Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Chelas

 Chelas. A linha de cintura a caminho de Marvila, à beira da ponte sobre a Estrada de Chelas. No vale o que resta da Horta da D. Margarida, uma quinta a que pertenceria aquela casa de bom porte em ruínas, talvez.
 Pouco abaixo da meia encosta vai a Estrada de Cima de Chelas, mas percebe-se mal.
 Na linha de cumeada passa a Azinhaga da Salgada cujo nome advém da Quinta da Salgada aonde ia dar e que ficava para lá do monte. Não garanto, mas aquele casarão maior sem telhado entre as grandes palmeiras dá impressão que era a habitação da quinta. A sua parte rural há 10 ou 15 anos que foi urbanizada para realojamento. - O nome de bairro dos alfinetes, duma outra azinhaga mais a poente [nascente], sobrepôs-se-lhe, creio. 
 Pois esta Azinhaga da Salgada parte da Azinhaga da Bruxa, mais a sul, que por sua vez parte da Rua Direita de Marvila mais ou menos ao cimo da Calçada do Grilo. Tudo isto de que vos falo está destinado a dar em amarrações da nova ponte, se é que se pode dizer assim.

 

Chelas © 2007
Chelas, Lisboa, 2007.

Escrito com Bic Laranja às 06:45
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13 comentários:
De MCV a 17 de Abril de 2008
Ora aí está!
Uma belíssima fotografia que já cheira a História.
A ver se me apresso e ainda capto estes sinais.
Abraço
De T a 17 de Abril de 2008
Tens que ser rápido Manuel.
E tens razão, esta fotografia vai ser uma referência histórica.
De O Réprobo a 17 de Abril de 2008
Meu Caro Bic,
veja pelo lado positivo, o desaparecimento desta paisagem promete ficar muito atravessado. Abraço
De Bic Laranja a 17 de Abril de 2008
Manuel: Obrigado! Apresse-se que o lugar é curioso. // Dona T.: Hão-de abundar exemplares. Mas obrigado! // Réprobo: Vai ficar atulheinho como vale de Campolide, com a mole de cosntrução pelos joelhos do aqueduto. Veja lá o encanto disso. // Cumpts.
De Atentti al Gatti a 17 de Abril de 2008
E assim, em três tempos e quatro andamentos se escreve uma marcha fúnebre. Ao som desta marcha hão-de ir a enterrar a Salgada, as Conchas, e tudo o que é antigo e devia estar preservado e não está. Se calhar porque o sítio não se chama Bairro da Lapa. Há-de ir a Azinhaga da Bruxa, com um segmento quase intacto, que é o último exemplar de uma azinhaga alfacinha e para não ir só, terá por companhia outro exemplar único: a sua vizinha Quinta das Pintoras, também vizinha da já moribunda Manutenção Militar. Raros felizardos conhecem as jóias que aqueles muros encerram. E dentro de poucos anos, descerá também à terra a triste alegria dos barreirenses que acreditam que a ponte lhes plantará a árvore das patacas à porta de casa.
A.v.o.
De Bic Laranja a 17 de Abril de 2008
Pois é triste, não é verdade?! Que se há-de fazer?
Cumpts.
De IT a 2 de Janeiro de 2011
Olá, hoje andei a passear por Lisboa e descobri a Quinta das Pintoras. Fiquei apaixonada, fascinada e intrigada...vim aqui à net ver informações sobre a casa...encontrei este blogue e esta conversa...alguém sabe dar-me mais informações sobre a quinta das pintoras?...mera curiosidade!
De Bic Laranja a 8 de Janeiro de 2011
Sobre as quintas até Chelas e para além de Xabregas v. José Sarmento Matos e Jorge Ferreira Paulo, Caminho do Oriente: Guia Histórico, 2 vols., Livros Horizonte, 1999. Estão ao dispor em modo electrónico no sítio do Instituto Camões.
A quinta das pintoras é brevemente referida no 2º vol.
Grato pela visita.
De Atentti al Gatti a 20 de Abril de 2008
A "casa de bom porte em ruínas" creio ser a Qtª do Paló mas não tenho a certeza. Mas o "casa maior/.../entre as palmeiras", é efectivamente a casa do que foi a Qtª da Salgada ( e não Salgadas, como alguns chamam ao sítio). Herdou o nome daquela que, no séc. XVIII, foi sua proprietária: D. Ana Joaquina Salgado. Está uma ruína lastimosa. Idem, a sua vizinha Quinta da Concha. Junto do edifício encontra-se um lago romântico, de apreciáveis dimensões e razoavelmente conservado, mas tão tomado por malmequeres e outra vegetação infestante, que dele só se vêm as pequenas pontes que ligavam as margens a duas ilhotas triangulares. A foto é, de facto, um documento histórico. Em breve, ainda antes da construção da nova ponte, o cenário sofrerá alterações profundas por via da quadruplicação da Linha da Cintura, que parou há uns anos atrás entre o Areeiro e Chelas, depois de sepultar a multissecular Fonte do Louro (é referida em documentos do séc.XII ) e agora prepara-se para arrancar de novo. Se alguém quizer fotografar estes sítios é melhor que se apresse. Os locais citados e outros mais, são de acesso público. E não temam a má fama que o local, injustificadamente, goza. É mais a fama que o proveito.
De Bic Laranja a 20 de Abril de 2008
Falta a palavra 'epitáfio' no título, bem vejo. Obrigado por mais esta achega sobre o lugar. Cumpts.
De ana a 6 de Outubro de 2009
ola eu morei ao pe do casarao de ana joaquina salgado,sempre tive curiosidade de saber masi a respeto dela
De Gastao de Brito e Silva a 29 de Março de 2010
Caros amigos....tenho um post "pendurado" por falta de informações... esse mesmo palacete que se vê ao lado da linha de comboio, já lhe chamaram quinta do sargento e pátio dos adrinhos...agora parece que é a quinta Paló...

Se conseguirem apurar seria uma grande ajuda...

Com LUZ

Gastão
De Emanuel Mota a 26 de Abril de 2011
Meus caros, tenho andado a recolher alguma informação sobre esta zona de Lisboa que foi o berço da minha mocidade. Todos os dias, quando ia a pé para a Escola Afonso Domingues, passava em frente da enigmática quinta que sempre ouvi apelidar de Chatelaná.

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