De Abelhaferrona a 19 de Março de 2008
Apesar de já não ser uma teenager, confesso que fico pasma com tanta ignorância, e ainda mais com comentários que dizem que "não sabem como há pais que deixam as filhas dormiram 2/3 noites à porta do Pavilhão Atlântico para verem a banda que gostam", valha-me algo que não compreendo. Deixam-nas andar com os "pneus" à mostra, deixam-nas vestir uns "cintos" a que chamam saias, e ficam escandalizados de elas gostarem dos Tokio Hotel ??? Durante o dia pensam que elas estão nas aulas, será??? Têm a certeza???? E se estiverem a "curtir" com um fulaninho qualquer???? E depois lá vem os testes de paternidade. Mostrem-lhes a vida, deixem-nas gostar de grupos góticos, pimbas , punks , hip hop , mas deixem-nas viver. Quem já passou por essa fase??? Todos nós, e que desejava-mos ??? ter uns pais que entendessem um pouco do que gostávamos. As pessoas crescem, os tempos mudam, os gostos também, deixem-nos escolher, se tiverem que "dar para o torto" é porque tinha que ser, se derem para o direito é porque tinha que ser, eduquem-nos, mas respeitem-nos porque eles são seres humanos, não são robots, nem pessoas criadas à vossa imagem e semelhança. Verão como é muito mais fácil eles entenderem as preocupações dos pais se eles conversarem, e até saberem quem são os Tókio Hotel, e discutirem com eles géneros musicais. Eu também sou mãe, eu também eduquei, eu também cometi erros, e por isso, apelo a que não o façam. Um abraço Abelhaferrona
De Samuel de Paiva Pires a 20 de Março de 2008
Que grande ferroada mesmo, não sei é se certeira minha cara Abelha. Quando eu disse que não entendo como há pais que deixam as filhas dormir 2/3 noites à porta do Pavilhão Atlântico, tal deve-se a várias questões:

a) trata-se de adolescentes ou pré-adolescentes, muitas com menos de 15 anos;
b) dormir em sacos cama à beira Tejo é nesta altura passível de causar doenças;
c) convenhamos, a zona não é propriamente a mais segura para dormir ao relento, ainda por cima com raparigas em tão tenra idade;
d) como diz Vital Moreira, um pouco mais de bom senso S.F.F, é no mínimo ridículo deixar as filhas a dormir na rua, sem qualquer tipo de higiene ou segurança;

Posto isto, eu não estou nem aí para quem são os Tokyo Hotel ou se andam por aí uns milhares de adolescentes loucas com eles, inclusive a minha irmã, quero lá saber, gostos não se discutem nem são para escandalizar ninguém, até porque quando eu tinha 10 anos (há 11 anos atrás), gostava de Britney Spears, Backstreet Boys e Spice Girls, o que é bem pior em termos de gosto musical.

Eu sou apologista de que deve ser dada liberdade aos filhos, e que os pais têm de facto que se adaptar aos novos tempos e tentar compreender o que os filhos gostam. Outra coisa completamente diferente é os pais demitirem-se de responsabilidade ou permitirem aos filhos cometer irresponsabilidades, ou ainda subverter a ordem natural das coisas, especialmente quando vi na televisão afirmações do género "se os meus pais não me deixassem vir eu fugia de casa". É que para todos os efeitos, ainda que politicamente liberal, assumo-me como conservador em determinadas questões, especialmente em certos (poucos) aspectos da educação que deve ser dada aos filhos. Um abraço cara Abelha.
De Ana a 20 de Março de 2008
Para quem tem 21 anos, já tem uma mente um pouco conservadora para a idade, creio eu, ou serei que eu tenha a minha mente demasiado "infantil"?? Talvez, não o critico, nem me critico a mim, só expressei o que penso sobre como lidar com um adolescente, como afirmei, cometi erros, que hoje já não os faria, acho que dormirem 2/3 dias dentro de um saco cama, ao relento, no meio de uma multidão de miúdos e adultos não creio que venha dai o mal. Mas a educação, cada um dá como entende, eu expressei uma opinião, talvez por ter sido tão "fechada" reprimida, tornei-me revoltada, porque o que os meus pais me fizeram foi mostrar total falta de confiança em mim, e isso magoou-me muito. E depois de ser Mãe, cai no mesmo erro. Nós temos que mudar um pouco, mostrar aos jovens que acreditamos neles, até ao dia que forem desonestos com quem foi honesto para eles.
Uma ferroada com mel
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Para quem tem 21 anos, já tem uma mente um pouco conservadora para a idade, creio eu, ou serei que eu tenha a minha mente demasiado "infantil"?? Talvez, não o critico, nem me critico a mim, só expressei o que penso sobre como lidar com um adolescente, como afirmei, cometi erros, que hoje já não os faria, acho que dormirem 2/3 dias dentro de um saco cama, ao relento, no meio de uma multidão de miúdos e adultos não creio que venha dai o mal. Mas a educação, cada um dá como entende, eu expressei uma opinião, talvez por ter sido tão "fechada" reprimida, tornei-me revoltada, porque o que os meus pais me fizeram foi mostrar total falta de confiança em mim, e isso magoou-me muito. E depois de ser Mãe, cai no mesmo erro. Nós temos que mudar um pouco, mostrar aos jovens que acreditamos neles, até ao dia que forem desonestos com quem foi honesto para eles. <BR>Uma ferroada com mel <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Abelhaferrona</A>
De Samuel de Paiva Pires a 22 de Março de 2008
Cara Ana, certamente não será a Ana que tem uma mente infantil, admito de facto ser conservador em determinados aspectos, mas na grande maioria sou até bastante liberal, até porque a educação que a minha mãe me deu é de facto de índole liberal, que se tornou ainda mais liberal com a minha irmã, como é normal, visto que a grande maioria dos pais já está calejada com o primogénito e relaxa um pouco mais com os seguintes.

