Quarta-feira, 26 de Novembro de 2025

O cabeçalho, o cabecilha e os cabeçudos

 O cabeçalho é a notícia, toda a notícia, e nada mais é notícia.
 O cabecilha, vê-se de fugida no fundo do artiguelho.
 Os cabeçudos, devemos ser eu e os leitores.

 

Tânia Laranjo, «[Negreiro indiano escravizava centenas de indivíduos da sua raça.] Onze polícias eram pagos pagos para controlar [i]migrantes escravizados», in Correio da manha (isto mesmo, manha), 25/XI/25.

Tânia Laranjo, «Onze polícias eram pagos pagos para controlar [i]migrantes escravizados [Negreiro indiano escravizava centenas de indivíduos da sua raça.]», in Correio da manha (isto mesmo, manha), 25/XI/25. 

 Esqueciam-me as polícias, que servem como habitualmente de bombo da festa.

 


P.S.: a sr.ª jornalista bulha com a gramática; baralha rebuliço com reboliço e no acto, destaca-o entre aspas.

 

Escrito com Bic Laranja às 16:05
Verbete | comentar | comentários (2)
Segunda-feira, 24 de Novembro de 2025

Um dia e um mundo assim…


Johnny Mandel, Being There
Performance Interpretação ao piano de Shirin.
Cenas de «Bem-vindo, Mr. Chance», 1979.

 

Escrito com Bic Laranja às 10:25
Verbete | comentar
Domingo, 23 de Novembro de 2025

N.I.F. à pressão

Cá vai, emoldurado e tudo.

 

N.I.F. à pressão

 

Escrito com Bic Laranja às 12:59
Verbete | comentar | comentários (5)
Sábado, 22 de Novembro de 2025

Lisboa novíssima, em português suave

Praça de Londres, Lisboa, 1953 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem)
Praça de Londres, Lisboa, 1953.
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.

 

Escrito com Bic Laranja às 12:09
Verbete | comentar | comentários (2)

Ao depois da missa

Lisboa novíssima, com portugueses.

 

Igreja de S.João de Deus, Lisboa, 1953 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem)

Igreja de S.João de Deus, Lisboa, 1953 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem)
Igreja de S.João de Deus, Lisboa, 1953.
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.

 

Escrito com Bic Laranja às 11:52
Verbete | comentar
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2025

Júlio Rendeiro

Júlio Rendeiro (A. n/ id., in Tesouro Verde)
Júlio Rendeiro (A. n/ id., in Tesouro Verde)


 Na sua experiência como dirigente do S.C.P., foi o grande responsável pela inserção do Paulo Jorge Gama — o popularizado Paulinho — no S.C.P., o qual, por coincidência, iniciou no hóquei em patins a sua participação no Clube. Como aconteceu esse episódio?

 J.R. — Recorrendo à minha memória, no final da década de oitenta, em data que não consigo precisar, e na qualidade de vice-presidente com o pelouro das modalidades, fui abordado pelo saudoso Coronel Cunha Bispo, responsável pelas infraestruturas do S.C.P., contando-me a seguinte história: tinha sido contactado pelo Luís Repolho, dirigente da nossa claque Torcida Verde, dizendo-lhe que uma pessoa de uma instituição de apoio social lhe havia relatado que tinham institucionalizado um jovem com graves limitações motoras e cognitivas. Esse jovem vivia praticamente sem interagir com o meio exterior, nada lhe interessava, nada o motivava e nada o fazia sair do seu mundo interior.
 No entanto, as pessoas que com ele lidavam notavam que o jovem reagia de forma entusiástica sempre que o nome do Sporting era referido.
 Através do Luís Repolho pretendiam, então, saber da nossa disponibilidade para explorar a pista ligada ao interesse que o jovem revelava pelo nosso clube. Aceitámos o desafio, arranjámos instalações no estádio para o acolher com dignidade e colocámo-lo como roupeiro do Hóquei em Patins.
 O resto é história conhecida. O jovem renasceu, transformou-se num homem, hoje [em Outubro de 2023] com 54 anos, profissional de excelência.
  É o nosso Paulinho, salvo pelo seu amor ao Sporting.

