Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

Naturais?

Os daqueloutra...

Naturais, Gerês (c) 2011
Naturais?, Estr. de Lamas a Junceda, 2011.

Escrito com Bic Laranja às 00:02
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2 + 0 + 5 + 3 = ...

2 + 0 + 5 + 3 = ...
E.N. 205-3, km 10 (R. Visconde de Semelhe), Amares, 2011.

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Do serviço da república

S.Serviço da RepúblicaR.

 

 Há dias comentei que o facinoroso Acordo Ortográfico de 1990 haveria de dar em dupla (orto?)grafia, não entre Portugal e Brasil como tem sido (por quebra sucessiva dos tratados pelo Brasil), mas agora única e somente em Portugal. Da mão do governo chega-nos a imagem completa e acabada (forma e conteúdo) do estupor em que Portugal caiu.

 

« A minha leitura do O.E. 2012 leva-me a apelar ao seu definitivo e claro CHUMBO por parte dos deputados à Assembleia da República. A aprovação deste O.E. 2012 será efectivamente um ponto de viragem: constituirá a descredibilização completa e categórica quer da Língua Portuguesa, quer, em última análise, da própria capacidade de expressão escrita do Estado português [...] Para não maçar os leitores, vou dar apenas dez exemplos, aleatórios tal como o próprio Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990:

EXEMPLO 1
 caráter acomodatício – Página 9
 carácter universal e extraordinário – Página 30

EXEMPLO 2
 setor bancário a nível europeu – Página 107
 sector dos transportes ferroviários – Página 85

EXEMPLO 3
 (excepto receita de privatizações) – Página 99
 Títulos exceto ações – Página 96
 Acções e outras participações – Página 157

EXEMPLO 4
 Aquisição líquida de activos financeiros – Página 99
 ativos e passivos financeiros – Página 157

EXEMPLO 5
 pela interacção dos seguintes factores – Página 76
 da interação dos seguintes fatores desfavoráveis – Página 70

EXEMPLO 6
 DESPESA EFECTIVA – Página 69
 despesa efetiva – Página 69
 Permita-se-me um aparte: na mesma página… Curioso… 

EXEMPLO 7
 Habitação e serviços colectivos – Página 79
 Habitação e serviços coletivos – Página 189

EXEMPLO 8
 Protecção do meio ambiente e conservação da natureza – Página 189
 proteção do meio ambiente e conservação da natureza – Página 189
 Permita-se-me outro aparte: na mesma página… Curioso…

EXEMPLO 9
 os contratos efetivamente celebrados – Página 134
 começará a ser efectivamente paga nesse ano – Página 75

EXEMPLO 10
 duas ópticas de contabilização – Página 53
 numa ótica de contabilidade nacional – Página 53
 Permita-se-me um terceiro aparte. Não, não vou repetir. Já escrevi o aparte duas vezes. Acho que já se percebeu...

 

 Se fosse deputado à Assembleia da República, votaria contra este O.E. 2012, considerando a sua medíocre redacção. 
 Se fosse funcionário público, recusar-me ia a adoptar uma ortografia imposta por um Estado que não sabe escrever.
 Um Estado que não sabe escrever não pode impor uma ortografia aos seus cidadãos.
 Este O.E. 2012 é a antecâmara do Desastre.
 Um Estado que não sabe escrever não deve “colocar a Língua Portuguesa no centro da agenda política”. Deve, isso sim, aprendê-la.
 Não cumprir o disposto na Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 é a única resposta que se deve dar a um Estado que não sabe escrever.
 Haja vergonha.
 Não havendo vergonha, haja decência! »

Francisco Miguel Valada, Bruxelas, 17/10/2011.

Escrito com Bic Laranja às 14:37
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Excepto a residentes

...  ou naturais.

Excepto a residentes ou naturais, Gerês, 2011
Excepto a residentes ou naturais, Estr. de Lamas a Junceda, 2011.

