Domingo, 26 de Outubro de 2008

Andar de Metro

 Já devo ter entrado naquele nível de excentricidade alheia à realidade mais comezinha, de tantos que aí se vêem, que se diz que vivem num mundo da Lua. Sou capaz de palmilhar sem me perder ruas inexistentes na Mouraria; imagino até que ouço fado das janelas abertas sobre o arco do Marquês do Alegrete. Porém com uma coisa tão corriqueira como comprar um bilhete de Metro fico num desnorte: peço um bilhete na bilheteira que o não vende; salto de máquina em máquina à procura de botões que não vejo e que são no écran; olho intrigado para as portas que se não abrem sem encontrar rasgo para o bilhete...
 Quem me acompanhava e me deixou fazer esta figura ainda comentou: - "Nem parece que nasceste cá."


Estação de Metro das Picoas, Lisboa, 2007.
Fotografia de Arpels, in
Skyscraper City.

Escrito com Bic Laranja às 14:10
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20 comentários:
De AnaMar a 26 de Outubro de 2008
Pior do que isso, só eu enganar-me na estação e ficar indignada por achar que as remodelações não param, que há obras mais necessárias, etc, etc, sem querer admitir que sou eu que me engano, que me desoriento e já não só saio pelas saídas erradas, como já me apeio nas estações que não quero.

Não está sozinho. E também conheço bem Lisboa, à superfície e até há pouco tempo gabava-me de nunca me desorientar no metropolitano

Um abraço
De Bic Laranja a 26 de Outubro de 2008
O Metro anda muito complicado. Sou do tempo em que havia só duas carruagens ao domingo. Hoje eram seis e articuladas. Saí no Terreiro do Paço, imagine-se.
Cumpts.
De Luísa a 27 de Outubro de 2008
E anda pouco de Metro, Bic. Comigo é o mesmo drama. Sempre que ali passo, entro em acelerado, mas nervoso, processo de adaptação a novos preços, nova maquinaria, novos trajectos… Não há meio das coisas estabilizarem. ;-D
De Bic Laranja a 27 de Outubro de 2008
É verdade!
Cumpts.
De Funes, el memorioso a 26 de Outubro de 2008
Esta é a memória de uma Lisboa que ainda imitava Paris, na moda, na literatura... até nas placas que anunciavam o metro.
De Bic Laranja a 27 de Outubro de 2008
Em rigor, essa memória está mais no palacete em segundo plano. Prémio Valmor de 1914, hoje sede do Metropolitano de Lisboa.
A entrada foi oferecida pelo Metro de Paris a Lisboa mas só em 1994, o que pode já querer dizer outra coisa...
Cumpts.
De T a 27 de Outubro de 2008
Este sistema de bilhetes é uma seca e torna muito difícil a vida a deficientes ou a quem carregue crianças. De resto acho, em termos de percursos, o metro simples, comparativamente a Barcelona ou a Paris por exemplo.
Mas prefiro andar de laranjinhas, apesar de ter uma saída de metro a dois minutos de casa.
De Bic Laranja a 27 de Outubro de 2008
Dantes não havia barreiras para entrar ou sair.
Cumpts.
De Pi-Erre a 27 de Outubro de 2008
No Metro de Lisboa já me aconteceu pior do que isso tudo: roubaram-me a carteira, com documentos preciosos e algum dinheiro. Só consegui recuperar alguns documentos, que apareceram nas instalações sanitárias duma entidade pública.
De Bic Laranja a 27 de Outubro de 2008
Na verdade isso é pior. Nisso não tenho do que me queixar, felizmente.
Cumpts.
De Pi-Erre a 27 de Outubro de 2008
"A entrada foi oferecida pelo Metro de Paris a Lisboa mas só em 1994..."

Presumo que foi muito antes, pois eu trabalhei na zona das Picoas e utilizava essa entrada nos anos 80 e julgo que até nos anos 70. Estarei enganado?
De Bic Laranja a 27 de Outubro de 2008
Tive a mesma ideia que vossemecê quando lá vi a data da oferta. Hei-de verificar.
Cumpts.
De funes, el memorioso a 27 de Outubro de 2008
Agradeço-lhe a correcção e a informação, caro Bic Laranja. É sempre um prazer aprender com quem sabe mais. Acontece, portanto, que a tabuleta do metro não é uma memória de Paris, mas apenas a memória de uma memória de Paris.
De Bic Laranja a 27 de Outubro de 2008
Sim. E a sede do Metro uma memória do modelo de Paris.
Cumpts.
De T a 29 de Outubro de 2008
Essa oferta não teve a ver com uns adereços urbanos franceses que consumíamos nos anos 80? Tenho ideia disso. Por acaso até eram bonitos.
De Bic Laranja a 29 de Outubro de 2008
Não sei a que se refere. Desculpe.
Cumpts.
De Luciana a 1 de Novembro de 2008
Curioso o revivalismo Arte Nova francês, numa Avenida onde toda a história artística e arquitectónica de Lisboa foi massacrada. Incluindo nos interiores do palacete “do Metro”!... :-0
É caso para dizer: a galinha histórica da vizinha, é sempre melhor que a minha!

Abraço
De Bic Laranja a 1 de Novembro de 2008
Muito bem posto. Uma ironia autoflagelante dos autores da desgraça. Os pobres nem se deram conta.
Cumpts.
De Raffa a 17 de Setembro de 2009
Para mim é a estação de metro mais bonita de Lisboa, exteriormente.
De Bic Laranja a 17 de Setembro de 2009
Mas anda meia mal tratada.
Cumpts.

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