Terça-feira, 28 de Novembro de 2023

Digno de memória

José Hermano Saraiva (anot. e com.), Ditos Portugueses Dignos de Memória; História íntima do século XVI, 3.ª ed., Mem Martins, Europa-América, 1997.

José Hermano Saraiva (anot. e com.), Ditos Portugueses Dignos de Memória; História íntima do século XVI, 3.ª ed., Mem Martins, Europa-América, 1997.

 


 

 O texto de chamada na contracapa desacerta com o teor dos «Ditos», descrevendo-os desprimorosamente como «mesquinharias», «invejas», dando-os estrondosamente como denúncia de «um país fendido pela intolerância e pela cupidez, onde se assiste ao naufragar das estruturas morais e ao esboroar das estruturas económicas». Um resumo delirante, errado, talvez indigente, de quem não leu ou não esteve para ler o livro e debitou um recado panfletário, viciado de juízos de valor típicos dum certo modo muito em voga hoje de, não só promover a História, como de olhar as coisas do passado em geral.
  Ridículo!
 O livro é um singelo rol de situações avulsas, comezinhas, quotidianas, algumas ligadas a factos de relevo histórico, outras só com o fundo que mostra Portugal há quinhentos anos, condimentadas com tiradas espirituosas ou galhofeiras dos intervenientes. Abarca ditos de gente de corte e não só, dos reinados de D. Afonso V, D. João II, D. Manuel I, D. João III e D. Sebastião. É desse colorido do dia-a-dia, raro de achar para tempo tão antigo, que lhe vem o interesse, porque, como o A. diz:

«[...] Uma cousa pequena ou uma palavra faz conhecer melhor os costumes das pessoas que as disseram que os infinitos inimigos mortos em batalhas e as cidades destruídas e reinos conquistados.»

 Desconhece-se o A., mas foi contemporâneo de Camões — há dois ditos na compilação que se lhe referem. Conjectura o prof. Hermano Saraiva que era cristão-novo, provàvelmente oficial subalterno da Fazenda no reinado de D. João III.

«[749] Luís de Camões, que em oitava rima compôs parte da história da Índia tão bem como se vê, estando na Índia quando D. Antão de Noronha era viso-rei, considerando que, por o viso-rei não fazer armadas grossas, faziam os Malabares muito dano aos Portugueses, tomando-os onde os achavam poucos a poucos por razão da pouca resistência que, sendo assim poucos, lhes podiam fazer nas armadas miúdas que o viso-rei fazia, disse-lhe: «Este nosso viso-rei perde-se pela saca», aludindo ao jogo da primeira, onde se quem não aventura, quando lhe parece tempo, a restos grossos perde pouco a pouco o dinheiro que tem pela saca.»

«[750] Convidando um fidalgo chamado Heitor da Silveira um dia a jantar certos amigos e, entre eles, a Luís de Camões, depois que comeram, lançaram-se quatro deles sobre dois catres que somente havia na casa. E um dos convidados, a quem chamavam Lourenço Vaz Pegado, sentou-se no canto de uma janela; e Heitor da Silveira, tomando a tábua da mesa e atravessando-a sobre duas cadeiras de espaldas e lançando-lhe um pano de grã por cima, rogou-lhe que se encostasse ali. E ele recusando-o, fez-lhe Luís de Camões de repente esta trova:

Para homen tão honrado
fazem-vos mui pouca festa;
mas se ere[i]s avisado
nunca em tábua como esta
tu, Lourenço, vás pegado.»

 


[749] Parte da história da Índia: referência a Os Lusíadas que talvez seja a mais antiga referência elogiosa feita ao Poema em documento não oficial. Do mesmo modo que no alvará de privilégio e na autorização da Inquisição, Os Lusíadas são considerados um livro de história redigido em verso. Perde-se pela saca: o jogo da primeira, muito corrente nesta época, era um jogo de cartas no qual os parceiros deveriam  tomar para si a parte ainda restante do baralho. Os jogadores audaciosos recolhiam-no quando as cartas que compunham essa parte eram muitas (restos grossos), correndo desse modo o risco de ficarem com cartas na mão quando o jogo terminava; mas, de outro modo, corriam o risco de ver as suas cartas «sacadas» a pouco e pouco pelo parceiro mais ousado. A isso se chamava «perder pela saca». Camões comparava, portanto, o viso-rei a um jogador tímido, que perde por medo de arriscar.

