Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Abaixo de cão

 Há muito tempo, já não sei quem foi que me disse não dever dar-se aos cães nomes com mais do que duas sílabas. Que não sendo os cães propriamente bichos estúpidos, eles não tinham entendimento bastante para assimilar e responder à chamada por nomes mais extensos. Não sei se é verdade ou não, mas cuido não ser destituído de senso. -- Já menos senso noto aos humanos que ultimamente deram em pôr nomes próprios de pessoas aos seus cães...
 Mas, medindo bem, isto não é afinal destituído de todo o senso: esta moderna raça de humanos é certamente incapaz de apreender marcas comerciais com nomes extensos. Daí assobiarem-lhes agora os publicitários com monossílabos Zons e Meos. Abaixo de cão, portanto.

Turistas em rebanho, Lisboa (c) 2008
Humanos em rebanho, Belém, 2008.

Escrito com Bic Laranja às 23:35
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15 comentários:
De Jose Quintela Soares a 24 de Abril de 2008
Bem observado.
De JA a 24 de Abril de 2008
Pois....bem observado BIC. Mas deixe-me adiantar, que (também aqui) estamos um bocado atrasados. Esse fenómeno de chamar o lulu pl`o nome do tio, já há muito que pegou no norte da Europa. E...já se vê cães sentados à mesa das esplanadas, com as bestas dos donos sentadas ao lado (é difícil de acreditar, eu sei). Portanto estamos a um passo da escolaridade obrigatória...e direito de voto para todos os lulus.
De Carlos Portugal a 24 de Abril de 2008
Caro Bic:

Excelentemente observado. Aliás, em vários manuais de marketing e gestão de empresas que, infelizmente, tive de ler, depois de aconselharem uma abordagem que vai da agressividade à intimidação (de clientes, empregados, subalternos, etc.), aconselhavam o tratamento sistemático dessas pessoas como atrasados mentais (sic e não é o canal de TV). E só me espanta como é que em Espanha esses energúmenos conseguiram estabelecer o tratamento por «tu», quando o castelhano tem o muito mais elegante «usted».

Por cá, essa familiaridade arrogante é reservada para um público «jovem, dinâmico e ignorante», que essas «cabecinhas pensadoras» julgam passar todas as noites nas discotecas e, de quando em quando ir ao emprego.

Dois mundos únicos, portanto, para a mentalidade dessa gente: a discoteca e o escritório. E uma panóplia paupérrima de «divertimentos» estandardizados e estupidificantes, devidamente sancionados pelo sistema vigente.

Tratamento abaixo de cão, como o meu Amigo muito bem observa...

Cumprimentos
De Bic Laranja a 25 de Abril de 2008
J. Q. Soares: Muito obrigado! // J.A.: Estou esperançoso que cheguem a chamar Cheilas e Neuzas à cachorrada. // C. Portugal: Obrigado. São sempe muito instrutivos os seus comentários. // Cumpts. a todos.
De Luciana a 25 de Abril de 2008
Para muitos “encarneirar” é viver. Nem sabem respirar de outra forma.
Assim, quanto mais pequeninos os nomes, mais faceis são de chamar...
De Bic Laranja a 25 de Abril de 2008
Os humanos são primatas muito dados a comportamento mimético, sim. Cumpts.
De Atentti al Gatti a 25 de Abril de 2008
Os nomes curtos nos produtos comerciais já existem há muito tempo. Exemplos: Bic , Extra Xtra , no original) Toddy , Milo , B.B . (refrigerantes), Elf , Pensoil Pensilvania Oil ), os "diamantes" Bira (donde nasceu "bera"), Ac.Brito (de Aquiles Brito), Molin (de Mário Lino), Carris, C.P ., snip ( de SNP - poliformismo de nucleótido simples), etc. A excepção mais representativa que me recordo é Schwepps , que o vulgo simplificou para chulepss ". Se calhar o markting apenas aproveitou essa particularidade (não exeder duas silabas ) que, entre outras, também nos une aos canídeos.
A.v.o.
De Luciana a 25 de Abril de 2008
Bela síntese de nomes! Lembro-me especialmente do Toddy. "Já bebeu o seu Toddy... hoje?!” :-)
De Bic Laranja a 25 de Abril de 2008
Sem dúvida. Acontece porém que estes nomes se aligeiram e moldam, por abreviação ou por aglutinação, percebendo-se ainda assim a sua identidade. Já a derivação de TV Cabo para Zon não sei o que seja. Zon e Meo parecem-me grunhidos produzidos por cabecinhas prenhes de criatividade (leia-se ocas) nalguma tempestade de ideias (que rico anglicismo, hem) e atiradas assim aos cães. E note-se que nem são muito fáceis de entoar em português, apesar de monossílabos.
Cumpts.
De O Réprobo a 25 de Abril de 2008
Meu Caro Bic,
devem ter ouvido algures a regra de Valéry, segundo a qual, entre duas palavras se deve escolher a mais curta. Como o léxico é apertado, invenção passa por criatividade e a obediência ao ditame tenta ser tomada por erudição. Quanto ao resto, já se sabe que prezo muito mais os bichos não-humanos, exceptuados os meus Amigos. Abraço
De Bic Laranja a 26 de Abril de 2008
Daí a queda das consoantes ditas mudas também, aposto. Cumpts.
De Attenti al Gatti a 26 de Abril de 2008
Efectivamente não zon aos ouvidos.
Meo culpa.
A.v.o.
De Bic Laranja a 26 de Abril de 2008
Ah! Ah! Ah! Cumpts.
De Rosa a 29 de Abril de 2008
Também se usa bastante dar nome de cão aos filhos, é só dar uma vista de olhos pela imprensa cor-de-rosa, nomes como: Mel, Lua, Sol... e não sei mais porque o meu dentista é pontual.
De Bic Laranja a 1 de Maio de 2008
Ah! Ah! Ah! Os primatas com nomes rafeiros... A moda esteja com eles (os primatas). Cumpts.

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