Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

As três ordens

Iluminura de Março ("Les Très Riches Heures du Duc de Berry", f.3v)

 Há dias a candidatura a Presidente do Dr. Fernando Nobre lançou os menestréis da opinião pública para a lírica demanda se a participação de pessoas da sociedade civil podia enriquecer o debate político.
 Bom! No Antigo Regime havia a Nobreza, o Clero e o Povo, também dito o Terceiro Estado, mas a civilização progrediu muito desde a Revolução Francesa e agora temos a classe político-partidária, os jornalistas e a sociedade civil, também dita o cidadão comum.
 Depreende-se assim melhor daquele linguajar como no Estado de Direito democrático só os cidadãos comuns é que são iguais perante a Lei.

Escrito com Bic Laranja às 21:23
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6 comentários:
De Luísa a 23 de Fevereiro de 2010
Eu acho que tinha esse desenho no meu livro de história do 10.º ano. Mas isso não interessa nada aqui.

Infelizmente e cada vez com mais força, uns são mais iguais do que outros. Em parte porque os menos iguais (os senhores grandes, que não são comuns) podem cada vez mais, fazem cada vez mais, em seu favor. Mas também porque os mais iguais (os tais 'cidadões' comuns) muitas vezes se deixam estar, não se mexem. Preferem viver na "razoabilidade" (não sei se a palavra existe), para não dizer mediocridade, porque é mais fácil viver na letargia do que gastar energias a lutar pelo que parece bem, contra o que parece mal.

O emu fascínio pela dita Idade das Trevas é incrível e os azuis das iluminuras deixa-me encantada. Mas isso não interessa para nada. ;)
De Bic Laranja a 24 de Fevereiro de 2010
Sabe, há coisas que não mudam, por mais que os rótulos lhe sejam mudados.
O Terceiro Estado, se porventura se eleva acima da mediocridade, não creio que passe além da mediania. Por simples raciocínio estatístico, pois o que dele sobressaia logo se dilui na massa dos demais. Traga lá o servo da gleba medieval e urbanize-o em mesteiral; tempere-o com a Revolução Industrial e deixe em banho maria até suburbanizar em operário; finalmente dê-lhe direito a voto e condimente com propaganda à discrição. Ora aí tem o Terceiro Estado bem alourado em cidadão... comum (o adjectivo é absolutamente indispensável e é por isso que vemos usá-lo).
A Idade Média fazia o Mundo estático enquanto as ordens mudavam; os contemporâneos concebem o Mundo em mudança e o que vemos? As ordens manterem-se.
Nada disto é bom nem mau, é apenas assim. Só é péssimo, é quando a mediocridade grassa na sociedade incivil - nos cidadãos incomuns - tanto ou mais que nos comuns. Assim é que nada feito, por maior que seja a propaganda.
Valha-nos que se salvam as iluminuras - sinal que os livros, desde a Idade Média ao 10º ano são apelativos.
Cumpts.
De Gastao de Brito e Silva a 24 de Fevereiro de 2010
Gostei mais da resposta do que o post...ambos excelentes , diga-se...

A iluminura é uma página do livro de horas do Duque de Berry, creio que do mês de Março...
De Bic Laranja a 25 de Fevereiro de 2010
É sim senhor. Cumpts.
De euro-ultramarino a 24 de Fevereiro de 2010
Lapsus linguae ? Curioso... Há dois séculos que falam do povo soberano, deste conjunto de indivíduos "atomizados", reizitos (esses sim) absolutos do próprio mundinho , auto-determinados para satisfazer todas as vontades na ignorância de qualquer norma superior ou valor transcendente. E agora os profissionais da pulhítica vêm dizer que os reizitos devem participar? É demais. Vou já injectar-me um boa dose de Maurras e La Tour du Pin.
Abr. amigo.
De Bic Laranja a 25 de Fevereiro de 2010
É que conquanto o cidadão comum lhe não cheire que a coisa é mesmo coisa, as moscas não mudam.
Cumpts.

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