15 comentários:
De João Amorim a 30 de Dezembro de 2010
As placas centrais tinham várias funções: o passeio pedonal, a caracterização do arvoredo e a definição do que hoje chamamos "cercea", para além da, óbvia, regulação do "trânsito". A cidade do Porto abriu várias avenidas dos finais do séc XIX arejadas e preparadas para serem um bom passeio. Hoje, com as chamadas "requalificações" as duas faixas passaram a uma, estreita, a placa central ficou para estacionamemto e "cargas e descargas", os "passeios" ficaram para serem passeados na internet pois os sacos do lixo e os dispositivos da publicidade tapam toda a visibilidade em redor. Enfim.
Belíssimas fotos que publica.
De Bic Laranja a 30 de Dezembro de 2010
No fundo encolhem as vias de rodagem mas as cidades continuam entregues aos automóveis. Vai de continuar a encolhê-las com mais subúrbios dormitório.
Feliz ano novo!
De João Amorim a 31 de Dezembro de 2010
Feliz Ano novo.
De José Caldeira a 31 de Dezembro de 2010
Caro Bic Laranja:
A propriedade dos Limas Mayer chamava-se “Quinta da Cruz do Tabuado” e estendia-se num enorme triângulo entre as ruas do (Chafariz do) Andaluz e de São Sebastião da Pedreira e a antiga Travessa do Sacramento. Nela tinha sido instituído um vínculo no século XVII que se manteve na família Rebelo de Figueiredo até à extinção dos morgadios. Foi adquirida a partir de 1842 por António Mayer Júnior. A casa que se vê na fotografia foi construída por ele e habitada no Verão pela Família durante cerca de meio século. Ainda não figura na carta topográfica de Filipe Folque e já tinha desaparecido na do princípio do século vinte. A abertura da Avenida de Fontes deve ter apressado a demolição, pois o viaduto afrontava as vistas da casa.
A entrada principal da quinta ainda existe no n.º 50 da rua do Andaluz. É um portão de volta inteiro com as iniciais de António Mayer Júnior no cimo. Está hoje incluído no edifício azulejado, em que os azulejos do andar térreo são alternadamente azuis e brancos colocados em losango.
Grande parte destas informações colhidas em Filipe de Lima Mayer, “Livro de Família”, Lisboa? 1969.
Continuação de Boas Festas e um óptimo 2011.
José Caldeira
De Bic Laranja a 31 de Dezembro de 2010
Caro sr. Caldeira,
Muito grato pelo seu rigoroso esclarecimento.
Suspeitei que a quinta fosse a da Cruz do Tabuado mas não tinha certeza porque fazia a casa na Rua do Chafariz do Andaluz como a principal da quinta, admitindo que esta pudesse ser doutra propriedade. Não fazia também ideia quanto à quinta se prolongar até à paroquial de S. Sebastião da Pedreira, onde a Travessa do Sacramento conflui com a Rua de S. Sebastião. Cuidei que ficasse por alturas da Rua Viriato.
Tudo o que me diz é muito interessante e satisfaz muito a minha curiosidade por estas esquecidas quintas do termo de Lisboa.
Suponho, porém, que o solar está representado na carta nº 12 do Filipe Folque e também numa de Goullard com o mesmo número, de 1877. A casa tinha um corpo quadrangular com pátio interior (ou saguão) e jardim de buxo a N - precisamente onde confluem a Martens Ferrão com a Fontes; à data desta imagem já tinha sido engolido pelas avenidas.
Tanta informação que há por aí desgarrada e tanta história por conhecer...
Cumprimentos e feliz ano novo.
De José Caldeira a 31 de Dezembro de 2010
Estou apenas a partilhar o pouco que sei com um blog onde tanto tenho aprendido sobre Lisboa.
Tem razão quando diz que a casa está na carta n.º 12. Equivoquei-me por pensar que estaria mais junto ao largo do Andaluz. Porém, o largo do Andaluz que aparece nessa carta deve corresponder ao pequeno jardim na esquina da rua Actor Tasso com a de Santa Marta. O grande largo irregular que hoje existe mais a norte deve ter sido aberto na extremidade da quinta, ficando então a casa sobranceira a esse largo.
