Domingo, 23 de Agosto de 2009

Eléctricos de Lisboa (fotografias antigas)

 Maravilhosa colecção de fotografias dos eléctricos de Lisboa em 1977. É um preciosíssimo inventário ilustrado de todas as carreiras que eu ainda conheci em circulação (acho que não houve nenhuma destas em que eu não tivesse andado). Noto o ar descuidado dos carros eléctricos (e da cidade em geral), estranhamente tão familiar na minha memória, que contrasta com imagens comparáveis dos anos 60 (cf. Praia e 24 - P. Chile) e com o brinco que é o 28 hoje em dia. Nalgumas fotografias outros pormenores passam à margem dos carros eléctricos a quem tenha a paciência do olhar atento; como aquela do 27 para o Poço do Bispo, no jardim da Praça Paiva Couceiro, onde uma família enlutada parece confortar-se sob o olhar do guarda-freio. O cemitério não é longe...
 

Eléctricos de Lisboa; fotografias antigas. Trams aux fils, 1977.

Escrito com Bic Laranja às 09:51
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44 comentários:
De Ricardo Moreira a 23 de Agosto de 2009
Quando foram tiradas tinha eu só 5 aninhos, mas estão lá muitas coisas de que eu ainda me lembro.
- As "minhas" carreiras: 3, 16 e 27
- "Aquele" Largo do Rato
- As ruas quase sem carros (quer a andar, quer estacionados)

Aparece lá uma coisa que eu nunca tinha visto: um 15 com atrelado. Aquela ida ao Estádio viria de onde? Do C.Sodré?
De Bic Laranja a 23 de Agosto de 2009
Aquele 15, talvez por ser de atrelado, não devia ter Cruz Quebrada na bandeira e valeu-se do Estádio. Valiam ambas, sabe. A pouca gente deve-se às fotografias serem domingueiras, não lhe parece? E muito provavelmente 'Agosteiras' também.
E depois, claro, aquele Rato.
Cumpts.
De Ricardo Moreira a 23 de Agosto de 2009
Parece-me mais terem sido todas feitas em diferentes épocas do anos. Tanto se vê, numas, gente em mangas (curtas) de camisa como, noutras, pessoas com pull-overs!
De Bic Laranja a 24 de Agosto de 2009
Deixe-me discordar. Os meios agasalhos vêem-se nas com maior sombra, pelo fresco da manhã. De mais a mais o fotógrafo não é de cá. É talvez coisa para uma semana de férias. Mas é tudo suposição, claro.
Cumpts.
De [s.n.] a 29 de Maio de 2015
É relativamente simples: na verdade, cheguei a ver sair do Terreiro do Paço («P.Comércio») bastantes eléctricos 15 com bandeira de destino «ESTÁDIO». Isso é do tempo em que o términus da linha 15 já era no Terreiro do Paço. Mas a primeira modalidade da linha para o Estádio, segundo julgo saber, foi como serviço extraordinário da linha 15, precisamente a partir do Cais do Sodré, em dias de jogos de final da Taça de Portugal e outros eventos desportivos movimentados no tempo do Estado Novo. E convém lembrar que o términus do serviço normal da linha 15 começou por ser no Rossio, sendo encurtado ao Terreiro do Paço quando, entre 1945 e 1948, foram «recuados» os terminais ali localizados, como intuito de diminuir a circulação de eléctricos das ruas da Baixa. Foi assim que os terminais das linhas 9,15 e 18 passaram para o Terreiro do Paço, os das linhas 1,2 e 13 passaram para os Restauradores, o da 12 para a Praça da Figueira e o percurso das linhas 10-11 foi desviado das ruas do Ouro e Augusta para as Ruas dos Fanqueiros e da Prata, via Praça da Figueira. Pelo Rossio e Ruas do Ouro e Augusta ficaram então apenas as circulações 22-23 e 25-26, até 1960, e o terminal da 28, aos domingos e feriados e fora das horas de ponta (nos restantes períodos foi relocalizado na Rua da Conceição...).

(propositadamente redigido em desconformidade com o chamado Novo Acordo «Ortográfico» da Língua «Portuguesa»))
De Bic Laranja a 29 de Maio de 2015
Muito obrigado do seu comentário, tão cheio de informes.
Cumpts.
De Miguel Vaz Pinto a 11 de Junho de 2017
Eu lembro-me de ir jogar ténis ou rugby ao Estádio Nacional de eléctrico. Lambro-me vagamente de passar num bairro de barracas que aí havia, com "retornados" de Timor. Não sei se será só impressão, mas parece-me que haveria alguns elécricos que ficavam na Cruz Quebrada e outros que iriam até ao Estádio, mas de uma forma regular.
Óptimas fotografias. Cumprimentos
De Bic Laranja a 13 de Junho de 2017
Os Electricos tinham duas bandeiras — Cruz Quebrada e Estádio — mas o término era no mesmo lugar. Ainda lá vão hoje. Ou já não...?
Os «tártaros» enxamearam o vale do Jamor, mas a destratarizaca ficou completa no referendo à independência de Timor: ou escolhiam ser timorenses ou indonésios. Portugueses é que não. Podemos chamar-lhe higiene oral.
Foi limpando!
Cumpts.
De Miguel Drummond de Castro a 23 de Agosto de 2009
Dá gosto de ver os eléctricos SEM publicidade. Por outro lado deviam-se recuperar umas quantas linhas de eléctricos, coisa que faria qualquer cidade saudável.

