Segunda-feira, 12 de Março de 2018

Nota de agradecimento

 Em pequeno vi o Robinson Crusoé na televisão. Fascinou-me a história, sobretudo a encenação de época: navios à vela, tempestades, naufrágios, ilhas remotas, selvagens antropófagos, mosquetes; um estímulo à minha imaginação e ao meu pendor, já na infância, para coisas de antigamente... Nem de propósito, pouco depois, recebi um livro fabuloso, ilustrado, com a história do Robinson Crusoé. Uma prenda da madrinha. Não sei como me adivinhou ela o gosto — e não porque eu tenha alguma vez pensado em tal livro, pois nem imaginava que existisse. Achei mais extraordinário o dom de me a madrinha adivinhar, porque em duas ou três ocasiões seguintes ofereceu-me ela outras prendas que coincidiram no meu gosto. E não foi nunca de eu pedir ou falar, porque os desejos que eu verbalizava eram de coisas diferentes, disso tenho clara ideia. Destas coincidências formei ideia de que a madrinha parecia que tinha o dom de adivinhar prendas que me agradavam. Até hoje. Mas, bom, é isto história de criança…

 Há semanas — em Janeiro — o José desfez na Porta da Loja um novo livro do atentado a Salazar em 1937, dum tal Araújo historiador e, de caminho, referiu Emídio Santana, velho anarquista por dentro do atentado que escrevera, ele, também, um livro sobre o caso (Emídio Santana, História de um Atentado; o Atentado a Salazar, Forum, Mem Martins, 1976). Recorda-me de ter pensado:  — Este livro é que talvez interessasse; não essa novidade agora do tal Araújo. Calhando ainda vou procurá-lo nalgum alfarrabista.
 E o caso passou-me assim na mente e esmoreceu sem que nada, afinal, eu houvesse feito nem viesse a fazer. Nem falei do caso a ninguém. Até que certo dia, uma ou duas semanas após, chego ao trabalho e tenho o livro de Emídio Santana na secretária com um recado: 
 — De: Fernandes […] Nota: depois falamos.
 
Quando falámos não só lhe agradeci como quis saber quanto lhe devia. Pois, não me aceitou o meu gentil amigo Sr. António Fernandes um real pelo livro. E que até o ofendia!… Contei-lhe resignado, então, que a feliz coincidência de me ele aparecer a oferecer um livro que eu desejara havia dias me recordava aquela história da minha madrinha em criança: era comparável no dom de adivinhar. O Sr. Fernandes só me disse:
 — Ora aí tem. Com essa história, já me V. pagou o livro.

  A imagem mostra mais um livro. Sábado de manhã toca-me o telefone; oiço de lá num estilo inconfundível:
  — Bom dia! Tenho aqui a «Correspondência Marcello Mathias / Salazar, 1947/1968», com prefácio do Prof. Veríssimo Serrão. Já tem?
 — Bem, não, mas veja o Sr. Fernandes...
 — Bem me parecia! Segunda de manhã lá o tem. Até lá!

 Não é só por estes que estou penhorado ao meu bom Amigo. São mais. Não sei como lhe pagar.

Escrito com Bic Laranja às 19:43
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