Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Casal Vistoso

 A Av. Afonso Costa, em Lisboa, parte do Areeiro (lado nascente) em aterro sobre a velha estrada de Sacavém, rasga a encosta que do Casal Vistoso caía em suave declive sobre a Rua Barão de Sabrosa, e liga à Rotunda das Olaias novamente em aterro sobre o vale da Azinhaga da Fonte do Louro. Quem, porventura, nos anos 40 se chegasse à embocadura do que é hoje a Av. Afonso Costa, ao Areeiro, veria de alto a Rua Alves Torgo (a velha estrada de Sacavém) e adiante, no cimo duma colina, o Casal Vistoso.
 Foi este Casal Vistoso, ou Quinta das Ameias, edificado no séc. XVII; pertenceu aos Abreus e Castro (1) e foi retiro de campo da condessa d' Edla (2) e de el-rei D. Fernando II.
 Outrora era a silhueta desta quinta que dominava todas as vistas que deitássemos na direcção do Areeiro, antes da actual praça. Hoje em dia mal se vê da Av. Afonso Costa, que lhe morde os alicerces, tal é o volume edificado em seu redor.


Rua Alves Torgo e Quinta das Ameias ou do Casal Vistoso, Areeiro (Lisboa), 1947.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


(1) O Guia de Portugal designa a Quinta das Ameias como Casal Ventoso, o que é evidentemente uma gralha tipográfica. Diz o seguinte: "A estr. de Sacavém leva ao Areeiro, atravessando a linha férrea de cintura. Antes do apeadeiro, vê-se à dir. o palácio da Quinta das Ameias ou  Casal Ventoso [sic], que data do séc. XVII e era dos Abreus e Castros" (vol. I, p. 269).
(2) J. F. do Alto do Pina,
História da Freguesia.

Escrito com Bic Laranja às 14:01
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15 comentários:
De André Santos a 20 de Dezembro de 2009
Sempre achei curiosa a presença daquelas ruínas naquele local, só mais tarde e já durante "investigações" feitas à Estrada de Sacavém percebi do que se tratava. Nessa altura a curiosidade passou a perplexidade : o Casal Vistoso persistiu como sinal da dificuldade que foi urbanizar aquela zona da cidade, a escassos metros dos "Arranha-céus" da era Duarte Pacheco, onde tudo se fazia custasse o que custasse. A própria conclusão tardia da Avenida Afonso Costa é disso exemplo.
Anos e anos depois, e liberta a zona dos "obstáculos" de chapa e zinco, temos as melhores construções de subúrbio na periferia da Praça do Areeiro.
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Sempre achei curiosa a presença daquelas ruínas naquele local, só mais tarde e já durante "investigações" feitas à Estrada de Sacavém percebi do que se tratava. Nessa altura a curiosidade passou a perplexidade : o Casal Vistoso persistiu como sinal da dificuldade que foi urbanizar aquela zona da cidade, a escassos metros dos "Arranha-céus" da era Duarte Pacheco, onde tudo se fazia custasse o que custasse. A própria conclusão tardia da Avenida Afonso Costa é disso exemplo. <BR>Anos e anos depois, e liberta a zona dos "obstáculos" de chapa e zinco, temos as melhores construções de subúrbio na periferia da Praça do Areeiro. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>P.S</A> - Adoro esse quarteirão "escondido" da Rua Alves Torgo . Melhor só se ainda tivesse vestígio dos carris do eléctrico. <BR>Como curiosidade, numa das paredes do nº327 /329 da Rua Agostinho Lourenço edifício amarelo que faz esquina com a Avenida Gago Coutinho) ainda é possível visualizar dois "olhais" (argolas em ferro) usadas pela CCFL para suster os cabos da rede aérea. <BR><BR>Cumprimentos!
De Bic Laranja a 21 de Dezembro de 2009
Tem razão. É terrível a boçalidade dos que admitem construção sem grandeza (apesar da altura) a par do Areeiro.
Essa casa amarela é da Câmara e está destinada ao Clube de Campismo de Lisboa. Na adaptação já adulteraram as janelas com caixalharia mais que duvidosa. Mas menos mal; temi a demolição há meses, estando a casa então devoluta.
Cumpts.
De tron a 20 de Dezembro de 2009
agora o que se ve da alves torgo do lado da gago coutinho é um beco
De Bic Laranja a 21 de Dezembro de 2009
Pior. É qualquer coisa que nem sei explicar; o nível da rua dá pelo 1º andar das casas. Cumpts.
De tron a 22 de Dezembro de 2009
é o mau ordenamento da construção em Lisboa é como o lugar onde era a antiga Auto Monumental do Areeiro que está feita um algomerado de predios sem rei nem roque
De Bic Laranja a 23 de Dezembro de 2009
Onde houver um palmo de terreno não há-de sobrar nada.
Boas Festas!
De tron a 23 de Dezembro de 2009
E muitas vezes mal construido, boas festas para ti e para a tua família
De Attenti al Gatti a 21 de Dezembro de 2009
Não é preciso recuar aos anos 40. Em meados de 60 ainda se podia ver a quase totalidade do que mostra a foto. No prédio fronteiro, na entrada junto ao chafariz, existiu aquilo que presumo ter sido um lagar de azeite. Na outra porta, era uma taberna. Seguia-se a entrada para uma quinta, em tudo semelhante à entrada para a Quinta do dr. Lobo, um pouco mais à frente.
Não fazia ideia de ter tido o Casal Vistoso tão ilustres moradores. Mas lembro-me bem do quanto me impressionava a sua imagem, especialmente aquelas janelas no muro, que pareciam olhos vazados. Na minha mente infantil, não fazia sentido os muros terem janelas. Assim imaginava serem aquelas paredes restos de um palácio que tería ardido. Também me lembro de, há alguns anos atrás, um jornal ter entrevistado uma antiga moradora que dizia vêr-se dalí, nitidamente o castelo de Sintra. Talvez por isso, o casal real tenha escolhido esta habitação.
Hoje quase nada nada resta do Casal Vistoso. Acredito que só ainda não plantaram um marracho no seu lugar, porque o desaterro fica muito caro. Mas é uma questão de tempo. Fica-me a grande mágoa de não o ter fotografado enquanto ainda havia alguma coisa da sua antiga grandeza.
A.v.o.
De Bic Laranja a 21 de Dezembro de 2009
É natural que se visse a Pena do Casal Vistoso, mas nunca tal me ocorreu. Ocorreu-me sim ir lá espreitar a casa, desde que me lembro. Nunca o fiz, porém. Uma vez que me aproximei com material fotográfico emprestado optei por não arriscar; desde aí o lugar só piorou, tanto que desisti.
Grato pelo complemento da explicação da imagem.
Cumpts.
De Pedro Macieira a 21 de Dezembro de 2009
Caro Bic,
Muito interessante a referência a uma casa de retiro da Condessa d'Edla e de D.Fernando no Casal Vistoso -casa que desconhecia, embora tendo publicado no "Rio das Maçãs", dois post sobre as casas onde viveu a Condessa:

