Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

«Vício da droga» muda de nome

 O Instituto da Droga e Toxicodependência (I.D.T.) vai mudar de nome e adoptar a designação de S.I.C.A.D. – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos [?!!!] e Dependências.

Sol, 15/6/2011.


Aditivos e dependências.

Demência, ignorância, finis patria
Desisto.

Escrito com Bic Laranja às 21:28
Verbete | comentar | comentários (39)

Home' paje' do Sapo

Prezados srs.,

Sendo que vos noto tão pressurosos em abrasileirar o portal do Sapo, pergunto-vos se o vocábulo «homepage» é tupi ou se é simples gralha tipográfica nos regionalismos alentejanos home' e paje'.

Cumpts.

Do blogo Bic Laranja
(Enviado há 10 min.)


«Tapuias»,  Alberto Eckhout Krijgsdans

Dança dos Tapuias
Alberto Eckhout,  c. 1636-1644.
Óleo sobre tela, 168 x 294 cm, Museu Nacional da Dinamarca, Copenhaga.
(Via «Erro de Português», in Amadeu, Leandro e Claribel.)

 


Adenda:

Boa tarde[,]

Informamos que Homepage é designada como sendo Página Principal [ao contário, melhor dizendo], ou seja, é a página web principal ou de apresentação num sítio (site) da web. O site pode conter múltiplas páginas web, mas apenas uma será a homepage, ou home page.

Obrigado[,]
[Respondente identificado]
SAPO
(Sublinhados meus.) 


 Não deve ser alentejano, portanto.

 

Escrito com Bic Laranja às 17:48
Verbete | comentar | comentários (23)

Código 560, não é?...

made_in_china_.jpg

E dantes é que se podavam as mentes, pois...


Imagem do Último Nan Ban Jin.

Escrito com Bic Laranja às 08:58
Verbete | comentar | comentários (9)

Palhavã

 Lamenta-se (com razão) na Lisboa S.O.S. a demolição há poucos anos dum chalet do risco de Raul Lino. Era no quarteirão entre a Estrada de Benfica e o último troço da António Augusto de Aguar, à Palhavã. Salva a Clínica de S. Lucas e a casa gémea que se lhe encosta, a demolição nesse quarteirão foi de tudo o resto. Tudo. O resto... é zero. Nem o nome Palhavã restou. Apagaram-no até donde o haviam enterrado: da estação do Metro.  

Palhav%E3.JPG
Fotografia aérea do Bairro Azul e área adjacente (fragmento), Lisboa, 195…...
Mário de Oliveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 00:01
Verbete | comentar | comentários (10)
Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Do «naming» e do «branding»

 O sr. Paulo Araújo, que não é de cá, andava remotamente intrigado com o porquê da estação de metropolitano do Chiado se chamar agora Bluestation. Procurou a razão na Internete e achou:

«A insígnia constará de um conjunto de projecções decorativas desta estação, da responsabilidade da Dub Vídeo Connection, com grafismo assinado pela Partners. Nestas projecções poderão ser visualizados conteúdos organizados por categorias, integrados pela Mobbit Systems, como “News” (notícias de última hora), “To Do” (agenda lúdico-cultural da Baixa-Chiado PT Bluestation), “Useful” (informações como tempo e trânsito), “Fun” (informações sobre lazer), “Chiado” (informações sobre a zona do Chiado) e “Kids” (informações dirigidas para os mais novos).
« O naming e a exploração do branding serão continuados, materializando-se, numa fase posterior, a outras estações da rede do metropolitano.
»

 Mas — pergunta o sr. Paulo Araújo — porquê Bluestation?
 Não lhe sei responder.
 Apenas digo que se o «naming e a exploração do branding serão continuados», espero que os homeless achem useful pernoitar por lá e, já agora, que defequem no grafismo e urinem nas projecções decorativas. Bluestation será uma rica marca para o intenso perfume alfacinha expelido pelo Metro.

Bluestation (Genial Baba), Chiado (in Metropolitano de Lisboa)
(Imagem do Metropolitano de Lisboa.)

