O 7 lembro-me de o irmos apanhar à Alameda, ao pé do Pão de Açucar, quando íamos à Tia Etelvina em Odivelas. Também era costume apanhá-lo com o meu pai para a bola, mas nestas vezes descíamos à Praça do Chile, que para a bola o 7 era costume vir sempre muito cheio.
Das visitas à Tia Etelvina, ao domingo, recorda-me de certa vez, já tarde, que tornámos de táxi e não no 7. O primo Ludgero estava na tropa e veio connosco, tinha que voltar ao quartel. - Foi isto talvez em 74, que a Tia Etelvina andava em cuidados por não saber se o primo haveria de ir ou não para África; tenho memória de a minha mãe a descansar dizendo que com a revolução, era bem provável que já não fosse.
Pois nessa vez demos boleia ao primo até o Relógio. Como de costume houve disputa comigo e com o meu irmão para ver quem se sentava à frente. O meu pai ditou a ordem dizendo - "Quem vai à frente é quem usa farda. Os soldados são os mais importantes." - Resignámo-nos. O meu irmão fez questão de ser o último a entrar...
O táxi subiu pela Carriche e pelo Lumiar sem novidade para mim, habituado que estava ao caminho do 7. Estranhei foi o desvio no Campo Grande. Em crianças atentamos em tudo: ficou-me até hoje gravada a imagem nocturna daquela avenida (a 2ª circular) desconhecida, sem casas, iluminada com sucessivos candeeiros baixos e bem ritmados com o avanço do táxi. Parámos no Relógio e enquanto o primo Ludgero saía e se despedia, o meu irmão, afoito, galgou para o banco da frente. Ser o último a entrar dera-lhe afinal a vantagem de ser o primeiro a sair, o manhoso. Ainda esbocei uma reclamação que o meu pai calou não fazendo caso, antes dando de imediato ordem de prosseguir ao motorista. Consolei-me com reconhecer a Avenida do Aeroporto – esta era-me familiar; já lá tinha passado antes de carro com o primo Zeca. – Não tardou chegámos a casa. O caminho do 7 nesse dia ficou arrumado. Mas havia de o fazer em muito domingo até o fim dos anos 70.
Trago aqui esta historieta minha e que só de raspão se liga com título. Mas se o benévolo leitor for curioso dos autocarros da Carris e estiver interessado na história do 7 encontra-a bastante completa no blogo «História das Carreiras da Carris»: pode ler lá que o 7, o autocarro da Avenida de Roma é sexagenário desde o passado dia 1 de Fevereiro e que a Carris lhe prevê reforma antecipada: tem planos de suprimi-lo em breve.

Autocarro de dois pisos (carreira 7), Alameda, [s.d.].
In História da C.C.F.L. em Portugal (1946-2006), v. 3, Carris e Academia Portuguesa da História, 2006, p. 125.
De [s.n.] a 14 de Fevereiro de 2010
Que saudades que eu tenho do Império destes tempos... e do 7, porque não? Também andei nele várias vezes, mas por ser miuto miúda já não me lembro é para que destinos. Seria o Aeroporto - onde íamos frequentemente - mas também, noutras ocasiões, apanhávamos esse (acho que era o 7) autocarro a partir da Alameda, depois descíamos no Aeroporto e seguíamos noutro com destino à Encarnação onde moravam umas primas nossas, que volta e meia visitávamos? Alameda era ao pé da nossa casa, por isso o Império e Alameda me são tão familiares. Tempos maravilhosos que já não voltam nunca mais.
Maria
Esse que fala foi o primeiro 7. Data da primeira rede de autocarros dos anos 40:
« No dia 7 de Julho de 1945 (sábado) é inaugurada uma nova carreira de autocarros, com o objectivo de servir o Bairro da Encarnação. Esta carreira, com a designação Praça do Chile/Encarnação (directo), parte da Praça do Chile e circula pela Avenida Almirante Reis, Praça do Areeiro, Avenida do Aeroporto, Praça do Aeroporto e Avenida do Brasil [Av. Cidade do Porto?] até ao Bairro da Encarnação.
