De Attenti al Gatti a 24 de Setembro de 2009
Na minha casa, talvez por um princípio de precedência hierárquica, a gasosa era comprada na mercearia das Bitas. A taberna do sr. João estava reservada para o fornecimento de tinto que, aos Domingos era do "especial", avalizado pelos adeptos do Vitória que, nos dias em que o clube fazia juz ao nome, transportavam a taça, erguida, Capitão Roby acima, em horda ululante que desembocava no balcão onde o troféu era atestado com o conteúdo do pipo apropriado, rodando depois de mão em mão, a matar a sêde daquelas bocas que não tinha regateado gritos de incentivo ao seu clube nem impropérios ao árbitro. Estas libações eram, por vezes, acompanhadas por algum petisco, obra da D. Rosa, esposa do sr. João e era tal o júbilo que conseguía mesmo alegrar o olhar, usualmente triste, da filha do casal, que faleceu muito nova, por oposição a um garnizé que faleceu muito velho, depois de uma longa reforma passada num poleiro sobre o lavatório de canto, debaixo da vigilância do "Boby", um rafeiro que deve ter enviuvado muito cêdo, pois sempre o conhecí trajando luto carregado
A.v.o.
De Bic Laranja a 26 de Setembro de 2009
Eis quanto pode ser uma gasosa inspiradora. Belo comentário, afora a triste sorte da filha do sr. João. Algumas referências, porém, escapam-me: as Bitas, o garnizé, o rafeiro e o lavatório de canto.
Cumpts.
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