[750] Heitor da Silveira: filho de Francisco da Silveira, que foi coudel-mor no tempo de D. João III. Era ainda parente da família dos condes da Sortelha, mas em grau afastado (o avô de Heitor era irmão do avô do 1.º conde da Sortelha e do irmão deste, António da Silveira, o herói do primeiro cerco de Diu). Eres: é a 2.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo ser em espanhol. No manuscrito da Academia figura éreis, 2.ª pessoa do plural do pretérito imperfeito do mesmo verbo em português. O tratamento «vós» indica que a forma do manuscrito da Academia é a correcta. Sobre o sentido do improviso camoniano e o possível trocadilho que ele contém ver o meu livro Vida Ignorada de Camões, p. 251 [p. 276 na 2.ª ed.]. [N. do E.]

Escrito com Bic Laranja às 23:16
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Domingo, 26 de Novembro de 2023

De vinte-e-cincos

Comandos no 25 de Novembro, Amadora (Alfredo da Cunha, 1975)
Comandos no 25 de Novembro, Amadora, 1975.
Alfredo da Cunha, in archivo photographico da C.M.L.

 

 Lembrava-me nìtidamente da frase:

« Concretizada a independência de Angola (depois das restantes províncias africanas) a 11 de Novembro, já podia acabar a bandalheira.»

 Deu-me ideia que pudesse o A. repescar o texto e cá está:  Acromiomancia Revisitada – XXII. Centuriões e Decorativos (Dragoscópio, 25/IV/15). Escusei de ir à procura.
 O caso é que a cada 25 de Novembro sempre vejo por aí uns tristes a reclamar de que esta é que é a data certa do 25 de Abril e, nada disso! A frase lá atrás resume o negócio todo. E nela também o modo em como a suserania soltou a arreata às bestas e as mandou à sua vidinha no portugalinho que sobrou.
 O 25 de Novembro, apesar dos feitos e dos homens, foi só o berrar de «Organizem-se!» da anedota. 
 Seguiram-se a Rodésia e a África do Sul, mas o orgulho já vai muito, muito além do adro, como se bem vê.

 Epitáfio:

« […] Um país claramente amaricado, que, cada vez mais, maquilha a descida à sepultura com a saída, amaneirada, do armário.»
Escrito com Bic Laranja às 12:46
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2023

Wie freudig ist mein Herz

 Topei agora com esta apresentação ao vivo da cantata BWV 199 de Bach (Mein Herze schwimmt im Blut). Só agora. Tem dois anos no tubo, mas não dei por ela quando disse cá por suspiros mudos e queixumes silenciosos a seu propósito que se os anjos cantam deve ser assim e  que, no caso, a partitura há (só pode) de ser de Bach.

 Repito-me agora, pois não me canso de ouvir esta cantata.

 Há dois anos por esta altura do ano corria ainda a febre demente em que andou o mundo e é bom que se não esqueça, para não repetir, mas acho que doutra ninguém nos livra, de tal modo vão as coisas do mundo…
 Desterrei-me então o mês tôdo de Dezembro na província: quis Deus que com Sol sempre radioso, dias amenos, pinhal em redor apelando ao refúgio em paz e sossêgo. Uma tardinha, antes de jantar, já anoitecendo, um encanto ouço a soar-me da emissora 2, companhia habitual para encher os dias: Bach, «Mein Herze schwimmt im Blut», cantata BWV 199, Sabine Devieilhe.
 Sabine Devieilhe? BWV 199? Que sabia eu?…
 De início não dei muita atenção, estava só com a rádio em fundo. Porém aquela voz celestial, a doçura do canto, o melodioso oboé, as pausas, a cadência, tudo… Encantei-me! Tomei nota no fim quando o locutor o repetiu o título e o nome da soprano… Aquilo passou-se. Quase me esqueci.

 Seis meses depois, Junho de 22: mesmo lugar, mesmo sossêgo, mesma companhia da rádio; soa-me outra vez na emissora a mesma cantata de Bach pel' aquela voz celestial. Com a mesma desatenção inicial, num instante me veio à memória Dezembro anterior e dei-me conta — Esta cantata!… Qual era já? Quem era a soprano?…
 Sabine «Devieille»; havia-lhe escrito mal o nome no apontamento que tomei no caderninho, mas achei-a e, disto que conto dei por suspiros mudos e queixumes silenciosos uma vez conta.

 Pois não me cansa ouvi-la. Como me anima o âmago, cá a guardo mais esta vez, agora ao vivo; a quem possa agradar.


João Sebastião Bach — Cantata BWV 199 «Mein Herze schwimmt im Blut».
Sabine Devieilhe (soprano), Raphaël Pichon (maestro), Orquestra Pygmalion, 2021.