«Grande entrevista com Júlio Rendeiro», in Sporting 1906, 24/X/2023.

 

Escrito com Bic Laranja às 17:13
Verbete | comentar | comentários (2)
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2025

Verdades escondidas da T.A.P.

T.A.P.: 1.º curso de Assitentes de Bordo, Aeroporto da Portela, 1947. Fotografia: autor n/ ident. Esp. do C.te Amado da Cunha; col. do Sr. Ant.º Fernandes.
T.A.P.: 1.º Curso de Assistentes, Aeroporto da Portela, 1947.
Helena Calafate, Natália, M.ª de Lourdes dos Santos Martins [?], Mrs. Summers (instrutora), Ana Duarte, Françoise, Ruby, [?].
Esp. do C.te Amado da Cunha; col. do Sr. Ant.º Fernandes.

 


 

 O documento em baixo guarda-se no Museu da T.A.P. É anterior à fotografia em cima e é anterior também ao primeiro curso de Assistentes, que foi ministrado só em 47. Dá conta da admissão das primeiras Assistentes de Bordo dos Transportes Aéreos Portugueses em 23 de Dezembro de 1946. Entre elas mencionam-se Miss Summers, que salvo erro fôra da B.E.A. e ministrou nesses tempos o primeiro curso de Assistentes nos T.A.P., e Lourdes dos Santos Martins que foi nem mais nem menos que a Assistente de Bordo do primeiro vôo da Linha Aérea Imperial, como a baptizou pomposamente o H. Delegado, ou linha de África, como era vulgarmente referida pelos aviadores.

 A linha de África inaugurou-se oito dias depois, em 31 de Dezembro, com a partida do primeiro avião de carreira para Africa Portuguesa, como escreveu o Diario de Lisbôa na sua primeira página dêsse dia.

 O jornalista Norberto Lopes viajou como convidado. Nas crónicas desta viagem que ia telegrafando ao jornal e foram sendo publicadas nos dias seguintes, usou por vezes o termo comissária para se referir à Assistente de Bordo Lourdes Martins. A notícia da partida (que não será de Norberto Lopes) refere-a, porém, como hospedeira quando apresenta os tripulantes e a respectiva função. Não estava ainda ao tempo definida no uso geral a nomenclatura da profissão que se habitualmente ainda hoje refere como de hospedeira, ou hospedeira de bordo.

 Todavia a Comunicação de Serviço 1696/T do Chefe da Secretaria dos T.A.P. para a Contabilidade é clara: as senhoras admitidas passam a prestar serviço nos T.A.P. com a categoria de assistentes de bordo.

 Para o pessoal da T.A.P. até hoje é o que impera. — A T.A.P. não tem hospedeiras. A T.A.P. tem Assistentes de Bordo! — é como dizem sempre sorrindo antes que alguém ouse chamar-lhe hospdeiras.

  Curiosamente a designação comissária não vingou no feminino, mas impôs-se no masculino.

 

Transportes Aéreos Portugueses, «Provimento de pessoal — Assistentes de Bordo».  Comunicação de Serviço 1696/T da Secretaria dos T.A.P. p/ a Contabilidade,  23/12/1946
Transportes Aéreos Portugueses, Provimento de pessoal — Assistentes de Bordo, 1946.
Comunicação de Serviço 1696/T da Secretaria dos T.A.P. p/ a Contabilidade, 23/12/1946, in Museu da T.A.P.

 


(Adaptado do original publicado em 17/III/25 com o título «Comissária, hospedeira, assistente de bordo».)

