Domingo, 16 de Março de 2008

Bairro da Guarda

 É só uma conjectura. Calculo que a primitiva Azinhaga da Fonte do Louro seguisse sinuosamente rente ao muro semi-arruinado que se vê à direita. A edificação do Bairro da Guarda rectificou este troço entre a Barão de Sabrosa e a casa do sr. Emídio.

Az. da Fonte Louro, Bº da Guarda (J.Benoliel, s.d.)
Azinhaga da Fonte do Louro, Lisboa, [s.d.].
Judah Benoliel in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


Nota: a legenda do Arquivo Fotográfico não é muito exacta; a R. Barão de Sabrosa corre pela esquerda do primeiro edifício (não se vê), que é de gaveto. Para a direita da imagem desce a Rua Cristóvão Falcão que hoje liga à rotunda das Olaias, mas que à época desta fotografia não passaria da Rua Ferreira do Amaral; se for caso de a fotografia ser dos anos 50 é possível que ao fundo da Cristóvão Falcão ainda existisse a Azinhaga da Picheleira, primitivo caminho que ligava ao bairro desse nome.

 

Escrito com Bic Laranja às 21:00
Verbete | comentar
12 comentários:
De O Réprobo a 16 de Março de 2008
Os efeitos que o preto e branco permitem! A Senhora à nossa esquerda parece desnudada de tronco e prestes a deixar cair a saia escura. Por outro lado, que coisa vende aquela banca? Por um momento pareceu-me relógios. Assim fosse, a anafada dama cheia de roupa, mais a precedente contraposta, poderiam configurar uma alegoria das idades da Mulher. Abraço, Amigo Bic.
De Bic Laranja a 16 de Março de 2008
O que vossemecê foi arranjar! Agora não consigo olhar para a senhora sem na ver nessa triste figura, ah ah! Cumpts.
De Aucun a 19 de Março de 2008
Il peut que ça soit malgré vous, mais vous êtes un dénaturé, mon pauvre Réprobo.
De Aucun a 19 de Março de 2008
Cela, pas ça. Veuillez bien excuser.
De [s.n.] a 17 de Março de 2008
Ali, na esquina do Bairro da GNR, havia uma senhora que vendia jornais e a quem durante muitos anos o meu pai comprou "O Século".
De Bic Laranja a 17 de Março de 2008
Talvez fosse a Amélia dos jornais. Cumpts.
De attenti al gatti a 18 de Março de 2008
Grato pelas suas amáveis palavras e pela ilustração que fez ao meu comentário. Achei interessante também ter conhecido o Casal Novo, morada de meus avós e berço de minha mãe e meus tios. Ainda me lembro bem dos seus últimos moradores.
Conjectura muito bem. A imagem é-me perfeitamente familiar. Em bébé, morei com os meus pais no prédio que fica um pouco abaixo do local onde se posicionou o fotógrafo e durante muitos anos palmilhei aquele sítio. Noutra opurtunidade, falarei do mal-fadado desnível que se vê ao início da Azinhaga. Pelo saber de experiência feito, posso dizer que na foto está a Azinhaga toda que restava na época, chão incluido (num plano mais elevado do que o resto da rua)- exceptuando o lado direito, que foi demolido para construção dos prédios do Bairro da Guarda.
Penso que a foto será do início dos anos 60, porque já não se vê um chafariz que lá existiu e do qual tenho uma vaga ideia. A sua posição não andaria longe dos objectos que vêm no chão, junto ao início do muro e que não consigo identificar. Poderíam até ser os restos desse chafariz, que por lá andaram durante algum tempo.
A Cristovão Falcão nunca teve ligação com a Azinhaga da Picheleira. O troço desta que eu conhcí, começava junto ao primeiro prédio da João Nascimento Costa ( o da pastelaria) e continuava quase na perpendicular com a "Rua Nova" (descontando a curva que fazía para esquerda), até ao final do Casal Novo, onde desaparecía debaixo do aterro. Era este troço ladeado em toda a sua extensão por muros antigos de pedra tosca e neles não se vía qualquer interrupção que indiciasse entroncamento com outra artéria. A parte soterrada da Azinhaga ìa para as bandas do Jardim Bulhâo Pato (vulgo da Nêspera ou do Alto Pina) mas num plano inferior. Assim, a partir do Casal, subía-se por um atalho entre o aterro e os terrenos antigos e vinha-se desenbocar na Coronel Ferreira do Amaral, nos terrenos da Antº Arroio, de frente para a papelaria que faz gavêto. À esquerda ficava uma vasta extensão de aterro que ía ao longo da F. do Amaral até quase à Rua Luís Monteiro, à direita ficam antigos terrenos agrícolas, compreendidos no perímetro F. do Amaral, Az. da Fonte do Louro/Bairro da Guarda, traseiras da Veríssimo Sarmento, "R. Nova", Az. da Picheleira. Ao logo da F.do Amaral o terreno ía subindo gradualmente de nível até atingir a cota da Az da F. do Louro/B. da Guarda. A C. Falcão, logo após cruzar a F. do Amaral, terminava abruptamente contra a encosta desses terrenos mais altos. Foi o rompimento destes, há vinte e muitos anos, que possibilitou a ligação da C. Falcão à Rotunda da Olaias. Foi por isso que a Antº Arroio ficou num plano mais elevado, que era o nível a que estavam os terrenos onde terminava a C. Falcão.
Deve ter sido nesses mesmos terrenos que tiveram lugar as cenas campestres, cujas fotos decoravam as paredes de uma leitaria existente na esquina da R. Melo Gouveia com a R. Barão de Sabrosa, frente ao ex-Max Cine, hoje Igreja Paroquial - percursora da transformação de cinemas em templos. Se ainda lá estiverem, aquí fica a pista.
Cordiais saudações.
De Bic Laranja a 18 de Março de 2008
Obrigado eu pelo seu rigorosíssimo comentário. Percebo perfeitamente agora por onde corria a velha Azinhaga da Picheleira. Na verdade só soube do Casal Novo há pouco tempo, pelas imagens que o Arquivo Fotográfico da C.M.L. guarda. Antes não fazia ideia.
Obrigado também pela pista da pastelaria ao pé do Max, que já conheci mas que me esquecera completamente. À laia de retribuição aqui lhe deixo endereço do Arquivo Fotográfico, caso ainda não conheça. Faça uma pesquisa pelo termo 'Picheleira' e pode ser que reveja alguém conhecido do Casal Novo.
Cumpts.
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/sala/online/ui/SearchBasic.aspx?filter=AF
De Attenti al Gatti a 26 de Março de 2008
Penhorados ( e tardios) agradecimentos pelo endereço do Arq. Fotográfico. Visitei-o quase no início da sua criação, mas grande parte do acervo ainda não estava disponível e a informática, tal como a conhecemos hoje, ainda dava os primeiros passos. Daí que só lá voltei algumas vezes para vêr exposições temporárias, que isto da inércia é um dos grandes males da Humanidade, eu incluído. Graças à sua prestimosa ajuda poderei, sem ofensa da minha preguiça militante, visitar de novo, virtualmente, O Arquivo.
Grato. Cumpts.
De Bic Laranja a 26 de Março de 2008
De nada. Cumpts.
De Atentti al Gatti a 27 de Março de 2008
Calculei que o Arquivo Fotográfico Municipal tivesse um sítio na Net. Bem procurei por ele, mas nunca o encontrei. Daí que, na posse da sua preciosa informação, rumei para lá a todo o pano. E eis-me caído na mítica Azinhaga da Picheleira. Maravilha das maravilhas: está lá tudo! O Casal Novo, com a casa da Tí Custódia Leiteira e seu marido, já abandonada, assim como o ferro-velho que se situava no portão ao lado ( o que me suscita dúvidas sobre a data das fotos. Diria que têm um par de anos a mais) o carreiro que, partindo deste casal, alcançava a Coronel Ferreira do Amaral, com a barraca que albergava o cigano Sareco e família, onde se destacava a filha Esmeralda que, fazendo jus ao nome, tinha uns lindíssimos olhos verdes, mas que (no melhor pano cai a nódoa) "olhava contra o Governo" i.e., um desses olhos era irremediavelmente estrábico. Ninguém diria que chegaram a passar automóveis por alí. Impressionante! Até lá estão pequenos pormenores que, tantos anos depois, eu já não tinha a certeza de serem reais ou produto da minha imaginação - o que me dá a satisfação acrescentada de ainda ter o "disco rígido" em bom estado. É espantoso como alguém se deu ao trabalho de fotografar aquilo. Eu próprio podia te-lo feito, mas tal nunca me ocorreu - e o que eu me arrependo agora! É pena eu não poder partilhar estas imagens com a minha mãe, falecida há dois Verões atrás. Tería exultado. Estou-lhe imensamente grato. Cumpts.
De Bic Laranja a 29 de Março de 2008
Obrigado eu, pelas memórias e pelas personagens. O Casal Novo revive. Cumpts.