 


Bach: Mein Herze schwimmt in Blut, BWV 199
00:00Mein Herze schwimmt im Blut | Recitativo (Soprano)
02:16Stumme Seufzer, stille Klagen | Ária and recitativo (Soprano)
10:43Doch Gott muss mir genadig sein | Recitativo (Soprano)
11:48Tief gebuckt und voller Reue | Ária (Soprano) [*]
19:35Auf diese Schmerzensreu | Recitativo (Soprano)
19:55Ich, dein betrubtes Kind | Coral (Soprano)
21:58Ich lege mich in diese Wunden | Recitativo (Soprano)
22:48Wie freudig ist mein Herz | Ária (Soprano)

[*] Desapareceu tudo! O Yutubo é uma desgraça; um monopólio desgraçado. Nem no arquivo da internete (archive.org) se acha. Consegui achar esta ária Tief gebuckt un voller Reue no livro das fuças. É o vestígio que ainda sobra.
Um bom exemplo de como no futuro a História será o que os deuses do apagão deixarem que venha a ser, não o que na verdade foi!
(Adenda no dia de Reis de 24.)

Escrito com Bic Laranja às 16:21
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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2023

30 segundinhos de Lisboa nos anos 30 em cores esborratadas por computador

Escrito com Bic Laranja às 18:56
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Domingo, 19 de Novembro de 2023

Avenida da República

 Da Fábrica Portugal, móveis de ferro, utilidades, à casa sueca que lá vi há dias em ali passando. Acho bem. Portugal acabou e cartão prensado de marca sueca sempre arrima mais ao chic e, salvou-se a fachada…

 

Av. da República, 55, Lisboa, [s.d.]. Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.
Av. da República, 55, Lisboa, [s.d.]. 
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 09:07
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2023

A Guiné em 1934

Landerset Simões, Norton de Mattos (pref.), Babel Negra: etnografia, arte e cultura dos indígenas da Guiné, [Porto], [Of. Gráficas d’ «O Comércio do Porto»], [1935], p. 25.
Landerset Simões, Norton de Mattos (pref.), Babel Negra: etnografia, arte e cultura dos indígenas da Guiné, [Porto], [Of. Gráficas d’ «O Comércio do Porto»], [1935], p. 25.

Escrito com Bic Laranja às 23:43
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2023

Crónica da Guiné (capítulo a seguir de depois do último)

 Primeiro, o primeiro-ministro pediu a demissão. A seguir, o presidente da república aceitou-a. Ao depois, o primeiro-ministro que se demitiu continuou em primeiro-ministro como se nada houvesse. E agora em cima disto tudo, o primeiro-ministro que está demitido mas não está, mai-lo o presidente que confirmou a demissão mas não faz caso, foram os dois oficialmente à Guiné em viagem de Estado.
 Posto desta maneira simples, é de rir.
 Empreendendo um nadinha mais no caso, porém, vejo aquele par de jarras ir assim prestes à Guiné para comemorar os 50 anos, dizem, da independência daquilo e — Ora! Independência de gargarejo, digo-o eu e é verdade, porque bradada sem consequência em Setembro de 1973 pelo P.A.I.G.C. do fundo do matagal africano.
 Simplesmente, parece que vivemos tempos em que a História aldrabada é que conta e contra isso pouco se há-de fazer. Mas ainda assim o arriar da bandeira em Bissau foi e não deixa de ter sido só em Novembro de 1974 — de 1974! — Contas feitas foi mais dum ano após a tal independência que foram agora lá estes dois daqui comemorar. Um ínterim em que houve gente nossa a defender o próprio coiro e a pátria contra esses outros, os dos 50 anos agora. Mas pior é o que dá a entender a ida deste par de altas jarras com rótulo de portugueses a Bissau, porque alguns dos nossos bravos da Guiné tombaram lá justamente nesse ínterim de 73, 74; o que dá a entender, pois, é que os renegam. Os dois fregueses a que me refiro demonstraram, indo oficialmente e em nome de Portugal a Bissau para os 50 anos deles, o mais ignóbil desprezo pelos nossos que dignamente lá tombaram. — Tristes tornadiços tão cheios de Estado eles são! Uma enorme vergonha os cobriria, se a tivessem! Mas não. Nem espanta: um, parece com isto e tanto mais que tenho visto, renegar até o pai, que foi governador de Moçambique; o outro, filho dum goês, linhagem de gentes há 500 anos criada por Portugal, é igual e ainda por cima a braços com a lei. — Foi no que o portugalinho servil dAbril veio a dar.

Landerset-Simões, «Jerónimos», in Boletim Sociedade Luso-Africanado Rio de Janeiro, n.º 9, Abr...........-Jul. 1934, p. 94
Landerset-Simões, «Jerónimos», in Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, n.º 9, Abr...-Jul. 1934, p. 94.