As viagens efectuam-se aos dias úteis a cada dez minutos, entre as 7h e as 10h e entre as 17h e as 20h. Aos sábados e domingos realizam-se ainda duas viagens após a meia-noite.
A tarifa em vigor nesta carreira é de 1$00.»
In Cruz-Filipe, A minha Página Carris.
Todo o detalhe pelo mesmo autor aqui.
Cumpts.
De
tron a 14 de Fevereiro de 2010
como querem reduzir as emissões de CO2 se vão sumprirmir carreiras de autoccaros, bem eu ando sempre a pé mas ir a pé da baixa até odivelas é muito
É muito, é. E uma pessoa a pé tão grande caminho acaba por emitir algum CO2. Pensando bem...
Cumpts.
De
tron a 16 de Fevereiro de 2010
sim acaba-se sempre por emitir alguma coisa
De Luísa a 14 de Fevereiro de 2010
Suprimir o 7?!?! Já a tinham encolhido, agora desaparece? Espero que tenham algumas alternativas. OU certos percursos são apra andar a saltar de um autocarro para o outro, com metro à mistura...
Pois é Luísa.
Nesta 3ª fase da Rede 7 o pessoal que utiliza o eixo da Alameda das Linhas de Torres-Cç Carriche vai levar com o mesmo que o pessoal do eixo Baixa-Poço do Bispo (pelo interior) levou logo na primeira fase: supressões de carreiras sem a devida substituição!
Mas valeu a pena: passei a andar a pé o que tem sido muito bom para a saúde, para o ambiente e para a carteira.
De Luísa a 15 de Fevereiro de 2010
Andar a pé é saudável e é um hábito que cultivo, mas nem sempre podemos andar a pé... ou porque vamos com pressa, ou porque vamos carregados, ou porque chove a potes. E as crianças e os mais velhos? Eu já não moro em Lisboa, mas de cada vez que passo na cidade fico mais triste com o caos em que está. Sem outra linha... mais carros, mais caos, mais poluição, o que não ajuda muito à saúde!!!
Tem toda a razão no que diz. O meu último parágrafo era relativo apenas à minha adaptação (era essa a "razão oficial" que a Carris dava às críticas feitas na primeira fase da rede 7, um problema de "adaptação") e talvez o correcto tivesse sido ter escrito "Para mim valeu a pena". É óbvio que não vou dizer que uma criança, um idoso ou uma pessoa com dificuldades motoras faça os 2km e meio que eu faço todos os dias no caminho de casa para o comboio. Já quanto à pressa, e acreditem se quiserem, são muitos os dias em que faço todo esse caminho sem ser ultrapassado por nenhum autocarro!
De Luísa a 15 de Fevereiro de 2010
Acredito!! Quando andava a estudar na Cidade Universitária, às vezes tinha preguiça de correr até à paragem quando o autocarro estava a chegar. As pessoas saíam, as pessoas entravam, as portas fechavam-se, os sinais acendiam e apagavam, eu ia sempre caminhando e, qual tartaruga contra a lebre, conseguia chegar primeiro que o autocarro.
Mas a questão de adaptação que os senhores da Carris falam... quase que aposto que têm carro particular e autocarro... só quando há aquelas demosntrações bonitas em que vem o senhor-presidente-de-não-sei-o-quê, a senhora-ministra-de-não-sei-onde, para falarem dos benefícios-dos-transportes-públicos-caso-as-ruas-estivessem-em-ordem-sem-buracos-nem-obras-nem-carros-a-mais...
De me a 16 de Fevereiro de 2010
Meu apreciado conterrâneo,
mantenha-se na sua área de excelência: Lisboa e arredores; não faça comentários políticos, por muita gana que tenha, dado a actual política ser uma caca.
Deus o abençoará.
Não sei a que se refere. Cumpts.
De Attenti al Gatti a 17 de Fevereiro de 2010
É o diabo a 7, como dizia o meu avô paterno.
A.v.o.
E ainda há quem diga. Cumpts. :)
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