Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

O vazio do trono

 A ser verdadeiro o disparate («[D.] Duarte de Bragança pediu nacionalidade timorense», TSF,  1/12/2010), vão 370 anos da Restauração e a dinastia de Bragança dando no logro: o senhor D. Duarte pedindo (um acto de sujeição, notai) nacionalidade estrangeira. Com que trabalhos, sabemos, obteve a linhagem de D. Miguel a redenção da nacionalidade portuguesa. E resolvido o caso como está, se há nacionalidade que o herdeiro da Coroa tenha que ter, por imperativo de necessidade, será a portuguesa; nenhuma outra se vai admitir sob pena do óbvio: haver Portugal por rei um estrangeiro - precisamente o que legitimou a aclamação do Mestre em 1385 e a Restauração em 1640.
 Bem sei que há fins e maneiras de prosseguir (certos) intentos... Apenas aqui não vislumbro intento sério, nem coisa que não deite disparatadamente a perder o mais elementar princípio: nenhum estrangeiro poderá suceder na Coroa do Reino.
 Portugal degenerou. Definitivamente.

Paço Ducal. Arranjo do Terreiro, Vila Viçosa (M. Novais, 1939-43)
Paço Ducal (arranjo do terreiro antes da colocação da estátua de D. João IV), Vila Viçosa, 1939-43.
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Escrito com Bic Laranja às 14:52
Verbete | comentar
98 comentários:
De vinaromao a 2 de Dezembro de 2010 às 10:51
Leio e nem acredito. Desventurada Pátria que tais filhos tens.Meu querido Portugal, que tão mal amado andas.Mas que gente é esta, que tanto maltrata o que tantos deram a vida para construir? Tantos caminhos desbravaram, tantos mares e rios percorreram? O que estão a fazer com Portugal? Mas ninguém nos livra de tais inimigos..
De Bic Laranja a 2 de Dezembro de 2010 às 11:48
Finis patriae.
Cumpts.
De grelhadamista a 2 de Dezembro de 2010 às 10:51
Não entendo o porquê desta opção/ decisão...é obvio que D.Duarte , nem quer nem tem voto na matéria neste come-come da democracia republicana capitalista, no entanto só se ele sabe de alguma nova ordem superior para Portugal e já se está a precaver...sim, é triste...se for verdade.
De Bic Laranja a 2 de Dezembro de 2010 às 12:52
Não creio que seja assim. É um triste ideia caprichosa, nada mais.
Cumpts.
De grelhadamista a 10 de Dezembro de 2010 às 13:54
Acha que sim? sendo assim ele que vá pois nem tem voto nas matérias do e no País, como tal e como não tem a mesma fonte de rendimentos que outros monarcas europeus, como o marketing e venda da imagem, as contas da família não devem estar muito boas, para além de ser impotente e ínútil à "vista desarmada" ao País Repúblicano PRÉ-globalizado.
De Zacarias a 13 de Dezembro de 2010 às 20:27
Viva,
Pelo que tenho visto nas fotografias que tem posto o Blogue da Família Real Portuguesa, o príncipe aparenta calçar sempre um par gasto de sapatos pretos (pois, quando não está de ténis e jeans!! :-O ), pelo que deve haver problemas financeiros, como especulam. Quanto à venda da imagem, é a mesma coisa: sapatos velhos e gravata azul desajeitada. (Para não falar daquilo que oiço sobre a cara do próprio "Rei"...)
De acrílico a 2 de Dezembro de 2010 às 10:52
Não deixa de ter piada imaginar o D. Duarte numa palhota em Timor com um "fato da região" sentado num banquinho a olhar para o mar. Fora o ridiculo da situação, que tem graça, é triste a desorientação do Sr.
De Bic Laranja a 2 de Dezembro de 2010 às 11:47
É como diz no primeiro comentário a leitora Margarida. E acaba por desorientar-nos a todos.
Cumpts.
De Modesto Melo Martins a 2 de Dezembro de 2010 às 10:58