Escrito com Bic Laranja às 20:20
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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2023

Clérigos, mercadores, judeus e fidalgos

 Tudo é mercadoria.
 Parafraseio aqui dois títulos de Ant.º Borges Coelho, medievalista. O tempo parece outro, mas os títulos são tão adequados… Retiro antes os clérigos porquanto estes com poderes de mando parecem andar na mó de baixo (ou discretos q.b. e, no caso, aí está uma sabida virtude).
 De virtudes sabidas, e bem, temos então que abundam aí pelos partidos. É por virtudes destas, entre aspas, que, respeitante a Portugal, sou de inteiros. Desde que Portugal acabou e se escaqueirou é o que há: partidos; e é nesses cacos partidos da ex-pátria que os fidalgos cometem modernamente seus feitos. São fidalguia de berço, berço jota, e tomam recompensa de tenças e sinecuras à moda da Idade Média por feitos de bravura cometidos em… papel de jornal.
 Com pergaminhos de tão bom coiro assim, natural é ver estes fidalgos honrar ao depois a sua democrática nobreza na feira de mercadores que são os governos e que se tem vista. E com tão alto mercadejar como não haveriam de ser eles também uns judeus em contas!…
 Isto para dizer o quê?
 O voto.
 Também é mercadoria.
 Hoje houvemos notícia de que pelos tais mercadores, judeus, fidalgos foi dado um crédito de imposto de circulação aos automobilistas com chaços de há dúzia e meia de anos ou mais. Por conta da santa cruz do voto.
 Ámen!
 Com o botar do voto em Março liquida-se o crédito.

Automovel do Sr. L. Elysio Mendes (1.º prémio de automoveis ornamentados), Campo Grande, 1907. Alberto Carlos Lima, in archivo photographico da C.M.L.
O automovel do Sr. L. Elysio Mendes (1.º prémio de automoveis ornamentados), Campo Grande, 1907.
Alberto Carlos Lima, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 11:03
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Sábado, 11 de Novembro de 2023

«Se às seis estiver bom vou-se embora»

 No 7.º ano calhou-me um trabalho de grupo. Era para História. Sobre os Egípcios. O grupo era eu, o Jorge, o Fumaça (creio que já aqui o referi; ganhou a alcunha de Fumaça logo no primeiro dia de aulas porque lhe encheram a mochila de beatas e parece que uma estava acesa) e... não me lembro se o Nuno também era do grupo...
 Alguém propôs a biblioteca da Gulbenkian para pesquisarmos o tema e o Jorge ofereceu a casa da avó — um 5.º andar na Marquês de Sá da Bandeira — que calhava mesmo à mão para podermos levar a cabo o trabalho.
 Combinámos então uma tarde, fomos à Gulbenkian e ao depois para a avó do Jorge para começar a redigir o trabalho. Logo nessa vez o Fumaça saiu-se com uma frase que me ficou até hoje: — Se às seis estiver bom vou-se embora.
 Ouvimos aquilo e ficámos intrigados com o sentido do disparate — Se às seis estiver bom vou-se embora — mas logo ali ninguém fez muito caso.
 Eis senão quando, às seis da tarde, o Fumaça levanta-se e, sem água vai, abalou. Foi-se embora. Os que ficámos entreolhámo-nos estupefactos, até que um de nós recobrou o pio e disse:
 — Este gajo vai-se embora assim? Sem dizer nada?!
 — Bom! Ele tinha dito que se às seis estiver bom vou-se embora...
 — Mas se estiver bom?!... Se estiver bom o quê?!...
 Ninguém sabia.
 E repetíamos connosco, como se não estivéssemos nós próprios… bons:
 — Perceberam aquilo? Se às seis estiver bom o quê?!...

Rua Marquês de Sá da Bandeira, Lisboa. Artur Goulart, 1964
Rua Marquês de Sá da Bandeira, Lisboa, 1964.
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 A avó do Jorge era naquele lado da rua, num prédio em frente aqui à mota do Chico. Só que se daqui não vê.


(Publicado originalmente em 1/VI/10 às dez e dezoito da noite. Revisto há pedaço.)

