Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

Hidráulica da banhada

Venda Nova — © 2016
Venda Nova — © 2016

 Isto deve brotar por gèração espontânea da gèração mais bem preparada de sempre. É ou não é?!... Vê-se-o na cidade e arredores: prumadas de algeroz para lavar gratuitamente os pés ao pacato transeunte. Lamenta-se porém alguma modéstia de efeitos: só funciona em chovendo; só lava os pés (ainda que calçados). Para lavar a cabeça é preciso ajoelharmo-nos; para lavar outras partes não dá jeito. Ora o último grito da hidráulica (sub)urbana da engenharia mais bem preparada de sempre seria de muito mais proveito se lhe tirassem a prumada. Ela (a prumada) só serve para ligar ao esgôto do passeio (que aqui nem existe (*) e, quando existe, só está lá porque sim — assim como por baixo do lava-loiças: duvida alguém que sem ligação ao esgôto o ralo da pia não escoasse a água...)  Suprimida a prumada, portanto, a banhada ao transeunte seria mais completa — pela cabeça abaixo; ligando a água da rede a cada um desses beirais a banhada seria permanente. E sempre se justificava mais uma taxa de banhada serviço na conta da água municipalizada.

————

(*) Na verdade existe. Liga directamente ao colector da rua em vez de vazar para a estrada como se vê em Lisboa (nota às 25 para as 9).

Escrito com Bic Laranja às 15:37
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Venda Nova esta manhã

 Li algures do livro de Fernando Lima que havia um espião que ele sabia o espiava e que era duma das pracetas da Venda Nova. Passo lá tanta vez. Quem diria!...

IMG_20160907_100602.jpg
Vila Emília e Rua 28 de Maio tiradas da beira da E.N. 249, km 0,..., Venda Nova, 2016.

Escrito com Bic Laranja às 12:53
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2016

Do desmazelo mais preparado de sempre

Monumento a Ant.º José de Almeida, Lisboa (G. Nunes, s.d.)
Monumento a Ant.º José de Almeida, Lisboa, [s.d.].
Garcia Nunes, in archivo photographico da C.M.L..

 Todo o empedrado da Av. António José de Almeida foi refeito há não muitos anos; até a E.M.E.L. ali meteu o bedelho ajeitando a placa central por cobrar estacionamento (uma concessão de rendas sobre o uso da via pública cuja contrapartida ainda não percebi). Cuido que duraram os pavimentos dos anos 30 mais de 70 anos sem que a necessidade de manutenção nem o desleixo municipal impusessem obras por inteiro até que um qualquer imperativo político de empreitada surgiu há meia dúzia de anos. — Ficou bonito!...
 Pois passados eles, circula-se agora por aquela serventia e mais parece que vamos na montanha russa, de tão onduladas se acharem as faixas de rolagem. A obra que refez a Ant.º José de Almeida foi tão capaz que em meia de dúzia de anos o pavimento empedrado se afundou a ponto de estar pejado de remendos de alcatrão ou pura e simplesmente às lombas; cheguei a ver lancis tombados a par do I.N.E. por lhe abater a base pela perda de solidez e afundamento da faixa de rolagem. E vi também a reparação de amador que lhe fizeram...
 De trás do I.S.T., na antiga Rua de Sinel de Cordes sucedeu o mesmo, mas em menos tempo; desde que refizeram a rua por inteiro depois de escavarem ali um novo parque de estacionamento, durou o pavimento sem se ir abaixo coisa de um ano. Não acho explicação para obras tão mal amanhadas em tempos de tanta excelência e de gèrações mais bem preparadas de sempre; salvos empreiteiros aldrabões, operários mais e mais desqualificados, mas certificados e, principalmente, desleixo do Município. — Isto não é próprio da democracia roncante nem da nova ordem mundial!... O caso, porém, é que enquanto à rodovia da Av. António José de Almeida (entre outras) faz o Município vista grossa, já no plantio de árvores pelo asfalto das avenidas (ou o seu abate nos passeios das ditas pelo imperativo maior das pistazinhas de ciclismo — tais são as prioridades impostas pelo feng xui!...) ou no arranjo païsagístico de coisas arranjadas como a Alameda de D. Afonso Henriques (vi hoje que andam lá a recompor o que composto estava), vejo um labor infrene.

 O empedrado desta rua de que falo foi assente nos anos 30. No Estado Novo a exigência e o rigor com obras públicas eram o que sabemos e, claro, as competências hoje são indiscutìvelmemte maiores (da mestria antiga nem sei que diga; se vier alguém hoje, p. ex., dizer com ar entendido o que são faixas assentes em fundações de alvenaria que garantam uma conveniente estabilidade e solidez dos leitos de estradas e passeios de modo a que não sejam influenciados pelo cilindramento do macadame, só pode ser uma coisa: know-how). Sucede que nesta rua nem isso...

 

PORTUGAL. C.M.L./Arquivo do Arco do Cego, Projecto de construção de arruamentos na quinta dos Britos, sítio do Fole e compra de propriedade a Maria Teresa de Oliveira Calheiros Viana, 1929-39, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/011.

PORTUGAL. C.M.L./Arquivo do Arco do Cego, Projecto de construção de arruamentos na quinta dos Britos, sítio do Fole e compra de propriedade a Maria Teresa de Oliveira Calheiros Viana, 1929-39, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/011.