Escrito com Bic Laranja às 20:01
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Domingo, 16 de Outubro de 2011

Fermentelos

Pateira de Fermentelos - (c) 2011
Pateira de Fermentelos - (c) 2011

Escrito com Bic Laranja às 21:48
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A respeito de soletrar e da facinorosa ortografia das costureiras

« A respeito de soletrar, a morgada recebia cartas de um amanuense da camara de Barcellos; mas só abriu sete que ajuntára quando uma costureira lh'as leu. Felizarda creara-se sem lettras, e vivia, a respeito de litteratura, como as raparigas gregas antes de Cadmo, filho de Agenor, introduzir na Grecia o alphabeto phenicio; mas, em compensação, tinha muita flôr nativa e fresca [...]
 A costureira interpretou a, e respondeu, vestindo a ideia de Felizarda, com palavras innocentes, mas facinorosas em orthographia. O amanuense amava-a deveras: leu a carta, em que era chamado Bem da menina com V

Camillo Castello Branco, «A Morgada de Romariz», in Novellas do Minho, 2ª ed., Parceria A.M. Pereira, Lisboa, 1903, p. 234 passim.

 Passei por Varcelos nestes dias e bi que o amanuense da cámara deu em conselheiro Acácio e cunberteu-se, afinal, à facinorosa urtugrafia da custureira — saveis do que falo... — Má sorte é ber-lh' a redacçom pela prunúncia na Exposiçom da Casa de Vragança na cámara municipal. Seria de o primeiro duque bir da linhagem pleveia do Varvadão ou cuidaria que uma escrita assim tinha, em compensaçom, muita flor nativa e fresca, como calhava à iletrada morgada de Romariz...? — Mas que maçada!


Barcellos. Portugal  -  (c) 2011

Escrito com Bic Laranja às 13:25
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Sábado, 15 de Outubro de 2011

Um marco

 Um marco que a meu ver marca bem o tempo presente mas que não perpetuará a sua mensagem em futuro nenhum. Era da indústria milenar que os marcos viários fossem de boa pedra afeiçoada e gravados para a posteridade por laboriosos lapicidas. A indústria moderna afina mais pela inovação que pelo saber ancestral; prefere o cimento e a lambuzadela tipo grafitti à pedra gravada. Por uma questão de custo - ou custos, no plural, como parece moda agora dizer-se, talvez por disfarçar comissões de inúmeros intermediários, não sei... - O preço (que é o que se sempre paga, mas não sabe ser calculado por decisores alpacas - seria irracional esperá-lo) será o esbarrondar do marco às três pancadas e o erodirem-se-lhe os dizeres em poucochinhas estações do ano. E o esboroar-se no século, caso se livre de ser alvejado por automóveis.  A indústria (arte e engenho de fazer algo) já não se quere milenar; quere-se empreendedorismo... De feito, só empreendendo algo mais viremos nós, no terreno, a saber o que diz (ou havia de dizer) este marco em Braga. A menos que o Bom Jesus no-lo revele. Haja fé!


E.N. 103-3 (Braga - Bom Jesus), km 0 - (c) 2011.

Adenda imaginada:

E.N. 103-3, km 0 (marco hipotético)
(E.N. 103-3, marco hipotético.)

Escrito com Bic Laranja às 19:29
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A José Pedro Rodrigues