No referido livro, a casa é descrita assim: «Numa elevação de terreno, mandou António Mayer Júnior edificar uma grande casa quadrangular, com torreões aos cantos e um amplo terraço, ao gosto do século passado.» Acompanha o texto a reprodução de um prato de Limoges de um serviço encomendado em 1892 por Adolfo de Lima Mayer para o casamento de sua filha com o Conde do Cartaxo. Nele se vê o desenho da casa em ponto alto e desafogado. A fachada, que na sua fotografia se vê quase encostada à avenida, tinha uma correnteza de 6 janelas no piso térreo, 4 no corpo central e uma debaixo de cada torreão. Na frente, adivinha-se o tal terraço sustentado por um alto paredão e, à frente deste, a um nível muito inferior, árvores frondosas que deviam delimitar a quinta e devem hoje corresponder ao tal largo.
A identificação que eu faço da quinta com o triângulo de que falo na anterior mensagem baseia-se na descrição um pouco vaga que vem no livro mencionado: «Estendendo-se até ao antigo matadouro das Picoas e descendo ao longo do que é hoje a Avenida Fontes Pereira de Melo, a quinta tinha a sua entrada principal na rua …».
Tratando-se de uma propriedade vinculada no século dezassete, era natural estar repartida por muitos foreiros. Daí as divisões que se observam na planta. António Mayer Jr. começou por comprar a maioria desses foros e finalmente, com a extinção dos vínculos, adquiriu o restante à última morgada, incluindo a casa nobre da rua do Chafariz do Andaluz.
Cumprimentos,
José Caldeira
De Bic Laranja a 1 de Janeiro de 2011
Cuido que é exactamente como diz. A Rua do Chafariz de Andaluz alargava-se um pouco ao desembocar no Largo do Chafariz (mudado no séc. XX), porém não se espraianado como hoje no que é designado Largo das Palmeiras. Pelas curvas de nível da carta nº 12 de Goullard percebe-se que a situação do solar era sobranceira (embora recuada) ao começo da Rua de S. Sebastião - de resto idêntica à que obtemos hoje desde a Rua do Actor Tasso (esta o troço final da velha Rua do Vale do Pereiro) sobre o palacete Sotto-Mayor, se bem que o solar dos Mayer fosse mais desviado para o lado de S. Sebastião.
A descrição que me dá da casa é preciosa. Nas plantas topográficas notará que o caminho principal para o solar partia da Rua do Chafariz de Andaluz, sensivelmente onde a moderna Rua Sousa Martins a veio a truncar. O caminho ligava à frente da casa voltada a Nascente, o oposto ao que temos aqui na fotografia. Como seria aquela fachada...?
Tem outra vez razão sobre as árvores frondosas: estariam plantadas pelo declive onde hoje se abre o Largo das Palmeiras até à cota do Largo de Andaluz, orlando o lado N do último troço da Rua do Chafariz de Andaluz.
Grato pela informação.
Cumpts.
De Luciana a 1 de Janeiro de 2011
Que maravilha, Bic! E, ao mesmo tempo, que tristeza… perante o destino da – anteriormente bela - Avenida de Fontes Pereira de Melo.
E o ano que passou foi trágico! :-(
De Bic Laranja a 1 de Janeiro de 2011
Dramático! Parece que é para continuar.
Feliz ano Novo!
De Mário Cruz a 21 de Abril de 2016
Pode-se fazer um "antes e depois" com foto do Judah Benoliel tirada quase do mesmo lugar
Cota antiga: JBN004862
A27825
N25421
De Bic Laranja a 23 de Abril de 2016
Pode sim senhor.
Grato da sugestão.
De João a 21 de Abril de 2016
Uma das primeiras avenidas de Lisboa a ver os seus belos palacetes "ceifados" pelo progresso nos finais dos anos 60.
Depois nasceram o Imaviz, Sheraton, e o "harmónio" da Europeia Seguradora, etc....
Duma avenida com um certo "charme" nasceu uma avenida ao estilo Nova Iorque ou São Paulo.
De Bic Laranja a 12 de Junho de 2016
É.
De zazie a 21 de Abril de 2016
Eléctrico e terra batida
ehehehe
De Bic Laranja a 12 de Junho de 2016
Macadame.

Comentar