 

(Revisto ao quarto para as dez (nove, digo) da noite.)

Escrito com Bic Laranja às 12:46
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

Toada de noites mormacentas

 Lisboa, 5/9/2016 A toada d' «A Ilha» traz-me noites estivais; ou invocam-me estas aquela toada. Como hoje. Sinto nela uma modorra de saudade daqueles anos — grande poeta, o Tê, já o cá disse... Estupenda gravação ao vivo de Rui Veloso no já longínquo concerto do Coliseu. Nenhuma outra me soa tão bem. — Embalava-me isto do Rui Veloso nas Noites de Luar, barzeco à Rua da Bombarda, ou na Casa da Lina a par de S. Vicente, pelo tanger bem disposto do Luís Duarte. Mas só lhe dei atenção, à toada do Rui Veloso e do Tê (e ainda assim distraìdamente) lá pelo fim da década: 1990... A verdade é que me ficou cá como a Coca-Cola do Pessoa, entranhada na memória. Sempre invocando (ou invocada por) noites cálidas assim.

  Deu-me agora aqui para isto, uma soedade a bater; deve ser do Setembro chegado com uma canícula nunca antes vista. Ou do Verão, mesmo assim, a acabar-se...


*   *

 

Rui Veloso - A Ilha
(Carlos Tê / Rui Veloso)

Fiz-me ao mar com lua cheia
A esse mar de ruas e cafés
Com vagas de olhos a rolar
Que nem me viam no convés
Tão cegas no seu vogar

E assim fui na monção
Perdido na imensidão
Deparei com uma ilha
Uma pequena maravilha

Meia submersa
Resistindo à toada
Deu-me dois dedos de conversa
Já cheia de andar calada

Tinha um olhar acanhado
E uma blusa azul-grená
Com o botão desapertado
E por dentro tão ousado
Um peito sem
soutien

Ancorámos num rochedo
Sacudimos o sal e o medo
Falámos de música e cinema
Lia Fernando Pessoa
E às vezes também fazia um poema

E no cabelo vi-lhe conchas
E na boca uma pérola a brilhar
Despiu o olhar de defesa
Pôs-me o mapa sobre a mesa

Deu-me conta dessas ilhas
Arquipélagos ao luar
Com os areais estendidos
Contra a cegueira do mar
Esperando veleiros perdidos
Escrito com Bic Laranja às 23:48
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Temos homem!

 Esta já tem dias, mas é tão formidável que merece não passar despercebida. O primeiro-ministro do Rato achou a solução para o terrorismo na Europa. Inspirado na razia que engendrou para as ruas da Palma, do Benformoso e adjacências na nova e florescente Mouraria lisboeta (que já passa de Arroios), propõe a regeneração dos bairros periféricos em várias cidades europeias, sobretudo, onde vivem comunidades islâmicas [...] A reconstrução de raiz de espaços urbanos e a inserção social com a criação e emprego [sic], combate à delinquência juvenil e formação cívica são outras das medidas preconizadas por António Costa (Rita Soares, «António Costa apresenta proposta para combater terrorismo», Antena 1, 2/IX/2016).
 
O nosso homem palpitou-lhe, portanto, um brilhante plano que é em simultâneo uma gloriosa empreitada de obras de construção civil à escala europeia e uma espécie de empreitada de missionação laica, republicana e socialista a prègar civismo e bom comportamento a animalejos, naturalizados e de importação, que com empenho oficial há muito se concentram como em reservas de índios nos subúrbios dessa Europa toda. Construção civil e homilia redentora, pois, nas periferias já elas de raiz construídas com oportuníssimas empreitadas de obras para combate à delinquência e inserção social e como uma espécie de maná para a formação cívica (os chavões já estavam lá todos).
 Em tão original e ofuscante raciocínio nem se deu conta do nexo que fez entre o terrorismo e os islamitas. A pandilha europeia dos «refugiados» (a que lhe dá ordens) há-de ficar impressionada com o génio.

http://costa2015.pt/wp-content/themes/PS2015/assets/img/antonio-costa.png

Primeiro-ministro do Rato apanhado na rede...

Escrito com Bic Laranja às 16:58
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016

Manguito

IMG_1083.JPG

 A Radiotelevisão Portuguesa é isto: uma montra de palhaços que aponta manguitos ao telespectador. Não conheço o artista do chapéu, mas sobressaem-no com alvará de tudólogo. O panamá é natural extensão do cérebro, não falta de decoro em televisão. No mais, esquerdóide, de importação. Como se cá houvesse já pouca porcaria.

(R.T.P. 3, 1/IX/16.)

Escrito com Bic Laranja às 19:28
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Reflexo de mediocridade

 Ontem, antes de o senado do Sítio do Pica-pau Amarelo resolver o caso da Maria Machadão, o notíciário radiofónico cá ia enfatizando de hora a hora a tirada de truz com que um senador se saíra para (nem sei bem)... aconchegar a circunstância?...

Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate o sol
Mas o que eu quero é [...] dizer que a coisa aqui 'tá preta

 Alta cultura! Lá. Cá é só reflexo.

Antena 1...

Imagem daí...

Escrito com Bic Laranja às 12:32
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