Escrito com Bic Laranja às 12:55
Verbete | comentar | comentários (26)
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

Contas do meu rosário



 Excepto a...
 Quantos sinais de trânsito com excepto a... haverá em Portugal? Uma vez disseram-me 100.000. Talvez 200.000. São estimativa, valem o que valem, mas para uma conta rápida servem.
 Imagine o benévolo leitor que mudar o excepto a... para brasileiro em todos os sinais de trânsito custa € 50,00 (€ 25,00 cada placa + € 25,00 a mão d' obra). Considere por agora só esta despesa e deixe outros custos... 
 Ora assim sendo, a conta simples a fazer é € 50,00 por sinal de trânsito, vezes 100.000 ou 200.000 sinais. Pois o resultado é cinco a dez milhões de euros. — Um a dois milhões de contos. — Só para os excepto a..., bem entendido. Sobram os novos letreiros da Direcção Geral dos Impostos, p.ex., postos há dois, três anos na fachada das repartições de finanças. Mais a restante ortografia que houver, a preços de mercado.
 Bem sei, é empreitada a diluir até 2016 segundo apregoa a atabalhoada regência do Acordo Ordtográfico; dá um a dois milhões por ano, uma gota no deficit, mas... sendo que abrasileirar o português era escusado — a escrita que temos serve bem, obrigado — um tostão que custasse seria sempre mais caro.

 

(A fotografia é de Manuel Campos Vilhena, do blogo H Gasolim Ultramarino, que espero me não me leve a mal usá-la nas contas do meu rosário. O verbete foi refundido às 10 da manhã de 13 de Setembro.)

Escrito com Bic Laranja às 23:05
Verbete | comentar | comentários (18)

O alavanqueiro

 Ouvi um na televisão a falar em desalavancar. O que é desalavancar? É quebrar uma alavanca dalgum mecanismo?
 Espera! O freguês também diz «alavancar». Cheira-me que mandou vir aquilo da América. Significa mover uma alavanca? Deve ser. Mas para dar impulso?... — Pois foi enganado. — Que homem mais ultrapassado, que se ainda serve de alavancas para dar impulso. Só a força que é precisa fazer!... Não sabe que ele agora a inovação não pára? Com a electrónica, o fly by wire, é tudo joysticks, touchpadsécrans tácteis, pelo que no mínimo produz-se implementaçãojamé se impulsiona. Ele devia era inovar e dizer buttonizar e desbuttonizar para tudo; para a economia, para a indústria, para as exportações, porque é tudo virtual também — pode actuar-se electronicamente. Agora alavancas!...

Estação de Campolide, Lisboa (M.Novais, s.d.)
Estação de Campolide
, Lisboa,[s.d.].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G..

Escrito com Bic Laranja às 21:59
Verbete | comentar | comentários (8)

De mosquetão e alabarda, sim. E bandeiras...

 Do pouco que conheço de Tomás Bueno, convenço-me que é inteligente, sagaz, e aprimorado na redacção do português. Tudo qualidades estimáveis e raras. Mas incomoda-se com o honrado patriotismo português a propósito do (des)acordo ortográfico, e ferra-o irreflectidamente de patrioteirice, como é hábito geral da esquerdalhada que polui, infrene, o devir.
 Escreve ele no livro das fuças:

 Pela internete afora, o que dá de português empunhando alabardas e mosquetões, desfraldando bandeiras de D. Dinis, escudos da Casa de Bragança, estandartes da Casa de Avis ou até brandindo escapulários com orações a D. Sebastião contra o Acordo Ortográfico não é brincadeira. Parece a T.F.P. [?]. Sou visceralmente contra essa palhaçada incompetente do A.O., mas patrioteirada me incomoda. No fim, os portugueses bons e decentes - que ainda são a grande maioria - vão acabar aderindo à reforma só pra não se misturarem com essa direitada patriota de pacotilha.

