Domingo, 6 de Abril de 2008

A praça do Chile

 Praça no sentido de mercado. O de Arroios. Em construção em 39, aqui já com a R. Ângela Pinto plenamente edificada. A perspectiva foi tirada do topo do n.º 37 da R. Carlos Mardel, na direcção da Lucinda Simões. No cimo dela, da R. Lucinda Simões, o 98 (vê-se mais o 100) da Carvalho Araújo… — Em 39 foi quando faleceu a avó Rosário… — Vem-me  agora a ideia de…
 Tenho ideia — não sei bem — de a minha mãe contar que se recordava de nem haver a praça. — Em se referindo ao mercado ela dizia praça. Disse sempre. — Não sei, agora vendo a imagem, se não é imaginação minha… De não haver a Alameda sei eu que ela mo disse.

Mercado de Arroios, Lisboa, 1939
Construção do Mercado do Alto do Pina (depois de Arroios), Lisboa, 1939-42.
Fotografia do Diário de Notícias, in archivo photographiico da C.M.L.


 Este postal é especialmente dirigido à Sr.ª Dona T. como agradecimento do gentil anúncio à escrita deste nome.



(Revisto em 18 de Abril de 21 às 5 para as 8 da tarde.)

Escrito com Bic Laranja às 00:01
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20 comentários:
De T a 6 de Abril de 2008
Muito obrigada:)
O Carvalho Araújo era meu familiar, por afinidade. O Jacinto Nunes esse, era mesmo bisavô. Tudo nomes que ficaram nas ruas aqui da zona e onde gosto de morar.
De Bic Laranja a 6 de Abril de 2008
Ora essa! De nada, Dona T..
De Attenti al Gatti a 6 de Abril de 2008
Curiosamente, também a minha mãe se referia ao Mercado de Arroios (ou do Chile) como "a praça". Se calhar era geracional, como se diz agora. Se a memória não me atraiçoa, ela ter-me-á dito que, anteriormente a esta, houve uma outra "praça", no mesmo local, embora de precárias instalações. Ainda há pessoas que se referem aos táxis (os urbanos e os de letra "A") como "carros de praça", provavelmente porque, tal como os mercados ao ar livre, procuravam estacionar nas artérias mais desafogadas que, geralmente, eram as praças. Daí "praça" como mercado, "penso eu de que..." A.v.o .
De Bic Laranja a 6 de Abril de 2008
É geracional é.
A sua explicação faz sentido. As praças como pontos de confluência dos vizinhos dos lugares sempre deram azo a vendas, feiras e mercados. `
Sobre o embrião desta praça que a sua mãe contou calculo que se haja gerado mais ou menos espontaneamente nestas terras desocupados depois de se ter adensado a urbanização do Bairro. Mas estou só a especular.
Cumpts.
De spector a 29 de Novembro de 2017
a praça era noutro local ,este terreno foi oferecido para a construçao da nova praça
De Bic Laranja a 1 de Dezembro de 2017
Cuido que sim. Cuido que era algo acima do Poço dos Mouros.
Cumpts.
De Fernando C. a 6 de Abril de 2008
A foto é, para mim, inédita.A designação deste local, onde fui tanta vez, sempre foi e continua a ser "praça". Porque será?
CPTS Fernando C.
De Bic Laranja a 6 de Abril de 2008
É praça porque está certo. Mas o meu bom amigo sabe o rigor que se emprega hoje na linguagem.
Abraço!
De O Réprobo a 6 de Abril de 2008
Nesta fase da construção poder-se-ia pensar num tanque que mantivesse vivinho o peixe, não chegasse ele já tendo ido desta para melhor. A paliçada é que não passaria hoje em quaisquer normas aplicáveis. Abraço
De Bic Laranja a 6 de Abril de 2008
Na verdade a praça tem uma cave. E se bem me lembro esse piso inferior era destinado às peixeiras.
A paliçada é claro que daria uma 'não conformidade'. Já para não falar do aviso da obra publicitando o co-financiamento da Europa.
Mas claro: esta é uma obra dos anos 30...
Cumpts.
De Júlia a 6 de Abril de 2008
Em Vila Real a Avenida principal é Carvalho Araújo e tem uma estátua!
De Bic Laranja a 6 de Abril de 2008
Sim senhora! Julgo que tenho uma fotografia dele lá. Um herói sem mácula.
http://fotos.sapo.pt/KT18D7T18LmUpGqmNg3W/
Cumpts.
De Jose Quintela Soares a 7 de Abril de 2008
Espectacular fotografia.
Parabéns.
De Bic Laranja a 8 de Abril de 2008
Também achei. Obrigado!
De António Viriato a 7 de Abril de 2008

