Sábado, 3 de Agosto de 2013

— Esta vida de turista!...

Ui!...

 Receio ao tomar a rua da falésia; rua cortada, automóveis desviados... Seguimos a pé. Calceteiros fazem um passeio do lado do novo hotel. Finalmente abriu e há-de ser quem entra para a obra; também há-de ter cedido a banda de terreno (que era pinhal concelhio) necessária ao novo passeio e a uns recortes de estacionamento. O presidente da Câmara conta colher os votos... dos touristes?!...
 O receio é da païsagem mais e mais urbanizada. Ainda há meia dúzia de anos a rua tinha um ar mais selvagem. Preferia.

Rua da Falésia - (c) 2007
Rua da Falésia, Algarve - (c) 2007


Bandeira amarela

 Mar rijo; ondulação de SE, corrente forte. Temperatura boa [água a 22º], vento fraco.

Praia da Falésia, Algarve - (c) 2011
Olhos de Água, Algarve - (c) 2011


 Pareceu-me no caminho que a falésia se esboroou além e aquém da rampa... Ao fundo dela um novo lancil de pedra conforma o perímetro à rotundinha castiça de paus e corda que puseram em 2009, outro ano de autárquicas...

Jornal

Sol, 28/VI/13 Hesitei em comprar o jornal. Noutro tempo era ritual que me animava. Agora é perigoso por causa da mania do neobrasileiro; -- ao que havíamos de chegar!...
 Acabei por comprar o semanário angolano...

Rol de precisões

 Açúcar, café, meloa, ..., cerveja [não desta; importada].

Grades, Algarve - (c) 2011
Grades e barris, Aldeia da falésia - (c) 2011

 

(-- Esta vida de turista!..., 29/VI/2013. In Caderninho de capa preta.)

Escrito com Bic Laranja às 14:50
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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013

Os intendentes do caco gráfico

 Os srs. deputados da intendência ao desatino ortográfico (Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico foi o nome prolixo que arranjaram) lá espremeram o sumarento desconchavo em duas dúzias de páginas. Doze audições a acorditas e seis audiências a gente mais avisada deram nuns parágrafos a retalho atamancados à pressa antes de fecharem a tabanca para férias. Aí temos um relatório assim-assim. De quem vem não houvera de esperar melhor coisa. Vale o relatório desde logo de exemplo da cacografia  em vigor por não ser nem deixar de ser em «acordês»; é nisso, pois, retrato fiel do que muitos avisaram mas uns quantos mais modernaços não quiseram saber. Dos 71 erros que lhe contei de português, umas dezenas lhe teria de apontar na mesma se seguisse eu o «acordês». Se falta dela houvesse, aí está a prova do caos ortográfico instalado.
 Hei-de ir trocando cá o relatório por miúdos mais adiante. Agora entretenho-me a catar-lhe umas alcagoitas meias salgadas e deveras peremptórias no ponto 5 -- Aplicação do Acordo. Convém salientá-las, justamente por virem preto no branco onde vêm: num relatório oficial dos srs. deputados à Assembleia.
 O vocabulário ortográfico comum (V.O.C.) previsto no tratado do Acordo Ortográfico (art. 2.º) é uma miragem. É oficial e agora está escrito: havia de ser elaborado pelas Academias Portuguesa e Brasileira com a colaboração de instituições doutros países, mas tal nunca aconteceu (p. 19). Ainda assim, sucede que perante tão assertiva expressão do descaso do clausulado essencial do próprio Acordo vêm a diante os srs. deputados dizer irracionalmente, após um sintomático enunciado de vocabulários extravagantes, que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrou internacionalmente em vigor em Janeiro de 2007 (p. 21) !...
 Os extravagantes vocabulários e dicionários foram sendo publicados avulsos por este e aquele a despeito da letra do Acordo. É assim que achamos todos à uma, à procura de abocanhar o maior quinhão do negócio dos dicionários e dos livros da escola. Se os deixam, trincam-se uns aos outros como canibais.
 É como a coisa vai. Os srs. deputados dizem-no, mas dar-se-ão conta da gravidade?

  •  A Academia Brasileira apresentou uma nova versão do V.O.L.P. em 2009 [em que] não foram consultados especialistas portugueses. (A xenofobia não mora lá, são só eles que se bastam a si mesmos no que respeita ao meu idioma...)
  • Da mesma maneira o Vocabulário Ortográfico do Português (V.O.P.) do I.L.T.E.C. foi oficial em Portugal por necessidade premente do responsável da área cultural  XVII.º governo enquanto escoiceava o presidente da Academia das Ciências de Lisboa, por lei o órgão de consulta do governo em matéria da língua. (Como a lei é caprichosa à mão de certas bestas...)
  • Soma-se o vocabulário da Porto com orientaçao científica do Professor João Malaca Casteleiro (coisa nunca antes vista na Academia das Ciências), obra com mais de cento e oitenta mil vocábulos da variante europeia [se a 'europeia' é variante, onde se achará então a matriz do português?] e, ainda, mais de cinco mil vocábulos  próprios do português do Brasil, assim como africanismos, asiaticismos e galeguismos, nomes próprios e topónimos. (Topónimos não são nomes próprios?!)

 Uma miríade de instrumentos de trabalho, ou vocabulários sem nada em comum senão que todos juntos não fazem um de jeito, pelas incoerências do postulado acordita, por erros ou disparidades na sua interpretação, por desgarradas soluções ad-hoc em que cada um e todos são génios a inventar a roda. De repente há uma série de filólogos saídos de debaixo das pedras andando para aí à toa, é o que é.
 A jusante de tudo, o famigerado Lince decepa a esmo e a eito o português e divorcia, com aval do Estado, qualquer autor dos seus próprios textos. E os srs. deputados fazem-lhe a (in)devida publicidade, não sei se se deram conta: o Lince é uma ferramenta de apoio à aplicação do A.O. que permite uma rápida adaptação às novas regras. Regras que lhes é indiferente serem boas ou nefastas, nem tão pouco que alguém as aprenda ou não. Importa é encomendarmo-nos todos ao grande timoneiro Lince financiado pelo Fundo da Língua Portuguesa e disponibilizado gratuitamente para todo o país, e fazermos colectivamente a revolução cultural. -- Como pode todavia sair gratuita ao país uma coisa  financiada por quem é não entendo eu.
 Entretanto (ou finalmente) o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (I.I.L.P.) está a elaborar o V.O.C., com uma previsibilidade [i.é, uma possibilidade de previsão] para finalização do trabalho em 2014. Porém, já houve atrasos, o que pode indiciar que não esteja pronto nessa data. -- Não disse eu que a previsibilidade era uma possibilidade de previsão? Cá está. -- Soma-se que o financiamento do I.I.L.P. secou por calotes vários e consta que o maior é o do Brasil. Isto os srs. deputados omitem. O que preferem dizer é que Angola acabou de financiar os recursos [financiar os recursos?!...] para finalizar o Vocabulário Ortográfico Comum.
 Quer a final dizer que será em 2014 que vamos ter cuanzas kwanzas a valer no português?... -- Foi desta profecia que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrou internacionalmente em vigor em Janeiro de 2007 ?!...

(Carta devolvida hoje.)

Escrito com Bic Laranja às 19:10
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