Terça-feira, 18 de Maio de 2010

Dança barroca

Apesar da crise este blogo acha proveitoso gastar tempo com dança barroca. A bem da civilização.



Philippa Waite, Passacaille 
(Armida 
- J.B.Lully)

Escrito com Bic Laranja às 19:31
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15 comentários:
De Carlos Portugal a 18 de Maio de 2010
Caríssimo Bic:

Muito obrigado por me fazer recordar que a Humanidade teve épocas bem mais civilizadas do que a actual barbárie de agiotagem global. Pena é que os encenadores da dança não tivessem tido o cuidado de tapar ou ocultar as funestas tomadas eléctricas nas paredes, que estragam a magia do momento, como que a lembrar-nos da triste época que vivemos.

Cumprimentos.
De Bic Laranja a 18 de Maio de 2010
Não sei se, de todo, foram melhores tempos. Mas trouxeram-nos até hoje e decididamente, em termos de expressão artística, ultrapassam tudo o que vejo hoje.
As tomadas podiam ter sido ocultadas, sim. Um deslize que a meu ver não deslustra o principal.
Folgo que ainda assim tenha agradado.
Cumpts.
De Luísa a 18 de Maio de 2010
Permita-me "discordar", Carlos Portugal. A época barroca não foi o que foi por ser poupada e livre do "pecado" da agiotagem.

Da música barroca, o que me agrada mesmo é o som do cravo. Mas nunca tinha visto nenhum momento de dança. É interessante como a senhora me lembra as meninas que dançam sozinhas enquanto cantarolam uma música (re)inventada por elas.
Obrigada por este momento, caro Bic.
De Bic Laranja a 18 de Maio de 2010
É muito curiosa a comparação que faz. Julgo que tem razão.
Folgo que também lhe haja agradado.
Cumpts.
De Carlos Portugal a 18 de Maio de 2010
Cara Luísa:

É claro que lhe «permito» discordar, pois então! :)

Sem dúvida que a época barroca não foi impoluta, longe disso; contudo, ainda existia o sentido de Honra, que tanto escasseia nos dias de hoje, e a agiotagem não era global, por razões óbvias. Também o Tempo decorria de outra forma, mais pausadamente... Lembra-se do «Barry Lyndon» do Kubrick? E a produção artística reflecte tudo isso, e não a esterilidade horrenda dos dias de hoje.

Quanto a miséria, tanto a havia então como hoje. Lembre-se que actualmente há no mundo mais de 27 milhões de escravos, segundo Kevin Bales; escravos esses mais maltratados do que, por exemplo, os escravos negros das fazendas portuguesas do Brasil ou das americanas da Louisiana e do Mississipi. Isto porque, também por exemplo, um bom escravo custava, na Nova Orleães de 1830, cerca de 1500 dólares, o equivalente hoje ao preço de um Porsche 911... E ninguém no seu perfeito juízo andaria a dar cabo de uma mercadoria tão cara.

Hoje, os escravos citados (leia «Gente Descartável» de Kevin Bales) são mais baratos do que a sua alimentação ou do que os cuidados médicos... Se me entende.

E isto para já não falar da pobreza envergonhada...

Assim, não se admire que eu prefira o Século XVIII... (para não falar da primeira metade do Século XVI Português).


Cumprimentos.
De Luísa a 19 de Maio de 2010
Agora percebo melhor o que queria dizer. Dou-lhe toda a razão no que respeita à Honra e ao 'tempo' do Tempo. E sem dúvida... onde está o espírito criativo desta gente?!?!
Quanto ao filme, não conheço. Nasci no tempo dos "blockbusters" e actualmente vivo num país que dobra tudo o que é filme. Ou seja, filmes de autores como Kubrick são difícieis de aceder, a não ser que seja num clube de vídeo muito diferente do convencional ou numa cinemateca. Como eu me recuso a ver filmes dobrados em alemão... quase não vejo filmes de nenhum tipo! Mas agora fiquei curiosa. Pode ser que no futuro eu possa dizer que já vi mais do que "A Laranja Mecânica"... :)
Cumprimentos.
De Carlos Portugal a 19 de Maio de 2010
Cara Luísa:

Tem aqui o link para uma cena do filme, com o trio para piano de Schubert. É apenas um exemplo, talvez escolhido por apresentar também a faceta gananciosa e calculista presente em todos os tempos. Mas as imagens são uma delícia, e as cenas interiores nocturnas, filmadas exclusivamente à luz das velas (a Kodak teve de desenvolver uma película de 8.000 Asa para o filme) são espantosas. E a cadência lenta do tempo, pautada pela música, é aqui soberana.

http://www.youtube.com/watch?v=RUQ4bmNu1dA

Espero que goste.

Cumprimentos.
De Carlos Portugal a 19 de Maio de 2010
Bom, tenho de admitir que esta peça de Schubert se insere já no Romantismo, mas a sua adequação às cenas é fabulosa.

Contudo, recuando na época musical, aprecie a Sarabanda de Händel, com que o filme começa:

http://www.youtube.com/watch?v=G8D4c0hLkZk

Cumprimentos.
De Luísa a 21 de Maio de 2010
Vou ver com atenão. Obrigada pelas dicas! Saudações
De João Baptista a 19 de Maio de 2010
mais vale uma dança barroca, que a dança de barraca que tem sido este país desde os Descobrimentos
De Bic Laranja a 19 de Maio de 2010
Só me lembro de 74 para cá.
Cumpts.
De middlemay a 19 de Maio de 2010
Uma verdadeira tentação o barroco!
Bach é uma das minhas pièces de résistance e entre estes dois virtuosos o coração balança.

http://www.youtube.com/watch?v=QGpN4FxIk_M

http://www.youtube.com/watch?v=IrJjPYi_vhM
De Bic Laranja a 19 de Maio de 2010
Bach sim, claro. Mas não se apoquente com dar balanços ao coração. Ele é desfrutar de ambos, que é melhor remédio.
Grato pelas sugestões.
Cumpts. :)
De euro-ultramarino a 20 de Maio de 2010
Vou já matricular-me numas aulas! E "voar" a épocas pré-1789.
Abrs.
De Bic Laranja a 20 de Maio de 2010
:) Cumpts.

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