 Caro senhor,
 Obrigado pelo apreço. Vamos a ver se lhe sei responder: 1) a Calçada do Jogo da Péla, veja-a no prolongamento da Calçada Nova do Colégio desde a Rua do Arco da Graça ao actual largo Martim Moniz (v. Google e o que deixei publicado no «Novo postigo da Rua da Palma e a Torre da Péla»); 2) as escadas do Arco da Graça são (eram) na travessa desse nome cujas só o cimo, ao chegar à Rua do Arco da Graça, me parece que existe (v. Google outra vez). Vinham da Rua da Palma.
 A Rua do Martim Moniz (antiga de S. Vicente à Guia) atravessava a Mouraria de Este a Oeste (e vice-versa) ligando o Largo da Saúde (ao fundo das Escadinhas da Saúde) à de suso dita Calçada do Jogo da Péla; cruzava a Rua da Palma e, após esta, dela partiam do lado do Norte as ruas das Atafonas e do Socorro (cf. «Canos da Mouraria») que levavam ao Largo do Socorro e à igreja paroquial (onde começava e ainda começa a Rua de São Lázaro).
 A fotografia da pág. 31 que refere e que julgo ser a que aqui mostro, mostra o que lhe descrevo e que vai em acordo com com a legenda. A outra que diz, que dá as escadas do «Arco da Graça» em fundo, não dá nada. Mostra as mesmas escadas que vemos nesta. O arquivista enganou-se; tomou escadas do Jogo da Péla pelas do Arco da Graça cuidando talvez que seriam a mesma coisa. Não eram.

 

Rua de Martim Moniz, Mouraria (J. Benoliel, post 1946)
Rua de Martim Moniz vista das escadinhas da saúde,
Mouraria, post 1946.

Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
 

 O topónimo da Rua de Martim Moniz alastrou no falar alfacinha pelos pavilhões de lojas até que se pespegou ao vazio que as demolições da Mouraria pariram. Foi tão oficial e diligentemente adoptado que se propagou ao subsolo, à estação do Metropolitano antiga do Socorro. Cuido que a fusão de freguesias em curso condenará ao lugar e freguesia do Socorro uma ainda mais vaga reminiscência da memória alfacinha.
 Cumprimentos.

Escrito com Bic Laranja às 14:14
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Postal de Montemor-o-Velho

Castelo, Montemor-o-Velho - © 2011

Montemor-o-Velho (Castelo) - © 2011

Escrito com Bic Laranja às 12:59
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

Mont. o Velho 3

Mont. o Velho 3 (E.N. 111, Km 20)
E.N. 111, km 20, Montemor-o-Velho (prox.) – © 2011.

Escrito com Bic Laranja às 15:25
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prɔsɛniu

 Não vou falar do 13º mês. Isso, a par do subsídio de férias, não são já contas do meu rosário dês (*) que o patrão os encomendou ao governo do sr. Sócrates em escambo duma qualquer redução de ordenados. Por isto, este primeiro ministro de ontem à noute não cuide ser má vontade, mas se me quere o 13º mês outra vez, trate por favor de ver com o patrão se este lhe quere dar o que antes prometeu ao sr. Sócrates. Eu, à partida, é que o já não tinha para dar.
 Adiante, pois.
 Colou-se-me no Kindle do iPad um dicionário de português da Priberam, gratuito, mas na versão brasileira. Há, porém, uma versão que dizem portuguesa (na verdade é brasileiro acordita) à venda por 13 dólares e tal. É natural que o refugo sempre seja oferecido, embora deixe mal visto por falta de maneiras quem no oferece. Mas agora que, sobre isso, a Priberam tenha o descaro de vender com rótulo de «português» (de cânone), o mesmo refugo que oferece ao desbarato com o justíssimo rótulo de «versão brasileira», nem sei que diga. Veja o benévolo leitor se é sério esbulharem-no em 13 dólares e tal só para (talvez) ter o «proscénio» na ribalta e o «proscênio» logo ali numa extensão no palco. Justificam-se 13 dólares e tal norte-americanos para ter duas vezes a mesmas e exactas definições de inúmeros «proscénios» num dicionário? Que necessidade há (**) de se inscrever a pronúncia brasileira num dicionário que não é prosódico e que nem sequer explicita a recta pronúncia portuguesa? — Em «proscénio» o acento agudo é tónico, não fónico, coisa que os dicionaristas da Priberam nunca devem ter aprendido da base XIX da ortografia de 1945. (Nem os acorditas, mas destes é escusado...)