 

Escrito com Bic Laranja às 20:43
Verbete | comentar
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2025

Do histórico histérico

 Parece que os matraquilhos quando o dono do esférico não joga dão cabazadas nada menos que históricas. É o que todos dizem. E já se torna um hábito: aos 9 de cada vez. Importa lá que seja a amadores. Não importa nada e a conversa é ela toda sem dúvida: já ganharam! Vão ser campeões do mundo, pá! Vai ser histórico.

A Bola, 17/XI/25
(A Bola, 17/XI/25.)

Escrito com Bic Laranja às 12:24
Verbete | comentar | comentários (6)
Domingo, 16 de Novembro de 2025

Frei Luís de Sousa

Frei Luís de Sousa / Almeida Garrett, J. Tomaz Ferreira (intr.). — 8.ª ed. . — Mem Martins : Europa-América, [1995]. — 147 p.; 18cm. — Livros de Bolso Europa-América, 3 Li o livrinho enquanto ouvia a peça em teatro radiofónico transmitida pela Emissora Nacional em 23/VII/1958. Bons actores, grande declamação. Diálogos num Português maravilhoso de ouvir.

 A peça, bem!… O enredo é bem esgalhado. As personagens entroncam na História do nosso séc. XVI. início do XVII, e isso agrada-me, mas…
 É cá um dramalhão!
 A inocente morre, os «pecadores» morrem para o mundo: recolhem-se à clausura conventual. Pecadores desgraçados pela sua própria consciência, por crentes num Deus que lhes lançou um ardil nas suas vidas, em que não haveriam de nunca ter a mínima hipótese de não cair. Só negando-se ao irreprimível amor (quereis lá ver pecado tão grande?!…) que nutriam um pelo outro.
 O cânon da peça reflecte um gosto e uma mentalidade que não entendo, nem concebo, a menos que reflicta uma ímpia e turtuosa elaboração do A. para mostrar como mal a fé doentia ou, um Deus tenebroso.
 Uma urdidura do marfarrico através da pena superior, mas aventaleira, anticlecrical do A.?…
 Mas, não é o avental marca da venda por régua e esquadro da própria alma ao diabo?!…
 Talvez até por isto, deveio um clássico.
 Ao depois, pode sempre dizer-se que a dramaturgia nacional não tinha substância, nada em que se estribar… — Adeus ó Gil Vicente!…

 O volumezinho desta edição vale por mais do que pela peça que é, no mínimo, se quisermos com alguma boa vontade, uma desgraçada e enjoativa tragédia das antigas. À grega, mas para pior.
 As notas em apêndice, do A., à conferência no Real Conservatório em 6 de Maio de 1843, quando da apresentação do drama, são um interessante testemunho e reflexão erudita de Garrett sobre literatura, drama, história, política, e sobre a sociedade, vistas na marcha do tempo na sua época — a do liberalismo e do romantismo — e no confronto desses ideais com o passado remoto do classicismo e, sobretudo, com o próximo — do Antigo Regime —, que era o alvo a abater.
  Achei mais interessantes do que a peça.

 

Escrito com Bic Laranja às 15:06
Verbete | comentar
Sábado, 15 de Novembro de 2025

Página desportiva

« O Sporting estreou ontem o seu novo fardamento. Camisola e meias verdes e brancas, em listas horisontais, e calção preto. É um equipamento bonito, agradavel.
Diario de Lisbôa, 7-11-927, p. 3.

 

Pagina desportiva (Diario de Lisbôa, 7-11-927)
(Página desportiva ajeitada duma fotocópia deslavada da fundação do irmão do Dr. Tertuliano.)

 

Escrito com Bic Laranja às 12:52
Verbete | comentar
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2025

Cristianão

 A queda em desgraça de grandes beldades ou de vedetas do desporto com a marcha do tempo é duma tristeza deprimente. 
 Ser medianamente capaz ou talentoso tem o seu lado bom. Porque me haveriam de ralar as rugas, o reumático, o declínio da idade? Desde o princípio que estou na média.

