Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

De 1980, mas não de autocarros: American Gigolo para crianças


Debbie Harry de pijama e os Marretas, Call Me

Escrito com Bic Laranja às 22:54
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Ou me engano…

 Ou o mamarracho com jeitos de clandestino empoleirado lá atrás é um devoluto que pegou fogo há dias dalguma sopa de cavalo. Conquistas da libardade anunciada nas paredes das casas velhas a par do caminho-de-ferro, decerto.


Passagem de nível da linha de cintura de Alcântara, Campolide (Guy, 1980)
Passagem de nível da linha de cintura de Alcântara, Campolide, 1980.
Guy, in Flickr.

Escrito com Bic Laranja às 19:54
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Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2019

Lisboa com aquela luz…

Parentex ou Terminal, centro comercial do Rossio, Avenida, 1980 (Biblioteca de Wood, n.º 1492)
Parentex ou Terminal, centro comercial do Rossio, Avenida, 1980.
Biblioteca de Wood, n.º 1492, in Flickr.

Escrito com Bic Laranja às 21:49
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Domingo, 8 de Dezembro de 2019

Conceição de cima, conceição de baixo… e cresciam duas aldeias…


José Hermano Saraiva, No rumo de Zarco.
(Horizontes da Memória, R.T.P., 7/XII/1997.)

Escrito com Bic Laranja às 22:30
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Sábado, 7 de Dezembro de 2019

O «Observador» dá tratos de polé ao idioma português

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Dar notícias é fácil. A gramática é que atrapalha. (Observador, 6/XII/19.)

Escrito com Bic Laranja às 00:35
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D.ª Ângela (Frau Merkel) põe ferrete eterno nos alemães

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Ela lá sabe. (Observador, 6/XII/19.)

Escrito com Bic Laranja às 00:31
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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019

Dos que botam água benta e dos que dão sota e ás

 Algures aí para trás há um comentário dum leitor sine nomine, parece que apoucando o Prof. Hermano Saraiva como «depois de 'limpo' por Mário Soares» ou algo assim. — Seria remoque só de si àquele (até porque lhe aponta um erro numa tirada mais eloquente num dos Horizontes da Memória, sobre Paredes de Coura)? Seria projecção nele da limpeza vinda do tal Soares, que de água benta não teria nada, antes pelo contrário? Seria regimental veneração pelo irmão do dr. Tertuliano e vulgar aversão por José Hermano Saraiva? — O caso é que não entendi o pleno alcance da insinuação. Verdades insofismadas do nosso tempo, e delas não saímos, são sem sombra de dúvida, porém, que o Prof. Hermano Saraiva é do fachismo e o irmão do dr. Tertuliano é o patriarca da democracia e da libardade [*], senão o da Pátria — mesmo não sendo pai de D. Afonso Henriques, do Mestre de Avis ou de D. João IV. No caso de José Hermano Saraiva, o fachismo é o ferrete habitual e inquestionado dos democratas de alvará sobre qualquer vulto do Estado Novo; no do pater patriae é o estado a que chegámos.

 Tornando ao caso da limpeza do Prof. Saraiva pelo dito Soares (que será purificação de água benta, ou não fosse o tal Soares filho dum padre), tinha para mim que havia um passo sobre isso no «Álbum de Memórias» de José Hermano Saraiva («Sétima Década; os anos 80», 1.ª ed., Sol, 2007, pp. 20-21):

 Eu estava na primeira fila [na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro], em representação da Academia das Ciências de Lisboa, especialmente convidado pelo dr. Mário Soares para o acompanhar na visita ao Brasil.
 (Faço um parêntesis para explicar que, surpreendido por tal convite, telefonei para a Presidência da República e disse que não via justificação para ele: eu não tinha funções públicas, não era político, não alinhava com a situação política vigente. Que razões tinha, pois, o Presidente da República para me convidar a acompanhá-lo numa visita de Estado ao Brasil? A resposta foi: o Presidente quer que no Brasil vejam bem que ele é o «Presidente de todos os portugueses» [**]. De todos, até de V. Ex.ª! A um convite destes não é possível dizer que não.)

 Sobre tão peculiar predicado como o atribuir-se a alguém republicano, laico e socialista o dom de abençoar outrem para a vida, pública, política, profissional, o que se queira (limpar, no falazar do tal leitor anónimo), julgo que o  excerto acima é expressivo q.b. da natureza de quem dita a democracia «a todos os portugueses» e de quem educadamente não deixa de reconhecer a dignidade do cargo de chefe de Estado, independentemente de regimes e do figurão que o ocupa.
 Mas se mais dúvidas houvesse…
 O prof. Hermano Saraiva relata em seguida o sucedido na sessão solene na Academia Brasileira de Letras e tem graça:

 O dr. Austragésilo [de Athayde] [***] iniciou a sessão com estas palavras (ou com palavras semelhantes, porque não registei o que ele disse): «É com grande júbilo que esta insigne Academia abre hoje de par em par as suas portas para receber no seu seio essa ilustre figura de… estadista, de homem público, de pensador, de filósofo…, de homem de letras…, de intelectual ilustre…, de escritor brilhante…» (e ia-se demorando cada vez mais nas adjectivações elogiosas), «que é o doutor…» (e aqui suspendia-se interrogativamente, como se de todo em todo lhe não lembrasse o nome do académico que estava a receber), «que é o doutor…» (os membros da mesa sopravam-lhe aos ouvidos: «Mário Soares! Mário Soares!), mas ele, empolgado no discurso, parecia nada ouvir. «O doutor…» (e batia na testa, para lhe vir a lembrança à mente). Todos assistíamos, vexados e confrangidos, àquela indiscreta revelação da amnésia e decrepitude do velho patriarca Austragésilo. E de todos os lados lhe sopravam: «Mário Soares! Mário Soares!». E eis que de súbito se lembra. Bate com o nó do polegar na têmpora e conclui triunfalmente: «Que é o doutor António de Oliveira Salazar!»
Toda a sala, atónita, se fechou num silêncio de surpresa e espanto. Dos portugueses do Brasil, a maioria era admiradora do grande estadista. Mas ali não estava presente a política. Tratava-se de Portugal. Como interpretar o que acabava de se ouvir? Uma provocação? Um sinal de caquexia senil do velho Austragésilo? Uma brincadeira serôdia e deseducada?
 O embaraço durou poucos segundos. Um vulto levantou-se e aplaudiu com entusiasmo. «Muito bem! Muito bem!» E dava palmas calorosas. Era o próprio dr. Mário Soares. Toda a assistência, em pé, o acompanhou num aplauso sincero e fascinado. As palmas não eram nem para ressuscitar a admiração por Salazar, que no Brasil continuava bem viva, nem para aplaudir Mário Soares, que era o outro lado da medalha. Era para o belo gesto com que este soubera ultrapassar um dificuldade que a todos constrangia.

 Estes dois passos do que aconteceu em 1987, antes e na visita do Mário Soares ao Brasil (24 de Março a 5 de Abril), mostram o reflexo da verdadeira magnanimidade sobre o pretenso (e por uma vez real) magnânimo. Uma ironia, porquanto é o cronista adverso e subjugado, mas honrado e honesto, quem dele dá conta. De modo que da sua pena sai História e ninguém sai amesquinhado.
 Notai também que o «Álbum de Memórias» foi publicado em vida de ambos: do autoproclamado «presidente de todos os portugueses» e do cronista desalinhado que, com respeito institucional adquirido noutro tempo, se conformou dignamente a tão magnânimo suserano; e nunca a história relatada foi contestada como desonesta ou falsa.
 Pois que bem que se dela tira quem põe água benta e quem dá sota e ás!

20$00 — Ch. 8 v.: Garcia de Orta, Banco de Portugal, 1977
Nota de 20$00 do bochechas — Ch. 8 v.: Garcia de Orta, Banco de Portugal, 1977.


[*] Corruptela desdenhosa da «liberdade» dos democratas reviralhistas, cunhada por Humberto Delgado (mais um democrata libertador…) no ano da plebescitada Constituição do fachismo, na sua Pulhice do «Homo Sapiens».
[**] Presidente com maiúscula e portugueses com minúscula. No original em forma de citação.
[***] Os do Brasil têm um desafecto insuperável com consoantes não articuladas do português como os «cc» de acção, afecto, director ou facto e com os «pp» de adopção, Egipto, excepção &c., já para não falar das maiúsculas nos meses e nas estações do ano, mas não lhes complicam nada o bestunto os «th» ou os «yy» gregos dos Athaydes.

Escrito com Bic Laranja às 21:25
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Domingo, 1 de Dezembro de 2019

Vão ver como é bonita a costa Norte


José Hermano Saraiva, A Costa Norte.
(Horizontes da Memória, R.T.P., 30/XI/1997.)

Escrito com Bic Laranja às 22:30
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«Cerimónia comemorativa da implantação da república (sic)», S.I.C. – Notícias

O primeiro de Dezembro é o dia da Restauração. Bom, a Restauração ainda não é propriamente uma história que o tempo apagou. Mas já pouco falta para isso…

 A frase foi proferida há 25 anos; transcrevi-a ontem como chamada ao programa do Prof. José Hermano Saraiva no verbete Restauração. O Prof. Hermano Saraiva ensinou, então, em 25 minutinhos a Restauração. Apesar do intróito, de não ser ainda uma história que o tempo apagou, sendo que admitia já pouco faltar, acaba ele solenemente a lição dizendo: — Bom! E é por isso que continua a ser feriado hoje a data do primeiro de Dezembro.

 Muito pouco faltava, realmente.

 Recordo ao benévolo leitor o que aconteceu ao feriado do primeiro de Dezembro nos anos que se seguiram à 3.ª bancarrota desde… 1928.

 E com isto, do primeiro de Dezembro de 2019 tira-se:

 Na Rádio [do] Observador, as notícias às 0h00 (música épica; locução — edição, dizem eles — de João Cruz): 1.ª notícia — Boa noite! Portugal está na final do (campeonato) mundial de futebol de praia… (futebol de praia, lestes bem); 2.ª notícia — O Benfica goleou o Marítimo por quatro a zero no estádio da Luz…; 3.ª — Portugal está no grupo da França e da Alemanha para o campeonato europeu de futebol…

 O Benfica entende-se. O futebol também, claro! Mas Portugal?!… Como entendê-lo?!! É algum país?! É alguma coisa?!

Cerimónia comemorativa da implantação da república (sic), S.I.C. – Notícias, 1/XII/2019.
Cerimónia comemorativa da implantação da república (sic), S.I.C. – Notícias, 1/XII/2019.
Fotograma de Pedro Nogueira, in «Como uma praga».

 Comemoraram-se os 300 anos da Restauração. Não se haverão de comemorar os 400.

Escrito com Bic Laranja às 16:19
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Restauração

 O primeiro de Dezembro é o dia da Restauração. Bom, a Restauração ainda não é propriamente uma história que o tempo apagou. Mas já pouco falta para isso…


José Hermano Saraiva, Restauração.
(Histórias que o Tempo Apagou, R.T.P. 2, 2/XII/1994.)

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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