Proscénio, (Priberam brasileiro)

 Outra pergunta é se o benévolo leitor me sabe dizer como descravo este dicionário de refugo da aplicação Kindle do iPad?

 


(*) O m. q. desde (do lat. de + ex + de); o dic. Priberam dá-o como arcaísmo mas mantém-se corrente no uso popular.
(**) Os acorditas apressaram-se a tirar o hífen da conjugação das 1.ª, 2.ª e 3.ªs pessoas do presente do indicativo do verbo haver (hei-de, hás-de, há-de). Sucede que aí, com sujeito definido, é a pronúncia da proposição de como enclítica que o justifica (ao hífen). E é essa mesma razão (ou a ausência dela por o sujeito ser indefinido) que justifica esta construção que necessidade há de se... sem hífen. Tão gramáticos que os acorditas são, não é verdade?

Escrito com Bic Laranja às 12:24
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Novas (e velhas) de Lanhoso

 Reza a História (ou a lenda) que o alcaide de Lanhoso, certa vez que andava na guerra, soube que sua mulher se quedava assaz penitente a confessar-se com um frade de St.ª Maria do Bouro. Tanto pecado ela tinha que o frade a «confessava» havia já sete dias e sete noites. Em no sabendo, o alcaide deixou a guerra de tal maneira ferido na honra que, por se desagravar, tocou fogo ao castelo com a mulher e o frade lá dentro, e com todos os que lá havia; há quem diga que as bestas nem o cão se salvaram e como alguém lhe perguntasse: - «Mas até o cão?!...» - «Não interessa» - parece que respondeu. - «Todos lá estavam. Foram todos cúmplices na traição.»
 Andaria o fantasma do alcaide hoje ainda cego de raiva a tocar fogo àquelas serranias de redor do castelo?

Incêndio, Póvoa de Lanhoso, 13/X/2011.
Incêndio, Lanhoso, 13/X/11.

Escrito com Bic Laranja às 23:59
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Castelo de Almourol

(Verbete que havia de ser de ontem.)

Castelo de Almourol, Tancos (H. Novais, post 1957)
Castelo de Almourol, Vila Nova da Barquinha, post 1957.
Estúdio de Horácio de Novais, 1930-1980.

Escrito com Bic Laranja às 23:47
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Av. da República, 37; notas soltas (obra 25.717)

Av. Miguel Bombarda, Lisboa (A.J. Fernandes, 1961)
Av. da República, 37 tomado da Av. Miguel Bombarda, Lisboa, 1961.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


