11 comentários:
De AnaMar a 29 de Outubro de 2008
Boa noite. No meio de tanta gente com responsabilidades na Educação, haverá alguém realmente interessado na aprendizagem e na transmissão de conhecimentos?! Sim, porque o objectivo deveria ser diminuir o analfabetismo, preparar as pessoas para o mundo do trabalho, proporcionando-lhes oportunidades para adquirirem as respectivas competências e não a preocupação das percentagens de reprovações. Altere-se então o Sistema! Mas o de Ensino!!! Começando pelo que é mais difícil: alterar mentalidades!

Cumprimentos.
De Bic Laranja a 29 de Outubro de 2008
No meio dos 'workshops', dos lugares comuns dos estudos especializados, do vocabulário eduquês, e da incapacidade de distinguir conceitos como «democratizar» e «massificar» não há, não pode haver alunos; há tão-só pilecas apregoando potros de criação. Que hão-de ser maiores pilecas ainda.
Cumpts.
De teresamaremar a 29 de Outubro de 2008
Boa noite,

sou professora, e encontro-me em reuniões de conselhos de turma intercalares, onde se procede ao balanço de "Testes de diagnóstico" a que fomos obrigados no início do ano lectivo. Obrigados nós, professores, a reunir para os preparar, a despender tempo para os elaborar, outro tanto para os corrigir, e aquele ainda para deles fazer relatórios e induções.
Escutados os professores em cada Conselho de Turma... conclusão? ... os resultados foram, unanimemente, desastrosos. Porque? Pois bem... os alunos sabiam que estes testes não eram cotados, logo... o empenho foi quase nulo.
E ainda que cotados fossem, que mais sabem os alunos?... que pouco importa qualquer empenho, porquanto se sabem premiados sem que se esforcem. Constatação que os encarregados de educação presentes subscreveram.
Eu diria que uma escola sem professores não será, presentemente, aberração [creio até ser este o novo conceito de "escola" que se pretende]... Ensinar, quando não se visa que o aluno aprenda, parece-me, contudo, um conceito bizarro.
Curiosamente, o processo inverte-se, quando tanto se pretende uma avaliação de professores – que julgo nenhum professor contesta, mas reveja-se o método – desinveste-se na avaliação séria e rigorosa dos alunos.
Lembremos que, ainda há não muitos anos, o Ministério da Educação interrogava o ensino privado quanto à sua qualidade, face à eventualidade de um sucesso "negociado", estranho é que, agora, seja ele mesmo a promover tal método.
A ver vamos, daqui a uma década, como vai o mercado de trabalho resolver este actual facilitismo. Eventualmente, selectivo que é, haverá de recorrer a quadros espanhóis, de leste e afins, porque os alunos de hoje não saberão o que é método, empenho e esforço.

Cumprimentos
De AnaMar a 30 de Outubro de 2008
Professora Teresa: como eu gostava que quem de direito, reflectisse nas suas palavras aqui deixadas...
Cumprimentos.
De Bic Laranja a 31 de Outubro de 2008
O seu comentário ilustra perfeitamemte toda a situação. Fico-lhe grato por ele.
Obrigado!
De Margarida Pereira a 30 de Outubro de 2008
O orgulho de aprender ou uma singelíssima homenagem aos meus amados professores e aos de hoje, que tanto penam.

