Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

Por maior clareza...

 ... Vou passar a pôr acento grave em «sòmente»...
 Não sòmente. Vou passar a pô-lo também no «pèzinho». E no «chapèuzinho».
 ...
 Chapèuzinho em «pôr» já punha, que senão era «por».


(Calligraphia da Quarta República.)

Escrito com Bic Laranja às 13:01
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Terça-feira, 5 de Junho de 2012

Em torno dos livros

Veríssimo Serrão, «História de Portugal, v. XVIII, Verbo, Lisboa, 2010. Não comprava livros de edição recente fazia tempo. Há dias catava uma «Vida Ignorada de Camões» em livrarias online da moda (i.e. abrasileiradas). Lembrou-me de juntar à encomenda os volumes XVII e XVIII da História de Portugal do Prof. Veríssimo Serrão (Editorial Verbo, 2008-2010). Tinha-os em falta. Foi neste vogar bibliómano que me acabou nas mãos o do embaixador... de Jesus (José Duarte, tive agora de ir ver; tenho esta péssima memória para os autores modernos); quando fui pela encomenda à livraria lá estava o Salazar a vender... E, enfim, ele vende, eu compro.
 Tornando à História do Prof. Veríssimo Serrão, aconselho. — Já aqueloutra de José Mattoso aconselho menos, especialmente o intragável volume quarto, coordenado pelo Hespanha: teoria do poder no Antigo Regime a rodos; História que se consiga aprender, nem vê-la. Tudo pela módica metade do peso de qualquer dos outros tomos da obra. E que contraste com o formidável volume sexto, A Segunda Fundação, de lavra inteirinha de Rui Ramos.
 A História do Prof. Serrão aconselho. Agora mais porque (eis o mundo em que vamos) a Verbo foi comprada por um grupo livreiro qualquer e pôs esta História de Portugal em saldo; menos de três contos de réis cada volume. Mencionei-o sugestivamente ao livreiro: — «Os últimos destes que comprei custaram-me mais do dobro...» — A resposta foi de um grupo tomou a Verbo; «cheira» que lhe quere revolver por o catálogo e livrar-se do «armazém». Ganhei eu e ganha o benévolo leitor que procure completar esta História de Portugal. Saiba porém — se não procura a obra completa — que cada volume vale por si. E conta a nossa História recente como ninguém o ousa actualmente fazer. Ora oiça o autor no prefácio do vol. XVIII (1960-1968):

[...]  No drama profundo que avassalou a vida portuguesa entre 1960 e 1974, uma pergunta fará sentido: houve ou não portugueses que aceitaram a autonomia imediata das províncias ultramarinas? Quando se tem presente que os republicanos de formação democrática se puseram ao lado do regime vigente em defesa do Ultramar português, talvez se compreenda melhor a génese do problema ultramarino. Porque as possessões de além-mar faziam parte de um Portugal disseminado pelos quatro cantos do mundo. Nessas longínquas parcelas viviam portugueses de alma e coração e já a I República entrara na Grande Guerra para defender o que considerava pedaços distantes do Portugal europeu. Como poderiam democratas impolutos como o general Norton de Matos, o Dr. Jaime Cortesão, o Engenheiro Cunha Leal e outros que já haviam fechado os olhos, aceitar que as terras de África e do Oriente deixassem de ser portuguesas?
  As «campanhas de pacificação», a que os políticos e ideólogos de formação marxista continuam a apelidar  de «gerras coloniais», careciam de ser vistas  numa perspectiva absolutamente portuguesa. Apenas se pode negociar com os nossos adversários quando a sorte das armas nos coloca na posição de quem possui interesses nacionais a defender. Quanto mais não seja, o sentimento pátrio que qualquer nação forja por sustentar tem uma forte raiz cultural de que um povo consciente nunca prescinde. A concepção neocolonialista que então se gerou contra Portugal deformou a visão da História que cada nação considera um ser próprio fundado nas raízes  do passado. Como se Portugal não tivesse o direito a orientar a sua política externa no sentido mais adequado ao seu passado ultramarino!
  Que imensa tristeza nos provoca a leitura das
Quase Memórias do Dr. António de Almeida Santos (Volumes I-II, Lisboa, 2006), onde se critica a II República por não ter aceite o p processo das independências coloniais. Um advogado de superior craveira põe-se a historiar o passado sem atributos para o fazer, e o resultado fica bem à vista. São lugares-comuns e juízos sem prova, até com o desplante de rebaixar um mestre da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, ousando revelar conversas privadas e o «diz-se» de versões deturpadas. Como é fraco o talento de um abalizado causídico que, em vez de se quedar para sempre em Moçambique, onde lhe estaria reservada a presidência da nova República, voltou á metrópole com os proventos amealhados numa conspiração consentida. E que hoje recolhe as frustrações de quem não soube fazer uma carreira política nesta metrópole onde praticamente ninguém deu pelo seu regresso!»


