Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Dois estúpidos e seu povo

« A 12 de janeiro de 1759 foi proferida a sentença, e, n'essa noite sinistra, á luz dos archotes, os operarios martellavam o cadafalso. As pancadas dos martellos ouviam-n'as os infelizes condemnados, reunidos todos n'uma casa do palacio de Belem. A marqueza, D. Leonor Tavora, tinha sido conduzida, do convento das Grillas para Belem. Ahi se juntáram todas as victimas do odio dos dois estupidos. Pela madrugada já o povo enchia a praça e os logares d'onde se podesse contemplar o horroroso supplicio.»

Manoel Caldas Cordeiro, «O Marquez de Pombal (Folheto para Poucos)», Porto, A. J. da Silva, 1890.


Demonstração do Teatro em que depois de justiçados os Reos... Anónimo, c. 1759-60.

Escrito com Bic Laranja às 07:55
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Do furo jornalístico

 Não há agora dia em que a imprensa não descubra um maçon. Trabalho fastidioso e de pouca novidade. Notícia seria porventura darmos aí um pontapé numa pedra sem sair um maçon de debaixo, muito embora furo jornalístico de nomeada fosse achar um jornalista maçon.

 

Figurões da maçonaria, Público, 12/1/2012 

Escrito com Bic Laranja às 13:44
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

A ponte aérea

« No dia 28 de Agosto de 1975 apresentei-me, como Co-Piloto de Boeing 747, nas Operações da TAP para fazer mais um voo da Ponte Aérea.
   Neste caso: Lisboa / Luanda / Nova Lisboa / Luanda / Lisboa. Já à saída de Lisboa se notava um ambiente estranho entre a tripulação (reforçada): havia um grupo que parecia saber de coisas que viriam a acontecer e mais ninguém sabia.
   Os outros interrogavam-se, notando a ligação ao Partido Comunista daquele grupo sabedor de coisas...
   A pouco e pouco, até Luanda, percebeu-se do que se tratava, sem que os 2 Comandantes tivessem sido avisados da alteração "programada" (à revelia) do propósito inicial do voo a Nova Lisboa: recolher civis Portugueses e trazê-los para Lisboa.
   E o que se tramava era nem mais nem menos do que deixar em terra, em Nova Lisboa , os Portugueses e levar para Luanda os militares do M.P.L.A., em perigo dado o apertar do cerco à cidade pela UNITA.»

Gabriel Cavaleiro, «A Ponte Aérea de 1975; um episódio», in Rio dos Bons Sinais, 7/IV/2011.

Boeing 747 CS-TJB, Luanda (?), 1975(?)

Escrito com Bic Laranja às 09:15
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

Compro o que é malaguenho

 Dantes havia a alfândega. O preço dos bens importados era nivelado com os produzidos em Portugal, o erário obtinha boa receita, a indústria nacional não falia à primeira, o estado poupava em subsídios de desemprego e os tribunais não se perdiam a gerir falências. Perdiam os marketeiros subvencionados com impostos extraordinários por um governo evangelizador de massas sobre que o nacional é bom. Ora as massas sabem sem evangelização nenhuma que bom, bom, é poderem comprar. E para isso convém as massas haverem rendimento, nem que seja do trabalho.
  Ao quarto dia dos idos de Janeiro uma formidável empresa do estado português — o que subsidia a catequização geral sob o lema compro o que é nosso — distribuiu (ou alocou, chiquerrimisticamemte dizendo) agendas ao pessoal. As tipografias malaguenhas rejubilam (clique na bola amarela).

Agenda malaguenha 

Escrito com Bic Laranja às 12:33
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Da cultura

Não percebi o incómodo jornaleiro hoje com umas ordinarices nas catacumbas da bola. E ouvi que o Ministério Público se pôs em campo. Perde-se tempo com cada uma!...



Bach, Concerto de Brandeburgo n.º 6 em Si bemol maior - 3.º (allegro).
(Karl Richter, Orquestra de Bach de Munique.)

Escrito com Bic Laranja às 22:30
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O rei bai nu

« Seis de janeiro de 1832. Manhã chuvosa e frigidissima. O zimbro rufava nas frestas envidraçadas da egreja de Santa Maria de Abbade. Ringiam as carvalheiras varejadas pelo norte. Ao arraiar do dia, a devota dos Tres Reis Magos, a tia Bernabé, tecedeira,—viuva do operario Bernabé, que lhe deixára o nome e uma cabana com sua horta — ergueu-se, foi á residencia parochial pedir a chave da egreja; e, sobraçando a bassoura de giesta para barrer o chão, e a almotolia para prover as lampadas, entrou no adro. Ao passar em frente da porta principal, ajoelhou, persignou-se e orou. N'este momento, ouviu o vagir convulso e rispido de criança.»
Camillo Castello Branco, «O Commendador», in Novellas do Minho, v. I, 2.ª ed., Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1903, p. 83 (sublinhado meu).