Bandeirantes

 A patrioteirice toca a todos; das bandeiras que tanto caipira agita desavergonhadamente para humilhação portuguesa, às mentirolas do Bichara por o disfarçar, ela anda aí. A cacografia bicharo-malakenha é produto de vaidadezinha particular de bandeirantes de má fé e um desserviço a todos. Mas nada disso invalida uma história de acordos não cumpridos pelo Brasil e agora esta reforma de pendor claramente abrasileirado. Depois de tratos quebrados sucessivamente, a cedência do justo à parte de mau trato é humilhação, há-de concordar. Pior quando uma humilhação assim é justificada com mentiras que ofendem a inteligência, inclusive por agentes portugueses. É uma humilhação a triplicar para um português honrado, há-de o meu amigo convir (abrasileiramento do português quando foi o Brasil que rompeu os tratos; justificações a fazer-nos passar por estúpidos; e traição descarada).
 O problema essencial da cacografia bicharo-malakenha é a porcaria que ela é, todos sabemos; e argumentos sérios contra não faltam, graças a Deus. Mas há um ditado que diz que «quem se não sente, não é filho de boa gente». E como não estamos a lidar com gente séria nem de boa razão, natural é que saiamos de mosquetão e alabarda.


(Imagem n' O mar do Poeta.)

Escrito com Bic Laranja às 12:59
Verbete | comentar | comentários (12)

Lisboa, c. 1908

 Cliché de Alberto Carlos Lima. À atenção do benévolo leitor...

Lisboa (A.C.Lima, c. 1908)

Escrito com Bic Laranja às 00:15
Verbete | comentar | comentários (12)
Domingo, 11 de Setembro de 2011

Feirão mediático (aquém do)

Nova Iorque, 1987 (in Sting, 'Englishman in New York, (c) A&M rcords)

 

Imagem: in Sting, Englishman in New York, (c) 1987 A&M Records.

Escrito com Bic Laranja às 00:01
Verbete | comentar
Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

Nuno Pacheco, director-adjunto do «Público»

Nuno Pacheco, jornalista Nuno Pacheco subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990. Um acto muito digno e meritório que saúdo e agradeço penhoradamente (não desfazendo de todos quantos já assinaram).
 Não se perdia nada uma campanha declarada do «Público» a favor desta Iniciativa Legislativa de Cidadãos. O novo governo só dá mostra de fraqueza e inércia, e o «Público», como todo o jornal de referência, tem um dever de responsabilidade na comunidade que, já vimos, não enjeita. O que se vê por todo o lado é gente contra esta mosntruosidade linguística e, paradoxalmente, instituições resvalando para a demência acordita. Se os portugueses são tão geralmente contra o execrável (des)acordo (como bem se vê que são), como aceitar que p. ex. a R.T.P. (sustentada com dinheiro dos impostos) prossiga tão militante nesta afronta? Que sociedade será esta, em que as instituições se compõem por indivíduos que reflectem e pensam duma maneira e, ao depois, institucionalmente, o que se apresenta à comunidade é o exacto oposto do que os comuns pensam? Por certo são os donos do poder (os lordes) que se sobrepõem à vontade das pessoas em geral. Mormente usando as instituições públicas nacionais, o que será, em toda a linha, ilegítimo e imoral. Por conseguinte não fica mal nem será descabido o «Público» abraçar aqui a causa dum tão grande número de pessoas na nossa comunidade (e leia-se comunidade de língua portuguesa, onde Angola e Moçambique têm sensatamente vindo a evitar tão inútil quão dispendioso disparate). É uma causa pelo bem comum. Ora já vimos que a única forma que resta a nós portugueses para forçar os autistas órgãos de soberania nacionais a ouvirem a nossa vontade é propondo no Parlamento uma lei contra o estúpido Acordo Ortográfico pela via duma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, prevista na lei
 Apelo ao «Público» para que nos ajude na recolha de assinaturas.