Antes de ingressar na primária, passei longas tardes na D. Silvininha, que ensinava um punhado de meninos e meninas a ler, escrever, contar e rezar.
No primeiro dia da 1ª classe, fiquei fascinada com o globo terrestre. Com o cheiro a madeira das carteiras escuras, dos lápis recém afiados.
A jovem professora D. Irene era altíssima e tinha uma imaculada bata branca sobre trajes sempre pretos. Enviuvara e raramente sorria. Mas afagava-nos o rosto, de quando em vez.
Recordo como gostávamos todos de fazer ‘os deveres’. Como escrever com uma Bic Cristal ou uma Bic Laranja era especial e nos fazia sentir ‘crescidos’ e como utilizar uma caneta de tinta permanente era um privilégio só exercido nos exames. E lembro bem aquela atmosfera especial de respeito, de reverência, até.
Usávamos batas e laçarotes e brincávamos separadas dos meninos.
Líamos gulosamente os livros antes de nos pedirem. Ouvíamos e obedecíamos.
Estudávamos afanosamente para os temidíssimos exames, que eram um acontecimento receado mas também – e curiosamente – muito desejado.
Pôr-nos à prova era um desafio exaltante. Era um orgulho demonstrar o que conseguíramos aprender.
Outros tempos, vidas simples.
Mas as fundações do que seria depois o “ciclo preparatório”, o “secundário” e o “superior” tinham sido bem estruturadas e, com as mudanças e novidades a ventar, sempre nos aguentámos face às ‘borrascas’.
Não foi por isso que fiquei menos irreverente, criativa ou ‘livre’.
Devo a esses tempos e a esses conceitos o profundíssimo respeito pela profissão de professor, pelo que me indigna e entristece aqueles que ingressam na profissão sem vocação (causando um sem número de equívocos, educacionais e culturais) e aqueles que, nascidos para isso, são tão violenta e constantemente desrespeitados.
As novas gerações sempre criticaram as precedentes e por estas foram severamente julgadas. Também me descubro a pensar mais vezes do que as que gostaria ‘no meu tempo não era nada disto…’ ou a analisar duramente comportamentos ‘da juventude’ que considero inqualificáveis. E creio que, algumas vezes, tenha sido objecto dos mesmos ‘mimos’. É justo. As ‘evoluções’ são sempre mais ou menos ‘fracturantes’.
Mas hoje, além de comportamentos ‘desviantes’ generalizados, assiste-se a uma indiferença e um menosprezo pelo ensino que é chocante.
E mais impressiona o facto de tantas famílias parecerem terem-se demitido da função basilar de inculcar noções de respeito, de admiração, de espiritualidade, de cultura, nos seus jovens.
Porque não cabe tudo à escola. Aprender começa em casa, pelas mãos dos pais, dos familiares próximos. Dos exemplos.
Como se perdeu a raiz do que eu aprendi em tantos pais da minha idade?
Porque se lamentam depois, quando se esboroam os sonhos que acalentaram para os seus filhos?
Se eles olham para o lado! Se eles descansam! Se eles se destituem!
Porque cessou o orgulho de aprender?
Onde pára o respeito pelos outros, sobretudo aqueles que tanto têm para nos ensinar?
Onde foram jogados os valores constituintes de uma sociedade que se pretende mais justa, mais humana, melhor?
Tudo isto é tão óbvio, tão gritante, tão consequente, que a perplexidade diária se torna doentia.
Por isso, quando descubro – como, graças a Deus, tenho descoberto – valores jovens (surgem nos jornais e vêem-se em alguns blogues, por exemplo) fico mais do que feliz: fico apaziguada.
Há esperança, sim.
Pena que crescentemente para poucos, quando deveria – e poderia – ser o inverso.


De Bic Laranja a 31 de Outubro de 2008
Julgo que se busca um esvaziamento para moldar o homem novo. Doutra maneira não faria sentido...
Cumpts.
De Paulo Cunha Porto a 30 de Outubro de 2008
Que má vontade, Meu Caro Bic! Quer apostar em como o número de reprovações vai diminuir? O de crimes relacionados com o consumo de droga também não desceu, anos atrás? Isto é que é resolver os problemas!
Abraço
De Bic Laranja a 30 de Outubro de 2008
Claro que é. Rumo à maioria absoluta. Rumo ao futuro. Com a cenoura do ordenado mínimo à frente, não é verdade?!...
Cumpts.
De Luciana a 1 de Novembro de 2008
Há, nas hortas de São Bento,
belos frutos para jumento.

Nos pomares cultivam-se as ervilhinhas,
que caberão nas vossas cabecinhas.

Poema não muito popular. Livro Socrático, Edição 2008.
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Na dúvida, eu cá já estou a escrever os novos manuais escolares!

Abraço
De Bic Laranja a 1 de Novembro de 2008
'1 Magalhães + 1 Magalhães, quantos Magalhães dá', também já alguém escreveu.
Cumpts.

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