Obrigado pelas imagens,
e cumprimentos pelo seu blog de Lisboeta inteiro,


MDC

De Ricardo Moreira a 23 de Agosto de 2009
Dúvido que façam isso de reabrir linhas! Isso iria atrapalhar a actual grande moda e, quiçá, salvadora da pátria (OK, dos transportes deste país) que é andar de bicicleta!
De Bic Laranja a 24 de Agosto de 2009
E já faltou mais para a ordem ser 'em passo de corrida. Marche!'
Cumpts.
De Bic Laranja a 24 de Agosto de 2009
Quem os viu passar ou esperou por eles, como eu, nem imagina a saudade. Mesmo os da publicidade de que me lembra tão bem: o verde da Sir After-Shave, o branco da Philips com duas bolas envolvendo os faróis, o atrelado da BP gás. Fazia bem a todos umas quantas linhas de eléctrico, sim. A do Poço do Bispo estendida até Moscavide completaria o eixo de Algés com proveito. Mas o Metro dá mais 'obra'... E uma circular de Santa Apolónia a Alcântara teria mais graça que os autocarros.
Cumpts.
De Luísa a 23 de Agosto de 2009
Conheço um senhor com cerca de 80 anos que nasceu e cresceu em Lisboa, que mais tarde se mudou para a minha aldeia no distrito de Viseu e há muitos anos que não vê Lisboa. Sempre gostei de o ouvir contar todas as suas aventuras envolvendo el´ctricos: viajar sem pagar, fugir do guarda-freio ou mesmo da guarda "polícia", de como saltava para e do eléctrico e acidentes daí decorrentes... O que mais me custa é dizer "Não tio, essa linha já não existe. Essa também não." e não perceber completamente os circuitos dele. Mas ver estas fotos ajudou um pouquinho a compor o quadro que eu criei na minha cabeça através das suas descrições. Obrigada.
De Bic Laranja a 24 de Agosto de 2009
Dá mais vida às histórias, bem sei. Note abaixo a sugestão do sr. Ricardo Moreira para as carreiras da Carris. Caso conheça não conheça bem Lisboa os mapas ajudam a situar.
Cumpts. a si e ao velho senhor lisboeta da sua aldeia.
De MLisboa a 24 de Agosto de 2009
Belíssimo documento da história da Cidade.
Como está diferente, agora!...
De Bic Laranja a 24 de Agosto de 2009
É verdade. Obrigado!
De Ricardo Moreira a 24 de Agosto de 2009
Para a Luísa (e não só): vejam o site do Luís Cruz-Filipe (usado pelo Bic Laranja em alguns dos seus posts) e que relata a história das várias carreiras da Carris (eléctricos e autocarros): http://www.math.ist.utl.pt/~lcf/CCFL/
De Bic Laranja a 24 de Agosto de 2009
:) Cumpts.
De MCV a 24 de Agosto de 2009
Bela compilação!
Dá-se o caso curioso de a foto de entrada (não sei se aparece sempre a mesma) que tem o depósito de água me ter lembrado uma outra minha com a qual já semeei alguma desinformação. :)
Abraço
De Bic Laranja a 24 de Agosto de 2009
Uma espécie de sinalética...
Cuido que não varie. O Flickr (esta escrita é mesmo bárbara)... O flicre, pois bem, permite escolher a fotografia de entrada; esta é a melhor do lote. Passei lá certo dia chuvoso, talvez em 88, munido de máquina. Ficou registo mas com fraco efeito. Uma pena aquela cocheira e o depósito terem ido à vida.
Cumpts. :)
De Geo a 25 de Agosto de 2009
Para aqueles que tenham paciência do olhar atento....na foto do 10 da Graca no lado esquerdo ta um senhor sentado a segurar num sinal. Podem nao acreditar mas este era para os electricos. Por 'sinal' logo ao lado era a 'tasca' :)

Cumptos
De Bic Laranja a 25 de Agosto de 2009
Bem sei. Uma raqueta verde de um lado e vermelha do outro. A taberna (e a freguesia permanente) geria o trágefo. Cumpts.
De Paulo a 25 de Agosto de 2009
Esta foto lembra-me a minha Escola (Patricio Prazeres) ali ao lado que eu frequentei nos anos 70.
Esta rua não tinha muito movimento, do que me lembro é de uma Instituição que ensinava os invisuais a andarem sózinhos na rua.

De Bic Laranja a 26 de Agosto de 2009
O Henrique foi o único que conheci que andou nessa escola. Também foi no fim dos anos 70. Cumpts.
De Attenti al Gatti a 26 de Agosto de 2009
Absolutamente fantásticas estas fotos. E os tais pormenores? Uma riqueza! Sim, a falecida cocheira de locomotivas e o depósito de água e a frase revolucionária no muro, em que "barracas" ficou como "bacas" (sería de propósito?), o Land-Rover verde que pontua um par de fotos na Calçada da Estrêla, a Paiva Couceiro que, bizarramente, me deu tanto trabalho a identificar e só não foi pior devido à "pista" da senhora de luto, o Poço do Bispo, o Conde Barão e outros locais cheios de vida, a publicidade (à B.B., por exemplo), etc. etc. Está lá tudo, cristalizado no tempo.
Parabéns pelo achado e obrigado por estes momentos de puro gozo.
A.v.o.
De Bic Laranja a 26 de Agosto de 2009
Também me aconteceu o mesmo na Paiva Couceiro. 'Bacas' foi escrito por algum cábula das barracas. A BB ...
Cumpts.
De lisboaoculta a 12 de Dezembro de 2012
o que mais me fascina é a antiguidade, os carros e a cidade... fantástico, Parabéns
De Bic Laranja a 10 de Março de 2013
Mérito do fotógrafo. E da cidade que se findou.
Cumpts.

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