*

*    *

Se um historiador que sabe e não arredonda adjectivos para nos contar a verdade não é um grande historiador, não sei quem no possa ser.


(Imagem da Livraria Bulhosa.)

Escrito com Bic Laranja às 00:03
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Domingo, 3 de Junho de 2012

«A Guerra Secreta...» de José Duarte de Jesus

Autor.

José Duarte de Jesus, Guerra Secreta de Salazar em  África, Dom Qixote, Lisboa  2012 (imagem, Diário Digital).

 José Duarte de Jesus, embaixador. Demitido do M.N.E. em 1965, convidado pelo ministro Franco Nogueira a deixar Portugal em 24 horas quando se soube que andara em conversas com Eduardo Mondlane da FRELIMO. Reintegrado no corpo diplomático ao depois em 1974.

«A Guerra Secreta de Salazar em África» (Dom Quixote, 2012).

 Longa introdução (metade do livro). O A. ferra os E.U.A. com a primazia («pecado original») no recrutamento de elementos do Eixo e de Vichy como agentes anti-subversivos para contenção do comunismo no Ocidente após a II Grande Guerra. Vai-nos dando ali conta da rede e organizações criadas por estes elementos com esse fito, nomeadamente duma Organisation Armée Secret, suas ramificações e excrescências; enfoque na Aginter cuja actividade em Portugal e Ultramar visa ser o principal do livro.
 O livro só faz jus ao título (com o nome de Salazar a promover a venda...) a partir do meio (pág. 127). Daqui em deante, revela-nos o trabalho dos agentes da Aginter fomentado por Portugal (por intermédio da P.I.D.E., ministérios da Defesa e dos Estrangeiros) e motivado pela estratégia da defesa do Ultramar, desde operações de apoio ao Congo Belga, fomento da contra-revolução no Congo-Brazzaville (apoio ao abade Youlu), operações de contra-subversão sobre os terroristas de Angola, U.P.A./F.N.L.A e M.P.L.A.. Aventa ainda o A. a intervenção (incerta) da Aginter no Biafra e outro tanto nos golpes de 11 de Março e na acção da Frente de Libertação dos Açores em 1975.
 Das operações relatadas dou-me conta (o A. não o refere) da extensa projecção da acção geopolítica de Portugal antes de 1974 -- bem além das nossas fronteiras ultramarinas. Por contraste, o ruir de Portugal na voragem demencial de 1975, em que o 11 de Março dá plena imagem dum Estado à nora e sem cadeia de de comando -- ali, até Holden Roberto e a F.N.L.A. aparecem como co-adjuvantes contra-revolucionários (Alpoim Calvão). A intentona da secessão dos Açores (cuja independência foi negada «a priori» porque são habitados por gente branca) demonstra a volatilização de Portugal com o 25 de Abril, que podia ter sido ainda mais mais completa. Os Açores mantêm-se até hoje, sim, mas como parte de um todo que há muito se finou.

 A quem o queira ler, a escrita é escorreita. O português é salpicado de barbarismos («intelligence» -- quando não «inteligência» -- por «informações» ou «serviço secreto»; um absurdo «deal» por «trato»). A ortografia é a portuguesa a pedido do autor (ao que isto havia de chegar!...) mas ainda se lhe cata uma «arquitetura» danada a páginas tantas. Outros erros tipográficos ou de revisão... --  O benévolo leitor que me ature esta publicidade gratuita, mas não tenha paciência para o livro pode em alternativa entreter-se com a publicidade que o «Público» lhe fez há dias.

Escrito com Bic Laranja às 23:22
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Sábado, 2 de Junho de 2012

Arquitetas

 A Biblioteca de Arte da F.C.G. no Flickr tem lá agora duas ou três do Júlio de Matos que, diz, é dos «arquitetos» Leonel Gaia e Carlos Chambers Ramos. Valha-nos que não foi risco de arquitectas, senão tinha saído uma fábrica da U.C.A.L..

DSC11333.jpg
Arquitetas, Campo Grande, 2009.


Adenda


Tetinas e biberões Pyrex, Instituto Pasteur
Arquitetinas e biberões Pyrex, Instituto Pasteur, [s.d.]
Estúdio de Mário de Novais, in Bibliotheca de Arte da F.C.G..

Escrito com Bic Laranja às 19:21
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Desdobramentos

« No dia 1 de Junho de 1970 (segunda-feira) os desdobramentos da carreira 40 para o Centro Sul [Almada] passam a circular com o número 54.»
C. Filipe, A minha página Carris.

Autocarro 40, Pr. de Londres (A.Pastor, c. 1970)
Praça de Londres, Lisboa, c. 1969.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Escrito com Bic Laranja às 06:55
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