 

Ronaldo, in Desenhos para fazer no caderno da escola.

 

 

Escrito com Bic Laranja às 22:53
Verbete | comentar | comentários (4)
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2025

Aquém e além e de roda do treze no Totobola

 Fazer doze no Totobola é coisa mais vulgar do que treze. Mas no que toca a falar-se dele é ao contrário. Do que se sempre fala sempre é do treze, quere se faça, quere se não faça. Há ele até umas rhythmas meias esquecidas que me lembram agora:

Com um brilhozinho nos olhos
Dissemos, sei lá,
Tudo o que nos passou pela tola
Do estilo: és o number one
Dou-te vinte valores
És um treze no Totobola

 Claro que acabar o passo com És um doze no Totobola não passaria pela tola. Dizer, do estilo, és o number two, dou-te dez valores, és um doze no Totobola — não poria nenhum brilhozinho nos olhos a ninguém. Se pusesse, seria um brilhozinho nos olhos, de choro, tal a mediocridade da conversa. E às duas por três, beber um copo nem dava para fazer o quatro nem para pintar o sete. Por tais contas, calhando, só bebendo uns poucos de copos antes, não só um.
 O Godinho não fez portanto por tanto nem por menos.
 Por isso soube-lhe a pouco e a tanto.

 

 
Sérgio Godinho, Com Um Brilhozinho nos Olhos
(Versão sonora do álbum Canto da Boca, 1981, c/ imagens ao vivo no Coliseu de Lisboa, 1995)

 

Escrito com Bic Laranja às 16:35
Verbete | comentar | comentários (2)
Domingo, 9 de Novembro de 2025

12 no Totobola

12 no Totobola [fictício]. Concurso n.º 1 do Totobola, bilhete 870332, 24/9/1961.
12 no Totobola. Bilhete 870 332, Concurso n.º 1, S.C.M.L.,  24/9/1961.


A «chave» do Totobola

«A »chave» do Totobola (Diario de Lisbôa, 24-9-961, p. 8)
Diario de Lisbôa, Domingo, 24 de Setembro de 1961.

 

Nota: Qualquer realidade de factos, pessoas, ou lugares com a coincidência, é mera semelhança.

 

Escrito com Bic Laranja às 13:35
Verbete | comentar
Sábado, 8 de Novembro de 2025

No tempo dos cabazes de vime

Portinho da Arrábida, Portugal, 195… (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem
Portinho da Arrábida, Portugal, 195….
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.

 

Escrito com Bic Laranja às 11:50
Verbete | comentar | comentários (2)
Quinta-feira, 6 de Novembro de 2025

No tempo da Laranjina C

Portinho da Arrábida, Portugal, post  1969 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem
Portinho da Arrábida, Portugal, post 1969.
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.

 

Escrito com Bic Laranja às 12:45
Verbete | comentar | comentários (2)
Quarta-feira, 5 de Novembro de 2025

No tempo dos portuguêses

 

 

Escrito com Bic Laranja às 23:41
Verbete | comentar
Segunda-feira, 3 de Novembro de 2025

Da demência colectiva

Condenado que se julga mulher lança fogo na prisão de mulheres onde alguém doido o resolveu meter.  Cinco guardas feridos, Sol, 3/XI/25

 Qual o pior louco?
 O marado dos cornos que resolveu que era uma gaja?
 Os alucinados (ir)responsáveis que o tomaram por bom do tino, encarcerando-o numa prisão de mulheres?
 O jornalista imbecilizado que baralha a gramática e cauciona na notícia uma loucura pegada?

 É preciso chegar mesmo, mesmo ao fim da notícia para ler de maneira menos obscura que raio de merda é esta. Alguém que manda nas prisões decidiu sem pestanejar meter um condenado doido varrido em prisões de mulheres só porque o gajo acha que é mulher!