Escrito com Bic Laranja às 17:10
Verbete | comentar | comentários (10)
Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

Do bem cavalgar todo o asno

«He de saber que o boo cavalgador deve concordar seu assessego [=à vontade no cavalgar], segundo ja disse, com a obra que a besta faz [...]» (*)



Evanildo Bichara: Acordo por dentro e por fora

 Uma cavalgadura de nomeada que dá pelo nome de Bichara ou algo parecido desembestou-se com mais umas milongas na defesa de... — Do que havia de ser, senão o covarde e estúpido abrasileiramento da grafia do português com que vermes intestinais e aleivosas criaturas que esvoaçam em torno da luz procuram amesquinhar o que resta de Portugal?
 No Dia OnlineO Acordo por dentro e por fora», 3/9/2011) escreve o parlapatão, curando dourar a lama:

« [...] Em poucas palavras, se pode dizer que o Acordo de 1990 participa de muitas das qualidades atribuídas à reforma de 1911, que alimenta as Bases do sistema de 1940 que, por sua vez, derrama seus bons frutos em nosso tão apedrejado Acordo de 1990. Quem se detiver a, pacientemente, comparar lição por lição as Bases de 1940 com as Bases de 1990 vai poder acompanhar, quase passo a passo, a mesma redacção, surpreender os mesmos exemplos...»

 Os mesmos exemplos... Com tão indigente decalque está justificado o descabido exemplo de «aflição» na Base IV do Acordo de 90, a tal que manda às urtigas as «consoantes mudas» porque os moucos acorditas as não conseguem ouvir; como se em 1990 ainda alguém escrevesse «afflicção» em português de 1911 e precisasse de ser acordado!...
 Mais adiante estriba-se na pronúncia (ou será purnúnsia) para sustentar a nova escrita unificado-facultativa:

« [...] o Acordo Ortográfico aconselhou não continuar com a dupla "Egito" e "Egipto", porque, grafias assim de uma mesma realidade da língua, já que ambas formas têm uma só realidade linguística, as pronunciamos da mesma forma [...] Mas, diante de facultatividades e realidades linguísticas diferentes, como "António" e "Antônio", "bebé" e "bebê", "acessível" e "accessível" [sic], entre tantas outras, não poderia fugir às duplas pronúncias [...] »

 E assim, para não darem as azémolas luso-fônas com os burrinhos na água por não saberem português vamos [haveríamos de] ter de encafuar no ridículo Egito toda a Egiptologia, seja obra de egiptólogos egípcios ou não, sem esquecer a Egipcíaca Santa Maria?!... Tarefa por demais inglória porquanto do Antônio do assentamento de Maria Preta, ao Zé António da Aldeia dos Trinta, não há-de haver palavra que em português não tenha duplas, triplas, óctuplas, ou mesmo mais pronúncias. A menos que sejem purividas algũas d'eilhas, como deveria ser aquele bicharesco e bárbaro «accessível», a coisa não se faz por menos.
 Este Bichara é uma cavalgadura, um mentiroso que já desmascarei aqui. Cabotino, não só ignora boçalmente a realidade do português fora do Brasil (erro que o manhoso Houaiss não cometia), como anseia em desepero de argumentos encarrapitar o trôpego acordo de 90 pela colagem à sempre enaltecida reforma de 1911.
 — Pois saiba, SUA CAVALGADURA, que nem a reforma ortográfica de 1911 foi a maravilha que se para aí diz (foi mero acto de afirmação de regime), nem nunca nela se propunha a supressão a esmo e a eito das consoantes etimológicas. Lesse vossemecê a lição de Gonçalves Viana, que foi seu relator, e saberia.
 — Instrua-se, sua besta! Aprenda! 

Consoantes mudas?!..
Gonçalves Viana, Ortografia Nacional, Livraria da Viúva Tavares Cardoso, Lisboa, 1904, p. 73.

 

 (E ainda se arroga o asno propor melhorias para as ortografias inglesa, francesa, espanhola, italiana e alemã.)
 


(*) Livro da Ensinança de bem Cavalgar Toda Sela, p. 49.
(Revisto às vinte para as onze.)

