrito com Bic Laranja às 21:23
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As récitas de Marcelo

 O prof. Marcelo lá fechou ontem do seu programa de comentário. Acabou em directo do Funchal, para onde a R.T.P. - sempre em cima do acontecimento - tem enviado com as melhores galochas e gabardinas de marca a nata dos seus jornalistas e não humildes pés de microfone.
 É nalguma medida sintomático o fim d' As Escolhas de Marcelo ter sido no átrio do Teatro Municipal Baltazar Dias. À despedida encenou uma saída para a rua, mas o átrio dum teatro é antes de mais antecâmara de novas récitas. E a temporada que se avizinha parece de feição a uma récita de salvação nacional com épica saída de cena mesmo a tempo para uma apoteose ainda maior...
 O tempo dirá.


Teatro Baltazar Dias, Funchal (s.d.) 
Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal, [s.d.].
Bilhete Postal in
Carthalia.

Escrito com Bic Laranja às 09:30
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