http://riodasmacas.blogspot.com/2009/05/as-casas-da-condessa.html

http://riodasmacas.blogspot.com/2009/06/as-casas-da-condessa-ii.html

Há conhecimento de antes do casamento D.Fernando e a Condessa frequentarem um palacete no Dafundo, mas da casa referida pela Junta de Freguesia do alto Pina, nunca tinha ouvido qualquer referência - o que me vai obrigar a uma actualização no blogue.

Um abraço
Pedro Macieira

http://www.riodasmacas.blogspot.com

De Bic Laranja a 21 de Dezembro de 2009
Obrigado pelas remissões que cá deixa. Infelizmente a pág. da junta do Alto do Pina não refere a fonte. Seria de interesse saber em que época a condessa ali viveu.
Cumpts.
De Gastao de Brito e Silva a 21 de Dezembro de 2009
Fiz ontem este mesmo post no ruin'arte...obrigado pela ajuda...aqui fica o link http://ruinarte.blogspot.com/
De Bic Laranja a 21 de Dezembro de 2009
Obrigado. Vou agora lá ver. Cumpts.
De Bruno Santos a 24 de Dezembro de 2009
Tenho uma dúvida e a esperança de que me possa elucidar.
Quem vem na Avenida Afonso Costa no sentido Olaias-Areeiro, antes de chegar à rotunda do Areeiro quando vira à direita para atalhar em direcção à Avenida Almirante Gago Coutinho (Rua Alves Torgo), passa por uma casario antigo constituído predominantemente por casas térreas. Constitui esse pequeno troço um restício da antiga Estrada de Sacavém? Era por aí que ficava o antigo Retiro Perna de Pau? Sem outras questões por agora, desejo-lhe um feliz Natal.
De Bic Laranja a 25 de Dezembro de 2009
O troço da Alves Torgo que diz era-o da antiga Estrada de Sacavém que continuava pelo que é hoje a Rua Agostinho Lourenço. O retiro da Perna de Pau era mais adiante, passado já o apeadeiro do Areeiro.
Feliz Natal!

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