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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2023

Música juvenil

 Às vezes paira-me uma música na mente. Esta manhã tinha uma a palpitar-me na ideia; surgiu-me logo, logo ao acordar, sei lá donde veio. — De lá donde vêm todas as ideias, foi donde veio!…
 Um colega que tive, moço arqueólogo licenciado com fascínio pelos Celtas — e daqui que o alcunhei muito lusitanamente de Endovélico à conta dessa divindade celtibera cujas caracterísitcas medicinais levaram a que se viesse a confundir com Esculápio ao depois da romanização. Mas disperso-me…
 Bem! O moço arqueólogo, o Endovélico, bem entendido, ele tinha uma teoria. Não sobre donde vinham ou vêm as ideias à nossa mente, mas de como curar esse incómodo das cantigas que se nos pregam na tola, se repetem e repetem sem haver de sair. A teoria tal era: quando surge uma musiqueta assim a sarnar-nos é porque a ouvimos só pela parte e o remédio é achar forma de a ouvir por inteiro, que assim se acaba com a sarna.
 Esta manhã lembrei-me disto e, mesmo a descaso de me não lembrar onde raio houvesse ouvido só em parte a cantiga que me afluía à ideia desde que acordara (talvez sonhos…), fui buscá-la e pu-la dar enquanto fazia a barba.
 Pois não é hábito nada disto, e a cantiga ela mesma estranha agora, tão a despropósito, de modo que me preguntou cá a senhora que coisa era aquilo.
 — Ah! É só uma mùsiquinha juvenil de que me lembrei.


New Musik, This World Of Water
(From A to B, 1980)

Escrito com Bic Laranja às 14:45
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2023

A velha Servauto

A velha Servauto, Areeiro (A. n/id., ante 1967)
A velha Servauto, Areeiro, Lisboa, ante 1967. 
Anúncio publicitário. A. e loc. n/ id.

Escrito com Bic Laranja às 19:35
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Terça-feira, 7 de Novembro de 2023

Tugal

Ant.º Costa anuncia demissão, S. Bento (José S. Goulão, [Brasi]Lusa, 2023)

 E bem, com isto de hoje lá tirei a televisão do canal Baby TV e pus-lhe o tempo às arrecuas. Desde o caso do Galamba e a mulher dos olhos tortos que não brincava assim com aquela gaita; a caixa box, ou como a dizem.

  Ora, pois, vi e gostei! Deu-me ensejo para o que vou dizer.

 Tenho andado aqui com o Espelho de Portuguezes Pois bem, a miséria dependurada nas paredes de S. Bento é bem o espelho, mas de tugueses; a pompa do Estado tuguês é isto; um Tugal muito, muito de que nem fazia ideia, até porque não imaginava nada a respeito, tal o descaso em que de há muito ponho estes proscénios da politiquice doméstica. Daqui por conseguinte algum choque. Mas — alheamento, distracção minha —, estaria bem de ver, de adivinhar; e por adivinhar: aquela porcaria na parede da sala para se onde dirige o cessante tresanda-me, não sei porquê, à tal Vasconcelos? Não sei se é, mas sendo ou não, há-de ser como tudo o resto que por lá vi: obra bem obrada de assaz bem cotados cabotinos.

 Criticam muito uma fotografia autografada de Mussolini que se viu ao dr. Salazar, há quase cem anos, sôbre a sua secretária de S. Bento. Não sei o que lhe sucedeu, mas se existe hoje a singela fotografia que pavlovianamente faz espumar comunistóides & C.ª, ela valerá bom dinheiro em qualquer antiquário. Um artefacto que, dizem, desfeava, mas que o só faria em 13 x 18 cm.
 Já o bric-a-abrac que vi hoje pelo chão e paredes a decorar pindèricamente S. Bento valerá quanto daqui a cem anos? E quem será que há-de querer aquilo?




Fotografias de Sena Goulão/[Brasi]Lusa, apanhadas na rede.

Escrito com Bic Laranja às 19:46
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Das comadres

 Soberbamente alheado da actualidade, como é hábito consabido de quem ainda aqui passa a ler, acabei de ser alertado pelo telefone:
 — Demitiu-se o Costa?!…
 — Pois olha a quem preguntas…

 Consultados os noticiários, porém, parece que assim é. Nada que me importe, que isto não é nada. Portugal há muito que acabou…
 Todavia porém, empreendendo um pouco no caso, tenho ouvido notícias para aí que enrolam, e de que maneira, mandarete graúdo da nossa praça com certos empenhos…
 Ora sabendo tôdos de como as notícias são plantadas, será êle agora isto embrulho devolvido dalguma zanga de comadres…?

