4 comentários:
De Luciana a 21 de Março de 2009
Sempre que leio estas coisas, nunca consigo deixar de pensar no massacre a que assisti - e acompanhei muito de perto - do Número 8 da Fontes Pereira de Melo. Visitei o seu interior inúmeras vezes, a última das quais já muito próximo da sua implosão. Mesmo já mutilado, era duma enorme riqueza em Arte Nova.
Não havia palacete em Lisboa que mais me encantasse (mesmo tendo uma fachada pouco “exuberante”).
Lembro-me de ainda ter dado algumas fotos - que tinha tirado no seu interior - a uma pessoa minha próxima, para que as mostrasse numa reunião de património da Câmara, na tentativa de o salvar. Mas claro que nada foi feito… Os abutres já tinha tomado conta!
No dia em que deram cabo dele – ironicamente o dia do meu aniversário - chorei copiosamente.
Resta agora o número 8 emoldurado na minha parede. Bastou-me isso para deixar finalmente de acreditar que, enquanto quem mandar em Lisboa for de tal calibre, é impossível salvar seja o que for… :-(
Abraço

PS- Ando desde o início do meu blogue para fazer um texto sobre o meu Número 8, mas a habitual falta de tempo tem vencido…
Penso que vou acabar por publicar só algumas das minhas fotos. Até porque assim ficam todos livres da minha veia piegas! :-)
De Bic Laranja a 21 de Março de 2009
Publique. Algum comentário se há-de arranjar.
Cumpts.
De Attenti al Gatti a 23 de Março de 2009
A essa trágica lista, podem-se juntar muitos mais, entre palacetes, "chalets", prédios e também residências mais populares, como as "vilas" e as "varandas".
O que não falta por aí são imóveis a degradarem-se.
Basta vêr como está a Baixa ou o eixo Av. 24 de Julho/Av. da India, que parece ter sofrido um bombardeamento.
Mas na verdade, quem é que hoje querería morar na Baixa ou na Av. da Liberdade? Mesmo com casas em bom estado, quem é que está para subir as escadas de um 5º andar carregado de compras, ou passar pelo inferno diário de arranjar um sítio para estacionar o carro, ou suportar poluição e barulho constantes? Isso e o resto, atiraram as classes populares para periferias sem graça e cada vez mais distantes. Mesmo as classes endinheiradas que habitavam as zonas mais nobres da cidade, hoje preferem a Expo, ou os condomínios privados, muitas vezes, também, fora de Lisboa.
O primado da propriedade privada, a ausência de políticas acertadas e a incapacidade de quem manda, abriram as portas à betonização cega, à falta de qualidade e à desertificação.
Esses belos edifícios que agora agonizam, são corpos decrépitos que não tendo ainda perdido a beleza, já há muito perderam a alma, tal como a cidade que os rodeia.
A.v.o.





















De Bic Laranja a 23 de Março de 2009
Tal como a gente que já lá não mora.
Bom! Parece que fica tudo dito.
Cumpts.

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