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (S.N.C.G.P.) também já reagiu, considerando que esta situação «coloca em causa a segurança prisional» e defendendo que a reclusa [sic] «deveria ter sido colocada [sic] numa ala de segurança da cadeia de Monsanto [masculina], e não junto de mulheres e crianças na ‘Casa das Mães’».

 Porém até o sindicato acerta mal, porque também refere no feminino o gajo condenado, que deveria ter sido colocada numa prisão de alta segurança.

 Chegados aqui, onde haverá prisão ou manicómio para todos estes figurantes?

 

Escrito com Bic Laranja às 20:29
Verbete | comentar | comentários (12)
Domingo, 2 de Novembro de 2025

Espelho de (quando éramos) portuguezes

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 113

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 114

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 115

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 116

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 117

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 118

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 119

Alberto Pimentel, «Santos e defuntos», in Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 113-119.

 

Escrito com Bic Laranja às 16:02
Verbete | comentar
Sábado, 1 de Novembro de 2025

Disto e daquilo que anda tudo ligado

 A civilização parece rodar as modas, mas, tirando a estupidez, a inculca muita vez é outra. Barbados de três dias de repente ficaram a ser cheios de estilo, charmosos até. Dantes andar barbado era simplesmente desaprumo, quando não rudeza, baixa, reles.

 De baixeza reles fez-se ele moda… Isto e muito mais…

«Conserve-se bem barbeado por mais tempo» (anúncio Williams), Diario de Lisbôa, 30-9-958, p.2


 Quando vieram para aí com a moda das barbas à António Variações — à hipster, chamaram-lhe (estas modas hão sempre de ter nome estrangeiro que é para serem fashion) — Esta merda agora traz coisa!… — desconfiei.

 Modas disparatadas não são novidade, mas esta cheirou-me a esturro.
 — Quem é que eu sei de barbas hirsutas, por fé e tradição? — cogitei cá com os meus botões.
 — Uma malta mais lá para Oriente: padres ortodoxos gregos e, mais além, da Turquia em diante e para baixo, toda aquela seita da mafoma. Todos de barbicha de bode, sem bigode, coisa de ortodoxia religiosa também (suna), claro. Mas não só imãs, molás, aiatolas e andrajosos quejandos. Não. Aquela seita toda faz questão de usar tal adorno chibante por distinção orgulhosa, para elevar-se ante os (dizem eles) infiéis (kuffar). Isto é mesmo assim, e no entanto, racismo e xenofobia só se colam aos últimos, aos ditos infiéis, a nós, cristãos; colagem auto-infligida, para cúmulo, mas logo aproveitada… Enfim!…

 Por cá só a ciganada de luto se via com barbas desgrenhadas e por aparar naquele desalinho repelente; herança ancestral por ventura, ou não fossem os ciganos entroncar linhagem ao Oriente. Neste e noutros modos seus os vestígios dos hábitos da mafoma não são poucos…

 Pois bem, os barbudos impingidos pela moda hipster, que fazia por ser coisa bem amanhada e até com tesoiradas de artista, o mais que me pareceram foi serem uma espécie de idiotas úteis a uma inculca insidiosa. Desde os barbudos da Sierra Maestra, do M.F.A. e do P.R.E.C. (passe tanta redundância) o ver-se barbudos por aí em geral e a pontapé era raro. Lá um ou outro como o Santana Lopes nos anos 80 e 90, tudo isso coisa já passada, como a moda das pêras à Deus Pinheiro e à Marcelo Rebelo de Sousa no Expresso (o Marcelinho da Gente).

 Mas a barbeirice repenicada e barba à hipster tornada moda pareceram-me de maneira a se não haverem de estranhar barbudos por aqui e, desde logo, a normalizá-los pela surra até se a coisa entranhar. Passo seguinte e a moda das barbas pròpriamente à hipster passava, mas os barbudos deram de pressa no trivial do homem que se visse na rua. Tão natural cá como nessas cidades de Fez ao Cairo, de Istambul a Islamabad. Só faltou o turbante dos aiatolas, mas até isso no fim se resolveu. É sempre engraçado ver passar o Sandokan!… (Ou centenas dele…)

 E assim, nem meia dúzia de anos dessa inculca dos hipsters, demos em ver passar com maior das naturalidades nas nossas ruas essoutros barbudos da mafoma, coisa que muitos, não por acaso, estranharam menos, não estranham já de todo, ou até gostam.

