Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Duas vistas da Praça de Londres




 A monumentalidade da praça impressiona. O desafogo também. Andava-se aqui a ajardinar e já vinha lá um senhor a passear o cão...
 O autocarro que passa é o 4, a caminho dos Restauradores... Não se percebe aqui, mas tinha o nº de frota 10. Cheguei a ele pela matrícula (AG-12-37). É um AEC Regal e entrou ao serviço da Carris em Novembro de 46. Do que vejo, estes do modelo Regal não tinham porta automática como os seis primeiros do modelo Regent.
 


Praça de Londres, Lisboa, fim dos anos 50.
Estúdio de Mário de Novais, in
Galeria da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Escrito com Bic Laranja às 00:08
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18 comentários:
De maria a 10 de Dezembro de 2009
Fotos absolutamente maravilhosas, estas e as da Praça do Areeiro. Que saudades desta largueza de espaços e da impecabilidade do alcatroado das ruas e do empedrado dos passeios. Por mim dou-lhe os parabéns pelas belíssimas fotos.
Maria
De Bic Laranja a 12 de Dezembro de 2009
Mérito ao fotógrafo. Felicidade nossa.
Cumpts.
De luis maia a 11 de Dezembro de 2009

Para mim Praça de Londres sem Mexicana não é Praça de Londres, gosto sempre de lá ir beber um cházinho e engraxar os sapatos. Coisa que vai desaparecendo dos cafés de Lisboa, como por certo ali acontecerá quando desaparecerem os respectivos titulares do honroso cargo de engraxadores da Mexicana.
Um deles vende lotaria e vai mais cedo para tratar dos pássaros, o outro não liga a essas coisas.
De Bic Laranja a 12 de Dezembro de 2009
Sobre a Mexicana um testemunho antigo. Grato por mais este seu agora.
Cumpts.
De Mário Cruz a 11 de Dezembro de 2009
Caro Bic laranja,
“Descobri”pelo levantamento topográfico de Filipe Folque, que no local onde hoje se encontra o cemitério do Alto de S. João/Rua Morais Soares houve em tempos um Forte militar (pelo menos até meados do séc. XIX) denominado de São João e que certamente complementava a acção defensiva do Forte de Santa Apolónia, do qual ainda resta uma parte da muralha lá para os lados da Afonso III. (e que a CML devia limpar, conservar e dignificar. É um local de memória que muitos lisboetas desconhecem. O espaço devia ser valorizado)
Não tive tempo de ver se os estudos de Júlio de Castilho nos dão notícia sobre o assunto. Sabe alguma coisa relativa a este forte?
De Bic Laranja a 12 de Dezembro de 2009
A Parada do Alto de S. João é a única memória desse forte que conheço. Mas fiquei curioso; hei-de ver o que descubro.
Sobre o de Santa Apolónia trá-lo a Câmara Municipal nesta misária....
Cumpts.
De Mário Cruz a 14 de Dezembro de 2009
Caro Bic Laranja,
No levantamento topográfico de Filipe Folque e por referência ao que se encontra na planta, o forte não ficaria situado na actual parada do A. São João mas um pouco mais abaixo. Na planta, o portão principal do cemitério já aparece e o que já eram ruínas do forte não fica em frente deste mas sim descaído para terrenos que o cemitério viria a ocupar ao longo da então estrada da circunvalação (M. Soares). Curiosamente na aludida planta estão assinaladas as Barreiras fiscais na rua Sol a Chelas e no fundo da calçada de Poço de Mouros, locais onde o corpo de Guarda Barreiras (antecessora da extinta Guarda-fiscal) controlava a entrada e saída de mercadorias da cidade de Lisboa com o famoso pica chouriços (sonda usada para espetar os fardos que eram transportado na carroças e que podiam dissimular enchidos, os quais erma objecto de contrabando)
Cumprimentos
De Bic Laranja a 14 de Dezembro de 2009
Há uma planta no Arquivo Fotográfico da Câmara que dá essa localização que bem refere no troço final da Circunvalação, antes da Parada. Deduzo que a usassem a dita parada para reunir tropa e daí o nome do logar. Ou então vicissitudes toponímicas ditaram o resultado que conhecemos.
