Domingo, 11 de Abril de 2010

Vendas Novas

Vendas Novas - © 2010
1º Condomínio privado, Vendas Novas, 2010.

J. D. Alvarez, Lda., fabricante de cortiça

Vendas Novas - © 2010
J. D. Alvarez, Lda., fabricante de cortiça, Vendas Novas, 2010.

Das rolhas

 Quem conheça Lisboa sabe que 'Olivais' não se trata de oliveiras nem azeite mas de plantações de cimento com uma entremeada de relva, nos casos mais antigos, porque o recomendava a Carta de Atenas.
 Por extensão entendereis facilmente um montado como plantação de natureza idêntica mas que, pela democratíssima evolução social e urbana das rolhas (mesmo as mais provincianas) dispensa populares entremeadas em favor dum privadíssimo muro atrás do qual se acastelam aos poucos estas novas riquezas que sabemos. Assim se mantêm as rolhas à tona (como é aliás seu timbre) mas em selectas piscines e ambiente controlado, o que só melhora a vida da espécie. No fim dos montados (os naturais, de sobro), como é de lei, sobrarão algumas competentes rolhas para implementar e dinamizar um qualquer acrónimo museu MUCO ou MURO (*) numas quaisquer catacumbas de extinta riqueza ancestral como é caso agora desse chiquérrimo (e bastamente típico nosso) museu da moda e do design que puseram na Baixa.
 Será essencial mostrar ao mundo toda esta luso-obra criacionista.


(*) MUCO - MUseu de COrtiça; MURO - MUseu da' ROlhas.

Escrito com Bic Laranja às 14:51
Verbete | comentar
10 comentários:
De Carlos Portugal a 11 de Abril de 2010
Caro Bic:

Pelos vistos, nem os recantos pacíficos das vilas de província escapam à fúria bárbara dos camartelos!

Quanto aos «Olivais», há um exemplo de cretinice criacionista mais aberrante: as ditas «Olaias», onde não houve quaisquer olaias (a não ser talvez numa ou noutra quinta entretanto selvaticamente destruída) mas tão-somente um solo arenoso (era o Areeiro) que se estendia desde a praça com o mesmo nome até à Picheleira, passando pela encosta leste do Alto do Pina (já de si uma duna de arenito).

Ora, segundo os estudos geológicos constantes do PDM de 1967 (o autêntico, de que possuo uma cópia, e não o aldrabado em 1975 que está na CML), aquela zona destinar-se-ia a espaços verdes e a recreio, dada a pouca consistência do solo e do elevado risco sísmico. Até a Av. Afonso Costa/Costa Gomes começou por ser construída com as faixas de rodagem separadas por larga zona verde (com ÁRVORES e não só com relva, para consolidar o solo) para que o peso das faixas de rodagem não provocasse abatimentos.

Mas os novos bárbaros em breve se apressaram a construir na zona uma série de mamarrachos, entre os quais figura um horrendo Valmau, de 1982 (creio). Poucos anos passados, uma amiga convidou-me a ir a casa dela para que eu visse a razão pela qual ela se queria mudar: colocou uma bola do filho numa ponta da cozinha, e ela apressou-se a rolar para o outro extremo, como sobre um plano inclinado. O edifício do apartamento tinha, no topo, um afastamento da prumada de quase 15 cm, por abatimento do solo! Quase uma Torre de Pisa... Não sei se entretanto houve obras de consolidação do solo na zona, mas se não, bem precisam de ser feitas.

Um último pormenor: tanto o vale da Picheleira como a extensão arenosa das «Olaias» situam-se imediatamente a norte do cemitério do Alto de São João. Ora, desde a Idade Média que havia o costume de não construir nada imediatamente a norte dos cemitérios, por crença de má-sorte. Realmente, a norte do cemitério dos Prazeres, estão as casas arruinadas do Casal Ventoso, do da Ajuda, uma extensão não edificada até ao Parque de Monsanto (entretanto já arrebanhada)... Mesmo os prédios antigos da Picheleira tinham um certo afastamento do cemitério, área essa agora ocupada por construções «sociais» de cores berrantes e «arquitectura» menos que medíocre (ao menos não teve «prémio», que eu saiba).