 Uma «bassoura» só pode ser para «barrer»... Liberdade literária talvez esquecida, mas não interdita; liberdade prosódica como determinante ortográfica vedada até aqui, legitimada agora pelos murcons Bichara & Malaka mai-lo competentinho Diário da República... E já agora que falo de leis, há alguém reflectido que me explique (sem implícita ou explicitamente perpassar pingo do conceito de colonialismo no que venha a dizer) o senso dum tratado internacional ratificado por três estados imperar na ordem jurídica de oito nações soberanas; ou, limitando-nos ao Direito português, como pôde uma resolução (e não uma lei) dos deputados à Assembleia revogar um decreto-lei.


Decreto n.º 35:228, de 8 de Dezembro de 1945 

Escrito com Bic Laranja às 09:00
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Deputado maçon investiga superespião maçon

 A ver se entendi bem...
 Os jornalistas andam a dizer que um deputado investigador é tão maçon como o super ex-espião investigado. O filme parece ao contrário, mas não é bem isso. O deputado respondeu que os jornalistas sabem mais da maçonaria do que ele. Não negou. Disse que os jornalistas sabem mais da maçonaria do que ele.
 Pois é! Calhando sabem... Ou, como dizia o cigano, isto agora é tudo uma raça pegada.

Raça pegada
(Imagem da Internete. Verbete revisto às dez para o meio-dia de 4.)

Escrito com Bic Laranja às 23:05
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Ai as otites!...

« Uma circular informativa do Infarmed esclarece que os titulares de Auctorização de Introducção no Mercado (A.I.M.) teem de implementar o Accôrdo Orthographico da Língua Portuguesa na informação dos medicamentos, como o Resumo das Características do Medicamento (R.C.M.), o folheto informativo e a rotulagem.»
Accôrdo Orthographico applicado a partir de hoje nos documentos officiaes. FonteLusa [Brasílica], 1/I/2012 (a graphia original foi corrigida segundo o exemplo dos melhores auctores).

 

 Hoechst Portuguesa, Av. Duque de Ávila, (M. Novais, s.d.)
Hoechst Portuguesa, Av. Duque de Ávila, 196...
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Escrito com Bic Laranja às 16:55
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Um cartoonista espectacular

«Nota: este cartoonista não sabe escrever com as regras do novo acordo ortographico» (no pé do desenho). 


José Bandeira, Cravo & Ferradura, D.N., 3/I/2012.

(Com agradecimento especial ao meu bom amigo D. que me enviou o boneco.)

Escrito com Bic Laranja às 14:00
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Da forma de certos recados

 Segundo o Rui da D.ª Esperança e o Beto dos cabacinhos, era eu pequeno, havia a Húngria - às vezes calhavam uns desafios de bola com os húngaros (e talvez daqui a Húngria) nas quartas-feiras europeias. Ao depois, no liceu, houve o império austro-húngaro, mas fracturou-se.
 Pois a Hungria soou-me que fez agora uma Constituição anti... fracturante. Uma que não admite qualquer par de jarras abortar o instituto do casamento nem permite o propriamente dito aborto, se bem ouvi na Emissora às seis da tarde, e ao depois às sete. Há também, parece, que uma menção a Deus...
 Estas são daquelas notícias em que se pressente o tom agoniado dos noticieiros. Tanto que ensaboaram logo os húngaros (e a nossa mente) com o comissário Barroso mais a secretária Clinton que com saliva e cuspo espumaram preocupação sobre a sancta democracia e que louvada seja a liberdade. Não sei se não tarda, havemos de ver a Hungria a contas com a dívida soberana ou algo assim aborrecido.

«Perigo Magiar» (Jean Platureux, Le Monde, apud Presseurop)


Ilustração: Jean Plantureaux, Perigo Magiar (Le Monde, apud Presseurop).

Escrito com Bic Laranja às 23:55
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Diário de Notícias erra pela terceira vez

« A [Em] 9 de Dezembro [de 1945], o D.N. publicava o decreto que aprovava [approvava] as regras, que então asseguravam "a unidade e o esplendor do idioma comum [commum]" e garantiam "a segurança e permanência de uma só língua portuguesa no mundo".»

«A terceira vez que o D.N muda de ortografia [orthographia]», in Diário de Notícias, 1/I/2012 (os quinaus são meus).

 

 E em cima da contumaz asneira (a de 45, garantindo a segurança e permanência de uma só língua portuguesa no mundo é de gritos) calha-me hoje em sorte um tal sr. Ferreira Fernandes «optimista», raspando com as mãos e quebrado nos quartos traseiros. Garrochada em tal cernelha é puro desperdício. Vá de pampilho nos lombos de volta para os curros e poupem-se os espectadores aficionados a más sortes!
 [Vaias ao ganadero do Diário de Notícias!]

Edifício do Diário de Notícias, Rua dos Calafates (E. Portugal, 1942)

Escrito com Bic Laranja às 17:46
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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Borda d'Água

  Estive há dias a ver o ano de 2012. O 1 e o 8 de Dezembro calham ao sábado. Ora aí estão dois feriados bons para o capataz do triunvirato desbastar no ano que vem, com margem para 2013.
 Ao depois... Ao depois se há-de ver o que sobra do calendário gregoriano. Ou desse tal capataz...

 Feliz 2012! 


Borda d'Água para 2012, Ed. Minerva (in Passeio Verde)

(Almanaque do Borda d'Água no Passeio Verde.)

Escrito com Bic Laranja às 09:30
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