Escrito com Bic Laranja às 00:01
Verbete | comentar | comentários (24)
Domingo, 4 de Setembro de 2011

Rua do Garrido

 Bairro operário que Joaquim de Jesus Gonzalez Garrido (1874-1937) construiu na quinta do Bacalhau por concessão da câmara municipal em escritura lavrada em 14/10/1911. O prolongamento da Alameda de Dom Afonso Henriques da Rua Carvalho Araújo ao Alto do Pina, no início dos anos 40, levou à expropriação e demolição destas casas (n.ºs 1, 21 e 30 a 32 da Rua do Garrido). Receberam Maria de Lourdes Gonzalez Rey e marido, filha e genro de Joaquim Garrido, uma indemnização de 292 500$00 pela expropriação. A quitação do pagamento foi dada em escritura de 27/7/1942 por Joaquim Carlos Gonzalez Rey, irmão da Sr.ª D.ª Maria de Lourdes, na qualidade de seu procurador e do marido. O nome de Joaquim de Jesus Gonzalez Garrido perpetua-se no troço da rua de seu nome que não foi demolido, mas que também não foi edificado por si.

Rua do Garrido, Alto do Pina (E.Portugal, 1939)
Rua do Garrido (tomada da Calçada da Ladeira), Alto do Pina, Junho de 1939.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 15:05
Verbete | comentar | comentários (5)

Pátio das Águias

« O Pátio das Águias ficava mesmo em frente ao cimo da Alameda D. Afonso Henriques. Havia um chafariz ao lado da entrada. A familia mais conhecida do Pátio das Águias era a dos jornaleiros. Não me lembro dos nomes dos pais (talvez o "Foge ao Vento") mas conheci os irmãos todos: o Manecas, o Adelino (o Lina dos juniores do Benfica) o Cabena, o Príncipe (que teve um café na Rua Capitão Roby) e o Totina (meu afilhado de casamento). Outra família conhecida eram os Chitas. Gente famosa como o Calé e o Mário Reis, excelentes jogadores de futebol. O Pesca (o Cruz do Benfica campeão europeu) também parava no Pátio das Águias, mas salvo erro morava na Rua do Garrido. A sede do Águias do Alto do Pina era na taberna, no prédio da Rua Barão de Sabrosa de gaveto com a Alameda. O Ricardo Ferraz, treinador de boxe do Sporting também era do Pátio das Águias, assim como os irmãos Paz que jogaram no Belenenses.»

Adriano Rui Ribeiro (2/9/2011), em resposta a Attenti Al Gatti (1/9/2011) na Quinta das Olaias.

Rua Barão de Sabrosa, Alto do Pina (A.J.Fernandes, 1964)
Rua Barão de Sabrosa, Lisboa, 1964.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 Há-de ter sido o dito pátio das Águias nestas casas do tipo de vila operária ou, nas que lhe ficavam traseiras, com entrada pela Calçada da Ladeira diante da embocadura da primitiva Rua do Garrido? No «Projecto de Prolongamento da Alameda D. Afonso Henriques entre as Ruas Carvalho Araújo e Barão de Sabrosa», uma planta geral mostra o casario deste lugar disposto em torno dum tanque ou chafariz (o tal chafariz ao lado da entrada sr. Adriano Rui?). O nome «Pátio das Águias» não vem assinalado nas plantas, nem referências expressas a si achei na documentação que consultei. Lembro-me, porém, dalgures aí haver uma Quinta das Águias...

Prolongamento da Alameda (fragmento), Lisboa (J.P. Oliveira, 1937)
Projecto de prolongamento da Alameda D. Afonso Henriques entre as ruas Carvalho Araújo e Barão de Sabrosa, 1937, mapa 12.
João Paulo Oliveira et al., C.M.L./A.A.C, CMLSB/UROB-PU/10/012.

 Rua Barão de Sabrosa é designação moderna dada à azinhaga do Alto do Pina por deliberação da câmara municipal em 25/11/1892; em tempos mais rurais foi esta serventia chamada simplesmente azinhaga do Pina (cf. Filipe Folque, Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, C.M.L., 1856-58, mapa 7). Estendiam-se estas casas que davam aqui frente para a Rua Barão de Sabrosa além do prédio moderno que se lá vê (actual n.º 157). O varandim ao cimo das escadas que dão serventia às casas é (foi) marca viva da cota da velha azinhaga do Alto do Pina; o alinhamento e o alargamento da rua primitiva deu o desnível; há por certo outros casos pela cidade. Tal como pátios ou vilas operárias as há ainda hoje ao longo desta serventia, a saber: a vila Musgueira, no n.º 65, a vila Alegre, no n.º 101-A, e a vila Marques, no 110-112.