Mas pronto, isto são «crendices» medievais, que se repercutiram até às «luzes» do triste século XX, e às quais os «modernos rapazes» não ligam peva... E depois queixem-se.

Cumprimentos.
De Bic Laranja a 11 de Abril de 2010
Isto que diz sobre as Olaias e o Areeiro é interessante. E evidentemente que é melhor ilustração que os Olivais dos anos 60 para o que digo no verbete, precisamente pelo chique que foi aquele pedaço de arquitectura neovalmor a que se refere (o monte adjacente da zona J é do mesmo arquitecto, tem o mesmo traço e nunca ganhou nada). Todavia eram os novos Olivais, vulgo Expo, que tinha cá na ideia na introdução do texto.
Cumpts.
De Carlos Portugal a 11 de Abril de 2010
Caro Bic:

Os «novos Olivais», como diz, a zona da «Expo», era conhecida nos meios militares e não só como o «aterro tóxico nº1» pois, para além da zona leste ter estado afecta ao depósito militar de Beirolas, e servido de aterro a materiais obsoletos ou tóxicos, a restante zona da Expo serviu durante décadas a refinaria da Sacor, que despejava lamas de petróleo, resíduos de refinação e alcatrões para enormes tanques de terra, a céu aberto.

Assim, o subsolo da zona está tão poluído, e a tanta profundidade que, quando foram abertas as fundações para os pavilhões e edifícios à novo-rico da Expo98, um derrame desse solo no Tejo provocou a morte a milhares de peixes. Depois, a «despoluição» anunciada consistiu apenas na terraplanagem e sobreposição de um ou dois metros de terra importada de outras paragens. Nas caves de alguns edifícios de habitação, o cheiro a derivados do petróleo ainda é insuportável. Mas ninguém diz nada.

E, quanto à descaracterização maciça que fazem de zonas de interesse fora das grandes urbes, é notório o caso - triste - da Casa dos Patudos, em Alpiarça onde, a pretexto da «requalificação», arrasaram as maiores árvores centenárias, o antigo muro e portões (substituindo estes por uns de duvidoso gosto «modernista») e grande parte do norte da propriedade foi ocupado por... um estádio de futebol (!!!) a escassos sessenta metros dos primeiros edifícios. Pobre Raul Lino... teria um choque se visse agora o seu projecto totalmente aviltado!

Grande abraço.
De Bic Laranja a 12 de Abril de 2010
Pois! Há certas coisa que raramente são ventiladas. Como essas caves.
Grato pela informação. Cumpts.
De m a 10 de Janeiro de 2014
comentário interessantíssimo. não tinha conhecimento de muito do que escreveu. há alguma forma de ter acesso a esse pdm?
De MCV a 12 de Abril de 2010
A cortiça encaminha-se para esse museu, o que é dizer para ao fundo.
Já não tenho grandes expectativas de a ver retomar á tona, como seria da natureza (física) das coisas.
Não sei se a inclua, a ela cortiça, num leque mais vasto de coisas...
Abraço
De Bic Laranja a 12 de Abril de 2010
Há muito que foi ao fundo. Naturalmente é lixo o que continua a flutuar.
Cumpts.
De projardimconstantino a 12 de Abril de 2010
Infelizmente, por falecimento do proprietário da fábrica de cortiça o negócio decaiu e as herdeiras tiveram de rentabilizar o espaço de outra forma. A placa já ali está há vários anos, sinal de que os alentejanos ainda não sentem necessidade de se barricar.
De Bic Laranja a 12 de Abril de 2010
O seu comentário é muito interessante e esclarecerdor. Do que diz a forma de colher renda da herança não foi muito rendosa.
Obrigado!
De m a 7 de Fevereiro de 2014
continuo a voltar a esta pagina e a este post em particular. moro na zona dos olivais e a informação sobre os bairros próximos que aqui se encontra é fabulosa. adorava saber mais historias de horrores destas ou mesmo como já escrevi acima ter acesso ao tal PDM. O sr Taveira continuou a estragar a cidade e o que ela podia ter sido. Gostava muito de ter mais informação sobre a antiga zona j e os prédios que pintaram e repintaram até demolirem. Se alguém tiver informação ficaria muito muito agradecido.

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