Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015

Alvores da Av. de Dom Rodrigo da Cunha

 Exceptuando a ridícula lei dos mandatos dos presidentes de câmara ou da câmara, o artigo pode fazer muita diferença ao que dizemos. É o que se interpreta naqueloutro caso do estudante à saída do exame nacional que disse: -- «Saiu Eça de Queiroz e o Saramago.» -- Também assim nos nomes das ruas.
 Dizia-me o benévolo leitor José a propósito da Av. de Dom Rodrigo da Cunha que «a avenida não é "de", é apenas Avenida Dom Rodrigo da Cunha. Da mesma forma que as avenidas não são "do" Guerra Junqueiro, "do" Fontes Pereira de Melo ou "do" Duque de Loulé. São nossas, pois claro.»
 Bom, de serem nossas não estou certo de não havermos de pagar emolumentos à E.M.E.L. antes de invocarmos a legítima posse de qualquer arruamento ou serventia públicas de Lisboa. Dos nomes das ruas, praças e avenidas terem ou deixarem de ter preposição, vale serem elas, nos casos como os dados, de homenagem a alguém ilustre ou a algo notável (pelo menos em teoria, pois que o critério...)
 De serem do crelgo arcebispo de Lisboa, do poeta da 3.ª idade do Padre Eterno ou do fidalgo da saldanhada as avenidas trazidas à balha pelo meu benévolo leitor, é claro que não são. Porque nunca por lògicamente não vêm aquelas avenidas a ser atributos dos sujeitos nomeados, antes pelo contrário: são os sujeitos nomeados que antes são atributo das ruas [avenidas]; por homenagem, repito.
 Ora entendidos nisto, quando atribuímos em sua homenagem o nome de Dom Rodrigo da Cunha a uma avenida o que resulta, literalmente, é uma avenida de homenagem a si (a ele): a Av. de Dom Rodrigo da Cunha se elipticamente o dissermos sem dizer homenagem; ou a Av. Dom Rodrigo da Cunha quando nos já esquecemos da causa destas coisas.

Av. de Dom Rodrigo da Cunha, Lisboa (C. Madureira, c. 1950)

Av. de D. Rodrigo da Cunha, Lisboa, anos 50.
Claudino Madureira, in archivo photographico da C.M.L.

 

(Revisto às dez para as oito da noite.)

Escrito com Bic Laranja às 16:12
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Balom Doiro

 Como esperado e conformemente aclamado pelos teleonanistas de bancada com lugar cativo nas TV, o discurso do matraquilho das 3 bolas áureas, ontem, foi uma riqueza, por todas as maneiras comprovada pelo ronco™ viril® de apoteose. Rendi-me ao assombro.
 A pequenês do prémio, no entanto, pareceu-me por demais aquém ante a brônzea enormeza do âmago do matreco.

Coiso..., Funchal, 2015.
(Imagem do Observador.)
 

Escrito com Bic Laranja às 12:20
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015

Carlitos

 O Carlitos da D.ª Amélia era o neto da explicadora. O avô dele era o sr. Jacinto, um senhor de fato e chapéu de aba como  naquele tempo de garotos se já não via. A aura da D.ª Amélia era de pessoa severa -- às vezes ouvíamos de pôr os meninos mal comportados de castigo, de lhes pregar uma reguada até... -- Já o avô víamo-lo como um senhor antigo, de ar sério, correcto e de desvelo muito contido no trato com o Carlitos. Hoje, quando escrevo do avô do Carlitos nestes termos fico com a certeza de que o nome do senhor era Jacyntho, não Jacinto, como nos velhos tempos.
 Aí pelos 10, 11, o avô comprou ao Carlitos uma bicicleta de corridas com 12 mudanças, daquelas esguias e guiador de cornos de cabra; o paralelo em bicicletas das bolas cá de chumbo e do equipamento completo à Nené, com botas de jogador, pitons e tudo...
 Além da bicicleta o Carlitos era engraçado. Corria dele lá na rua (entre outras...) a antiga história de como bufara com ar grave de menino bem educado que um dos moços que andava na D.ª Amélia -- o Silvino -- dera um flato: -- Ó 'vó, aquele menino deu uma serena! --  Falava com certa gaguez mas entoava umas harmoniosas notas avulsas com voz a propender para tenor. Como tinha ouvido para os «jingles» dos anúncios e chavões das TV, inúmeras vezes dávamos conta dele na rua polo ouvirmos cantarolar. Quando os «skates» apareceram em voga, aí por 1978/79, uma frase que o Carlitos muito se lembrava de trautear era Ligier Gitanes, que também ligava a a França e certa raça de gente...

js11.jpg

 Mas bom, tiro só disto nestes dias que, se me aparecesse aqui o Carlitos, lhe ouviria de certeza a cantilena «Je suis Charlie», que no seu caso se justificaria. No meu é que não.

(Revisto. Imagem de gpma.org.)