Damas à janela, Lisboa. Alberto Carlos Lima, 191…
Senhoras à janela, Lisboa, 191…
Alberto Carlos Lima, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 15:00
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Sábado, 4 de Novembro de 2023

Era no tempo do rei

 — Ah! Sr. capitão, disse ella por fim pondo as mãos nas cadeiras, chegando a boca muito perto do rosto delle e abanando raivosa a cabeça: olhe que isto assim não vai direito; faz-me andar a cabeça á roda... põe-me os miolos a ferver… e eu estouro... já viu!…
 — Mas o que há então, mulher?… Eu não lhe conheço…
 — Não quero cá saber de nada!… Já lhe disse que isto não vai bem… e eu estouro…
 — Mas porque?… o que é que tem… É preciso que você diga…
 — Não tenho nada que dizer… Estouro, já lhe disse, Sr. capitão!…
 — Pois estoure com trezentos diabos! mas ao menos diga pelo que é que estoura.
 — Não tenho nada que dizer… já lhe disse… isto põe a cabeça da gente como uma cebola podre, não tem logar nenhum… Ir-me por lá com ares de santarrão comprar frutas…
 — Quem, mulher de Deus? Você não se explicará?
 — Qual explicar, nem meio explicar! Pois então por ser cá a gente uma mulher velha, que já perdeu os achegos ao mundo, e ella uma pobre rapariga tôla e bisbilhoteira, com vontade de saber de tudo, vir-me cá a mim pregar o mono na bochecha, e a ella em logar ainda mais melindroso…
 — Mas quem é que pregou monos a você mais a ella? e quem é ella?…
 — Faz-se de novo! continuou a mulher exasperando-se; pois o Sr. capitão já não tinha consentido no casamento?...
 — Que casamento? com quem?…
 — Ai, ai, ai, que cá me anda a cabeça como uma nora solta... Pois o Sr. capitão não sabe que tem um filho?...
 — Sim, sei, respondeu este começando a descobrir o mysterio.
 — E não sabe que elle é um pedaço de um mariola!…
 A isto o capitão podia, porém não se animou a responder affirmativamente, e perguntou somente:
 — E que mais?…
 — E não sabe também que eu tenho uma filha que trouxe do Lumiar, a Mariazinha?
 — Como, se eu nem a conheço?…
 — Pois é uma rapariga muito capaz… e o diabo do tal cadete do seu filho andou por lá a entender com ella muito tempo: namoro para cá, namoro para lá, presentes daqui, promessas d'acolá… e afinal de contas… braz!… E então que lhe parece?
O capitão foi ás nuvens.
 — Até lhe prometteu casamento, dizendo que o Sr. capitão consentia… Ora eu bem sei que ella tambem teve sua culpa mas eu desculpo isso, porque também já fui rapariga… e sei que quando começa cá o diabo no corpo, adeus! Mas isto põe a gente tonta, porque… emfim a rapariga podia vir a fazer fortuna.
 O capitão tinha comprehendido tudo […]

Memorias de um Sargento de Milicias, por um Brasileiro [Manoel Antonio de Almeida], Tomo I, Rio de Janeiro, Typographia Brasiliense de Maximiano Gomes Ribeiro, 1854, pp. 60-62.



 Ora, se não é espantoso?!…
 Um diálogo assim da pena dum brasileiro?!… Uma rábula destas com sotaque?!!… Um naco de prosa destes, num clássico da literatura… brasileira?! — É como costumam designá-lo…
 Ná! Com certeza este diálogo da velha mãe da Maria da hortaliça com o capitão, pai dum cadete mariola que a desonrou (à Maria, não a velha), é zaragata alfacinha de mão na anca (ou nas cadeiras como se por ventura ainda dirá), se não mesmo castiça tirada duma revista no Parque Mayer; talvez cena de teatro radiofónico no Rádio Clube Português há umas décadas.
 É o que me parece.
 Isto é só um exemplo, porque o livrinho vai todo assim, por inteiro; se não na toada, pelo menos no estilo, pois a linguagem, a morfologia, a sintaxe, o contexto, as referências, o tempo, o espaço — Era o tempo do rei, a frase que abre o livro; o rei é D. João VI; ora no tempo de el-rei D. João VI o espaço era português —, pois bem, tudo ecoa Portugal!
 Mais.
 O malandrim herói do folhetim é um tal Leonardo, filho de Leonardo-Pataca, algibebe em Lisboa, bem apessoado maganão, e da tal Maria da hortaliça, saloia do Lumiar e quitandeira da praça, em Lisboa, rochonchuda e bonitota. Ambos se conhecem na passagem ao Brasil e, quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos… A história parte daqui e gira no Rio de Janeiro em torno das diabruras do rebento.
 De maneira que, se bem assim a história se passa no Rio, se o autor é súbdito do imperador do Brasil, e o tempo da narração é o meado do séc. XIX, tudo não deixa de ser familiarmente português neste romance picaresco. Tão próximo, todavia tão distante que me deixa saudade; hoje Portugal acabou e o Brasil é qualquer coisa em que se não revê nem se tolera deixar rever Portugal. Não foi o caso com o A., Manoel Antonio de Almeida (1831-1861), cuja afinidade cultural — cujo o caldo de cultura em que viveu e laborou, não só a literária, se não distinguiu da cultura portuguesa. Assim seria o Brasil, dou eu em entender, ou pelo menos o Rio de Janeiro, em meado do séc. XIX; um Portugal de além-mar; daqui que hajamos um romance todo ele português, assenhoreado pelo Brasil por um acaso de jus soli.

