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De José Caldeira a 31 de Dezembro de 2010
Estou apenas a partilhar o pouco que sei com um blog onde tanto tenho aprendido sobre Lisboa.
Tem razão quando diz que a casa está na carta n.º 12. Equivoquei-me por pensar que estaria mais junto ao largo do Andaluz. Porém, o largo do Andaluz que aparece nessa carta deve corresponder ao pequeno jardim na esquina da rua Actor Tasso com a de Santa Marta. O grande largo irregular que hoje existe mais a norte deve ter sido aberto na extremidade da quinta, ficando então a casa sobranceira a esse largo.
No referido livro, a casa é descrita assim: «Numa elevação de terreno, mandou António Mayer Júnior edificar uma grande casa quadrangular, com torreões aos cantos e um amplo terraço, ao gosto do século passado.» Acompanha o texto a reprodução de um prato de Limoges de um serviço encomendado em 1892 por Adolfo de Lima Mayer para o casamento de sua filha com o Conde do Cartaxo. Nele se vê o desenho da casa em ponto alto e desafogado. A fachada, que na sua fotografia se vê quase encostada à avenida, tinha uma correnteza de 6 janelas no piso térreo, 4 no corpo central e uma debaixo de cada torreão. Na frente, adivinha-se o tal terraço sustentado por um alto paredão e, à frente deste, a um nível muito inferior, árvores frondosas que deviam delimitar a quinta e devem hoje corresponder ao tal largo.
A identificação que eu faço da quinta com o triângulo de que falo na anterior mensagem baseia-se na descrição um pouco vaga que vem no livro mencionado: «Estendendo-se até ao antigo matadouro das Picoas e descendo ao longo do que é hoje a Avenida Fontes Pereira de Melo, a quinta tinha a sua entrada principal na rua …».
Tratando-se de uma propriedade vinculada no século dezassete, era natural estar repartida por muitos foreiros. Daí as divisões que se observam na planta. António Mayer Jr. começou por comprar a maioria desses foros e finalmente, com a extinção dos vínculos, adquiriu o restante à última morgada, incluindo a casa nobre da rua do Chafariz do Andaluz.
Cumprimentos,
José Caldeira
De Bic Laranja a 1 de Janeiro de 2011
Cuido que é exactamente como diz. A Rua do Chafariz de Andaluz alargava-se um pouco ao desembocar no Largo do Chafariz (mudado no séc. XX), porém não se espraianado como hoje no que é designado Largo das Palmeiras. Pelas curvas de nível da carta nº 12 de Goullard percebe-se que a situação do solar era sobranceira (embora recuada) ao começo da Rua de S. Sebastião - de resto idêntica à que obtemos hoje desde a Rua do Actor Tasso (esta o troço final da velha Rua do Vale do Pereiro) sobre o palacete Sotto-Mayor, se bem que o solar dos Mayer fosse mais desviado para o lado de S. Sebastião.
A descrição que me dá da casa é preciosa. Nas plantas topográficas notará que o caminho principal para o solar partia da Rua do Chafariz de Andaluz, sensivelmente onde a moderna Rua Sousa Martins a veio a truncar. O caminho ligava à frente da casa voltada a Nascente, o oposto ao que temos aqui na fotografia. Como seria aquela fachada...?
Tem outra vez razão sobre as árvores frondosas: estariam plantadas pelo declive onde hoje se abre o Largo das Palmeiras até à cota do Largo de Andaluz, orlando o lado N do último troço da Rua do Chafariz de Andaluz.
Grato pela informação.
Cumpts.

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