Vai para aqui uma grande confusão. D.Duarte não renunciou à nacionalidade portuguesa simplesmente porque deseja a nacionalidade timorense ! Percebo que estamos perante um facto sentimental que ultrapassa os actuais "nacionalismos" entre países
lusofonos que me parece têm cada vez menos razão de ser . Repare-se que ele frisou "a minha língua é a minha pátria "!
De Bic Laranja a 2 de Dezembro de 2010 às 11:44
Não há confusão. Em monarquia a pátria, melhor, a nação funde-se com o rei e vice-versa. Senão nada justifica o regime.
Cumpts.
De fernando monteiro a 2 de Dezembro de 2010 às 11:16
Só por espírito maldoso e visão política primária se pode dar tanta interpretação caluniosa a um gesto que ser bizarro ou inusitado, mas é lúcido ! Pedir outra nacionalidade lusófona, em concomitância com a portuguesa, não tem nada, mas nada, a ver com abandono nem oportunismo. Nem com ficar estrangeiro, que estupidez ! Não há uma troca ! Há uma concomitância, o que é completamente diferente. D. Duarte deveria tentar, até, as nacionalidades de todos os outros Palop´s; concentrava na sua pessoa uma síntese. Aliás, se houvesse inteligência e vontade política, todos os cidadãos de Portugal o seriam também dos Palop´s e vice-versa. Estivemos unidos em séculos de História comum até à "manhã de Abril", de cujos delírios estamos a pagar a factura.
De Bic Laranja a 2 de Dezembro de 2010 às 11:42
Tem alguma razão. Mas é um acto submisso inaceitável para a pessoa de D. Duarte. Imagine que lhe negam o pedido?
Cumpts.
De D.Leitao de Amaral a 2 de Dezembro de 2010 às 12:31
Algo me diz que, para Sua Alteza Real, querer mudar de nacionalidade, vem aí coisa feia. Como postou um comentador, que saberá ele, que nos é ainda desconhecido?
De Bic Laranja a 2 de Dezembro de 2010 às 12:38
Cuido que se fosse como diz D. Duarte não o divulgaria. Nem o faria, sequer. Há formas no Direito Internacional capazes de suprir algo nefasto.
É capricho inusitado.
Cumpts.
De Carlos Eduardo Borges a 5 de Dezembro de 2010 às 14:55
O Senhor D. Duarte falou em "dupla nacionalidade" pelo amor que sempre demonstrou por Timor. É justo lembrar que ainda no tempo em que os nossos digníssimos políticos fechavam deliberadamente os olhos à invasão Indonésia (incluindo o Dr Mário Soares que no seu livro "Le Portugal Baillonné" sugeria a integração de Timor na Indonésia), é justo lembrar que o Senhor D. Duarte foi o primeiríssimo Português a fazer campanha e a empenhar-se contra a Indonésia e os horrores por que passou o povo de Timor.
Esta é uma questão. Outra questão - infelizmente muito melindrosa - é a que releva dos fundamentos da herança do Trono em Portugal ...
De Bic Laranja a 5 de Dezembro de 2010 às 15:36
A nacionalidade dum monarca (ou pretendente) português tem de ser exclusivemente portuguesa.
Cumpts.
De de morais a 5 de Dezembro de 2010 às 15:07
Vejo muitos supostos "patriotas" por aqui a postar o seu comentário, mas em verdade, quantos de vós apoiam a causa monárquica?
E aos que apoiam, deixo esta questão : Porquê apoiar alguém que nada fez por este país á deriva?

E para os supostos apoiantes da monarquia, senhores , quantos de vós tem ligação a esta estirpe?
Que vos leva a apoiar uma causa perdida?
Julgai vós que os tempos em que vivemos sejam compatíveis com uma monarquia?
Por favor..
Tenho no sangue 500 anos de história familiar e do nosso país, mas esse passado não faz de mim um defensor da monarquia, tão pouco desta republica..algures entre as duas talvez fosse possível encontrar um entendimento, mas não concebo, em tempo algum, existir ainda uma casa real que vive ás custas do povo..existe um espólio real, viva-se do mesmo, adaptem a forma de viver aos tempos que se vivem.
De Carlos Eduardo Borges a 5 de Dezembro de 2010 às 17:19
Uma coisa é certa :
- Pelas melhores ou pelas menos boas razões, as coisas da Monarquia ou com ela co-nexas, mexem bastante com as emoções de muitas pessoas. Acho que é um sinal de vitalidade da ideia monárquica, mesmo quando seja para a questionar. O Senhor D. Duarte deve ter querido "solicitar" a cidadania «Honoris Causa» de Timor ... acho que era mais isso ...
De Bic Laranja a 5 de Dezembro de 2010 às 20:20
Honoris causa? Pior. Isso não se pede.
Cumpts.
De Nuno Castelo-Branco a 7 de Dezembro de 2010 às 12:33
Uma pena que poucos tenham entendido do que se trata.
Isabel II tem a nacionalidade inglesa, como tem a nacionalidade australiana, neo-zelandesa, jamaicana, canadiana, etc.
Portugal não se extingue no território continental e nas ilhas atlânticas. Alarga-se à CPLP e ao imenso rosário de pontos de encontro da nossa cultura com outros povos, como ainda hoje é bem visível no Ceilão, em Malaca, na Indonésia, etc. O que se pretende fazer - e creiam que já está em adiantada forja -, é um sistema algo semelhante à Commonwealth Britânica, dentro da CPLP. Simbolicamente, D. Duarte pesa mais que todos os magarefes presidenciais somados e reciclados. Queiram ou não queiram, é mesmo assim e tendo Portugal outras possibilidades além da Europa, há que aproveitá-las. Se os PALOP, o Brasil e Timor estão abertos, temos de seguir em frente e D. Duarte muito bem fez.
Quanto às recorrentes alegações de "gastos públicos" com a Casa Real, tal coisa não passa de uma imunda mentira. Antes pelo contrário, bastas vezes tem o Duque de Bragança trabalhado em prol do espaço lusófono, sem que sequer lhe seja facultado um bilhete de avião. Depois, o Estado aproveita os seus bons ofícios. De uma coisa não há qualquer dúvida: D. Duarte é um homem acima de qualquer suspeita, não entrando em "esquemas" (cavaquistas, por exemplo...).
De Bic Laranja a 7 de Dezembro de 2010 às 17:43
Não querendo duvidar (tenho-o por demais melhor informado que eu) que a rainha Isabel tenha as nacionalidades da Commonwealth, cuido que os estatutos da comunidade prevejam isso doutra forma; tanto mais que a rainha é soberana dalguns desses países, não se colocando melindres subalternos perante esses estados.
Sobre a dotação do orçamento para a Casa Real, é claro que desde 1910 é coisa que não existe.
Cumpts.

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