Rua Barão de Sabrosa no entroncamento da Calçada da Ladeira, Alto do Pina (A.J.Fernandes, 1964)
Rua Barão de Sabrosa, Lisboa, 1964.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 13:00
Verbete | comentar | comentários (12)
Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Quinta dos Merceeiros

 Ou da Cerca. Ou do Saraiva. Isto é, quinta de Manuel Joaquim Saraiva, entre a Av. Almirante Reis (ou só desde a Heroes de Quionga?) e a Azinhaga (depois Calçada) do Poço dos Mouros. A casa da quinta suponho que fosse uma que ainda existe por trás do n.º 44 da Rua dos Heroes de Quionga (antiga Travessa do Caracol da Penha) e cuja morada cuido que seja hoje uma Via de Manuel Bernardes, 10. -- Ou talvez não... Se a via é do Manuel Bernardes, não há-de ser do Manuel Saraiva... -- A casa está de pé mas abandonada. Vê-se da Penha e, mais de perto, dum cotovelo do antigo Caracol da Penha (Rua Marques da Silva).
 Há notícia antiga de se ter construído em 1909 um pátio e uma rua particular ligando a Estrada do Poço dos Mouros à Travessa do Caracol da Penha (Heróis de Quionga), além da respectiva embora provisória ligação de esgôtos à Rua Conselheiro Moraes Soares; tudo nos terrenos de Manuel Joaquim Saraiva, e com cedência de terreno na dita travessa do Caracol da Penha também por um certo Pio Barral, talvez dono dalguma desanexação da quinta do Saraiva; quem sabe se do talhão de baixo, entre a actual Almirante Reis e a Heroes de Quionga -- mera conjectura. -- Os arruamentos rasgados (onde se contava a rua que veio a ser a de Sebastião Saraiva Lima) foram entregues à Câmara por um Joaquim Rodrigues Gadanho, não sei se proprietário, se empreiteiro; com certeza dono da obra mas, precisava de ver o há no arquivo (C.M.L., A.A.C., CMLSB/UROB-PU/09/00337).
 No Pátio do Saraiva, à Rua Sebastião Saraiva Lima, preserva-se hoje o nome da velha quinta: Saraiva. Por roda de 1908 via-se a quinta distintamente da rua... Conselheiro Moraes Soares; talvez onde fica hoje a C.G.D..


BAR_000179.jpg
Penha de França tomada da Rua Conselheiro Moraes Soares, Lisboa, c.1908.
José Artur Leitão Bárcia, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 

Nota: este verbete devia-o faz bom tempo ao prezado leitor Mário Cruz.
(Revisto em 8/8/15.) 

Escrito com Bic Laranja às 12:30
Verbete | comentar | comentários (4)

Junho 2020

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Visitante


Contador

Selo de garantia

pesquisar

Ligações

Adamastor (O)
Apartado 53
Arquivo Digital 7cv
Bic Cristal
Blog[o] de Cheiros
Carmo e a Trindade (O)
Chove
Cidade Surpreendente (A)
Corta-Fitas(pub)
Delito de Opinião
Dragoscópio
Eléctricos
Espectador Portuguez (O)
Estado Sentido
Eternas Saudades do Futuro
Fadocravo
Firefox contra o Acordo Ortográfico
H Gasolim Ultramarino
Ilustração Portuguesa
Lisboa
Lisboa de Antigamente
Lisboa Desaparecida
Menina Marota
Mercado de Bem-Fica
Meu Bazar de Ideias
Paixão por Lisboa
Pena e Espada(pub)
Perspectivas(pub)
Pombalinho
Porta da Loja
Porto e não só (Do)
Portugal em Postais Antigos(pub)
Retalhos de Bem-Fica
Restos de Colecção
Rio das Maçãs(pub)
Ruas de Lisboa com Alguma História
Ruinarte(pub)
Santa Nostalgia
Terra das Vacas (Na)
Tradicionalista (O)
Ultramar

arquivo

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

____