Chegada da Família Real de Portugal : Rio de Janeiro, 7 de Março de 1808 / Geoff Hunt. Soc. Hist. Britânica de Portugal, 1999. Óleo sobre tela, 60,9 x 91,4 cm. Colecção particular.


 Pela deriva do Brasil faz-me urticária pegar em edições brasileiras modernas, com português estropiado ou, nem sei já, se traduzido até para o idioma a que teimam chamar português, por inércia, esbulho ou má fé, naquelas terras de Santa Cruz a que vulgarmente passámos a chamar Brasil…
 Comecei, portanto, pois, por tomar a edição da R.B.A./Público (Clássicos, n.º 12, 1994) com ortografia portuguesa de 1945 (que sigo neste escrito), e alternei ao depois a leitura com a 1.ª ed. (electrónica) que saquei à Biblioteca Nacional do Brasil. Nada como ler uma edição original do tempo do A., com a orthographia do próprio A., de antes de o mito da simplificação ortográfica degenerar em mania de acordos tortográficos para endireitar o que não estava torto.

 


Memorias de um sargento de Milicias, por um brasileiro é o título da 1.ª ed., em 2 tomos, do único romance de Manoel Antonio de Almeida, primeiramente publicado em folhetim no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, de Junho de 1852 a Julho de 1853. A 1.ª ed. em livro é de 1854 (tomo I) e 1855 (tomo II), única publicada em vida do autor (Rio de Janeiro, Typographia Brasiliense de Maximiano Gomes Ribeiro).
O exemplar 113.927-AA 1951 da 1.ª ed. do Tomo II da B.N. do Rio de Janeiro, porém, tem intercalada a pp. 25 e 52 o f. dessas mesmas páginas, mas, do Tomo I. — Engano de encadernador? Trapalhice de digitalização?… — Vou mais pela primeira, mas ao certo não sei…

Ilustração: Chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro em 7 de Março de 1808. — Geoff Hunt., Soc. Hist. Britânica de Portugal, 1999. Óleo sobre tela, 60,9 x 91,4 cm. Colecção particular.

Escrito com Bic Laranja às 17:27
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2023

Em Coimbra &c.

Espelho de Portuguezes / Alberto  Pimentel. — Vol. II. — Lisboa : Parceria A. M. Pereira, 1901. — 186 p.; 18cm. — Collecção Antonio Maria Pereira, 43



SANTOS E DEFUNTOS (cont.)

« Em algumas localidades o peditorio popular realiza-se, já o indiquei, no dia de finados.
   Em Coimbra saem os rapazes de cestinhos ou saquitos no braço a pedir por portas. Vão batendo ao ferrolho cantando:
  

Bolinhos, bolinhós,
Para mim e para vós,
E para os vossos finados,
Que estão enterrados
Ao pé da vera cruz
Para sempre. Amen, Jesus.
     Truz. Truz Truz.

   É tambem com fructas do tempo, avellãs, nozes, castanhas ou figos sêccos, que se responde ao peditorio.
  No caso de recusa a rapaziada vinga-se, não rogando uma praga, mas vibrando epigramma aos somiticos da casa:

Esta casa cheira a unto:
Aqui morreu algum defunto.

Esta casa cheira a breu:
Aqui morreu algum judeu.

  Tomo esta informação do livro do fallecido e erudito escriptor Borges de Figueiredo — Coimbra antiga e moderna e devo dizer que a redacção d'estas parelhas estará talvez um pouco adulterada.
   Eu creio que será — o que vae até mais de geito com a toada metrica — como dizem as creanças do Porto, quando pelo Natal lhes recusam a consoada:

Esta casa cheira a unto:
Aqui mora algum defunto.

Esta casa cheira a breu:
Aqui mora algum judeu.