 Dos índices da obra nº 25.717 no arquivo da Câmara.
 O edifício pode ter sido iniciado em 1917 ou perto; há notícia nesse ano da construção de alicerces e dum certo António Castanheira de Moura ter pedida licença para fazer um barracão. Em 1917 uma «empreza panificadora» requere construção duma padaria. Em 1919 uma Soc. de Padarias pede para ampliar a construção. 
 A notícia de vistoria e a atribução do nº de polícia indiciam a conclusão do prédio; foi dado como pronto a habitar em 1924... Um dono parece ter sido um sr. Alberto Graça (já não a «empreza panificadora», portanto) até, talvez, ao fim dos anos 40. Consta em processos de obra de ampliação (1920), alterações (1922-23), indicação de nº de polícia e vistoria (1924), limpeza e reparações (1929 e 36), limpeza geral e pinturas (1942), reparação (1944) e colocação de andaimes e beneficiação geral (1945).
 Uma Soc. Americana, Lda. é referida como requerente de «junção de elementos» (lojas?), nos anos de 39 e 44 (23906/DSC/PG/1939, 31836/DAG/PG/1944).
 O café «A Cubana», onde os anais do Surrealismo em Portugal dizem que Alexandre O'Neill conheceu Mário Cesariny, era neste prédio. O encontro foi em 1944 (cf. Mª de Fátima A. C. M. Saraiva, O Surrealismo em Portugal e a obra de Mário Cesariny de Vasconcelos, Porto, 1986, p. 20). Seria a Soc. Americana a designação comercial d' «A Cubana»?
 Julgo que o dr. Francisco José Calheiros Lopes (de Benavente?) adquiriu depois disto o prédio. Há processos que o referem nos anos de 63 (beneficiação geral), 64 (pedido de instalação de elevador e obras de reparação), 65 (limpeza geral e obras de conservação), 66 e 67 (mais obras de conservação).
 O Banco Lisboa & Açores mutilou a fachada no fim dos anos 50, ou nos anos 60 (61?). — Alvores duma prática assassina que descaracteriza inúmeros edifícios doutras eras pela a cidade inteira e ninguém liga...
 Depois de tanta obra, não descurando um pedido de instalação dum elevador, a Câmara manda em 1969 (um ano após o passamento do dr. Francisco José Calheiros Lopes) o fotógrafo Artur Goulart documentar o prédio e arquiva a fotografia com um título sugestivo: «Prédio para demolir».
 O prédio tem resistido. Há intimações e processos por obras clandestinas em 1962, 64, 65, 77, 78, 80 e 86. Daí para cá...
 A florista (resiste ainda lá hoje) pediu parecer sobre o estabelecimento em 1981 (19894/DAG/PG/1981). Um eng.º Alberto Briosa e Gala figura em procº de obra (18830/DAG/PG/1967) como requerente de baixa de responsabilidade da obra. Um certo João Pedro Homem de Melo (?) figura em processo de obra; idem. — Só «lambendo» papel no arquivo se saberá mais. — Em 2004/05, uma Crunch (dentada?!) — sociedade de gestão de património imobiliário requer vistoria de propriedade horizontal.
 O prédio está devoluto do r/c para cima e tem uns ricos logradouros...

Escrito com Bic Laranja às 20:39
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Domingo, 2 de Outubro de 2011