 Pois, não é ver tanta dessa malta nova, nativa, ainda de barba rala e a querer aparecer barbuda?

 Como isto corre e se entranha, só visto, porque até gajas se vêem para aí agora com fartura que enfiam o barrete do véu islamita quais aberrações tão velhas como a da mulher barbuda do circo dos horrores. E são gajas de cá, não de importação. Talvez a barbicha de bode lhes não ficasse mal…

 E por fim! Em reacção a esta inculca barbosa, consciente ou inconsciente, parece-me que gira agora aí a moda do bigodinho à Tonico Bastos, como no rapaz Afonso da Reconquista. Não sei se é com Afonsos assim que vamos lá…

Tonico Bastos (Fúlvio Stefanini), Gabriela, 1975 (A. n/ id., in IMDb)
Tonico Bastos (Fúlvio Stefanini), Gabriela, 1975.
A. n/ id., in IMDb.

 

Escrito com Bic Laranja às 20:40
Verbete | comentar

Primeira página dum feito (agora) inacabado

«A tomada de Lisboa aos Mouros e a sua importancia politica e historica», Diario de Lisbôa, 25-10-935

Escrito com Bic Laranja às 18:20
Verbete | comentar

Janeiro 2026

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
12
14
15
17
18
19
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Visitante



Selo de garantia

pesquisar

Ligações

Adamastor (O)
Apartado 53
Bic Cristal
Blog[o] de Cheiros
Chove
Cidade Surpreendente (A)
Corta-Fitas(pub)
Dragoscópio
Eléctricos
Espectador Portuguez (O)
Estado Sentido
Eternas Saudades do Futuro
Firefox contra o Acordo Ortográfico
H Gasolim Ultramarino
Ilustração Portuguesa
Jam Sem Terra
Kruzes Kanhoto
Lisboa
Lisboa Actual
Lisboa de Antigamente (pub)
Lisboa Desaparecida
Menina Marota
Meu Bazar de Ideias
Olhar o Tejo
Paixão por Lisboa
Pedro Nogueira
Perspectivas(pub)
Planeta dos Macacos (O)
Porta da Loja
Porto e não só (Do)
Portugal em Postais Antigos(pub)
Retalhos de Bem-Fica
Restos de Colecção
Rio das Maçãs(pub)
Ruas de Lisboa com Alguma História
Ruinarte(pub)
Tempo Contado
Tradicionalista (O)
Ultramar

arquivo

Janeiro 2026

Dezembro 2025

Novembro 2025

Outubro 2025

Setembro 2025

Agosto 2025

Julho 2025

Junho 2025

Maio 2025

Abril 2025

Março 2025

Fevereiro 2025

Janeiro 2025

Dezembro 2024

Novembro 2024

Outubro 2024

Julho 2024

Junho 2024

Maio 2024

Abril 2024

Março 2024

Fevereiro 2024

Janeiro 2024

Dezembro 2023

Novembro 2023

Outubro 2023

Setembro 2023

Agosto 2023

Julho 2023

Junho 2023

Maio 2023

Abril 2023

Março 2023

Fevereiro 2023

Janeiro 2023

Dezembro 2022

Novembro 2022

Outubro 2022

Setembro 2022

Agosto 2022

Julho 2022

Junho 2022

Maio 2022

Abril 2022

Março 2022

Fevereiro 2022

Janeiro 2022

Dezembro 2021

Novembro 2021

Outubro 2021

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Novo poiso (adeus, batráquio!)