  Faz mais sentido isto, porque o epigramma vae direito ao dono da casa, que está vivo, e que recusa a esmola.
  Devo ainda dizer, por amor da verdade, que os garotos de Coimbra, segundo a versão de Borges de Figueiredo, dizem bella cruz, em vez de — vera cruz.
   Theophilo Braga dá noticia de que nos arredores de Lamego, em dia de Finados, se vendem uns bolos de pão de trigo com ovos, que lá chamam Santoros.
   Eu não sei se effectivamente se vendem.
   Santorum, segundo o Diccionario de Moraes, é o mesmo que pão por Deus, e  santoro deriva certamente de santorum.
   E´ comtudo possivel que alguem aproveite a occasião para comprar já feitos os santoros para a sua familia e para os rapazes pedintes, e que, portanto, exista em Lamego uma industria periodica.
   […]
   Em Roriz não se chama pão por Deus, nem bolinhos, nem santoros a comezaina que se dá aos rapazes no dia de Todos os Santos ou de Finados. O que os rapazes vão pedir por portas, segundo lá dizem, é — os fieis de Deus.
»

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 117-119.

Escrito com Bic Laranja às 12:40
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Nas provincias do norte…

Espelho de Portuguezes / Alberto  Pimentel. — Vol. II. — Lisboa : Parceria A. M. Pereira, 1901. — 186 p.; 18cm. — Collecção Antonio Maria Pereira, 43



SANTOS E DEFUNTOS (cont.)

« Nas provincias do norte a festa de Todos so Santos traz comsigo varias folias de gente moça, especialmente o pão por Deus e os magustos.
   O primeiro d'estes costumes é tão antigo, que em documentos velhos a phrase pão por Deus designa a festa do 1.º de novembro, como a palavra consoada designa o Natal e a expressão folar designa a Paschoa.
   O pão por Deus é o peditorio que as creanças de aldeia fazem n'esse dia pelas casas dos lavradores abastados, dirigindo-lhes ás vezes um requerimento em verso como, por exemplo, acontece em Alpedriz:

Pão por Deus
A' mangarola;
Encham-me o saco
e vou-me embora.

  Ordinariamente os lavradores offerecem á rapaziada tremoços, maçãs, nozes e castanhas.
  Mas alguns, por mais avarentos ou menos complacentes, recusam o donativo e a rapaziada desaffronta-se da recusa com o mesmo instrumento que empregou no peditorio: isto é — o verso.
   Entôa em côro uma praga, para ferir o camponez na justa ambição dos seus interesses agricolas:

O gorgulho, gorgulhete
Lhe dê no pote !
E lhe não deixe farello,
Nem farellote.

  Escusado será dizer que uma grande multidão de adultos segue o bando de creanças, e que folga de as ouvir praguejar á porta d'aquelles que lhes recusam o pão por Deus.
  A origem d'este costume parece prender-se com a lutuosa solemnidade do dia seguinte, a commemoração dos defuntos, tanto mais que em algumas localidades o peditorio faz-se no dia 2 de Novembro.
  Trata-se, certamente, de pedir e recolher uma esmola por tenção dos mortos de cada familia.
  E a praga do gorgulho poderá explicar-se pelo sentimento de repulsão, que se experimenta na presença de uma avareza insensivel á piedade devida aos mortos.
  No norte do paiz, especialmente no Porto, a tarde de Todos os Santos é consagrada aos magustos.
  Não sei de quando data a origem d'este costume, mas o sr. de la Palice não duvidaria affirmar que elle é posterior á origem das castanhas.
  E o sr. de la Palice é ainda um grande homem — hoje principalmente.
  Quanto á explicação do costume parece-me não ser caso para deitar a livraria abaixo. Aproveita-se a primeira festa depois da colheita das castanhas novas, para saudar alegremente a sua aparição. Assim tambem, no Porto, é pela Senhora da Lapa, no primeiro domingo de maio, que o povo gosta de provar a novidade das cerejas, e pela Senhora do Pilar, a 15 de agosto, que se experimentam as primeiras melancias do anno.
  Os magustos são uma festa campestre, ao ar livre, dentro das quintas e quintaes.
  Prepara-se uma grande fogueira para assar as castanhas.
  E' isto que se chama o magusto.
  Toda a pequenada da visinhança se reune em torno da fogueira, rindo de ouvir estoirar uma castanha, e passando alegres trabalhos para ir buscal-as á fogueira com risco de queimar-se.
  A' sombra dos pequenos, divertem-se os grandes. Quasi sempre uma viola chuleira repenica lunduns alli perto, e a raparigada do sitio vae saltando no terrado emquanto as castanhas saltam na fogueira.
  Assim se passa festivamente a tarde.
  Quanto á noite, é difficil aventar juizo, tanto mais que muitas vezes acontece sobrevir uma indigestão que faz pagar caro a alegria da tarde, porque as castanhas, como diz o povo, são madeira que se mette para o estomago.»

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 114-117.

Escrito com Bic Laranja às 00:05
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