Escrito com Bic Laranja às 20:41
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Funeral duma civilização

Nova Hégira, Paris, 2015
(Momento zero da Nova Hégira captado em zona antiliberal.)

Escrito com Bic Laranja às 17:41
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Domingo, 11 de Janeiro de 2015

Infante Santo

Av. Infante Santo, Lisboa (A. Pastor, c. 1980)
Av. Infante Santo
, Lisboa, c.1980

Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 13:25
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Álvares Cabral

Av. Álvares Cabral, Lisboa (A. Pastor, 1973)
Av. Álvares Cabral
, Lisboa, 1973

Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 11:09
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015

Lourença

 A mourinha encantada da S.I.C. diz sekéstro.

fotografia.JPG
Imagem do Abnóxio.

Escrito com Bic Laranja às 21:29
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2015

Porque não egreja?

 O idioma teve um processo de formação do latim vulgar às línguas românicas. Em «igreja» o «i» inicial não vem do «e» incial de «ecclesia» mas da vocalização do primeiro «c»; a forma antiga portuguesa é «eigreja» (& Vitimiro, quando vyo que os Godos tam valentemẽte entraron a cidade, foy ẽ muy grã medo e fogio a hũa eigreja de Sancta Maria», in Crónica Geral de Espanha de 1344) que se formou pelo mesmo processo de vocalização e ditongação que nos deu «feito» de «factum»; o ditongo «ei» antigo condensou-se em «i» tal como popularmente «eiró» se faz «iró».

i (Livro de Leitura da Primeira classe)

Meia página do Livro de leitura da primeira classe, 1ª ed., Lisboa, Papelaria Fernandes, 1967, in Ecos de Casével.

Escrito com Bic Laranja às 21:55
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Domingo, 4 de Janeiro de 2015

Este lá sabe...

 O ex-soares presidente ressoa hoje pelos noticiários em avisos ao futuro ex-cavaco de que, em não fazendo ele nada enquanto cavaco, se arrisca a lhe no futuro ferrarem um 44 nos lombos como aconteceu ao ex-sócrates primeiro.

PSdesconhecido.jpg

Rui Mateus, Memórias de um P.S. Desconhecido, Lisboa, Dom Quixote, 1996, vendido em ... ou proposto para abate ou esquecido em depósito, numa estante ou perdido de todo, nas bibliotecas de Lisboa.

Escrito com Bic Laranja às 14:05
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Dum apocalipsezinho

 Nas próximas duas semanas é que vai ser. O fiel de armazém da D.G.S. anda a avisar da gripe e a instar na TV para que corramos já já a tomar a pica. Janeiro está aí e o frio é agora que vai fazer mossa (em Dezembro não; tínhamos de andar às comprinhas...); na América já começou e a gente deve vacinar-se para não gastar outros recursos de saúde (língua de pau para dizer remédios e assistência médica, decerto...) E lá explicou como entendido nas estirpes que andam à solta, que uma H3N não sei quantos é muito má, muito má para velhinos, crianças e doentes crónicos, sempre eles tão fràgeizinhos, não é uma dor de alma?!
 Pois mesmo não estando previsto o tal H3N não sei quantos no lote (na lotaria) das estirpes metidas na vacina em que os laboratórios fornecedores de governos apostaram este Inverno, não devemos, porém, deixar de diligentemente ir apanhar pica.
 Vacinação geral da populaça como placebo, enfim!
 E como renda sazonal. A corporação dos remédios mai-los seus agentes de vendas oficiais (D.G.S.) e oficiosos (jornalistas) à procura de desencalhar stocks mercadoria em armazém pelo sempre lucrativo banzé dum apocalipsezinho.

Obra antituberculosa, Junta da Província da Beira Litoral (M. Novais, post 1945)
Obra antituberculosa, Junta da Província da Beira Litoral, post 1945.
Mário de Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 14:01
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Retrato da «longa noite» sob o plúmbeo sol da uma da tarde

 Restauradores, cerca de 1956. No Condes o drama «Suspeita» (título original «Obsession») com Michèle Morgan e Raf Vallone. Na base do obelisco três agentes da tenebrosa P.I.D.E. vigiam opressivamente um perigoso suspeito que conspira pela liberdade ali mais à esquerda (lado sempre suspeito). O imberbe antifascista resvalara na tentação panfletária de pintar um subversivo mural de néon por cima do Condes anunciando a futura obra socialista democrática d' A CRIL.

Restauradores, Lisboa (A. Ferrari, c.1956)
Restauradores, Lisboa, c. 1956.
Amadeu Ferrari, in Archivo Photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 12:57
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2015

O lugar da mulher antes do grande acidente nacional...

Ou a esquina do Diário de Notícias com polícia de trânsito...

Esquina do Diário de Notícias, Rossio (A. Pastor, 1973)
Esquina do Diário de Notícias, Rossio, 1973.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 10:33
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Rua do Carmo

Rua do Carmo, Lisboa (A. Pastor, c. 1980)
Rua do Carmo
, Lisboa, [1973].

Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 09:56
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