A memória da cidade é parte da nossa própria memória. Para amarmos a cidade é preciso que essa memória seja respeitada, alterando, quando justificado, a sua feição, mas sem agressões, nem roturas desnecessárias.

Mais uma vez, estes apontamentos são um testemunho precioso da riqueza dessa memória. Grato lhe fico.
De Bic Laranja a 8 de Abril de 2008
Obrigado sou eu! Cumpts.
De João Pedro a 9 de Abril de 2008
é verdade, em Vila Real Carvalho Araújo é um herói local, e a avenida que tem o seu nome comporta à sua volta os principais marcos da cidade (excepto Mateus), como em tempos escrevi aqui: http://aagora.blogspot.com/2007/10/o-regresso-do-circuito-quem-conhece-bem.html

Desculpe a publicidade fora do assunto, mas não resisti.
Sobre o mercado não parece ter havido grandes transformações desde a sua construção. De qualquer forma, a confluência de ruas à sua volta deve ter um nome próprio. Já agora, sabe-me confirmar se o areeiro, antes da construção da praça com esse nome, era a actual alameda? E se na Almirante Reis corre algum riacho (até por causa do topónimo Arroios)?
De Bic Laranja a 11 de Abril de 2008
Grato pela remissão. Transformação só no apinhamento de carros ao redor.
O areeiro donde se extraía muito boa areia era nas encostas do hoje parque da Bela Vista, onde corre o prolongamento da Av. dos Estados Unidos. O nome estendeu-se para sul até à actual Praça do Areeiro, lugar da antiga quinta desse nome, também dito alto do Areeiro.
Cumpts.
De Atentti al Gatti a 12 de Abril de 2008
Com a devida vénia e em complemento à resposta de Bic Laranja, transcrevo-lhe a afirmação: "...de onde se extraía muito boa areia". É exacto, e comprova-se na Av. Afonso Costa, na base do outeiro onde se erguem as ruínas do Casal Vistoso, que é aproveitado por algumas pessoas para se abastecerem de bom calcário conquífero , muito comum na zona alfacinha e por isso, misturado com cal, pedra e restos de cerâmica, foi a matéria-prima usada na construção de paredes até ao advento de novos materiais, uma vez que Lisboa não tem o granito nortenho ou o xisto do interior. Pelo Areeiro - oficialmente Pr. Francisco Sá Carneiro, nome pelo qual não é conhecida existiram também uns "retiros" afamados, como o "Perna de Pau", frequentado pelo meu avô materno.
Mais abaixo, junto da Av. Almirante Reis, ainda existe o Regueirão dos Anjos, reminiscência dos tempos em que as águas dos arroios de Arroios, desciam ao longo do vale onde foi construída essa avenida e desaguavam por alturas do Martim Moniz, num esteiro do Tejo que também acolhia, do lado do Rossio, os águas que correndo pelo que é hoje a Av. da Liberdade, vinham do Vale do Pereiro. Esse esteiro é hoje simbolizado pelo espelho de água que decora o monumento erigido no Lgº do Martim Moniz. Posteriormente, também o troço da Cêrca Fernandina que atravessava esta zona e de que só restam duas torres, uma na encosta da Mouraria e outra, fronteira, na encosta de Santana, tinha uma abertura gradeada para escoamento dessas águas que, muitas vezes, era insuficiente para o caudal das mesmas.
Espero que o meu modesto contributo tenha feito alguma luz sobre o assunto.
A.v.o.
De Bic Laranja a 12 de Abril de 2008
Grato pela achega. Os arroios confluíam no Rossio aonde chegava um braço do Tejo.
Sobre o Perna de Pau tenho aí uns escritos.
http://biclaranja.blogs.sapo.pt/search?q=perna+de+pau
Cumpts.

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