Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015

Dos nenucos

A senhora dos nenucos, não se mede pelo estilo (mas até nisso), é dotada da mais fina ironia.



(Agradeço o vídeo ao meu bom amigo, sr. J.B.)

Escrito com Bic Laranja às 17:25
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2015

Rossio de manhãzinha

Rossio com luz matinal, Lisboa (H. Novais, 194...)
Rossio com luz matinal [frag.], Lisboa, 194...
Horácio de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.

 

(Revisto.)

Escrito com Bic Laranja às 07:40
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O Abacaxi

 Na semana passada fechou o Centro Comercial Abecassis — as barrracas de feira azuis na Palhavã. Os das notícias, de memória sempre curta, chamaram-lhe «mercado azul» sem alguma vez lhe conhecerem aquela justíssima alcunha de homenagem ao jeitoso presidente da câmara Abacaxi, que foi capaz de tal obra provisória como melhoramento de vulto à demolição dos pavilhões anteriormente provisórios do Martim Moniz. — O provisório feito definitivo pela ordinária sucessão de barracas de chapa a pavilhões de lusalite ao serviço do comércio tradicional, portanto.

 Por outro lado o Abacaxi também pode (deve) ser lembrado como o edil do definitivo (tanto quanto o cimento armado o dá a entender) tornado provisório: pela inspirada demolição do Teatro Monumental e; pela artística canteirização da Rua do Carmo que tanto jeito veio a dar aos bombeiros quando os gaioleiros pombalinos desataram arder.

  Das vítreas Amoreiras que raparam o Chiado de fregueses, como da lapidar esperteza na Rua do Carmo, o Abacaxi bem merece lousa sepulcral com letras flamejantes a dizer: aqui jaz o coveiro do Chiado; que terra lhe seja ardente.

Rua do Carmo, Lisboa (H. Novais, 198...)
Rua do Carmo, Lisboa, 198...
Horácio de Novais, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 00:10
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015

Da teta

 Continua a dar...

 

IMG_0898.JPG

Vaca leiteira, Portugal, 1890-1910. Fotos: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

Escrito com Bic Laranja às 07:35
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Domingo, 4 de Outubro de 2015

Dia de feira II

 Quem não tem que dizer fala do tempo. Há o tempo e o tempo; tempo para fazer discursos. Quem tem tempo faz discursos. Podem ser sobre o tempo ou sobre o tempo para fazer discursos. É toda uma philosophie... O jornalismo dará a notícia. E o discurso.


Saloios na feira de gado, Campo Grande, 1890-1910.
Ch.- Flaviens, in George Eastman House.

Escrito com Bic Laranja às 14:57
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Dia de feira

IMG_0896.JPG

IMG_0895.JPG

Concurso de gado, Portugal, 1890-1910. Fotos: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

Escrito com Bic Laranja às 09:46
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Sábado, 3 de Outubro de 2015

Futebolix

Estádio de Alvalade (M. Novais, <em>post</em> 1956)
Estádio de José Alvalade, Lisboa, post 1956.
Mario de Novaes, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 23:30
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015

Corporação infernal

 Qual o ganho dos taxistas em infernizarem a vida aos demais automobilistas (e os ouvidos ao transeunte)? Só concitam má vontade contra si.

Táxis, Lisboa (M. Novais, c.1965)
Táxi, Pr. de Londres, c. 1965.
M. Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 19:47
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015

Alameda Dom Afonso Henriques, 9-9A



 Naquela fotografia da Alameda, ontem dei sem grande reflexão ou estudo a data de c. 1950. Bem que publicar cousas neste couseiro (*) que é o blogo é mero passatempo, mas todavia melhor fôra tê-la observado mais com atenção; um automóvel ou outro propendem para o fim dos anos 50; depois, os dois prédios à esquerda do cipreste, o dos correios da Alameda de esquina com a Rua Actor Isidoro [n.º 58] e o anterior [n.º 56], já os vi eu em tempo como tardios, mas em Setembro de 58 estavam fotogràficamente documentados (Dois predios na Alameda...).

 Ora bem, no lado oposto, na esquina da Rua Actor Vale, vemos um prédio em construção (1); é o n.º 9 da Alameda (R. Actor Vale 34-34B). Na Câmara Municipal é a obra n.º 29 675, cujo processo de construção do prédio abarca o período de 12 de Janeiro de 1956 a 10 de Outubro de 1959 (PT/AMLSB/CMLSB/UROB-OP/01/25868-00002), com processos de alterações de Agosto e Outubro de 56 e Maio de 57. Outro processo relativo à ocupação da via pública (com o estaleiro da obra?) é de 25 de Outubro de 56 (PT/AMLSB/CMLSB/UROB-OP/01/25868-00001). A fiscalização da obra acha-se datada de Junho de 56 a Julho de 57. A licença de utilização é de 10 de Outubro de 59.

 O n.º 9 da Alameda  é obra de José António Feio do Prado Quintino (eng.º civil) e de Artur Manuel Evaristo das Dores Bentes (arquitecto). Arquitectònicamente não há muito que o distinga ao comum (mas na minha memória tenho-o cá...) No meu conceito é da transição do português suave para aquele estilo incaracterístico dos anos 60 e 70. Mas tinha porte na entrada; lembro-me de lá haver em meados dos anos 70 um posto de porteiro com cadeira de espalda e secretária de estilo. As escadas em mármore tinham alguma monumentalidade, com o primeiro lanço até ao elevador de grades de lagarto de corrimãos em ferro forjado e cobre polido e com — uma na base e outra ao cimo do lanço de entrada — duas enormes, magníficas, formidáveis cabeças de africanos talhadas em pau preto; tinham perto de 1 m de altura e diâmetro. Sendo miúdo pequeno, sempre que ali passava as admirava, fascinado.

 Nos anos 80 houve um lar de anciãos, no 1.º andar, mas não me recorda de as esculturas ainda permanecerem. Nos anos 90 houve um stand e oficina da Citroën e nos anos 2000 uma dessas redes multimarca. Em 2007 extinguiram a porteira. Noto a voragem do tempo nestes pormenores, a começar nas belas esculturas africanas…

 Duas notas àparte sobre o pedaço de imagem: o prédio da esquina de baixo da Carvalho Araújo (3) foi a primeira demolição na Alameda de Dom Afonso Henriques. Foi por 1970 e foi perpetrada pelo Estado que fez ali o posto da Caixa num mamarracho novo e destoante, de oito andares. A rua que se vê ao cimo (2) era o comêço da Calçada da Ladeira na embocadura com a Barão de Sabrosa; ficou truncada com a feitura da Alameda. A chaminé à esquerda era da padaria e a empena baixa que lhe vejo à direita era resto do Pátio das Águias.

 Tanta coisa para dizer, finalmente, isto: das árvores despidas, dos casacões da gente e do ângulo das sombras, o mês da fotografia é por ventura entre Janeiro e Março. O ano, 57, 58 ou 59?…



(*) Couseiros são os cadernos de campo do Abade de Baçal, Padre Francisco Manuel Alves, em que assentava cousas. Este blogo é como um couseiro meu, pois então.

(Revisto ao quarto para as quatro e às vinte para as nove.)

Escrito com Bic Laranja às 13:06
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