Comentar

Maio 2020

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
21
23
25
26
27
29
30
31

Visitante


Contador

Selo de garantia

pesquisar

Ligações

Adamastor (O)
Apartado 53
Arquivo Digital 7cv
Bic Cristal
Blog[o] de Cheiros
Carmo e a Trindade (O)
Chove
Cidade Surpreendente (A)
Corta-Fitas(pub)
Delito de Opinião
Dragoscópio
Eléctricos
Espectador Portuguez (O)
Estado Sentido
Eternas Saudades do Futuro
Fadocravo
Firefox contra o Acordo Ortográfico
H Gasolim Ultramarino
Ilustração Portuguesa
Lisboa
Lisboa de Antigamente
Lisboa Desaparecida
Menina Marota
Mercado de Bem-Fica
Meu Bazar de Ideias
Paixão por Lisboa
Pena e Espada(pub)
Perspectivas(pub)
Pombalinho
Porta da Loja
Porto e não só (Do)
Portugal em Postais Antigos(pub)
Retalhos de Bem-Fica
Restos de Colecção
Rio das Maçãs(pub)
Ruas de Lisboa com Alguma História
Ruinarte(pub)
Santa Nostalgia
Terra das Vacas (Na)
Tradicionalista (O)
Ultramar

arquivo

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

____