Grato pela informação fiscal, que desconhecia.
Cumpts.
De Attenti al Gatti a 12 de Dezembro de 2009
Se não for abuso, aproveito a boleia para também satisfazer a minha curiosidade. Há muito tempo atrás, no âmbito das aulas que então frequentava, fiz um trabalho sobre a cintura defensiva de Lisboa, onde os escritos de Vieira da Silva e Norberto de Araújo, foram fulcrais. Mas nem nesses nem noutros, encontrei referências a esse forte de S. João. Algures, retirei uma vaga informação sobre um fortim que terá existido no Alto do Pina. Talvez fosse esse, não sei.
A.v.o.
De Bic Laranja a 12 de Dezembro de 2009
Uma carta topográfica da linha de defesa da cidade de Lisboa levantada sob direcção do coronel engenheiro J.D. da Serra em 1835 (G.E.O.) indica posições 'rebeldes' em Setembro de 1833 no Alto de São João e no Alto do Pina (ou na Picheleira).
O fragmento que tenho encontra-se no vol I do «Caminho do Oriente» que, cuido, conhece.
Cumpts.
De Attenti al Gatti a 17 de Dezembro de 2009
Muito grato pela prestimosa achega. De facto, quando lí essa obra, não tinha reparado nesse pormenor no citado mapa, a págs.150. Suponho que os "rebeldes", pela data (1833) se referiria a uma das facções das Lutas Liberais. Essas posiçôes seríam, provavelmente, construções precárias, talvez parapeitos de terra. Nada de edificado. Bem, fiquei a saber de onde vem a fama de "rebeldia" do Alto do Pina. Deve ter sido nesta altura que nasceram as célebres "Púrrias". Tomei conhecimento das Barreira Fiscais na Rua do Sol a Chelas e na Calçada do Poço dos Mouros. Só conhecía as da Cruz da Pedra, cujo posto de despacho ainda fui a tempo de fotografar antes da sua demolição.
Com respeito ao autocarro da foto: é um dos primeiros modelos, ainda com o volante à direita. Nunca tiveram portas automáticas. O último exemplar rodou ao srviço da firma Roplasto, aí por meados de 60. Não ficou nenhum para amostra porque, infelizmente, a actual noção de conservação do património é ainda muito recente.
A.v.o.
De Bic Laranja a 17 de Dezembro de 2009
Talvez alguns tenham tido porta automática, afinal... Já quanto à conservação de património é como viu.
Cumpts.
De Attenti al Gatti a 19 de Dezembro de 2009
As portas automáticas só aparecem com a 2ªgeração de veículos de dois pisos, os chamados "Mark V". O que existia antes, nos veículos de um piso, eram portas de correr, de uma só folha, de funcionamento manual, que poucos conheceram porque, em serviço, ficavam permanentemente abertas e ocultas na estrutura do carro, tanto de Verão como de Inverno.
A.v.o.
De Bic Laranja a 19 de Dezembro de 2009
Não fazia ideia. Muito obrigado pela explicação. Cumpts.
De Luciana a 12 de Dezembro de 2009
A ideia que tenho, da primeira vez que estive neste sítio, é exactamente assim… Claro que já estava muito diferente (em meados dos anos 70), mas a grandeza quase imaculada ainda existia.
Daqui para cima recordo sempre os magníficos “Verdes Anos”, que nos dão uma dimensão mágica desta Lisboa de então…

E que saudades dos gelados da Surf (ainda lá está, não está?) e da Mexicana dos anos 80!...

Abraço
De Bic Laranja a 17 de Dezembro de 2009
Quando conheci esta praça (com arvoredo crescido) não a identifiquei com a das fotografias do casamento dos meus pais, que já conhecia e que a mostram como aqui.
Também frequentei a Mexicana no fim dos anos 80. E a geladaria ainda existe, sim.
Cumpts.
De Amibus a 3 de Janeiro de 2010
Visite http://www.amibus.net/ - Associação dos Amigos dos Autocarros.
De Bic Laranja a 15 de Maio de 2010
Obrigado pela indicação.
Cumpts.

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