Maria Oliveira em 1 de Outubro de 2011 às 23:54

« Se ela me escutasse, a Maria, gostaria de lhe dizer, do meio da pouca sanidade mental que me resta, que pensamos da mesma forma. Infelizmente, estou do outro lado, pois sou professora. Choro por dentro, quando me lembro da obrigação de "ensinar" aquele monstro, o "aborto ortográfico" aos meus alunos... Todos os dias procuro alguma forma, por rebuscada que seja, de fugir a isto. Expor, dar-lhes conhecimento sem ensinar, de facto? É uma infâmia ter sido sempre perfeccionista e ter alunos do 7º que perguntam (porque ainda não uso o "aborto ortográfico" e só "exporei" nos tempos que aí vêm). — "Professora, não tem ali um c a mais?"
   A boca sabe a sangue!... É como se estivesse rodeada de fogo, de tal forma abomino o "aborto ortográfico"! À minha volta, havia energúmenos que queriam empurrar aquele lixo logo na 1ª semana, mas eu opus-me. Tenho sido crucificada e, sempre que toco no assunto entre colegas, passo a ter lepra e fico a falar sozinha, de tal forma TODOS têm um medo que nunca vi antes. Odeio este país, odeio esta bandeira, odeio este povo. Gostava, isso sim, da Língua-mãe. [Gostava] Era estar em casa. Lembro-me daqueles que, por terem tido A.V.C. ou doença degenerativa, já não sabem onde moram. Eu já não sei a que chame Pátria... Eu JÁ NÃO SEI ESCREVER... EU! Não sei que língua é aquela. Não compro livros editados após 2009, não os leio, nem compro jornais, nem vejo a R.T.P., nem leio os textos de que gostava na net... Não há palavras para descrever a minha angústia. É tão patológica a minha aversão como o é em tudo o que faz esta gente poucochinha, execrável, que merece todo o mal que lhe aconteça doravante. Um povo que deixa que lhe saquem o património é amorfo! Párias! Cambada de inúteis! Gado! Este povo é como gado. Fui crucificada, prejudicada pessoal e profissionalmente de forma indelével por dizer sempre o que penso e pensar sempre por mim. É ver-me falar, mesmo que com um sorriso nos lábios e ver os "bufos" e os SS a baixar o olhar, para irem logo a correr contar no Conselho Executivo o "escândalo" que é alguém ainda PENSAR no ensino português e OUSAR fazer perguntas ou fazer sugestões nas reuniõezinhas! É tudo para encher papel. Deus sabe a cruz que trago comigo. O ensino desespera-me, desgosta quem quer que tenha carácter, quem quer que não seja conivente. O que lhes interessa são as grelhazinhas, as "evidências", a organização de eventos em que são peritos, fazer umas flores, aparecer, despejar as matérias, ignorando o sofrimento que isto também causa aos alunos, interessa é rumar ao "excelente", ir ao gabinete das chefias engraxar, tratar os alunos como se fossem de vidro e colar-lhes à pele muitas mentiras diárias. OS ALUNOS SOFREM com isto, e muito! Quando leio comentários de gente que acusa os anti-acordistas de não aceitarem a mudança, costumo sonhar que tenho aqueles "modernistas" à minha mercê: arrancava-lhes os dentes à chapada, a essa corja infecta que nem merece o chão que pisa! Ala, vão p'rò Brasil! Viver neste país enlouquece. Devagar, muito paulatinamente por vezes e de forma descarada noutras, os pulhas que sentam a parte do corpo com que pensam na Assembleia destruíram tudo. O país "jaz morto e arrefece" e esses Filhos duma Grande Mãe ainda batem em quem já está no chão. Isto não é um país, é uma cloaca! Todos os dias tento não me afundar, mas a vaidade desta gentinha nula, o vazio das conversas, a inveja, a cega meretriz com a qual o Vate fecha o seu épico diz tudo sobre os tortulhos que crescem por tudo quanto é sítio. Isto não é um país, é um proto-qualquer coisa que perdeu a vergonha... Tal como a Maria, de bom grado eu deitaria AO LIXO TODOS os livros "A.O." que me sujam as estantes de casa. JURO por Deus que já não sei que terra é esta. Apetece-me queimar o meu B.I. de "cidadã nacional". Cuidado, quando se diz que os professores já "amocharam". Seja qual for a consequência desta vez (provavelmente, dão-me horário zero e correm comigo do ensino, que foi o que vi acontecer a alguns este ano), eu NUNCA ensinarei aquele aleijão aos meus alunos! Ontem, um pequerrucho de 7º ano percebeu-me nas entrelinhas, leu a minha mágoa: — "Que ironia, professora: decidiu começar a leccionar o Acordo após o feriado de 5 de Outubro, justamente a data que nos diz que somos livres de votar e escolher quem nos dignifique..."

De Maria Oliveira [Professora] em 1 de Outubro de 2011 às 23h54.

* * *
 

Compendio de Grammatica Portugueza, 2ª ed., Pernambuco, 1852
(Compendio de Grammatica Portugueza extrahido de... gramáticos portugueses para uso lá...)


 Cogito cá comigo se fará algum sentido o envio de cópias desta e da da aluna Maria ao sr. ministro Crato, ao sr. primeiro ministro, ou a todos e cada um dos deputados à assembleia... Alguém responsável havia de ler isto.

(Verbete revisto e aumentado ao meio-dia.)

Escrito com Bic Laranja às 02:27
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Sábado, 1 de Outubro de 2011

E.N. 249, Km 0,5

Em tempo publiquei uma diacronia deste mesmo troço pouco mais ou menos aqui...

E.N. 249, Km 0,5 (M.Novais, s.d.)
E.N. 249 (Laboratórios Vitória - fragmento), Venda Nova, c. 1961.
Estúdio de Mário de Novais (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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