Tanto comigo como com a minha irmã, sempre nos deixou seguir o nosso caminho, e devo dizer, no meu caso, da maneira mais difícil, pois saí de casa aos 17 anos e estive cerca de um ano sem falar com a minha mãe, imagine lá, porque ela não gostava da minha namorada da altura (hoje compreendo a minha parvoíce, mas foi uma boa lição para os dois).

E desde então sempre me aguentei, a trabalhar e a estudar, sempre com um grande planeamento de objectivos a médio-longo prazo, o que talvez me tenha obrigado a "envelhecer" mais depressa do que seria normal, e talvez por isso também me tenha tornado conservador em alguns aspectos, ou não seja eu um sagitariano, que se pauta pela duplicidade de posições, tão depressa revoltado contra a sociedade como logo de seguida defensor arguto da moral e dos bons costumes.

Nunca fui ao avante, nunca fui a festivais de verão, e também não tenho intenção nenhuma de ir. Acampar no meio de gente selvagem, tropeçar na "trampa" dos outros, passar dias sem um mínimo de higiene e aturar gente completamente destruída cheia de drogas e álcool não faz muito o meu género, e nisso admito que sou bastante conservador, apesar de ter amigos que vão para essas comemorações, enquanto eu prefiro ficar em casa a ler um bom livro, a ver um bom filme, ou a estudar (ainda para mais quando se gosta daquilo que se estuda, como é o caso). Embora também seja Dj de vez em quando e adore sair à noite e andar de festa em festa,e obviamente beber "bem", mas com requinte, um belo whisky, gin tónico ou cocktail, em vez da cerveja a metro (lá está a tal duplicidade).

No entanto, não tenho nada a ver com o que os outros fazem, cada qual, à boa maneira liberal, segue o seu caminho e ninguém tem o direito de se meter na vida dos outros. Agora quanto aos meus, se quiserem ir para festivais do género, estão à vontade (a partir de uma certa idade, não é com 12 ou 13 anos), embebedem-se, droguem-se, façam sexo, experimentem o que tiverem a experimentar, cada qual "contrata" aquilo que lhe aprouver, e na volta aquilo até é capaz de ser engraçado. Eu só não me vejo é a deixar uma filha minha acampar numa zona perigosa durante dias a fio. É esse o cerne da minha posição, é que eu até já fui a festas naquela zona (Expo), onde me ofereceram desde charros a cocaína, passando por ecstasy ou ácidos, para além de passar por ali muita gente de índole duvidosa que geralmente anda armada com navalhas e afins.

Por último, serei certamente liberal com os meus filhos porque também eu tenho cometido erros e aprendido à minha custa (até porque desde os 17 anos sou dono de mim próprio, e inicialmente foi estranho ter tanta liberdade e responsabilidade), mas simultaneamente conservador quanto a certos aspectos que não podem ser descurados numa educação que pretendo elevada para os meus, até porque havia de ser comigo que um filho ou filha me dissesse que fugia de casa se eu não o deixasse ir seja lá onde for. Liberdade sim, até certo ponto, porque na oikos há um chefe, e os outros estão dele(s) dependentes, portanto ou se comportam de acordo com as normas vigentes, ou se querem fazer o que lhes dá na real gana sem prestar cavaco a ninguém, revoltem-se, emancipem-se e arranjem um tecto onde se abriguem e "ala que se faz tarde". Foi o que eu fiz. Um abraço e obrigado pela ferroada mais adocicada, já agora, uma feliz Páscoa e peço desculpa por este testameno!
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